O Anjo Negro

17 Décimo setimo Capítulo – Destino


Notas iniciais
Desculpem a grande demora (çocorr vão me lixar viva). Não vou dar desculpa desta vez, fiquei com preguiça de escrever mesmo, sorry

Dentro de seu escritório Charlotte parecia falar sozinha, mas na verdade estava falando com seu pai, que estava escutando tudo atentamente da filha.

– Isso é muito perigoso, Charlotte.

– Preciso ajuda-lo...

– Não permitirei que se envolva.

– O que? — Ela levantou a voz, espantada com o que Lúcifer dissera.

– Charlotte... — Ele calmamente continuou a falar – Eu já perdi sua mãe, não vou te perder...

– Podemos trazer mamãe de volta. Só... Só me deixe ajuda-lo.

– Tudo bem... Você é bem mimada em.

– Você me criou assim.

– Apenas tenho um pedido...

– Qual?

– Use a armadura.

– Acho que não é necessario, mas vou fazer porque pediu.

– Minha menina já está tão grande.

– Para com isso, velho.

– E cada vez mais fria... — Ele falou baixinho. — Bem foi bom conversar, tenho assuntos a tratar, pegue a armadura e faça como quiser, se precisar de ajuda é só gritar: “Papai, me ajude”.

– Nunca.

– Ha-ha imaginei... Até mais.

Um simbolo se formou no chão e ele subiu em cima e o simbolo se fechou e ele desapareceu.

– Ele preveu algo... tenho certeza, deve ser por isso que mencionou a armadura.

Charlotte começou a vestir a armadura, nascostas de Charlotte surgiram duas lindas asas negras, parecidas com as de um morcego, em seguida sua calda surgiu e em sua cabeça dois chifres tortos como os de uma cabra também apareceram. Sua armadura começava com uma argola presa em seu pescoço seguida por uma corrente e cobrindo seus seios duas faixas de tecido, tudo na cor carmesim. Em seus ombros chifres feitos de aço banhados em ouro, envolvendo seus seios e sua cintura garras douradas. Em seu corpo tatuagens, duas nos braços — em um braço está coberto com uma manga arrastão — uma perto da virilha e outra na perna. Uma longa saia aberta na frente, a sua “calcinha” carmesim é coberta por um cinto em forma de cabeça de cabra dourado. Meias arrastão e botas carmesim com detalhes vermelhos.

Ela respirou fundo. Olhou-se no espelho.

– Adryel vai mesmo me ajudar? Anjos negros são como demônios, trapaceiros, eles apenas vai para o lado que paga melhor... Sebastian... Eu tenho que lhe proteger, custe o que custar.

– Ainda tagarelando?

Charlotte olhou rapidamente para o local que a voz vinha. Era Adryel, ele olhava fixamente para ela.

– Essa armadura lhe caiu bem. Está linda.

– Pare com isso... É tão falso.

– Oh, mas não estou mentindo, você é bonita.

– Isso é irritante. Você é irritante.

– Pense em mim como um bad boy, só quero brincar com você, não tenho interesse amoroso.

– Não estou nem um pouco afim de fazer qualquer coisa com você.

– Ah, eu não me importo, se não quer vou atras de outra.

– Oh, isso é excelente. Enfim, vai me ajudar até o final? Ou me trair?

– Ajudarei, mas quero saber o que vou ganhar com isso?

– O que quer?

– Bem... Os anjos negros não tem muitos direitos, nós também precisamos matar as vezes...

– Pode matar, mas vai ser a lista que te passarei. A pouco tempo um ceifador “morreu”, então pode assumir sua vaga, entre aspas.

– Isso seria bom. Mas posso matar do meu modo?

– Sim, desde que nenhum humano veja.

– Por que?

– Isso não é obviou?

– Tem razão, foi uma pergunta idiota.

– Onde vamos?

– Encontrar o seu anjinho favorito.

– Ha-ha, engraçadinho.

Eles abriram suas asas, sairam pela janela, Charlotte seguia Adryel, não sabia onde Gabriel estaria. Durante seu voo Adryel parecia curioso, durante um minuto tentou perguntar algo e finalmente conseguiu:

– Como o ceifador morreu?

– Tecnicamente ele não morreu, a existência dele foi apagada do submundo.

– Porquê?

– Ele era um humano que por ter um senso de justiça muito forte recebeu uma proposta, papai ofereceu a ele a vida eterna, poder levar almas ao inferno ou ao paraíso, ele aceitou, então ele passou muito tempo na terra, nisso ele conheceu alguém, por quem se apaixonou... — Ela fez uma pausa quando percebeu que Adryel estava diminuindo o ritmo e descendo lentamente. — Ele pediu ao meu pai para que pudesse ser humano de novo, mas papai havia avisado que ser um ceifador tinha riscos, coisas que ele nunca poderia voltar atrás, ele leu o contrato e aceitou tudo, então papai explicou que não era possível ser humano novamente: “Uma vez que assume a responsabilidade de transitar entre a luz e as trevas nunca se transita novamente pelo chão que os mortais pisam”. O pobre ceifador apaixonado infernizou meu pai, então como ultima alternativa – vendo que meu pai não atendia seu desejo – ele se jogou na Colina das Almas Perdidas e seu ser sucumbiu as criaturas peçonhentas que lá viviam, elas devoraram sua tristeza, transformando-o em um pleno nada.

– Uou, não esperava essa.

Eles pousaram em um campo de grama fofa e pura, cheio de almas transitando por ali, perdidas.

– Devia ter imaginado que viríamos ao limbo. Único local que criaturas da luz e das trevas podem transitar juntas.

– Ora, ora então veio para enfrentar-me. Não acredito que se juntou a essa imunda, Adryel. — Gabriel disse em um tom áspero.

– Sou tão imundo quanto ela, alem do mais, ela paga muito melhor.

– Quem você pensa que é para me chamar de imunda? Acho que não está vendo seu próprio reflexo de impureza. Não fui eu quem tentou matar o próprio filho. — Charlotte falou em tom sarcástico.

– Ele é uma desgraça! — Gabriel se alterou.

– Você é uma desgraça! Um hipócrita! Me chama de imunda por ser um demônio, mas contrata um da mesma raça que o filho para tirar-lhe a vida. Estou cansada de você, Gabriel.

– Vai fazer o que? Me matar?

– Eu não quero te matar...

Gabriel soltou uma risada falha.

– Eu quero te fazer sangrar... Quero te ver contorcer de dor, te matar só aliviaria sua agonia, preciso sentir seu medo, me alimentar dele, me vingar... — Os olhos de Charlotte escureceram, algo escorreu de dentro deles, era seu sangue, esse que era denso. — Eu vou foder com sua maldita vida!

– Então essa é a impureza que um sangue demoníaco tem... — Adryel se admirava.

Charlotte correu em uma velocidade que Adryel não pode acompanhar, tão rápida que golpeou Gabriel no abdome e o arremessou longe. Gabriel puxou sua espada purificadora e foi em direção a Charlotte, ainda sentindo a dor do primeiro golpe. Adryel ficava no aguardo, caso Charlotte precisasse de ajuda ele correria até lá.

Gabriel movimentava sua espada tão rapidamente quanto Charlotte fugia dos golpes, eles poderiam ficar ali um bom tempo até que cansassem. Charlotte parecia histérica, totalmente fora do controle. Gabriel se assustou com as expressões que ela fazia, nunca tinha a visto nesse estado.

– Mas o qu...? — ele não pode terminar pois tinha levado um golpe no abdome, desta vez não um simples soco, ela havia perfurado com as unhas, não chegava a atravessar seu corpo, mas era uma ferida profunda.

Ele como retribuição fincou a espada no meio do peito de Charlotte. Ela riu e foi se aproximando dele e deixando a espada perfurar mais fundo ainda seu corpo, até ficar apenas uma parte dentro de seu corpo e toda ponta coberta de sangue negro, fora. Ela estendeu suas mãos e segurou o rosto de Gabriel, começou a apertar as duas contra o rosto dele.

– Charlotte! Não!

Ela virou para ver quem era, pela voz ela não tinha duvidas:

– Sebastian...

Se aproveitando da situação Gabriel lançou um raio de luz forte em Charlotte, lançando-a longe, com a espada na mão ele diz:

– Não passa de uma imunda.

– Gabriel, não! — Sebastian corre até Charlotte, se ajoelha perto dela e se curva encostando sua testa na dela. — Senhorita... Por que não está respirando, senhorita...? — As lagrimas de Sebastian escorriam por seu rosto até pingar no de Charlotte, ele a beijou repetidas vezes enquanto chorava.

– Você sempre foi um tolo, acho que nunca vou ter orgulho de ser seu pai. — Gabriel debochou.

– Meu... pai? — Sebastian levantou a cabeça. — Não me importo com o que é, não pode tirar a vida da pessoa que eu mais amo. Ele correu até Gabriel e começou a ataca-lo.

– Você sabe que não pode comigo. — Gabriel golpeou Sebastian com a espada e arrancou-a rapidamente. — Morra junto com seu amor imundo. Gabriel foi embora, deixando os dois naquele estado, Adyel não ousou reagir, pois sozinho não podia conter Gabriel.

Charlotte voltou a respirar depois do choque que recebeu da luz, ela viu que Sebastian estava esticado no chão, ela se arrastou ainda tonta e confusa então tentou acorda-lo, ele não reagiu, ela desmaiou de fraqueza novamente e quando acordou estava em sua casa com Adryel sentado no divã que ficava do lado da cama.

– Adryel...

– Sim.

– Sebastian está bem?

– ...

– Me responda.

– Não.

– O que aconteceu?

– Eu conferi se ele respirava e se seu coração ainda batia. Nenhum dos dois responderam, vi que você estava bem e seus ferimentos se fechavam, então esperei um tempo e ele ainda sim não reagiu. Então vim para cá e depois de te deixar aqui voltei para verificar se ele estava mesmo morto... quando cheguei lá ele simplesmente tinha desaparecido.

– Ah... Não, é tudo minha culpa. — Charlotte sentiu as lagrimas escorrendo vagarosamente por seu rosto até chegar no maxilar e pingar no travesseiro.

– Acho que devo te dar um tempo não é?

– Vá, eu lhe passo a lista de pessoas que deve matar quando estiver melhor.

Um mês se passou desde que Sebastian tinha morrido, Charlotte deu a lista a Adryel e entrou em uma tremenda depressão, deixou sua casa de Londres mofando, a do limbo também e foi morar com seu pai no inferno, no seu velho quarto, de lá ela não saia por nada, ficava deitada o dia todo e isso durou muito tempo.

Notas finais
Se tiver algum errinho me corrijam eu arrumo. Obrigada a todos que acompanharam e se preocuparam com a demora da atualização. A continuação desta fic é: https://fanfiction.com.br/historia/464820/A_casa_dos_monstros/ Obrigada de verdade a todos que gostaram
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!