O Bailar de Asas Douradas
22 Fantasmas da memória
Notas iniciais
Como poucas vezes, a casa silenciara. As crianças desfrutavam de seu sono infantil de sonhos e fantasias. Yaha espantou os cachos dourados de Max e beijou-lhe a testa, pensando em como o garoto parecia com o pai que jamais conheceu.
— Prometa-me, Reimar, que voltarás. — Ele a olhou, os olhos azuis analisando-a. — Se não puder prometer por mim, prometa pelo filho que ainda não conhece. Pela filha que tanto ama.
Reimar riu, colocou a mão na cintura de Yaha e puxou-a para si.
— Queria prometer-lhe o mundo, meu amor. — Ele encostou a sua cabeça na dela. — Mas não faço promessas que não cumpro.
Beijou-a, montou em seu cavalo e partiu.
Pela porta entreaberta, o som do alaúde entrou calmo. Yaha balançou a cabeça, expulsando os rebotalhos de memória. Caminhou até a sala. Sentando a frente da lareira, estava Lázaro.
Seus dedos finos dedilhando o instrumento, enquanto a voz entoava uma serena canção:
“Vislumbro eu extasiado
Do canto do meu jardim
O bailar de asas douradas
Em sua solidão sem fim
Dançando e dançando
Em seu breve festim”
— É uma bela canção — Yaha falou, sentando a sua frente.
— Compus para ti. — Lázaro sorriu, aproximando-se dela.
Olhou-a; tomou a mão dela na sua. Yaha entrelaçou seus dedos nos dele.
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