O Bar da Esquina
12 Interrupted Again
Notas iniciais
Algumas horas depois da cirurgia de Sam, as meninas foram liberadas para visitá-lo já no quarto. E, por incrível que pareça, ele não poderia aparentar estar mais saudável. Assim que Quinn, Santana e Brittany entraram no recinto ele abriu um grande sorriso, em seguida olhou para o braço e fez uma expressão chorosa. Todas riram levemente, embora ainda estivessem com uma pontinha de preocupação.
– Sam, seu boca de caçapa! Você tem noção do susto que deu em todas nós? – Santana esbravejou chegando próximo á cama. – Como você esta?
– Está tudo ótimo! Tirando o fato de metade do meu braço ser constituído por uma placa de titânio agora... – zombou, sorrindo de canto.
– Sam, me perdoe! – Quinn contornou a cama e segurou a mão esquerda do amigo.
– Por que eu teria que te perdoar, Quinn? Pelo fora que você me deu há nove anos? Tudo bem, isso já está perdoado. – respondeu e Quinn franziu a sobrancelha incrédula.
– O médico só pode ter dado o diagnóstico errado, você bateu com a cabeça? Não é disso do que eu estou falando! – Quinn foi enfática na resposta, corando um pouco. Sam, Santana e Britt sufocaram as risadas que iriam dar.
– Eu estou brincando, loira! – e Quinn voltou a olhá-lo confusa novamente. – Sinceramente, Quinn, há horas que sua inteligência desaparece ou será que você se tornou uma boba apaixonada?
– Por Deus, Sam! Você acabou de sair de um acidente, você não pode estar falando sério... Era para eu estar dirigindo o carro na hora do impacto... – Quinn parou de falar por um instante e olhou para Brittany. – Britt, tudo o que eu vou falar agora, não pode sair daqui, tudo bem? Ninguém pode saber.
Santana lançou um olhar incrédulo para Quinn, quando viu a expressão amedrontada de Brittany e a abraçou de lado.
– Nem para a Rachel? – apertou o abraço na latina, com medo do que pudesse ouvir.
– Não... ainda não. – Brittany assentiu. – Alguém está me perseguindo, eu não sei quem é, de onde vem ou por quê, mas esse acidente era para ter acontecido comigo...
E ali, Quinn mais uma vez fez um monólogo explicando toda a situação para Brittany e Sam. O loiro ficou alarmado e prometeu que protegeria todo mundo como sua vida. Mas não era isso que Quinn queria. Não era medo da tal pessoa conspirando contra ela que ela tinha medo, na verdade, seu real medo era do que ela poderia fazer. As reais consequências do modo Fabray. O plano já estava arquitetado em sua cabeça.
No quarto ao lado, Rachel descontava toda sua frustração em Noah.
– Eu já não sei mais o que fazer, Noah! Já pedi, implorei, chorei... – passou a mão pelos cabelos e crispou os lábios. – Imagine se fosse os homens do cassino naquele carro, pelo o amor de Deus. – deixou uma lágrima teimosa escapar.
– Hey, princesa, relaxa... está tudo bem comigo agora. Eles não vão vir atrás de mim. – Noah arregalou os olhos assim que concluiu a frase, se martirizando mentalmente.
– Como você pode ter tanta certeza? Não se lembra do porquê de nós termos vindo morar em NY?
– Claro! Você quer se tornar uma diva do Broadway. – tentou disfarçar.
– Não se finja! Você se encheu de dívidas lá e a única saída era os nossos pais nos tirar daquela cidade! – começou a andar de um lado para o outro, nervosa.
– Não me culpe, nós saímos de lá por sua causa também! Não é? Vai me dizer que já está curada dos seus problemas mentais? Ou que não era a judia baixinha que sofria bullying de todas as formas, hein? Me diz, Rachel!
Não houve um ou dois segundos depois, assim que terminou a sentença, Rachel desferiu um tapa na face de Noah e assim, se instalou um silêncio dentro do quarto. O judeu encarava Rachel atônito, em contrapartida, Rachel o olhava furiosa, mas internamente estava terrivelmente magoada.
– Eu não tenho problemas mentais! Nunca mais abra sua boca para falar dessas coisas novamente, Noah!
Sem querer, Rachel exaltou seu tom de voz, mal ela sabia que, do lado de fora do quarto Quinn ouvia tudo. Não que a loira estivesse interessada em ouvir a conversa alheia, ela apenas queria ver como a morena estava, mas pelo visto chegou na hora errada.
~.~
Passaram-se dois dias após o acidente, tudo aparentemente parecia normal. Não para Quinn. A recuperação de Sam ocorria perfeitamente bem e de Noah também, embora fossem pequenos ferimentos. A reunião que a escritora havia marcada, foi desmarcada. Quinn precisava pensar, colocar a cabeça e as ideias no lugar novamente. Mas era uma tentativa falha. Desde ter, sem querer, ouvido a conversa de Rachel e Noah no quarto sentia que algo estava errado com a morena, Rachel estava a evitando. Mas sempre Quinn conseguia se aproximar, era basicamente impossível se manter longe de Rachel e o teatro era uma ótima desculpa para isso.
John havia marcado uma reunião com todos os atores do elenco da peça, o pessoal da produção de espetáculo, Quinn e Megan para oficializar: a peça estrearia dali a dois meses. Quinn não podia ficar mais feliz do que estava, em sua cabeça, o espetáculo ainda demoraria a ser lançado, mas para sua surpresa, o desempenho de todos contribuiu para que tudo caminhasse rapidamente. O espetáculo tinha tudo para dar certo, tamanha a aceitação do livro pelo público. Todos estavam agitados, inclusive Rachel que via sua foto e nome em destaque no cartaz da Broadway. Seu sonho estava se realizando, graças á Quinn! Sua vontade era de agradecer Quinn incansavelmente, porém, depois da conversa com Noah, aquela insegurança que sempre a assolava quando adolescente, estava de volta. De tanto falarem, Rachel colocou na cabeça que era um estorvo para qualquer um, por isso não deixava que a loira se aproximasse dela.
Mas Quinn pouco ligava para isso. Para alguns, essa intensidade do que uma sente pela outra mesmo sendo há poucos dias pode parecer loucura, algo que não pode existir num curto espaço de tempo. Mas não se deve brincar com uma coisa dessas, quando um é feito para outro, basta apenas um olhar, uma palavra, um sorriso, algo ínfimo, para que se deixe levar pelos encantos da paixão. E Quinn não se importava com o que os outros poderiam pensar, mesmo que não quisesse sua mente trabalhava para Rachel. A morena era dona de seus pensamentos.
Era tarde, os ensaios já haviam acabado há muito tempo, mas como de costume, Rachel sempre ficava sozinha –achava ela- para se dedicar mais ao seu papel, lia e relia seu script repetidamente, andava pelo palco, gesticulava, sorria sozinha, ás vezes cantava baixinho, isso sem notar a presença de Quinn no último e mais alto banco da plateia. Os olhos verdes da escritora brilhavam e um sorriso singelo brincava em seus lábios toda vez que ela a assistia dessa forma. Decidiu então, que deveria se aproximar. Levantou-se e pôs-se a caminhar vagarosamente em direção ao palco. De repente Rachel para de falar como se sentisse que algo se aproximava, Quinn estaca onde está. Mas a morena prossegue, mesmo que com uma pulga atrás da orelha, Quinn solta o ar que havia prendido e torna a andar. A voz de Rachel vai se esvaindo “ela vai parar” a loira pensa. A menos de um metro de distância do palco, Quinn consegue ver Rachel parada ao centro do como se estivesse a esperando, e assim ela se aproxima mais e mais.
– Foi lindo... – Quinn sussurra, saindo da escuridão e entra no centro do palco, assustando a judia. – E será perfeito quando estrearmos.
Rachel apenas sorriu e corou, ela sabia que Quinn estava ali. O perfume que sentiu era inconfundível. E isso só dificultaria as coisas para o seu lado, ela não queria ficar sozinha no mesmo ambiente que Quinn Fabray, era tortura demais.
– Obrigada, Quinn... eu já estava terminado aqui, eu gosto de ficar um tempo há mais só para aperfeiçoar, sabe? – começou a organizar os papéis, sem olhar para Quinn.
– Você é perfeita, acredite nisso. – se aproximou ainda mais, quase que encurtando a distância entre elas. Rachel teve que prender o ar por alguns segundos. Ela não conseguia acreditar em tais palavras. Então, continuou emudecida. – Por que está me evitando, Rach?
Oh, isso era maldade! Chamá-la pelo apelido quando se está muito próximo não era uma forma de fazê-la formar um pensamento coerente. Coerência? Quinn esqueceu-se do significado desta palavra assim que decidiu subir ao palco. A verdade, era que ela não havia conseguido tirar da cabeça o momento em que elas quase se beijaram no hospital. E a vontade de repetir o ato e ir até o final a consumia por inteiro. A judia viu que não seria uma boa dar uma de desentendida e se entreter com os papeis, encarou Quinn, e se perdeu naquele mar verde e dourado mais uma vez, era como magnetismo.
Quinn tomou a iniciativa de ocupar todo o espaço que havia entre elas, e pousou a mão no queixo da morena forçando a encará-la e mais uma vez Rachel deu um passo a frente, o ar que respiravam era o mesmo, mas...
– Quinn! Ainda bem que te encontrei, estava te procurando pelo teatro inteiro!
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