O Bailar de Asas Douradas
18 Retorno
Notas iniciais
As batatas eram enterradas com zelo e cautela na terra marrom escura, em buracos feitos pelos dedos finos e ágeis de Yaha. O céu, pintado de nuvens negras e densas, era sinal da tão aguardada chuva. Ela ouviu cascos de cavalo aproximando-se, e o ranger das rodas de uma charrete.
— Fizeste boa viagem? — Yaha perguntou, levantando-se.
— Sentiste minha falta? — Ela arqueou as sobrancelhas. Lázaro mordeu o lábio inferior, desmontando. — Fiz boa viagem sim. Os ventos estavam bons. Consegui sarpar de Adryvia antes da noite clara. — Entregou-lhe um papel selado. — Antes que esqueça. A resposta de tua irmã.
— Obrigada.
— Lázaro! — Geanna gritou, correndo sua direção e abraçando-o. Max a seguiu. — Senti tanta saudade de ti.
— Eu também. — Ele bagunçou o cabelo dela, que retribuiu com um sorriso. Yaha suspirou. — De ambos.
— Chegaste a tempo dos meus anos. — A menina abriu um sorriso.
— E dos meus — Max disse. — Que são em três dias.
— Quando é o dia do teu, Lázaro? — ela perguntou, falando tão rápido que mal respirava entre as palavras.
— Comporta-te, Geanna — Yaha disse, ríspida.
— Perdão. Mas quando é?
— Sempre esqueço, por causa do calendário de Egron, mas imagino que já tenha passado. Pelo que me recordo, tenho vinte-e-sete.
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