O Bailar de Asas Douradas
30 Ambições
Notas iniciais
— Quanto tempo leva para arrumar tuas coisas? — Reimar perguntou. Estava tamborilando os dedos na taça desde que a refeição fora encerrada e as crianças recolheram-se para dormir, horas após a partida de Lázaro.
— Perdão? — Yaha disse, piscando os olhos e arrumando-se na cadeira. O fogo da lareira crepitava.
— Mudar-nos-emos. — Tomou o resto da cerveja. — O rei convidou-me para ir à Corte servir como seu conselheiro.
— Uma grande honra.
— Um grande mérito. — Levantou-se, caminhou solenemente e serviu-se de mais cerveja. — Quando da reconquista do Palácio de Halston, o rei deu-me o título de barão e sagrou-me cavaleiro.
Yaha olhou-o por um instante; entendera, pois, as roupas de cetim, a capa de brocado, o rotundo emblema estampado.
— Sempre foste ambicioso.
— Que mais haveria de ser? — Sentou-se em frente a Yaha. — Quero que minha esposa e minha filha tenham mãos de fada. Que durmam sobre travesseiros de plumas. Quero que meu filho seja mais que um trabalhador braçal. — Tossiu, esvaziando a taça. — Mas talvez esteja acostumada com um bardo sem quaisquer sonhos de vida.
— Não ouse, Reimar — Yaha falou, ríspida, levantando-se. — Tinha esperanças que continuaríamos morando nesta fazenda, mas se teu desejo é ir para Corte, que assim seja. Partimos em três dias.
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