O Artista.
1 único.
Notas iniciais
Maluquetee ta amo!
Droga! Tô atrasada!
Corri para atravessar a avenida,parando em frente a uma cafeteria que ficava no caminho.
-um café duplo pra viagem por favor.
Saí com meu café,passando em frente a uma floricultura.
-Eu quero esse buquê de...lírios, obrigada.
Paguei ao florista e saí, agora, estava realmente atrasada!
Cheguei na galeria correndo por causa da correria.
-Cheguei! Cheguei....ufa, to aqui.
-Atrasada de novo?
-Ah não enche...aqui as flores que você pediu.
-Que lindas...você escolheu?
-foi. O que você vai dar na aula hoje?
-Nada, quem vai dar a aula hoje é você.
-Ah qual é? De novo?
-Quebra essa vai, to com alguns problemas, vou ter que sair.
-Mas já é a segunda vez na semana que você falta!
-Olha, eu sei que você adora ficar no comando, e você consegue segurar a barra sozinha.
-você não vive sem mim né?
-Convencida...Bem, hoje você só vai pedir para os alunos pintarem essas flores, ajude-os no que precisarem okay?
-Tudo bem.
-Ah! Eu já ia me esqueçendo- meu professor disse colocando sua jaqueta surrada- Hoje chega um aluno novo, seja boazinha com ele tá?
-Vou tentar.- eu disse rindo-mas isso não é uma promessa.
-acho que não falta mais nada, boa sorte, tchau!
-Tchau.
Começei a arrumar os pincéis e as tintas e coloquei as flores em um jarro, no centro da sala.
Aos poucos os alunos começaram a chegar, mas nenhum rosto novo.
-Era só o que me faltava, o novato faltar no primeiro dia.
Terminado de dizer isso,um garoto alto, pálido, de cabelos pretos e compridos entrou na sala, parecendo um pouco tímido.
Resolvi ir falar com ele.
-Posso ajudar?
-Sim, eu estou procurando o professor...Jhon.
-Ele teve que sair, eu que vou dar a aula hoje.
-você não é meio nova pra dar aula?
-Não sou não.
-então...o que eu tenho que fazer...professora.
-Me chame de Malu. Vamos hoje fazer algo bem simples, só tem que pintar aquelas flores alí, pode fazer do estilo que preferir, desde que seja original.
-Eu nunca usei tinta antes...sabe, só lápis e papel.
-Não custa nada tentar-falei tentando parecer otimista.-Qualquer coisa me chama viu?
-Okay...obrigado.
Não pude reparar que o garoto era muito bonito, ele era diferente...misterioso.
Eu não sabia o nome dele! Confesso que fiquei feliz, pois seria um motivo para ir falar com ele, mas...ele parecia tão concentrado no que fazia, não quis atrapalhar, então me conformei de só observa-lo de longe, mas ele de repente olhou para mim, e ao perceber que eu estava olhando para ele a pele branca dele ficou levemente ruborizada...como a minha.
Resolvi olhar como os outros alunos estavam se saindo, parando vez ou outra para ajuda-los em alguma coisa, e assim aos poucos todos foram terminando suas pinturas, mas o garoto continuava no mesmo ritmo, na mesma concentração.
Alguns alunos se levantaram para ir embora, e assim sucessivamente a sala ficou vazia.
Só restando nós dois. Ele, completamente absorto na sua pintura, e eu ainda não a tinha visto.
De repente ele parece que desperta do estado que estava e começa a rir, uma risada tranquila, convidativa.
-Do que você está rindo?-perguntei sorrindo.
-Eu estava tão distraído que nem percebi que era o último.
-isso não é distração, é concentração. Isso prova que você é um artista.
-Quer ver como ficou?
-Quero.-me aproximei para ver a tela que estava a sua frente.
A PINTURA ESTAVA INCRÍVEL!
Cada detalhe, a sombra, luz, cor, tudo harmonia...perfeita harmonia.
-Tem certeza que você nunca pintou antes? Por que seu quadro está...
Me virei e não o vi, como se tudo tivesse sido um sonho, um lindo sonho.
-Aonde você está?-perguntei, não ouvindo resposta.
Ao meu lado em cima de um cavalete, um lírio solitário estava acompanhado de um bilhete.
“Desculpe, tive que ir, não quis interrompe-la, você estava tão concentrada, como uma artista.
Adorei a aula e sua compania, acho que isso é uma boa desculpa para querer ve-la novamente, que tal sair comigo um dia desses?
Ansiosamente esperando.
Gerard Way.
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