Cheguei em casa de mau humor. A semana não tinha começado das melhores e eu precisava espairecer, só não sabia como. Meu celular tocou e o visor avisava que era Olavo, Respirei e atendi.

— Oi Otávio! Já sentiu saudades? – Atendi rindo.

— Úrsula, já chega de provocações! Já basta a saia justa que você me fez passar mais cedo! – Ele sussurrou do outro lado da linha.

— Ta sussurrando porquê? A Carolzinha ta perto? – Perguntei.

— Ela não está perto, mas estou na empresa e minha secretária é do tipo fofoqueira. – Ele respondeu e eu não pude deixar de dar uma gargalhada. – Eu tô te ligando pra pedir desculpas sobre nossa discussão, eu não deveria ter gritado com você! Pensei melhor e você tem razão, eu não posso te exigir nada já que você provou que realmente faz e fala o que quer.

— Sinto cheiro de medo! Ok, desculpas aceitas. Até mais! – Respondi e dei graças à Deus por ele não conseguir ver meu sorriso.

— Espera! – Ele disse antes que eu desligasse- Eu te pedi desculpas e você me trata assim?

— O seu problema é esperar demais de mim. – Disse.

Olavo suspirou e por fim disse: -Posso te visitar?

— Não acho que seja uma boa ideia. Melhor você ficar com sua esposa. – Respondi ríspida.

— Eu sei que se você não quisesse ficar comigo não teria feito aquela cena hoje no escritório do seu pai. Vamos recomeçar, por favor?

Fiquei em silencio por alguns segundos.

— Tudo bem! Mas se der mais um ataque daqueles pode esquecer que eu existo! – Disse decidida.

— Ok! Passo na sua casa quando meu expediente acabar. Até mais! – E Olavo desligou o telefone.

Eu sei que tinha prometido para mim mesma que não me envolveria mais com Olavo, mas eu tenho que confessar que não consigo. Eu sei que o que estou fazendo não é certo, mas ele também está errando e tem coisa mais reconfortante do que saber que você não está errando sozinha?

Na hora esperada o porteiro interfonou avisando que Olavo estava subindo. Quando o elevador chegou ao meu andar abri a porta e meu coração acelerou na medida que ele se aproximava. Nos cumprimentamos com um abraço e ele me deu um beijo na testa.

Caminhamos para o sofá e nos sentamos.

— Você aceita alguma coisa? Água, café, suco ou qualquer coisa que não seja alcoólica? – Perguntei rindo.

— Não minha linda, não posso demorar muito. Passei aqui pra te ver e ficar um pouco com você. – Ele respondeu sorrindo e colocando uma mecha de cabelo atrás da minha orelha e se aproximando aos poucos selando nossos lábios carinhosamente. Nos beijamos até nosso fôlego acabar e ficamos abraçados conversando sobre coisas aleatórias por um tempo.

— Preciso ir, mas antes quero te convidar pra jantar comigo na quarta feira. Posso passar aqui pra te buscar às 20:00 ou você já tem algum outro compromisso? – Ele perguntou me olhando nos olhos.

— Não, eu não tenho nenhum compromisso quarta feira. Estarei te esperando às 20:00! – Respondi dando um selinho em Olavo.

Nos levantamos e fomos até a porta. Olavo me deu abraçou e deu um beijo demorado.

— Novamente me desculpa por aquele dia. Eu me interessei por você exatamente porque você tem essa personalidade forte e decidida! – Olavo disse enquanto eu sorria me dando um selinho se virando para ir embora.

— Até quarta! – Eu disse quando a porta do elevador se fechava.

Fechei a porta e fiquei ali sorrindo de forma boba não sei por quanto tempo. Incrível como nós tínhamos química e eu não conseguia falar não para Olavo, porém eu não podia me apaixonar e usaria todas as minhas forças para que isso não acontecesse.