O relógio já marcava onze da manhã e com um susto eu acordei. Tinha combinado de almoçar com meu pai e com certeza iria chegar atrasada já que seu ritual de beleza demorava muito e com certeza a ressaca do espumante da noite anterior não me faria ser mais rápida. ‘’ Eu não sou conhecida por ser pontual mesmo, paciência’’ pensei.

Às 13:00 em ponto eu já estava sendo anunciada pela secretária do escritório do meu pai, um figurão da indústria civil. Nem esperei ser anunciada direito e já fui entrando na sala espaçosa do meu pai.

— Talvez eu tenha me atrasado um pouco, mas você já viu o tamanho do meu cabelo pai? – Falei rindo e mexendo no celular distraída.

— Eu já sei que você tava enchendo a cara com sua melhor amiga ontem, Ursula. Tenho certeza que se atrasou porque bebeu demais, dormiu demais e acordou de ressaca!- Disse meu pai sem tirar os olhos do papel que estava lendo. Ele sabe a filha que tem- E se você não percebeu, eu estou em reunião com o novo engenheiro da empresa.

Não me dei ao trabalho de pedir desculpas- Eu te espero lá fora então pai, não demora porque eu estou com muita fome!- Mas antes de sair, meu pai soltou:

— Eu já almocei filha, você se atrasou! Se tivesse com fome teria chegado mais cedo!- Disse- Senhor Olavo, acho que não poderemos ter uma conversa sensata com essa mal educada na na minha sala, mas acho que todos os detalhes já estão acertados. Qualquer dúvida é só falar!- Falou se levantando e apertando a mão do rapaz que até então tinha passado despercebido pelo meu radar.

E antes que o tal Olavo pudesse abrir a boca para se despedir do chefe, Eu respondi ao meu pai:

— Eu poderia começar uma discussão pai, mas minha ressaca nunca permitiria!

E foi então que eu reparei na figura em frente ao meu pai que antes estava de costas. E que figura! Um homem alto de cabelos castanhos arrumados na medida e dono de um charme que com certeza conquistaria qualquer mulher que cruzasse seu caminho. Trajava um terno caro com certeza feito sob medida –‘’ engenheiros usam terno desde quando?’’ pensei-.

Então eu cheguei à conclusão que não faria mal acompanhar o novo empregado da empresa da minha família até a porta do prédio, era questão de educação!

Me despedi do meu pai e esperei que o rapaz passasse pela porta, e foi aí que não pude deixar de reparar na grossa aliança dourada no dedo anelar da mão direita de Olavo, que decepção! Se eu tivesse sorte ele será um cafajeste!

— Olavo, não é mesmo?- eu disse entrando no mesmo elevador do castanho

— Isso mesmo. Você deve ser a Ursula, minha esposa lê muito sobre você nas revistas de fofoca. – Ele me respondeu sorrindo, e que sorriso!

‘’ Se ele acha que citando a esposa eu vou desistir, ta muito enganado! Mal sabe ele que uma das minhas características mais forte é a determinação’’ pensei.

— Você já almoçou? Tenho certeza que meu pai te deixou ocupado nas últimas horas!- falei olhando para ele e lançando meu olhar conquistador que nunca falha.

— Ainda não almocei, estava pensando em fazer isso em casa já que eu tenho o resto do dia de folga.- Olavo respondeu. ‘’Como assim em casa?! Meu amigo, olha pra mulher que ta falando com você e acorda pra vidaaa’’ eu pensava. Tinha que usar minha arma secreta:

— Eu pensei que você podia almoçar comigo. Odeio comer sozinha e eu tenho certeza que você não falaria não pra filha do seu chefe, não é?!- Lancei meu sorriso mais convincente e percebi que agora sim, o tinha desarmado!

Olavo riu, pensou por alguns segundos e aceitou meu convite, nem ele resistiria aos meus encantos.

Seguimos até um restaurante chique há algumas quadras. Ao chegar pedi o de sempre acompanhado de um Bellini, afinal já se passavam das duas da tarde. Olavo pediu seu almoço, e sinceramente eu nem prestei a atenção, estava ocupada demais acertando os detalhes via mensagem da festa que vai rolar a noite.

— E então, eu achei que vocês engenheiros só usavam jeans, gola polo e tênis e nunca se renderiam ao terno e gravata!- disse mudando meueu foco para o rapaz que estava na minha frente.

— Vou trabalhar na área administrativa mesmo como engenheiro, mas com certeza você não está interessada em saber quais são minhas funções dentro da empresa- Respondeu o rapaz ajeitando o guardanapo no colo e dando a primeira garfada

— Exatamente! Percebe a nossa sintonia? Você até já sabe quais assuntos não são do meu interesse!- ri, comigo não tem essa de rodeios.

— Será que eu estou de frente a uma conquistadora nata?- Olavo disse brincando- Espero que tenha percebido que eu sou casado!

— Você não pode me culpar por ter casado cedo e me privado da sua companhia! Eu espero que você perceba o quanto essa aliança te faz perder, é só olhar pra mim!- eu disse tomando um gole do meu drink

— Se continuarmos assim além do casamento eu vou perder minha cabeça e meu emprego- disse o rapaz focando no seu prato de comida

Eu ri e durante o resto do almoço não se ouviu mais nenhuma palavra. Quando a conta veio eu me adiantei e paguei tudo, afinal o convite tinha partido de mim. Nos levantamos e antes de nos despedirmos guardei no bolso do paletó de Olavo um guardanapo com meu telefone.

— Caso você fique entediado com a vida de casado- Sorri e fui embora antes que ele pudesse falar qualquer coisa. Meu objetivo ali já tinha sido alcançado.

Notas finais
Tem alguém aí lendo? Se sim, obrigada viu?!