Notas iniciais
Eu tenho um amor enorme pelos dois personagens principais desta estória, me deu uma imensa dor no coração ao escreve-la. Baseado em uma teoria que li na internet, espero que gostem.
Podia se ouvir passos pesados no corredor, o chão do assoalho de madeira rangia conforme a mulher andava, pensativa de um lado pro outro, enquanto podia se ouvir resmungos em alemão e bufadas repetidas vezes. Um ruído maior chamou a atenção da mesma, algo batendo do outro lado da porta, que fora aberta rapidamente e por ela passou o albino com pressa, dando uma breve olhada na moça e caminhando afim de sair daquele local. A garota o seguiu, sentiu um pesar no coração e o via tenso, preocupado. O suficiente pra um leque de opções estar abertos a sua mente e escolher a pior possível para o que poderia acontecer dali pra frente. Correu até o alcançar de verdade, tocando com delicadeza o seu ombro o fazendo parar já longe o suficiente do escritório que haviam ido, mais especificadamente a frente de uma loja de bebidas. – Poderia me dizer o que aconteceu lá dentro. – Suspirou, finalmente roubando a atenção do rapaz ali em questão. – Que tal uma guerra ?! Para decidir se o ocidente e o oeste da Alemanha se tornam um. – Bufou o rapaz, parecia exausto com a conversa que tivera com seu chefe, não gostava de deixar a garota irritada com problemas desse tipo, sendo ela mais sensitiva, era um livro aberto e não teve opção de dizer ou não a verdade.
— Guerra você diz ? Mas parece que não é isso, não é Gil... ? – O encarou, com as orbes que o deixavam inquieto, sabia que algo estava errado, um estrondo e uma discussão com o velho Fritz não era típica de se ver, ainda mais pelo amado irmão. – Sabe o que significa isso Julchen ? – O vento soprava forte, frio, esvoaçando os cabelos alvos. – Decimação ? Do nosso país ? – Indagou Julchen, engolindo seco e desviando o olhar para o céu. Sabia bem o motivo de tamanha preocupação do irmão, eles deixariam de existir, são personificações de um país, e se tal não existe, eles não existiriam mais.
Sentiu uma dor no peito, forte, formando uma careta ao rosto, não querendo deixar o irmão ainda mais preocupado virou o rosto afim de disfarçar, em vão.
– Jul, o que aconteceu ? – A garota teve o corpo virado pelo rapaz, a forçando a olha-lo, deixou um pequeno sorriso sair dos lábios, e com um forte abraço confortou o albino. Ele se calou, segurando a mão dela e seguindo em direção sua casa.
Haviam certas coisas que lhes eram proibido, tinham uma aparência humana mas viveriam até seus respectivos países terem um fim, não podendo se relacionar com ninguém por imagina-lo vê-lo morrer diante a seus olhos, e você tendo uma aparência sempre jovial, com sonhos e cobiças humanas, como um amor, uma família, filhos. Era o sonho de todos eles, apenas um sonho, viveriam se conformando pelo resto de sua vida, não, eles não viviam, apenas estavam ali, existindo.
Passado alguns dias depois da conversa com o velho Fritz, ambos albinos se olhavam nervosos, receosos, sabendo que a qualquer momento eles não estariam mais ali. Julchen passara os dias calada, pensativa, com o olhar triste. Enquanto Gilbert dava socos nas paredes, resmungava pela casa inteira, deixara de atormentar o aristocrata, de irritar a húngara e beber com Ludwig. A albina caminhava com um vestido fino, branco como sua pele, em direção á Gilbert, que a fitava com atenção por nunca a ver vestida daquela maneira. O olhar ainda lhe dava confiança, Julchen era o mais próximo de amor que ele poderia sentir por alguém, ou o que poderia chamar de amor, um amor incondicional recíproco por ambos. Nunca a viu tão linda, os pés descalços davam passos lentos, os olhos raros de que tanto fugia por anos lhe eram fixos. As mãos deslizavam em seu rosto, a ponta dos dedos como uma carícia em uma porcelana lhe era oferecida. Viu a irmã ter o corpo despeço, cada vez mais escasso, como um fantasma. – Jul... ? – Sentiu o coração apertar, doloroso e cada segundo piorar ao se dar conta do que acontecera ali. Julchen sorria, escondendo tanta tristeza no olhar ao decidir dar o que chamava de vida para ver Gilbert seguir em frente, forte como deveria ser.
– N-Não... E-Eu não quero que me deixe – Gilbert sentia as lágrimas rolarem ao rosto sem controle, desesperado pra sentir o calor do corpo da garota, em vão.
– Eu vou sempre estar com você. Ich... Liebe dich, meine bruder. – Queria que fosse um sonho, ou melhor, um pesadelo. Mas via o corpo da mulher se desfazer pouco a pouco, com um beijo deixado sobre a testa em seu último ato de carinho, gritou de raiva, ela não poderia fazer isso, mas fez.
Julchen se tornou apenas uma lembrança pra Gilbert, quando perguntou a Ludwig do ocorrido o alemão o olhava confuso, como se nunca tivesse visto uma “ versão “ feminina do irmão albino. Nenhum país tinha lembrança alguma dela, o chamavam de louco, dizendo que deveria maneirar na bebida. Mas Gilbert sabia que ela se sacrificara por ele, procurava por fotos, qualquer objeto da irmã e como um universo paralelo tudo sumira. Não estava louco, não poderia estar, depois de tantos momentos juntos não conseguia se imaginar sozinho daquela maneira.
Caminhou com lágrimas nos olhos até um jardim de lírios brancos, sentando-se ao meio das flores, deixando o soluço do choro livre, chorou até não aguentar mais por dor de cabeça. Fechou os olhos, ficou assim por certo tempo, até sentir uma brisa do outono, o cheiro dos lírios, não... O cheiro de Julchen, e lembrou-se das últimas palavras dela. Finalmente parou de chorar, se recompondo e rindo de si mesmo ao imaginar a garota o vendo daquela maneira e caçoando de si, sabia que de agora em diante ela estaria dentro de seu coração, e em quanto vivesse estaria por perto aquele doce cheiro que o deixava em paz.
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