O Assassino De Reis - O Desejo De Anna
39 Capítulo Extra : Veias Negras
Local : Castelo de Solitude – Quarto de hóspedes
Status : Noite enluarada
Dia : 8 de fevereiro
Hora : 23 : 30
Personagem : Roger
*
Algumas horas depois da partida de Kristoff , Roger se preparava para a difícil e longa jornada até o reino de Arendelle. Em um quarto cedido por Rapunzel ele organizava tudo que seria necessário para a viagem , agasalhos e comida eram a prioridade , mas não esqueceu a lanterna. Felizmente , um alfaiate local ofereceu um desconto pelos agasalhos e a comida se resumia em frutas pequenas , poucas , mas era o suficiente.
Fazia tudo calmamente , sem pressa e com a mente vazia. Mas depois de um tempo no silêncio , Roger sentiu um vazio em seu coração , pois a última vez que vira Elsa fora em um quarto parecido com o que ele estava.
Mesmo com o rosto de Elsa em sua mente , Roger não se deixou levar pela tristeza e pela perda , estava disposto à ajudar o Kristoff , pelo bem de Anna. Ele não pensava no que fazer depois , tudo que via para seu futuro era um descanso eterno , finalizando o seu sofrimento de uma vez por todas.
– E essa é a última... – Resmungou ele fechando o saco de comida com um nó.
Com tudo pronto , Roger se preparou para sair.
*
Depois de chegar na entrada do castelo , Roger deu de cara com dezenas de pessoas que faziam do castelo um abrigo para se protegerem da praga. Sem tempo , Roger desceu as escadas , mas parou na metade , pois Rapunzel passava por ele em silêncio.
– Abriu os portões pra toda essa gente ? – Perguntou Roger se virando para encara-la.
Rapunzel parou de andar assim que ouviu a voz de Roger e se virou para encara-lo. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar e não conseguia esconder o cansaço.
– Já está indo ? – Ela perguntou claramente abatida com toda aquela situação.
– Quanto mais cedo , melhor.
– Mas está de noite e...
– E isso é o menor de nossos problemas e não temos muito tempo. – Ele desviou o olhar para as pessoas. – Como vamos saber se não estão infectadas ?
– Você irá descobrir quando sair.
Sem mais palavras , Roger começou a andar novamente.
– Boa sorte lá fora. – Disse Rapunzel.
E então , Roger parou novamente e a encarou.
– Tudo vai ficar bem. – Ele respondeu. – Só não deixe essas pessoas perderem a esperança , senão... Tudo pode piorar.
– Roger... – Ela abaixou o tom de sua voz. – Acha que , se o Kristoff visse como a situação está , ele escolheria a cura no lugar da Anna ?
– Não sei , o que você acha que o Flynn faria se você estivesse no lugar da Anna ?
Com as palavras pronunciadas , Roger seguiu seu caminho até a saída , passando por dezenas de pessoas desesperadas por ajuda. Mal pôde ver que Rapunzel havia ficado sem palavras e seus olhos foram tomados pelas lágrimas.
*
Já do lado de fora do castelo , Roger viu um pequeno grupo de guardas cercando a entrada do castelo , garantindo que nenhuma pessoa infectada entrasse. Roger sentiu nojo de tal estratégia , acreditava que todos deviam receber ajuda , mas logo notou que alguns curandeiros já ajudavam com o que tinham. Demorou para ele passar pelo cerco dos guardas e demorou mais ainda para sair das ruas , pois tentava evitar o máximo possível o contato com outras pessoas. Portanto , a melhor opção eram os telhados , pois eram muito próximos um do outro , o que facilitava os saltos de telhado em telhado. Sem pensar duas vezes , Roger amarrou os dois sacos na cintura e começou a escalar uma casa que estava inacabada e não demorou muito para chegar ao topo. Enquanto ele pulava de telhado em telhado , Roger presenciou o caos que havia reinado sobre Solitude. A maioria das pessoas estavam tossindo sem parar e algumas tinham suas veias com uma cor escura , principalmente as veias do braço e do pescoço que eram mais explicitas. Para iluminar o caminho , guardas com armaduras reforçadas seguravam luminárias pelo caminho.
“ No final das contas , também precisamos focar na cura.” – Pensou Roger.
E então , ele apertou o passo até o estabulo , mas continuava cuidadoso para não cair.
*
Depois de muito esforço , Roger conseguiu chegar até o estabulo e desabou em um monte de feno. Seu corpo já não respondia mais , ele estava exausto , mal conseguia se levantar. Porém , ficou feliz em rever um rosto conhecido que também estava no estabulo , Sven.
– Sven ! – Disse Roger animado.
Mas a alegria tímida durou pouco , pois Sven parecia triste. Roger não teve duvidas de que Kristoff havia deixado Sven em Solitude para a segurança do mesmo.
– Sei que está chateado. – Disse Roger apoiando as costas na parede e se levantando lentamente. – Mas foi melhor assim , acredite.
Porém , a expressão de Sven continuava sendo de pura tristeza , tanto que o mesmo estava ignorando as cenouras que estavam em uma estante de madeira no canto do estabulo.
– Gostaria de ir para Arendelle comigo ? – Perguntou Roger já de pé. – Eu estou precisando de uma carona mesmo.
Sven olhou para Roger com um sorriso breve.
– Ótimo !! – Disse Roger tentando animar Sven , mas nem conseguia animar a si mesmo. – Vamos antes que comesse a chover.
*
Com a ponte que ligava o reino de Solitude com a floresta livre de pessoas , Roger teve problemas em passar por um outro grupo de guardas que impediam que os infectados pela praga saíssem do reino , assim evitando que a praga se espalhasse em reinos e vilas vizinhas. Depois de Roger mostrar que ainda estava saudável e não tinha as chamadas “veias negras” , os guardas abriram o caminho Sven começou a correr na mesma velocidade de um cavalo , fazendo Roger quase cair.
Eles cruzaram a ponte e começaram a seguir a trilha de pedra que levava para o reino de Arendelle. Roger já sabia o caminho e dos perigos que poderia enfrentar , mas nada podia impedi-lo de tentar. Quando a escuridão já tomava conta do caminho , ele acendeu a lanterna e iluminou o caminho. O alcance da luz não era muito grande , mas era o suficiente para iluminar a trilha.
O vento frio da floresta batia em seu rosto com força , fazendo Sven diminuir a velocidade. Mas Roger o encorajou e Sven começou a correr novamente.
– Vamos conseguir... – Resmungou Roger quase desmaiando. – Vamos conseguir...vamos...
Seus olhos começaram a arder por causa do vento e começou a sentir cãibras nos dois braços. Mas não parou , enfrentou o vento frio como se a Elsa ainda estivesse viva , esperando por ele em Arendelle. Enquanto ele lutava para se manter consciente , ele via o rosto de Elsa em seus pensamentos , provocando algumas lágrimas de tristeza. Porém , aquilo que era motivo de tristeza acabou se transformando em uma razão para continuar adiante. E assim , Roger e Sven enfrentaram a natureza. Era apenas o começo de uma longa jornada...
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