O Antes e o Agora
9 Capítulo 9
Cheguei em casa de mau humor. A semana não tinha começado das melhores e eu precisava espairecer, só não sabia como. Meu celular tocou e o visor avisava que era Olavo, Respirei e atendi.
— Oi Otávio! Já sentiu saudades? – Atendi rindo.
— Úrsula, já chega de provocações! Já basta a saia justa que você me fez passar mais cedo! – Ele sussurrou do outro lado da linha.
— Ta sussurrando porquê? A Carolzinha ta perto? – Perguntei.
— Ela não está perto, mas estou na empresa e minha secretária é do tipo fofoqueira. – Ele respondeu e eu não pude deixar de dar uma gargalhada. – Eu tô te ligando pra pedir desculpas sobre nossa discussão, eu não deveria ter gritado com você! Pensei melhor e você tem razão, eu não posso te exigir nada já que você provou que realmente faz e fala o que quer.
— Sinto cheiro de medo! Ok, desculpas aceitas. Até mais! – Respondi e dei graças à Deus por ele não conseguir ver meu sorriso.
— Espera! – Ele disse antes que eu desligasse- Eu te pedi desculpas e você me trata assim?
— O seu problema é esperar demais de mim. – Disse.
Olavo suspirou e por fim disse: -Posso te visitar?
— Não acho que seja uma boa ideia. Melhor você ficar com sua esposa. – Respondi ríspida.
— Eu sei que se você não quisesse ficar comigo não teria feito aquela cena hoje no escritório do seu pai. Vamos recomeçar, por favor?
Fiquei em silencio por alguns segundos.
— Tudo bem! Mas se der mais um ataque daqueles pode esquecer que eu existo! – Disse decidida.
— Ok! Passo na sua casa quando meu expediente acabar. Até mais! – E Olavo desligou o telefone.
Eu sei que tinha prometido para mim mesma que não me envolveria mais com Olavo, mas eu tenho que confessar que não consigo. Eu sei que o que estou fazendo não é certo, mas ele também está errando e tem coisa mais reconfortante do que saber que você não está errando sozinha?
Na hora esperada o porteiro interfonou avisando que Olavo estava subindo. Quando o elevador chegou ao meu andar abri a porta e meu coração acelerou na medida que ele se aproximava. Nos cumprimentamos com um abraço e ele me deu um beijo na testa.
Caminhamos para o sofá e nos sentamos.
— Você aceita alguma coisa? Água, café, suco ou qualquer coisa que não seja alcoólica? – Perguntei rindo.
— Não minha linda, não posso demorar muito. Passei aqui pra te ver e ficar um pouco com você. – Ele respondeu sorrindo e colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e se aproximando aos poucos selando nossos lábios carinhosamente. Nos beijamos até nosso fôlego acabar e ficamos abraçados conversando sobre coisas aleatórias por um tempo.
— Preciso ir, mas antes quero te convidar pra jantar comigo na quarta feira. Posso passar aqui pra te buscar às 20:00 ou você já tem algum outro compromisso? – Ele perguntou me olhando nos olhos.
— Não, eu não tenho nenhum compromisso quarta feira. Estarei te esperando às 20:00! – Respondi dando um selinho em Olavo.
Nos levantamos e fomos até a porta. Olavo me deu abraçou e deu um beijo demorado.
— Novamente me desculpa por aquele dia. Eu me interessei por você exatamente porque você tem essa personalidade forte e decidida! – Olavo disse enquanto eu sorria me dando um selinho se virando para ir embora.
— Até quarta! – Eu disse quando a porta do elevador se fechava.
Fechei a porta e fiquei ali sorrindo de forma boba não sei por quanto tempo. Incrível como nós tínhamos química e eu não conseguia falar não para Olavo, porém eu não podia me apaixonar e usaria todas as minhas forças para que isso não acontecesse.
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