O Antes e o Agora
17 Capítulo 17
Fiquei imóvel por alguns poucos segundos, eu realmente não sabia o que fazer nessa situação! Não foi possível sentir a dor que a mensagem de Olavo me causou, não deu tempo pois fui surpreendida por Augusto e sua intromissão.
— Aqui em Londres não é falta de educação ler as mensagens que não são destinadas a você? – Disse me levantando e começando a vestir minhas roupas.
— Me desculpe Úrsula, mas eu acordei com o barulho incessante do seu celular, queria saber quem gostaria de falar com você com tanta urgência! – Disse ele sentando na cama.
— Não é porque você dormiu comigo que tem o direito de ler minhas mensagens ou se preocupar com as ligações que eu recebo! Francamente, vocês homens estão passando dos limites! – Disse calçando minha bota.
— Eu só estava brincando linda! Mas eu não vou mentir que senti uma pontada de ciúmes de você, mas se o que eu li sem querer na sua mensagem for verdade fico aliviado! Agora nada vai estar entre você e eu e talvez você perceba que eu posso ser um bom namorado! – Ele disse se levantando e aproximando de mim.
— Talvez uma coisa ainda pode estar entre a gente, o fato de eu não querer ter um relacionamento agora! Eu não estou me sentindo bem, vou para a casa depois conversamos- Eu disse caminhando em direção à porta.
— Espera! Me perdoa, eu juro que eu nunca mais vou invadir seu espaço! Mas me dê uma chance, eu quero tanto te fazer feliz! – Disse ele segurando meu braço e me virando para que eu olhasse em seus olhos para enxergar a sinceridade do que ele estava falando.
Fechei os olhos e respirei fundo. Da última vez que tinham me feito essa proposta eu me neguei a aceitar e depois disso tudo se desmoronou e eu me arrependi.
— Tudo bem! Eu te darei essa chance, por favor não me decepcione! –Disse seria olhando nos olhos de Augusto.
— Eu jamais te decepcionaria e vou te provar isso! – Augusto disse me dando um selinho e sorrindo em seguida.
— Eu preciso realmente ir, essa ressaca está me matando!
— Tudo bem minha linda, eu entendo! Vou te levar em casa, pode ser?
— Pode sim!
Durante o trajeto trocamos poucas palavras, passei o caminho inteiro de olhos fechados com a desculpa que estava com muita dor de cabeça. Quando cheguei em casa, sozinha, tirei minha roupa e entrei na banheira. Fiquei sentada enquanto pensava nos últimos acontecimentos e foi inevitável que uma lagrima não escorresse tímida pelo meu rosto. Eu estava triste! Triste por saber que Olavo não tentaria mais contato comigo, provavelmente por ter visto alguma fofoca sobre mim e Augusto saindo juntos depois do jogo de ontem.
Mas quem disse que tinha que ser assim? Ele estava solteiro e eu também! Talvez eu só estivesse complicando tudo! Olavo quis ficar comigo mesmo depois de eu ter sido uma estúpida e egoísta e eu continuava tendo a mesma atitude. Num impulso busquei meu celular e disquei o número de Olavo.
Meu coração acelerava a cada sinal de chamada que soava do telefone. Agora o nervosismo vinha acompanhado da dúvida, não sabia se tinha tomado uma atitude correta. ‘’Atende logo esse telefone, Olavo’’, eu pensei e depois de 10 toques alguém atendeu e para meu alívio a voz era masculina.
— Olavo? –Perguntei baixinho.
— Agora você resolveu me retornar? Percebeu que eu não vou mais correr atrás de você e se desesperou? – Eu ouvi a voz de Olavo do outro lado da linha e ela vinha acompanhada de muita ironia.
— Eu não deveria ter ligado! Me desculpe! – Foi só o que consegui falar antes de desligar o telefone sem esperar que ele falasse mais alguma coisa.
Me arrependi de ter ligado, me senti tola. Mas essa experiência tinha servido para eu perceber que Olavo ainda tinha muitos ressentimentos e o ideal seria que eu não mexesse mais nisso pois poderia machuca-lo ainda mais com minha indecisão e egoísmo.
Passei o resto do dia embaixo da coberta e ignorando qualquer tentativa que fizessem de se comunicar comigo. Eleonora tinha ciência de tudo o que estava acontecendo, mas nesse momento nem com ela eu queria desabafar. Tudo que eu queria era ficar sozinha e pensar. Pensar que agora eu tinha dado o aval para Augusto entrar completamente em minha vida e que Olavo provavelmente estava com muita raiva de mim e que essa situação talvez fosse irreversível.
Como eu conseguia me colocar nessas situações? Nos últimos meses eu fiz tudo completamente errado e não conseguia encontrar onde eu tinha começado a agir assim, minhas táticas sempre davam certo e eu não entendia porque com Olavo tinha sido diferente.
Adormeci e depois de algumas horas acordei com o barulho do meu celular. Era Augusto.
— Oi Augusto!
— Oi linda, você melhorou? – Ele me perguntou preocupado.
— Melhorei sim! Precisava de dormir um pouco. – Disse desanimada.
— E porque essa vozinha? Pode se animar, tenho uma festa para irmos!
— Olha Augusto, eu não estou no clima hoje. Podemos deixar para outra hora?
— Negativo! Eu não vou te deixar em casa em um sábado à noite! Pode se arrumar que daqui duas horas eu vou passar na sua casa para te buscar, nós vamos para uma super festa de aniversário de uma amiga minha de longa datal! Tenho certeza que você vai amar! – Augusto disse animado do outro lado da rua.
— Vai adiantar se eu disser não?
— Claro que não, eu jamais aceitaria esse tipo de resposta!
— Tudo bem! Mas se eu me sentir desanimada volto para casa, pode ser?
— Trato feito! Mas eu duvido que você vai se sentir desse jeito!
— Então até daqui duas horas! – Disse depois de um suspiro e desliguei o telefone.
Corri para meu closet à procura de alguma roupa, optei por um vestido curtíssimo que não combinava nada com o clima e, nesse caso, eu estava torcendo muito para que o local da festa fosse aquecido. Por via das dúvidas me equipei com um trench coat para os momentos que eu estivesse fora do ambiente com aquecedor.
Na hora marcada Augusto passou em minha casa para me pegar e durante o caminho fomos conversando sobre o dia e como seria a festa.
— É provável que os paparazzis estejam lá. Você se importa? – Augusto perguntou preocupado.
— Eu acho que depois de ontem não temos mais o que esconder e nem como. O jeito é tentar ter uma relação mais amigável possível com eles- Disse pensando que quem eu mais me importava de descobrir já estava ciente.
E assim aconteceu. Na entrada da festa podia-se ver muitos paparazzis assediando todo e qualquer convidado, tudo era válido por um furo de reportagem ou qualquer informação sobre a festa exclusiva.
Depois de algumas fotos e responder algumas vezes de onde era meu vestido fomos abordados por um jornalista mais incisivo.
— Boa noite Úrsula, o povo quer saber como você se sente acompanhando Augusto na festa de aniversário da ex namorada? Você se importa com o fato de os dois terem namorado por 1 ano e noivado por 2? – Disse o jornalista colocando o gravador perto da minha boca em busca de uma resposta.
Nesse momento pude perceber que mais e mais jornalistas queriam registrar minha resposta e Augusto estava com a feição muito tensa. ‘’O universo só pode estar de brincadeira comigo!’’ pensei. Quem disse que seria fácil mesmo?
Fale com o autor