O Anjo Negro
8 Oitavo Capítulo - A investigação de Charlotte
Notas iniciais
Era uma manhã chuvosa, Charlotte levantou da cama e vestiu uma calça e uma jaqueta de couro preto, em seguida colocou uma bota também de couro preto. Amarrou seu cabelo no topo da cabeça. E saiu do quarto, como sempre muito bonita, sempre com os olhos maquiados de preto.
Ela caminhava em um corredor que dava direto para o salão principal. Quando chegou no salão viu Sebastian.
– O que faz aqui? — Charlotte perguntou, sendo curta e grossa.
– Estava limpando... Está irritada?
– Ah, não, desculpe. Vou sair.
– O-Okay. — Ele sentiu vontade de perguntar aonde ela ia, mas não o fez.
– Volto daqui a algumas horas. — Ela saiu pela porta principal.
Quando já estava no jardim da frente, apontou para o chão com dois dedos, e o chão se abriu, ela pulou dentro do buraco que tinha feito, e logo atras dela o buraco se feixou. Ela caia em direção ao inferno. O inferno não era o lugar mais lindo para se visitar, o “céu” era manchado de vermelho e preto, não existia uma fonte de luz, apenas os traços vermelhos iluminavam o caminho, Charlotte abriu suas asas negras, e voou até sua casa, ou melhor, mansão. A mansão Walker Evans era situada no centro do Inferno. Era toda na cor vinho, as janelas e portas eram douradas. Era imensa, realmente muito grande, Charlotte aterrissou na frente da porta principal, que era exageradamente grande.
– Papai sempre gosta de parecer o maioral... — Ela revirou os olhos.
Bateu na porta, um empregado veio a recepcionar. Começou a bajular ela, Charlotte tentou ser educada e prosseguir até seu pai. Quando finalmente conseguiu ela foi até uma sala, aonde ele costumava ver televisão quando não tinha nada para fazer. Ele não estava lá, a casa estava arrumada e limpa demais, ou seja ele tinha viajado. Charlotte revirou os olhos.
– Aonde esse velho se meteu?
– Desculpe, senhorita Charlotte. Esqueci de avisar, o senhor Walker saiu ontem de noite.
– Sabe para onde ele foi?
– Sim. Ele foi até a Espanha coletar algumas almas que estavam incomodando os humanos.
– E quando ele volta?
– Talvez essa tarde, foi o que ele me disse, mas não é nada certo.
– Okay, vou esperar...
– Sendo assim... Quer alguma coisa para comer, ou beber?
– Um chá, por favor. Vou esperar aqui. — Ela se sentou no trono de seu pai, que era virado de frente para a televisão. — Velho folgado.
O empregado foi até a cozinha preparar o chá. Enquanto isso Charlotte olhava as coisas de seu pai. Ela detestava ter que fazer isso, mas estava com um tédio mortal. Então ela acabou vendo uma coisa que lhe chamou a atenção. Uma carta, ela viu de relance seu nome nela, então resolveu lê-la:
“Sua filha, Charlotte pode ser morta por abriga-lo, você é o pai dela, devia se preocupar mais com ela. Vou dar-lhe um conselho: livre-se dele, ou faça Charlotte se livrar. Ele é muito perigoso para ela. Entende os riscos, Lúcifer. Se ele despertar... Não sei o que será de sua amada filha.”
– De quem estão falando...? Sebastian? Não pode ser, Sebastian nunca seria tão perigoso, ele nunca me machucaria. — Ela largou a carta no mesmo lugar que encontrou.
O empregado bateu na porta, que estava aberta. Ele entrou em seguida e colocou uma bandeja com uma xícara de chá, do lado um açucareiro com uma pequena colher dentro.
– Eu faço o resto, obrigada. — Disse Charlotte.
Ela pegou a colher e colocou um pouco de açúcar no chá. Mexeu, em seguida tomou um gole. Ela já tinha terminado se chá quando Lúcifer chegou em casa. Ela o escutou e permaneceu na sala, sentada em seu trono. Ele caminhava lentamente até a sala. Quando um empregado estava prestes a falar que ela estava ali ele chegou na sala, o empregado se retirou.
– Minha pequena dama... O que faz aqui...?
– Papai... O que está escondendo de mim?
– E-Eu não estou escondendo nada... — O leve gaguejo no começo só fez Charlotte desconfiar mais. Ela resolveu ir ao ponto fraco dele.
– Papai... Porque está fazendo isso comigo? Acha que a mamãe ia gostar de saber que está mentindo para mim...?
Essa frase foi uma faca enfiada no peito dele. A mãe de Charlotte tinha morrido a algum tempo, Gabriel a matou. E quando qualquer um toca no assunto Lúcifer só pode pensar em Gabriel, ele pensa que se estivesse junto a ela isso nunca teria acontecido.
– … Desculpe, estava tentando a proteger. Sebastian não é um anjo comum, querida.
– Não?
– Ele é o suposto filho de Gabriel.
– Gabriel teve um filho? O que? Mas isso é apenas uma lenda, papai.
– Não é uma lenda. É verdade. E um filho de Gabriel conseguiu ser um anjo caído, incrível, não é? Gabriel teve relações com outro anjo, Isabele. Acabaram por ter Sebastian. Só que o conselho não aceitou isso muito bem, então fizeram Sebastian crescer longe de seus pais. Não é exatamente um demônio... Ele caiu por assassinato, virando um anjo caído, escureceu o sangue, virou um anjo negro. Eu não quero que ele mate você, se ele descobrir que é filho de Gabriel, talvez queira te matar, assim como Gabriel fez a sua mãe.
– Sei me cuidar.
– Sua mãe falava a mesma coisa.
– Sinto falta da mamãe, você acha que ainda tem a possibilidade do nosso pano de vingança dar certo?
– Claro, querida. Vamos conseguir, mas tenha paciência, ainda não está na hora.
– Tudo bem, papai. Acho que vou para casa.
– Ah, claro. Mas não fale nada para ele...
– Pode deixar. — Charlotte saiu do trono do pai, indo em direção a porta, que era aonde ele estava. Antes dela sair ele afagou a cabeça dela.
– Eu não vou te perder, Charlotte.
– Eu sei que não, papai. Até mais.
Charlotte saiu rapidamente de lá, minutos depois estava na mansão de Londres. Tomando um banho relaxante. Tinha ficado bem surpresa com o que descobrira, manteve sua boca calada sobre isso. Mesmo ela tendo certeza que Sebastian nunca a machucaria.
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