O Apocalipse Zumbi
2 Capítulo 2
Eu caminhava pelas ruas de Nova Iorque a mais ou menos três meses. Nenhum humano a vista. A cidade estava abandona a mais ou menos sete meses. Os ratos e os cães de ruas eram os moradores mais frequentes. Minhas únicas fontes de proteção eram duas Colts Anacondas, uma facão militar que eu pegara do meu pai e um bastão de baisebol. Eu sempre andava com água e algumas barras de cereais. A comida era escaça. Eu também sempre andava pesadamente vestido com um conjunto militar, com coturno, calça e camiseta. Também usava um Kevlar para proteger meu peito. Precaução. E por cima disso tudo, um sobretudo. Eu também tinha uma bolsa, onde eu deixava a munição. E o meu mais querido item: um MP4, movido a pilha. Era dificil encontrar algum com energia elétrica. Mais dificil do que encontrar gente.Por volta do final da tarde, eu encontrei um carro, que parecia estar em funcionamento. Deixei de lado. Nada que fazia muito barulho era útil. Com vários calafrios, continuei andando. A noite ia se aproximando, e com isso o risco de eu encontrar um zumbi era mais alto.Entrei em um prédio abandonado e subi as escadas. Eu havia aprendido na pele que é melhor ficar no quarto mais alto quando se trata de prédios. Subi até o décimo andar e procurei um apartamento descente. Quase todos estavam destruidos, mas achei um apartamento fechado. Arrombei a porta e entrei. Era uma suite. Presidencial. Coloquei minhas coisas em cima de uma comoda carissima e fui dar uma olhada no local.Era bem maneiro. Fiquei pensando quem havia se hospedado lá. Caminhei até o banheiro. Havia uma poderosa Jacuzzi lá. Fiquei tentado a mergulhar. Havia uma semana que não dormia, tomava banho ou comia direito. Tirei meu sobretudo, meu Kevlar e meu coturno. O calor ia diminuindo aos poucos. Tirei minha roupa e cai na Jacuzzi. Incrivelmente, ela ainda funcionava. Ela começou a massagear meu corpo. Foi a melhor sensação do mundo. Depois, foi até minha bolsa e comi algumas barras de cereais, e tomei água. Então deitei na cama. Era poderosa. Muito confortavel e grande. Adormeci logo.
Acordei bem mais tarde. O sol já havia se posto. Todo o local estava escuro. Me levantei e caminhei até o interruptor. Liguei a luz e vi que não estava sozinho.Um zumbi, todo esfarrapado e sem o braço direito estava perto da cama. Ele levou as mãos aos olhos quando ascendi a luz. Peguei a Colt. Apontei para sua cabeça e engatilhei. Ele ouviu. A criatura se virou para mim e gritou. Odeio quando fazem isso. Achei melhor deixar a Colt de lado. Ela iria fazer um estrago tremendo, mas ia chamar a atenção demais. Pegou o facão e andou na direção do zumbi. E ele fez o mesmo.Com um movimento, decaptei o zumbi. Sua cabeça caiu no chão e rolou. Seu corpo caiu sem o resto de vida que tinha nos meus pés. Limpei o facão com um pedaço de pano e o joguei o trapo pela janela.Caminhei para a porta e a fechei. Caminhei então pelo resto da suite, para ver se havia algum outro zumbi invasor. Eu estava sozinho novamente.Tirei o corpo do zumbi do quarto e limpei a sujeira. Bloqueei a porta e fiquei na janela, olhando a lua, uma coisa que eu fazia com muita frequencia. Consegui ver alguns zumbis andando pelas ruas desertas da cidade. Posso ter me enganado, mas acho que vi alguém andando, a uns cinquenta metros do hotel. Ela caminhava na penumbra, se escondendo dos zumbis. Decidi então pegar meu binóculo.Olhei por ele e vi que era uma mulher. Ela estava com uma sacola em mãos. Um dos zumbis parecia ter percebido ela, mas, com o pé quebrado para trás, ele iria demorar para se apróximar dela. Decidi deixar quieto. Seu eu descesse, só iria atrair mais problemas. Fechei a janela e fui dormir.
Acordei pela manhã e fui caminhar pela cidade. Marquei o nome do hotel metalmente, para o caso de ter que voltar ali.Fui então para o o local a onde eu havia visto a mulher. Não encontrei nada, apenas uma lata de atum. Eram raras hoje em dia. A peguei e coloquei na bolsa. Não era minha comida favorita, mas, naqueles tempos, era melhor comer aquilo do que passar fome.Avistei um supermercado não muito longe dali. Deve ter sido de lá que ela havia pegado aquilo.Fui até o supermercado e entrei. Estava deserto. Normal.A maioria das prateleiras estava vazias, mas ainda tinham algumas coisas comestiveis. Fui pegando algumas coisas, e vi algo que era raro: uma barra de chocolate. Não pensei duas vezes e a peguei. Comi ali mesmo. Estava deliciosa. A mais ou menos dois anos não comia uma. Eu havia até esquecido o gosto. Foi então que ouvi uma movimentação vindo de algum lugar naquela pequena imensidão. Peguei uma das Colts e caminhei, pé ante pé, para procurar o barulho. Quando virei em uma prateleira, vi uma lata de ervilha rolar para fora de uma estante. Me recostei a ela,esperando por alguma coisa. Algo caiu de novo e me virei. Apontei a arma para a maça humana que se formou na minha frente. Mas então, ela gritou:
- Não! — era uma mulher. A mesma mulher que eu vira de noite. Tinha os cabelos negros e compridos, sua pele era branca e suja de poeira. Seus olhos, azuis e sem brilho, me encaravam lacrimejosos. Usava um tênis da Nike, que na época pré-apocalipse, devia ter custado uns 200 dólares. Sobre as pernas tinha uma calça jeans surrada, e usava uma camiseta de musculação feminina — Não me mate por favor!
Abaixei minha arma. Ela parecia estar assustada.
- Qual seu nome moça? — perguntei, a voz falhando pelo descostume
.- Meu nome é Ágata — disse a moça, ainda olhando para a Colt — Estou só buscando suprimentos. Por favor, não me mate
.- Não vou matá-la — eu disse, guardando a arma — Esta sozinha em um local como esse? Quer morrer?
- Eu estou com meu irmão, em uma loja de armas a uns quatro quarterões daqui. Ontem a noite eu vim aqui, mas acabei tropeçando e cai. Perdi toda a comida. Voltei pra cá então. Estou à três dias sem comer. E meu irmão esta com a perna quebrada. À dias sem comer também.
O relato da garota me pareceu verdadeiro. Ela não parecia ter mais do que dezesseis ou desessete anos. Não parecia estar mentindo. Não parecia.
- Eu entendo um pouco de medicína. — eu disse — Eu vivo sozinho desde o começo disso tudo. Aprendi a me virar. Quer que eu vá com você?
A moça pensou por alguns instantes e depois disse:
- Seria ótimo! Ele realmente está precisando de ajuda. Pode me seguir?
- Posso — eu disse, mas coloquei a mão na bainha do facão.
- Venha então!
Saimos do supermercado e começamos a caminha para onde eu havia visto ela. Dei-lhe algumas barras de cereais, e ela as devorou. Realmente estava com fome.No caminho ela foi me contando um pouco de sua história. Ela havia perdido os pais as quatro meses, e desde então se virara sozinha, do geito que podia. O seu irmão era mais novo, tinha quinze anos. Quebrara a perna fugindo de zumbis. Suspeito...Finalmente chegamos. Eles ficavam em uma loja de armas abandonada. Se estabeleceram na casa do dono, que morera. Entramos pela vitrine. Haviam varias armas jogadas pelo chão.
- Você já experimentou andar com essas armas, Ágata? — perguntei.
- Sim — ela disse — Mas não sei atirar.
Subimos por uma escada até o andar de cima. Era um lugarzinho até que aconchegandte. Tinha cinco cômodos (bagunçados), e um terraço. Ela me levou para ver seu irmão.
-Zach! — chamou ela — Temos visita!
Ela entrou em um quatro e eu a segui. Quando passei pelo batente da porta, vi algo pelo canto do olho esquerdo. Uma grande maça negra tentou me acertar com alguma coisa. Fui mais rápido e rolei para frente. Senti o taco de baisebol nas costas. Me levantei e saquei a colt. Um rapaz de uns quinze anos, com o rosto sardento e cabelos negros, estava de pé onde eu estava, segurando um pé de cabra. Ele não tinha nenhuma fratura em nenhuma perna.Apontei uma das Colts para Ágata e a outra para seu irmão.
- Confiei em você Ágata — eu disse, sem tirar a atenção de seu irmão — Você me traiu.
- Entenda Drake — disse ela — Estamos a dias sem comida descente. Você tem uma bolsa com comida pra dias que eu sei. Há algum tempo viemos te observando.
- Como o ser humano se tornou mais vil do que era — eu disse — Terei que matar os dois.
- Não faça isso — disse Zach, sua voz era pastosa, provavelmente por causa de algum ferimento na língua — Só queremos comida.
Não amoleci com aquela confissão.
- Desculpe — disse — Mas vocês não vão me deixar sair.
- Deixe a comida e deixamos você sair — disse Ágata.
- Minha querida- eu disse, com uma risada — Acho que vocês não estão em condições de barganhar comigo.
Dei um tiro na perna de Zach. Ele caiu no chão, gritando de dor.
- Eu vou deixar meu kit de primeiros socorros — eu disse — Esse tiro foi de sal grosso. Ela era a última, para seu azar. Saia da frente Ágata.
A moça olhava para mim aturdida. Ela levantou os braços e saiu da frente. Andei de vagar até a saida. Depois, Ágata se ajoelhou e começou a chorar:
- Por favor! Estamos sozinhos nesse mundo abominavel! Ajude a gente!
- Garota — eu disse — Você é falsa. Me contou uma história e me fez acreditar e depois eu quase levei um pé de cabra na cabeça. Não quero mais ajudá-los — eu blefei.
Tirei o kit médico e deixei no chão, sem tirar a atenção de Ágata.
- Agora é cada um por si — disse.
Sai pela porta e comecei a descer as escadas.Sei que deixá-los lá, a própria sorte, era maldade. Mas a garota havia me traido. Confiei nela. De noite ela realmente parecia precisar de ajuda. E com a força que aquele garoto tentou me acertar... Eu poderia ter morrido. E isso mostra que ela não estava indefesa. Cheguei à loja e estaquei: mais ou menos vinte zumbis estavam se aproximando lentamente da loja, e uns seis estava dentro do local. O tiro que eu dera em Zach deve ter os chamado a atenção. Eu poderia derruba-los facilmente. Mas os estampidos dos tiros iriam atrair mais zumbis. Então resolvi voltar ao apartamento. Comecei a subir as escadas. Mas os zumbis me notaram.Não pensei duas vezes: saquei uma Colt e derrubei os seis zumbis do local. Os que estavam do lado de fora ouviram os estampidos e começaram a entrar na loja. Subi as escadas correndo e entrei no apartamento. Ágata estava sentada no sofá com seu irmão, cuidado de seu ferimento.
- O que quer aqui? — disse ela — Já fez estrago o suficiente!
-Olha garota — eu disse — Tem uns vinte zumbis lá embaixo e eles tão subindo por essas escadas!
Umas batidas na porta me mostraram que eles já subiram. Tranquei a porta e corri pros fundos. Tinha uma janela lá. Eu a abri e vi uma escadaria que servia para saidas de emergências.
- Venham — eu disse — Vamos descer por aqui.
Ágata ficou me encarando e seu irmão olhava para o chão.
-Por que iriamos com você? — ela disse — Você atirou no meu irmão e me apontou uma arma.
Olhei bem pra ela, com vontade de sacar a Colt e acertar um tiro nela.
-Olha Ágata — eu disse, levando as mãos às tempôras — Eu poderia muito bem ter voltado para o prédio onde eu estava. Mas eu resolvi vir aqui e ajudá-los!
- Você não poderia sair — disse ela — Seria morto por eles.
Eu ri.- Desculpe, mas dificilmente um zumbi me mataria. Agora, vocês vão vir comigo ou não?
Um pedaço da porta foi arrancada. Os zumbis começaram a entrar na sala. Peguei meu facão e fui derrubando eles.
- Saiam pela janela! — eu gritei.As facadas não estavam resolvendo. Peguei as Colts e comecei a atirar neles.
- Vai!- eu gritei para os dois.
Ágata ajudou ao seu irmão se levantar e os dois caminharam até a janela. Zach passou pelo parapeito e depois sua irmã fez o mesmo. Eles começaram a descer a escada e sumiram de minha visão.
- Minha vez — eu disse baixinho.
Havia uma coisa dentro da minha bolsa que era extremamente rara hoje em dia. Mais rara que um chocolate. Uma granada. Guardei as armas e a peguei. Tirei o pino, deixei-a cair no chão e me joguei na saida de incêndio. O apartamento explodiu, jogando pedaços da construção em cima de mim. Desci as escadarias e vi Ágata e Zach sendo encurralados por três zumbis para a parede da construção vizinha. Peguei minha Colt principal e desci a escadaria. Derrubei os zumbis e disse:
- Vamos, você podem ficar no prédio que eu passei a noite. Tem uma suite lá. Vão ficar melhores do que aqui. E ainda tem energia.
Peguei meu taco de beisebol e dei à Zach. O facão eu dei para Ágata.
- Agora prestem atenção: provavelmente, a rua té o hotel deve estar infestada de zumbis. Se algum se aproximar, a com isso na cabeça dele. Vem.
Começamos então a andar para o hotel que eu passara a noite. A rua estava infestada de zumbis. Tudo por minha culpa. Mas então, a mais ou menos uns quinze metros da gente, eu avistei novamente aquele carro. Seria mais facil cruzar com aqueles zumbis de carro do que a pé, com duas Colts, sendo que a munição estava acabando, um facão e um taco de beisebol.
- Pessoal — eu disse — Tem um Civic alí do outro lado da rua. Vamos usá-lo.
Andamos até o Civic. Ágata sentou no banco do carona e Zach no banco dos passageiros. Eu fui no do motorista. Fiz uma ligação direta no carro. Por sorte ainda tinha gasolina. O som do motor ligando chamou a atenção dos zumbis na avenida. Eles começaram a andar pesadamente na nossa direção. Então eu disse:
- Segurem-se!
Acelerei com tudo e o carro disparou. Demorei para pegar o controle do carro, então andamos alguns metros em zigue-zague. Quando tomei o controle, atropelei dois zumbis de uma vez.Seus corpos voaram por cima do teto, e mancharam o vidro de sangue.
- Ual — disse Zach.
Continuei dirigindo pela avenida. Quando virei em uma esquina, para chegar ao hotel, brequei o carro na mesma hora: metade da população de Nova Iorque estava naquela rua. A grande orda de zumbis vinha na nossa direção.
- Por Deus — eu disse, engatando ré.
A porcaria da granada avisara metade da cidade que tinha gente aqui.Quando voltamos para a avenida, outra orda de zumbis vinha pelo sentido que estavamos.
- Esses zumbis se multiplicam! — gritou Zach.
Acelerei novamente e segui a avenida. Li em um jornal, na época que o apocalipse estava começando, que quase toda a Nova Iorque foi infectada. Se isso era verdade, então teriamos mais ou menos oito milhoes de zumbis na nossa rota.
- Droga, droga, droga — dizia Ágata, para si mesma — A gente vai morrer!
- Calma — eu disse para ela — A gente vai se safar dessa--
Virei outra esquina. Mais zumbis. Mas dessa vez, eles estavam em cima de nós. Eles nos rodearam e começaram a dar golpes primitivos nas janelas, até quebrarem.
- O teto solar! — gritei por cima dos grunhidos primitivos dos zumbis.
Ágata e Zach subiram rápidamente. Quando ia subir, o vidro do meu lado estourou, e um zumbi nojento mordeu meu ombro. Dei um soco em seu rosto e subi no teto.
- Você foi mordido! — exclamou Ágata, ao ver o meu ombro sangrando.
- Relaxa — eu disse — Quando eu falei pra você que um zumbi dificilmente me mataria, eu disse também que sou imune a isso.
Estavamos cercados. Para onde olhavamos, viamos zumbis.
- A gente vai morrer! — gritou Ágata.
Dessa vez fiquei quieto. Por causa de minhas ações seguidas, eu iria matar duas pessoas, e poderia morrer ainda.
Mas há coisas sobre mim, que até mesmo eu desconheço. Minha coragem é uma delas. Eu não poderia deixar dois jovens morrerem, por erros seguidos meus. Não morreriam. Não Agora.
- Escute Ágata — eu disse — Você sabe dirigir?
Os zumbis estavam tentando subir no carro. O que havia me mordido estava entrando nele. Peguei minha Colt e atirei nele.
- Sei — disse ela, depois.
- Preciso que você dirija esse. Vou descer e abrir caminho para vocês.
- Você ta louco? — ela disse — Você vai morrer Drake!
- Não — eu disse — Não vou. Sou imune ao Mortum. E eu sou um atirador habilidoso. Eles não vão me matar.
Na verdade, eu não estava tão confiante assim. Tinha mais ou menos cem zumbis ao nosso redor, e mais uns duzentos se aproximavam da gente.Um outro tranco no carro me avisou que logo poderiamos morrer todos.
- Vai Ágata! — eu gritei — Vou abrir caminho pra vocês!
Peguei minha outra Colt e comecei a atirar nos zumbis à frente do carro. Ágata entrou no carro, tirou o zumbi de lá e começou a acelerar. Zach também entrou.
Não pensei duas vezes. Rolei pelo capo do carro e cai entre os zumbis. Fui abrindo caminho à frente do carro com as Colts e com chutes. O zumbis me mordiam e me arranhavam, mas eu tina que salvar aqueles dois.
Finalmente ouvi o motor do carro arrancar. Decidi correr daqueles monstros e virei em um beco, para pegar alguma saida de incêndio. Mas me deparei com um beco sem saida. Havia uma porta no prédio esquerdo, mas estava trancada.Os zumbis estavam se aproximando. Atirei neles, mas munição acabou. E o que eu temia: a munição de reserva também acabara. Eu não tinha mais arma nenhuma comigo. Resolvi, então, aceitar a morte. Fechei os olhos e esperei o inevitavel...
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