O Assassino E Os Soldados Do Caos
2 Capítulo 2 - Caos
Notas iniciais
Meu encontro com o Caos foi numa ótima hora, eu já estava cansado e quase não me aguentava em pé mais. Já tinham se passado uma semana e meia que eu tinha saído do acampamento, estava com fome e com sede, precisava de um banho e não dormia a dias, pois os monstros não me davam descanso. Se Caos não tivesse aparecido naquela hora, com certeza, se eu não morresse nas mãos de um monstro, seria minha própria exaustão que iria me matar. Tinha a sensação de que meu estômago se viraria contra mim.
Eu estava andando há dias. Minhas pernas estavam bambas, mal tinha comido e dormido nesses últimos dias. Estava sendo perseguido constantemente por monstros e não podia deixar de ficar alerta. Minha única arma era contracorrente, pois com o meu cansaço não conseguia usar meus poderes.
Nesse exato momento estou sendo perseguido por uma hidra, umas seis dracaenaes, e alguns lestrigões. Eu tentava ao máximo despistá-los para não precisar lutar, mas estava difícil, não queria ter que enfrentá-los, pois sabia que perderia fácil, ainda mais com uma hidra estando do outro lado.
Eu estava correndo cada vez mais devagar, decidi então que iria enfrentá-los, não aguentaria correr por muito mais tempo, então decidi acabar logo com isso. Mesmo na situação em que estou, não quero acabar virando jantar de monstros, não seria uma forma agradável de morrer, e muito menos digna. Pois é, depois de tudo ainda tenho um resquício de dignidade.
Viro-me e o primeiro monstro que estava na minha cola era uma dracaenae. Peguei contracorrente e comecei a golpeá-la, eu podia estar fraco, mas minha habilidade ainda era boa. Desci a espada em direção ao seu flanco direito, mas no último momento virei para o flanco esquerdo, a cortando no meio. Pó dourado de monstro se espalhou pela rua, e mais duas dracaenaes vieram para cima de mim.
Eu as atacava, mas já estava perdendo o restante das minhas forças. Quando percebi, já tinha acabado com todas as dracaenaes, mais ainda faltavam os lestrigões e a hidra.
Antes que eu pudesse partir para cima deles ou eles partirem para cima de mim, um vórtice apareceu do nada entre eu e os monstros, sugando-os e os mandando para algum lugar que eu não fazia ideia de onde era e nem queria saber. Outro vórtice apareceu assim que o outro desapareceu, e de lá saiu um homem encapuzado e com um sobretudo. Dava para perceber sua aura de poder mesmo estando a quilômetros de distância dele. Ele transpirava poder e imponência. Ele era alto, não muito forte, mas não é como se isso importasse já que só sua aura já botava medo em qualquer um. Não dava para saber a cor de seus cabelos e olhos, pois estes estavam escondidos pelo capuz do sobretudo.
Eu sabia que, quem quer que fosse, poderia me matar só com um estralar de dedos. Ele olhou na minha direção e começou a andar ao meu encontro.
Eu não sabia o que fazer, não sabia se ele era meu inimigo ou meu amigo, mas mesmo assim levantei a minha espada para me defender de qualquer coisa que ele fizesse, se decidisse se divertir antes de querer me matar.
— Quem é você?— Perguntei desconfiado.
— Eu sou Caos. — Ele diz como se isso não fosse nada. Meus olhos se arregalam e Imediatamente me curvo à pessoa que agora está na minha frente. Caos é o ser que criou o universo, pai dos Deuses Primordiais, avô dos Titãs, e bisavô dos Deuses Olimpianos. Ele é o ser mais poderoso de todos os tempos. Qual é? Eu posso não ser a pessoa mais inteligente do mundo mas eu sei quem é o criador ok?
— Você é meu tatat...Deixa pra lá.
Ele riu e disse:
— Vejo que continua com o mesmo espírito de quando era mais novo. Lerdo e ao mesmo tempo leal. Você será uma ótima aquisição para o meu exército, se for bem treinado.
— Hãm... Desculpe, mas do que você está falando?
— Bem, eu ando observando este planeta desde que eu o criei e então comecei a formar um exército que ajude a livrar do mal todo o universo, é um tipo de caçadoras de Artemis, se isso for ajudar você a compreender melhor, mas nós não fazemos um juramento de castidade e nem odiamos os homens. Meu exército é composto por homens e mulheres, heróis que eu observei e vi que tinham algo de especial e que eu sabia que poderia confiar. A razão deu estar aqui é exatamente para isso. Eu venho te observando há alguns anos e vi tudo o que você fez, tenho certeza de que depois de tudo pelo o que passou seria um alivio um tempo de descanso, mas depois você receberia minha benção e ai teria que começar o treinamento. E o mais importante, todo exército precisa de um comandante. Então eu queria saber se você aceitaria ser meu comandante?— ele perguntou.
Eu pensei sobre isso e percebi que nada mais me restava nesse planeta. Não tinha mais nenhuma ligação com ele. Nada pelo qual valeria a pena continuar aqui. Não tenho nada a perder, pensei.
— Eu aceito. — Respondi.
Caos pareceu um pouco aliviado. Ele acenou com a mão e outro vórtice apareceu. Caos indicou para que eu entrasse e foi o que eu fiz. Antes, eu parei e olhei para trás, queria ter uma imagem da última coisa que vi antes de mudar minha vida para sempre. Lembrar o porquê de ter ido embora era a razão para que eu nunca mais quisesse voltar.
Assim que entrei no vórtice, apareci imediatamente em uma cidade, mas não era uma cidade comum, era um lugar enorme, que parecia ser dentro de uma grande cápsula de vidro ou algo parecido, quando olhei para cima, em vez de ver um céu azul, eu vi um céu preto com vários pontos brilhantes e a todo minuto passava um meteorito por ali, uma “estrela cadente”.
Caos olhou para mim, e viu como eu observava o céu.
— Gostou? Essa cápsula não permite que nada caia aqui dentro, viver vagando pelo espaço tem seu lado ruim. Antes de termos essa cápsula ai, nós tínhamos uma redoma de vidro, mas ela era facilmente quebrada quando um meteorito a atingia. Agora temos essa daí, ela repele tudo que tentar entrar aqui dentro sem minha permissão.
— Isso é demais.
Caos me deixou observando tudo enquanto pedia para chamar alguém.
Tudo ali me deixava de queixo caído, aquela cidade era uma espécie de cidade que normalmente vimos em filmes futurísticos, mas bem mais bonita.
Caos me tirou do transe em que eu estava, e me mostrou toda a cidade. A cada passo que dava mais eu me surpreendia. Era incrível toda aquela tecnologia, com certeza ali seria o paraíso para os filhos de Hermes. Por último ele me levou até a sua sala, de onde ele tinha visão de toda a cidade principalmente do pátio e da arena, que tinha todos os tipos de armas e mais algumas que eles mesmos inventaram.
Caos me levou até essa janela gigante e abriu os braços.
— Sou obrigado a dizer isso, mas eu quero fazer então...
Ele me puxou com um braço e me virou de cara para a janela.
— Seja bem-vindo a Cidade do Vazio, onde os melhores heróis são reunidos.
É com certeza minha vida iria mudar radicalmente a partir de hoje. E eu espero, realmente, que seja para melhor.
Minha vida mudou e muito depois daquele dia. Ser o comandante do exército assim que cheguei não agradou alguns dos soldados, mas depois todos eles viram como eu merecia ser o comandante, eu fazia questão de provar que eu podia liderá-los, que eu era bom o suficiente para isso.
E, bem, eles me aceitaram. Todos aqui são como uma família, e eu sei que eles nunca me trairiam, pois todos ali já passaram por isso, ou pelo menos a maioria sabe como é ser traído. Nós fazemos um juramento assim que entramos. Trair nunca, dar nossa vida um pelos outros sim.
E hoje, eu tenho que agradecer ao Caos, por ter me dado essa chance, devo muito a ele. E ele sabe que, o que quer que ele peça, eu irei fazer, apenas para mostrar como sou grato a ele.
Mas o que ele me pediu dessa vez, eu nunca poderia aceitar de bom grado.
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