O Anjo Negro
3 Terceiro Capítulo – O beijo e o conselho
Notas iniciais
Passou dias e Charlotte estava trancada em seu escritório. Sebastian sem se aguentar entrou lá para ver o que tinha acontecido.
– A senhorita está bem? Não come nem bebe a semanas, sete semanas para ser exato.
– Estou. Devia saber que só como por costume. Porque não preciso comer para sobreviver.
O telefone toca. Charlotte o pega e atende.
– Alô.
Um silencio predomina a chamada.
– Quem é? Fale logo maldito! – Se altera, já irritada com as constantes chamadas que estava recebendo durante aquelas semanas no escritório.
– He-he-he já estou satisfeito com o resultado.
– Keros! Seu maldito! O que quer?
– Eu queria pedir algumas coisas, já que sei do anjo que você esconde do conselho angelical.
– Faça-me o favor, Keros. Nem tente me ameaçar, você sabe que eu posso simplesmente chutar sua bunda para o inferno. Ele já está aqui a tempo suficiente para ser um anjo caído, agora ele é impuro. Ou seja minha responsabilidade, não a do conselho angelical.
– Mas...
Charlotte desligou a ligação, já contente com o resultado.
– Está tudo bem, senhorita?
– Sim, esse diabrete acha que pode me passar a perna. Pobre iludido.
– Eu sou um fardo para a senhorita?
– Não, logico que não.
Ele assentia com a cabeça e saia da sala.
– Keros é tão inocente, mal ele sabe que eu posso destruí-lo em um piscar de olhos.
Na manhã seguinte Charlotte já estava pendurada no telefone.
– Claro, que sim. Eu sinto sua falta, até mais, papai.
Sebastian estava passando e ouvia sem querer esta parte da conversa. Mas ela nem ligava, Charlotte era sozinha, talvez porque seu pai era um homem ocupado. Afinal não é muito fácil ser o senhor do inferno.
Ela saiu para o jardim, que estava florido, era primavera. Sentou-se no meio do jardim. Sebastian foi até lá, curioso para saber o porquê da jovem dama estar sentada na grama, tendo poltronas confortáveis dentro de casa.
– O que faz aqui, senhorita? – Ele perguntou.
– Só sentindo um pouco deste delicioso ar fresco. Porque não se senta junto a mim.
– Está certo. – Ele se sentou ao lado dela, achou aquela sensação muito boa. Ele virou o rosto, e olhou para Charlote, ela tinha um rosto perfeito, uma pele tão branca. Se hipnotizou com a beleza dela.
– O que está olhando? – Ela olhou para ele frangindo a testa e abaixando as sobrancelhas.
– Você é tão linda.
As bochechas dela começavam a ficar levemente rosadas.
– Não fale essas coisas vergonhosas.
– Desculpe. – Ele era sincero, mas um tanto inocente para este tipo de coisa.
– Tudo bem... Obrigada pelo elogio.
– Não tem de que. – Ele se hipnotizara novamente, mas desta vez com seus lábios carnudos e vermelhos, que se destacavam tanto naquela pele pálida.
Charlotte estava se sentindo envergonhada. Sem pensar muito virou-se rápido para ele e falou algo com sarcasmo:
– Por acaso quer me beijar? Se quer faça logo!
– Quero muito. – Ele tocava seu rosto com as costas da mão.
– E-Eu estava sendo sarcástica – Ela gaguejava, ficando nervosa com sua resposta.
– Desculpe, não estou acostumado com sarcasmo.
– Mas... Porque não...? – Falava baixinho.
– Hum?
– Beije-me. – Ela avermelhava.
Ele aproximava os lábios dele aos dela. Os tocando, e deslizando os lábios uns nos outros. Charlotte fechou os olhos e acompanhou o ritmo do beijo. O beijo durou algum tempo e depois ele se afastou. Sebastian estava com as bochechas vermelhas. Charlotte como sempre séria.
Aquele beijo, um beijo delicado. Um beijo inesquecível. Em milhões de anos ela nunca tinha dado um beijo tão bom. Cuja função era encanta-la.
Pela primeira vez Charlotte deu um beijo em que sentiu algo diferente. Seu coração bateu forte, suas mãos suaram e seu corpo estremeceu.
– Sente-se satisfeito agora? – Ela disse em um tom sínico.
– Sim. E a senhorita?
Ela queria dizer que tinha gostado. Mas sua personalidade fria e orgulhosa não permitia. Antes que ela pudesse dar uma resposta, Mary veio correndo até eles.
– Senhorita... – Ela ofegou. – O conselho angelical está aqui, e quer falar com você.
– Já vi que hoje será um dia chato. – Disse Charlotte ao se levantar.
Os membros do conselho estavam sentados em cadeiras, ao redor de uma enorme mesa – de 16 acentos. Uma das salas da mansão de Charlotte.
– Já não basta nós caminharmos até este local repugnante, ainda temos que esperar a garota. – Disse um dos membros do conselho.
Charlotte e Sebastian entraram bem na hora que ele terminou a frase.
– Nossa que prazer recebe-los aqui. Seres tão ocupados. – Ela falou com seu clássico sarcasmo.
– Muita ousadia sua. Faz tamanha besteira e ainda vem falando desta forma. – O líder diz.
– Besteira? – Ela senta-se na outra ponta da mesa. – Que “besteira” eu fiz?
– Você acolheu um renegado... – O líder responde. – Você sabe que não pode ser acolhido até ser totalmente impuro.
– Ele já é impuro. Ele é um demônio, ou seja, minha propriedade!
– Ainda vejo pureza nele. – O homem desvia o olhar para Sebastian.
– Quer mesmo competir comigo? Pois tente! Vamos ver quem ganha.
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