O Bar da Esquina
4 Outra Quinta Feira Adiantada?
Notas iniciais
Acordei no dia seguinte incrivelmente bem, dormi como um anjo! Abri as cortinas e mirei ao longe o filete prateado do East River. Andei pelo quarto bocejando até chegar ao banheiro, tomei banho, escovei os dentes, vesti uma calça jeans e uma camisa azul. Encontrei Santana sentada á mesa da cozinha com uma xícara de café ao seu lado e um The New York Times em mãos, enquanto Brittany fazia panquecas.
– Bom dia, meninas!
– Bom dia, Q. – Britt serviu uma panqueca em meu prato. Santana não respondeu, continuando com a atenção presa ao jornal.
– De mau-humor, Lopez? – perguntei dando a primeira garfada na panqueca.
– Garanto que você também irá ficar diante disso. – lançou o jornal á minha frente e apontou a parte das críticas sobre o meu livro.
“Posso afirmar que ‘Em Meio ao Caos’, o livro da tal Lucy Q. F. é uma mera história, como um romance piegas de Nicholas Sparks. Com a única diferença de que é um livro de ação policial. Não entendo como ele pôde ter tanto sucesso. Garanto que todos aqueles que compraram o livro se arrependerão futuramente, e assim dirão que eu estou certo”. – Bryan Payne, colunista do The Sun.
Bryan Payne, sinceramente o colunista mais chato que eu já vi. Suas redações não são nada boas, não possuem um clímax que nos faz prender a atenção. Não sei, mas ele não é bom no que faz e ainda faz essas críticas ao meu livro. Bufei irritada, devolvendo o jornal á Santana. Oh, Bryan Payne dessa vez, irá ter uma resposta á altura.
– Tenho que falar com Megan. – murmurei. Megan é a minha assessora há cinco anos, tempo o suficiente para que eu tenha total confiança nela. – Mas isso não irá deixar meu dia menos proveitoso. Bem, agora eu irei para o teatro fazer os testes.
– Não tão cedo, Quinn Fabray! Você me deve explicações. – Santana largou a xícara e me olhou com um sorriso sacana.
– Explicação de quê? – fingi inocência, tomando um gole de suco.
– Ora, não venha desconversar. Eu conheço essa cara aí, isso está me cheirando á paixão. O que está esperando para nos contar?
– Santana, você na acha que está sendo atrevida demais? – Brittany se juntou a nós na mesa, dando uma piscadela para mim.
– Brittany está certa. Eu já vou indo... – terminei o suco. – Tomara que hoje eu consiga uma atriz para protagonista. – e ouvi Santana e Brittany murmurarem um ‘amém’.
Logo me esqueci daquela crítica de Bryan Payne e segui tranquilamente para o teatro. O dia estava ensolarado, uma coisa meio rara em NY. Já que aqui o tempo está quase sempre nublado. Enquanto dirigia lembrei-me da cena de Rachel Berry sentada no banco do meu carro sorrindo. O que aquela morena tem que fez surgir esse interesse em mim? Sim, ela é bonita, muito bonita para a altura que tem. Os cabelos castanhos, olhos cor de chocolate que ressaltam bem quando ela muda suas feições. São bem expressivos. O nariz é meio grande, mas é perfeito para o rosto dela. Ah, claro o sorriso! Sim, esse é lindo, juntamente com seus dentes e boca... e que boca! Mas o que eu estou pensando? Dei uma sonora risada com o que acabei de pensar, acho que se alguém viu isso deve estar achando que eu sou louca, já que o vidro está aberto e não tem ninguém comigo. Mas quer saber de uma coisa? Não vejo a hora de chegar quinta-feira, algo me diz que eu vou me dar bem com Rachel.
Entreguei a chave do carro ao manobrista do teatro, Christopher. Não demorou muito para que eu encontrasse toda a equipe do teatro, avistei Megan conversando com John, o diretor da peça. Nossos olhos se encontraram no mesmo instante e percebi que sua cara não era nada satisfeita, provavelmente pela crítica de hoje de manhã. Aproximei-me cumprimentando todos, senti Megan me puxar pelo braço até um canto.
– Bom dia, Megan! Posso saber o motivo dessa cara? – Megan ruborizou envergonhada por nem sequer ter me cumprimentado, para ela a educação era intrinsecamente importante.
– Oh, desculpe-me, bom dia, Quinn. Você ainda não leu o jornal? – perguntou, tirando um The New York Times de sua bolsa. – Olha o que aquele jornalista criticou. – estendeu-me o jornal. Eu o peguei e enrolei com as mãos, Megan me olhava indagadora, então eu sorri e respondi:
– Sim, Santana me mostrou mais cedo. Mas eu não me preocupei com isso, o livro fez sucesso mundialmente sendo o que ele é: ação policial, mistério e lá no fundo um pouquinho de romance. E veja o que aconteceu, Megan! As pessoas o leem e ficam satisfeitas, não reclamam. Lembre-se de uma coisa: leitor que é leitor lê até bula de remédio sem reclamar. O que importa é o gosto pela leitura e o que sua mente é capaz de criar. Agora, não posso culpar Bryan Payne pela sua falta de imaginação. – Megan semicerrou os olhos, concordando com a cabeça.
– Hmm... Vejo que Lucy Quinn Fabray está super calma hoje, o que aconteceu? Tomou suco de maracujá ou... ah, você encontrou alguém que mexeu com o seu coraçãozinho! – bateu palmas empolgada. Acho que meu coração ficou mexido agora, porque ele acelerou como se eu tivesse corrido uma maratona! Eu devo ter ficado vermelha igual á um pimentão, senti meu rosto inteiro queimar.
– O quê? Rachel não está mexendo com o meu... – parei no meio da frase arregalando os olhos. Wow! Acho que acabei de falar besteira. – Quer dizer, não há nada... – pigarreei – Ah, droga! Não tem ninguém mexendo com o meu coração. – Oh, tem sim! E acho que preciso ir ao cardiologista o quanto antes.
Megan gargalhou alto da minha resposta, agarrou meu braço e nos encaminhamos para sala de audição.
– Quinn, você sabe que irá me contar quem é Rachel, não é? – neguei com a cabeça sentindo meu rosto corar. – Tudo bem, não precisa ser agora. Mas assim que der nosso primeiro intervalo, você não me escapa!
Mas será possível uma coisa dessas? Todo mundo desconfiando que eu esteja com alguém! Não que seja verdade. Eu devo ser bem transparente para Santana e Megan terem deduzido isso sem que eu dissesse algo.
Começamos os testes com as atrizes, uma, duas, três e nada. Oh, meu Deus! Onde eu vou achar uma Victória perfeita? Estávamos há exatas duas horas ali, confesso que minha bunda estava ficando quadrada de tanto tempo sentada. John suspirava tedioso ao meu lado direito a cada apresentação e Megan do outro, murmurava algo como: “Quanta falta de talento!” Eu já estava enjoada de estar lá dentro, pelo o que li na minha lista havia mais três meninas para serem testadas. Eu fazia as anotações que deveriam serem consideradas sobre as atrizes, quando John quase gritou levantando-se da cadeira:
– Isso não irá passar de hoje, nem que eu tenha que ir até Hollywood buscar uma atriz famosa! Meninas, vamos almoçar, aqui dentro está muito calor.
Não precisou dizer duas vezes, eu e Megan saímos num zás da sala. Almoçamos tranquilamente no restaurante da Sétima Avenida. Até Megan tocar no assunto de quem seria a pessoa que eu estava ‘ficando’, segundo ela. Confesso que fiquei meio ofendida com tal termo, posso estar em pleno século vinte e um, mas não me acostumo com isso. Sou uma jovem de vinte e sete anos, mas uma escritora das antigas e com a mente também, quando se trata de relacionamentos amorosos. Entretanto, acabei contando sobre a morena das quintas feiras (eu a apelidei assim quando não sabia seu nome), e que eu a levei para casa ontem. Megan vibrou com a notícia, soltando gritinhos de empolgação, dizendo que precisava conhecer a tal morena que roubou meu coração. Eu não estava apaixonada por Rachel (?). Eu apenas queria a conhecer e foi isso o que aconteceu, mas isso não explica minhas reações... É melhor deixar isso quieto. Contei também dos planos que eu tinha para hoje á noite. Megan iria emitir uma resposta para a crítica de Bryan Payne, e acho que depois do que eu (Megan) publicar, ele não fará mais comentários insolentes ao meu precioso livro que demorou sete anos a ser escrito. Terminamos o almoço e seguimos para o teatro novamente e... bem, continua na mesma, nenhuma atriz me agradou, muito menos á John. Eu me sentia como uma criança que quer chorar por algo que não está dando certo, eu iria passar mais um dia sem achar minha futura Victória...
– Quinn, parece que temos uma atriz que se inscreveu de última hora para o teste e ela já deve estar chegando. – John me passou sua lista, que mostrava um espaço vago sem nome na relação. Oh, tomara que essa seja a minha salvação. Mas como eu vou testar alguém sem saber o nome. Hmm... pode esquecer, Quinn Fabray não vai ser hoje mesmo.
– E cadê essa moça? Isso é antiético atrasar-se para uma vaga de emprego. – Megan cruzou os braços e suspirou teatralmente, se recostando na cadeira.
– Desculpe a demora, mas o trânsito está caótico lá fora. – Oh, eu conheço essa voz. Desgrudei os olhos das minhas anotações e... – Eu sou Rachel Berry.
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