O Assassino De Reis - O Desejo De Anna
54 Capítulo Extra : Lutando Para Respirar
Notas iniciais
Local : Castelo de Solitude — Quarto de Rapunzel
Status : Dia nublado com chuva fraca
Dia : 9 de fevereiro
Hora : 18 : 20
Personagem : Rapunzel
*
Sozinha em seu quarto , isolada do caos , Rapunzel acaricia seu filho. Deitada ao lado dele na cama , ela fechava os olhos , esperando que tudo aquilo fosse apenas um pesadelo terrível.
Não estava conseguindo aceitar o fato que ela não podia fazer nada para ajudar o próprio povo que ela amava assim como o seu filho. Sua única esperança era Flynn voltar com a cura em mãos , mas a situação ficara caótica demais.
Mesmo dentro do castelo , ela podia ouvir o desespero das pessoas que estavam do lado de fora , lutando para continuar respirando e firmes na luta contra a praga que já havia tomado conta do reino de Solitude.
Cansada de esperar pelo Flynn , Rapunzel se levantou da cama e deixou seu filho no berço , cobrindo-o com um cobertor pequeno e macio.
– Eu já volto… — Disse ela dando um beijo na testa do filho e se virou de frente para a janela.
A visão era da praça do reino , onde havia uma enorme estrela pintada no chão. Lá estava uma grande quantidade de pessoas que , apesar da distância , era explícito que estavam infectadas , pois as veias negras de cada um eram perfeitamente visíveis. No meio daquela multidão , um homem branco , alto e forte estava encima de uma mesa com uma adaga na mão. Assim como os outros , ele também possuía veias negras , principalmente no pescoço. Porém , ele ainda conseguia gritar , ele era o único entre vários que ainda não parecia estar tomado pela praga.
Rapunzel se calou para ouvir as palavras de tal homem.
– AMIGOS !! — Gritou ele. — NOSSO REI NOS ABANDONOU !! NOSSOS ALIADOS NOS ABANDONARAM !! A AJUDA NÃO CHEGARÁ ! MAS , SE VOCÊS SE JUNTAREM À MIM , ABRIREMOS OS PORTÕES E SAIREMOS DESSA PRISÃO !! PORQUE EU , MEUS AMIGOS , NÃO QUERO MORRER SEM LUTAR PELA MINHA VIDA !!
Ele fez uma pausa forçada , pois um pouco de sangue escorria de sua boca. Ele estava claramente lutando contra a praga , não queria se entregar. Recuperado , ele continuou com um tom mais baixo , mas Rapunzel ainda conseguia escutá-lo. Naquele momento , uma quantidade maior de pessoas pararam para escutar as palavras do homem.
– Eles dizem que nós não podemos sair , não querem espalhar a praga para outros reinos !! — Continuou ele. — E quem são eles para decidirem por você ?! Quem são eles para decidirem o destino de seu filho e de sua filha ?? Eu digo que NÓS DECIDIMOS POR NÓS MESMOS !! NÓS DECIDIMOS O NOSSO DESTINO !!
Um grito de apoio ecoou da multidão , reunindo um número maior de pessoas.
– E , meus amigos...eu digo mais ! Por que nós devemos nos importar com a segurança de reinos como Arendelle e Ilhas Do Sul ?? Eles começaram tudo isso e acabaram atingindo a NOSSA CASA , NOSSAS FAMÍLIAS E NOSSAS VIDAS COM A GUERRINHA DELES !! E onde eles estão agora quando mais precisamos deles ?? Eles nos deram as costas !
Novamente , um novo grito de apoio ecoou por todo o reino , intimidando os guardas que estavam protegendo o portão que separava o reino de Solitude do resto do mundo.
– Nossa comida está acabando !! Nossos curandeiros não podem fazer nada contra essa doença !! E quando percebemos , estaremos no meio de um caos sem chance de sobrevivência , espremidos como ratos em canos lutando pela última migalha de comida... Mas a resposta , nossa salvação , está atrás daqueles portões !! — Ele apontou para os portões , fazendo os guardas redobrarem a atenção. — O que me dizem ?! Querem lutar pela sobrevivência ou preferem esperar a morte sem fazer nada ??
Rapunzel não queria mais ouvir , pois já estava vestindo o casaco preto e indo até o homem. Estava determinada a mostrar que ele estava errado.
Abriu a porta do seu quarto , mas antes de sair , desviou o olhar para o seu filho. Mesmo querendo ficar , seu coração a mandava exercer seu papel como princesa e tranquilizar e guiar o seu povo em meio aquele momento de caos e escuridão.
Passou por alguns corredores vazios até dar de cara com seu pai e sua mãe , ambos assistindo e ouvindo o homem no meio da praça. Os dois pareciam abatidos , como se as palavras perfurassem seus corações.
– Ele tem razão... — Disse o pai de Rapunzel sem tirar o olhar da janela. — O reino de Arendelle trouxe essa guerra para nós... E eu fui um tolo em não ter feito nada...
Ele desviou o olhar para Rapunzel , finalmente notando a presença da mesma.
– Onde você vai ? — Perguntou ele.
– Concertar isso. — Respondeu ela. — Não se preocupem , eu volto.
Sem mais palavras, Rapunzel seguiu o seu caminho até a saída do castelo. Vanessa , sua mãe , tentou impedi-la , mas seu marido a segurou carinhosamente pelo ombro.
– Eles não vão nos ouvir. — Disse ele. — Mas , eles podem ouvi-la.
– Mas ela vai ser infectada !! — Retrucou ela.
– Tenha um pouco de fé em nossa filha , por favor.
*
Passando pelo cerco de guardas que protegiam os portões do castelo , Rapunzel seguiu os gritos da multidão até chegar à praça. Ela estava sem nenhum guarda-costas ou qualquer tipo de proteção.
No caminho , ela deu de cara com o caos que destruía seu reino pouco a pouco. Pessoas jogadas em becos como se fossem animais , pais desesperados por um curandeiro , brigas por causa de uma quantidade insignificativa de água e várias outras situações revoltantes. Mas ao mesmo tempo que ela se chocava com o que via , encontrava motivos para manter a esperança viva , pois logo depois ela viu pessoas dividindo agasalhos , mendigos , que não tinham praticamente nada , auxiliavam as pessoas com certa influência no reino de Solitude. Seu reino estava dividido , e ela estava pronta para tentar acalmar o desespero de seu povo. Chegara a hora , pois ela já conseguia ouvir a multidão na praça.
– Vamos juntos !! — Ela ouviu a voz do homem. — Juntos !!
Ela estava bem atrás de toda a multidão , queria evitar contato físico com os infectados. Mas ela não via motivos para temer o próprio povo. Portanto , ela respirou fundo , estendeu a mão e disse :
– Eu não abandonei vocês !!!
O homem e toda a multidão ao redor da praça ficaram em silêncio , pois reconheceram a voz de Rapunzel. Em questão de poucos segundos , todos olhavam diretamente para ela.
– Vejam só quem está aqui... — Disse o homem. — Princesa Rapunzel... É muito corajosa de aparecer aqui. Afinal , uma praga está se espalhando e você e sua família estão nos mantendo presos aqui como animais...
– O José foi até Anor Londo buscar a cura ! — Retrucou ela firmemente. — Não podemos entrar em pânico e...
– NÃO PODEMOS ENTRAR EM PÂNICO ?! VOCÊ JÁ OLHOU AO REDOR ?! NÓS ESTAMOS MORRENDO !!
– Eu e meus pais estamos fazendo o possível para ajudar !! Precisam de agasalhos e comida ? Venham para o castelo.
– E depois ? Esperamos a morte ? Eu prefiro abrir esses malditos portões e buscar ajuda em outro lugar. Até porque , nossa comida está acabando.
– Quer espalhar a praga para as pessoas inocentes em outros reinos ?
– QUER ESPERAR A PRAGA MATAR AS PESSOAS INOCENTES QUE ACREDITAVAM EM VOCÊ ?? POIS , MINHA PRINCESA , SE QUER MESMO NOS AJUDAR , ORDENE QUE ABRAM OS PORTÕES !!!
Todos ficaram em silêncio , esperando pela resposta de Rapunzel que também não sabia mais o que dizer.
– Eu acredito no José. — Disse ela num tom um pouco abatido. — Vocês também deveriam.
– Foi isso que você quis fazer aqui ? Falar que você acredita no seu marido para nos salvar ?
– Não... Eu vim aqui...dizer pra cada um de vocês...não perderem a esperança...
– Vamos perder a vida se ficarmos aqui !! — Ele pulou da mesa e andou até Rapunzel. — Mas , vamos dar uma chance. Seu marido tem um dia para voltar com a cura. Caso contrário , nós vamos sair desse reino , com ou sem a sua ajuda… No final das contas , será melhor assim , pois todos vão saber que ele e você falharam.
Aproveitando que todos os olhos estavam voltados para ela , Rapunzel se manteve firme de disse :
– Não vamos falhar com vocês.
– Ótimo , porquê você também vai precisar dessa cura. Pois só pelo fato de você ter pisado aqui…
– De qualquer modo , eu sei que ele vai voltar e todos nós vamos sobreviver.
De repente , um menino , que estava ao lado de sua mãe assistindo toda a cena , desviou o olhar para o mar , na esperança de ver um navio.
– OLHEM !! — Gritou ele apontando para o porto.
Ao ver um navio se aproximando , Rapunzel não se conteve e , assim como a maioria das pessoas , correu até o porto , torcendo para que José estivesse no navio.
Ao chegar no porto , ela enxergou um rosto familiar. Não era José , se tratava de uma mulher.
– O que está acontecendo aqui ? — Perguntou Elinor , mãe de Merida.
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