O Assassino De Reis - O Desejo De Anna

11 Capítulo 10 : Erro Humano


Local : Castelo de Solitude – Quarto de Rapunzel

Status : Nublado com muita chuva

Dia : 3 de fevereiro

Hora : 12 : 34

Personagem : Flynn

*

– Isso é mesmo necessário...? – Perguntou Flynn constrangido.

– Lógico. – Respondeu Rapunzel arrumando o cabelo de Flynn. – Meu pai quer te ver para acertar os últimos detalhes da cerimônia.

– Com você falando desse jeito , parece até que ele está com raiva de mim.

– Ele só quer ter certeza que as suas... “aventuras” acabaram. Você sabe...para ficar aqui e criar nosso filho... Já que tudo acabou.

Depois de pronunciar tais palavras , Rapunzel lentamente saltava o rosto de Flynn e olhava para o chão , lamentando pelo triste destino de Anna.

– Eu sei , tá ? – Disse ele tentando conforta-la. – Só vamos...seguir nossa vida e esquecer o que aconteceu.

– Ouviu o que acabou de dizer ? – Perguntou ela o encarando.

– Não podemos fazer nada para ajuda-la. Eu gostaria que houvesse , mas não... infelizmente não tem.

Os dois ficam em silêncio por um tempo , não sabiam o que dizer um pro outro , apenas se encaravam com olhares tristes.

– Princesa Rapunzel ? – Perguntou um guarda batendo na porta. – Você está ai ?

– Diga ! – Respondeu ela.

– Seu pai quer falar com...

– Ele já está indo ! Obrigada pelo aviso.

Nesse mesmo instante , Flynn segura gentilmente as duas mãos de Rapunzel e a encara com um sorriso forçado e falso.

– Tudo vai melhorar em breve. — Disse ele aproximando-se ainda mais dos lábios de Rapunzel. — Eu prometo.

– Não prometa o que você não pode cumprir... — Disse ela se afastando.

De repente , o filho de ambos que dormia profundamente no berço , começara a chorar.

– Vai. — Disse Rapunzel. — Eu cuido dele...

Mesmo não querendo , Flynn acaba cedendo , acreditando que seria melhor para ambos se acalmarem um pouco.

– Eu te amo. — Disse ele já abrindo a porta.

O que assustou Flynn naquele momento não foi as palavras ditas por Rapunzel , e sim o silêncio da mesma. E com esse silêncio que o faz sair do quarto de cabeça baixa.

*

Ele começou a procurar o pai de Rapunzel pelo gigantesco castelo , e depois de muito tempo , ele parou em um corredor que possuía uma abertura decorativa na parede que dava a visão do rio de Solitude que estava bem agitado por conta da chuva.

– Só chove... — Resmungou ele apoiando suas costas em uma das laterais da abertura enquanto observava a chuva que não parava um segundo.

E lá ele ficou , com o vento sobre seu rosto que descabelava seu cabelo e molhava sua roupa com poucas e pequenas gotas de chuva. Mas ele parecia não ligar , parecia esquecer seu compromisso com o rei. Só ficou ali , olhando a natureza agindo. Enquanto isso , ele passara a pensar no homem que ele deixou de ser quando conheceu Rapunzel e no homem que ele era hoje. Passava em Barker , um de seus únicos amigos antigos que morreu em Ilhas Do Sul. Passava na morte de Logan e no impacto que ela poderia ter causado nos reinos. Pensava também em Kristoff e em seu possível sofrimento enquanto tentava concertar as coisas em Arendelle. Mas acima de tudo , ele pensava em seu filho e em Rapunzel , não conseguia tirar da cabeça que algo que poderia voltar das sombras do passado para assombra-los novamente. Eram inúmeros pensamentos em sua cabeça.

– Estou atrapalhando ? — Perguntou o rei que estava ao lado Flynn se protegendo da chuva.

Apesar da presença do rei , Flynn permaneceu ali com os braços cruzados. Sem se curvar.

– O senhor me chamou ? — Perguntou Flynn sem olhar para o rei.

– Saia dai. Você vai acabar escorregando e caindo no rio.

Mesmo se recusando , Flynn obedece o pedido e lentamente sai da abertura e fica de frente com o rei.

– Perdão , senhor. — Disse Flynn se curvando.

– Não precisa se curvar. — Disse o rei interrompendo o movimento de Flynn. — Logo você será um príncipe que governará esse reino ao lado de minha filha.

– Mas até lá , manterei meu respeito à sua autoridade. — Disse ele lutando contra as próprias palavras.

Satisfeito , o rei segura o ombro esquerdo de Flynn e sorri para o mesmo.

– Minha filha escolheu bem... — Disse ele.

– Por que me chamou ?

– O comandante das tropas de Arendelle , Roger , enviou um mensageiro pedindo que você procurasse por algo que possa ajudar na cura da princesa Anna , na loja do Barker.

– Loja do Barker ? Ela será demolida ainda hoje.

– A chuva não ajudou. Enfim...faça o possível para encontrar algo útil naquela loja. Não gosto de ver um reino vizinho sofrendo dessa maneira.

– Sim , senhor. Irei agora mesmo.

*

Flynn fazia um enorme esforço para dar mais um passo contra a tempestade. Por diversas vezes ele quase escorregou nas ruas molhadas e por diversas vezes ele teve que repor o capuz que o protegia da chuva.

– Só mais um pouco. — Disse Flynn avistando a loja do Barker a poucos metros de distância.

Também fazia muito frio , Flynn já estava tremendo sem parar.

E quando ele finalmente chega na loja , ele praticamente arromba a porta e a fecha no mesmo segundo.

– Finalmente... — Disse ele desabando aos poucos.

Ele fica de joelhos e não demora muito para cair no chão gelado.

– Vamos acabar logo com isso... — Disse ele se levantando aos poucos.

Quando de pé , ele imediatamente vai até o balcão onde Barker atendia os clientes e começa a revirar todas as gavetas , mas não encontra nada.

– Nada... — Disse ele fechando a gaveta e encarando os inúmeros armários espalhados pela loja. — Sempre tem que ser difícil...

Flynn já estava exausto por conta da chuva e do frio que só aumentava. Não possuía forças para revirar a loja e nem para voltar para o castelo. Estava praticamente preso.

– Que maravilha. — Disse ele sentando no chão com as costas apoiadas no balcão. — Eu estava quieto , aproveitando esse dia terrível. E adivinha só ! Olha onde eu estou agora !!

Em seu momento de raiva , Flynn soca o balcão com força. Mas de repente , um livro acaba caindo sobre sua cabeça. Flynn imediatamente pega o livro.

– Não sabia que você sabia ler , Barker... — Disse ele examinando a capa do livro que não possuía título , era apenas uma capa de couro. — Onde está o título...

Intrigado e curioso sobre a ausência de um título , Flynn abre o livro na primeira página.

– Ora , ora... Diário do Barker. Interessante.

E então ele começa a ler o diário , procurando por algo que poderia ajudar.

– Só duas páginas... — Disse ele. — Bom , vamos ver o que você tem pra me dizer , traidor...

*

Diário do Barker

" Primeiro dia. Nível de ameaça : Baixo.

Hoje é o primeiro dia que eu comecei a trabalhar com esse maluco do James e seu plano de criar uma praga e infectar os reinos para que depois ele possa lucrar um mina de ouro com a cura.

É um bom plano , ele desenvolve a praga e eu a espalho pelos reinos vizinhos. Nosso único problema é a princesa Anna e a criança milagrosa , elas podem possuir a cura rápida para a praga. James disse que ele tem uma outra praga que matará as duas.

Ele está misturando vários sangues de animais venenosos em um só frasco. Ele diz que cada especie tem um papel diferente para o sucesso dessa praga.

Até agora , o único sintoma é uma gripe comum que contamina pessoas próximas. Isso não é o suficiente , precisa ser mais contagiosa para atacar todos os reinos.

Isso vai dar certo...

Segundo dia. Nível de ameaça : Médio.

James disse que nossa praga está pronta , agora ela pode ser transmissível também por animais e também por um contato humano , um abraço e um aperto de mão já deve ser o suficiente.

Os sintomas novos são pequenas lesões na pele , conjuntivite , tosse e nos piores casos , tontura temporária.

Não é capaz de matar com facilidade , mas leva ao desespero por uma cura. E é ai que começamos a lucrar com a cura.

Só devemos esperar pela morte da princesa Anna e da criança milagrosa. James diz que ambas estarão em Ilhas Do Sul , é pra lá que iremos. E até lá , a praga estará na minha loja. "

*

Depois de terminar a leitura , Flynn ficou paralisado. Pensando na terrível possibilidade de que aquilo que ele lera fosse real. De que a chave para o caos estaria ali , na loja do Barker.

– Droga... — Disse ele se levantando lentamente , estava com medo. — Cadê...? Onde está essa...coisa...?

Ele imediatamente revira os armários e todas as gavetas que via. Rezando para que ele pudesse achar a praga e dar um fim na mesma.

– ONDE ?? — Gritou Flynn derrubando um dos armários no chão. — CADÊ ESSA PRAGA ??

Tomado pela frustração , Flynn soca e chuta todos os armários já revirados. Ele não parecia sentir a dor de cada golpe que dava. Até que ele vê um quadro sem pintura , apenas um vazio.

Ele imediatamente vai até o quadro e o retira do lugar , revelando uma caixa pequena dentro da parede.

– O velho truque... — Disse ele sem ar.

Imediatamente ele pega a caixa e cuidadosamente a abre. E no piscar de olhos , ele vê um pequeno frasco com um líquido branco. Ele retira o frasco da caixa e o examina.

– É isso ? Não parece ser perigoso...

– E é por isso que eu estou levando isso de você... — Disse um homem atrás de Flynn.

Flynn gela na mesma hora , pego totalmente de surpresa. Ele se vira bem devagar para ficar de frente com o invasor , até que ele finalmente vê um homem com um cabelo bagunçado com a cabeça cambaleando e segurando uma adaga enferrujada. O invasor estava aparentemente bêbado , a sua aparência só reforçava ainda mais essa hipótese.

– O que você quer...? — Disse Flynn quase entrando em pânico.

– Quero esse remédio. — Respondeu o invasor com um tom de medo. — Eu preciso dele...

– Olha amigo... Larga essa adaga , dai nós conversamos...

– Nessas circunstâncias , é assim como nós conversamos.

Flynn já não sabia mais o que fazer ou dizer. Acabara de lembrar que não ouviu o invasor entrar por causa de seu momento ridículo de raiva descontrolada. Só queria voltar para sua família o mais rápido possível.

– Por favor... — Disse Flynn. — Só vai embora...

– Não vou embora sem esse remédio que você está segurando.

– Isso aqui não é um remédio... É uma doença.

– NÃO MINTA PRA MIM !! EU PRECISO DESSE REMÉDIO !!

O invasor dá um passo , mas para no mesmo instante. Parecia estar com tanto medo quanto o Flynn.

– Eu posso te ajudar. — Disse Flynn. — Mas isso não é um remédio...

– JÁ CHEGA !!! — Gritou o homem correndo na direção de Flynn.

Quando próximo , o invasor ataca Flynn , mas Flynn segura o braço do mesmo. Mas o invasor responde com um soco na barriga de Flynn que sente o golpe e se afasta. Porém o invasor já avançava novamente contra Flynn que não teve chance de reagir. E de repente , o invasor enfia sua faca no peito de Flynn.

Flynn grita por um instante , mas logo ele para e se entrega à dor e cai no chão sangrando.

– Meu Deus... — Disse o invasor recuando lentamente. — Desculpe...desculpe...

O frasco que Flynn largara agora estava do lado do pé do invasor que o pega no mesmo instante.

– Por favor... — Disse Flynn se engasgando com o próprio sangue. — Não...use...isso...

– Desculpe... — Disse o invasor chorando. — É pra minha filha...

O invasor não aguentava mais ficar ali , e então ele simplesmente abriu porta e saiu.

– Socorro... — Disse Flynn fechando os olhos lentamente.