O Anjo Caído

1 Miseráveis Pecadores


“Perdoa-nos os nossos Pecados, pois assim também devemos perdoar a todos que erram contra nós. E não nos deixes sucumbir à tentação, mas livra-nos do Maligno” — Lucas 11:4.

Amon havia acabado de tomar banho com os baldes de água que havia trazido do reservatório. Era um arqueólogo de renome e estava em uma missão no interior deserto do Sahara, pois haviam descoberto um grande complexo de construções graças a uma tecnologia de sonares, criada há não muitos anos, durante a terceira guerra do golfo.

— Não vejo a hora de voltar para casa e tomar um banho de chuveiro. — reclamou, pensando alto e vestindo suas roupas.

Ele e sua equipe já estavam lá faz alguns meses, e ontem um scan revelou o que parecia ser a construção principal daquele complexo, escondida atrás de uma porta grande que foi escavada de ontem para hoje.

— Finalmente terminamos de escavar aquilo tudo… — disse, secando seu cabelo crespo com uma toalha. — Estou todo dolorido, urh…

Após se secar, sentou-se na cama para ligar para sua filha. Após alguns segundos, ela atendeu.

— Mariah! Como você está hoje?

— Oi pai! — respondeu ela, tossindo logo depois. — Eu já estou melhorando.

Mariah era uma menina comum: Pele escura e olhos verdes, puxados do pai, e cabelos cacheados, herdados da mãe. Ela estava deitada em sua cama pois estava doente.

— Têm tomado os remédios direito? Já era para você ter melhorado dessa gripe. — disse Amon, franzindo o cenho.

— Pai, não faz nem uma semana que peguei essa gripe! — ela exclamou, coçando a bochecha direita.

— Tudo bem, tudo bem… — disse Amon, limpando os óculos com um pano. — Ei, lembra do que eu disse? Vamos abrir o templo amanhã!

Nesse momento, outro arqueólogo bateu na porta do cubículo de Amon, procurando por ele. Era um homem tipicamente egípcio: Nariz afilado, pele bronzeada e olhos castanhos escuros, tendo também a barba não raspada, pelo tempo que estavam ali.

— Amon, tem um minuto? — Disse ele, pela porta.

— Espere só um pouco, Abdullah, estou falando com a Mariah.

— Certo, quando terminar vá para a sala principal, temos que conversar com o resto da equipe.

— Beleza, eu vou lá. — disse ele.

Após isso, Amon voltou a conversar com Mariah.

— Como eu disse, vamos abrir o templo hoje.

— Eu me lembro! — disse Mariah, sorrindo. — Espero que vocês não achem nenhum fantasma! Buu!

Eles dois caíram na gargalhada.

— E a sua mãe, cadê ela?

— Ah, mamãe está fazendo a janta. — disse Mariah, arrumando o cabelo com um pompom. — Vamos comer koshari hoje.

— Hmmm! Só de ouvir, já fiquei com água na boca. — Disse Amon, engolindo a saliva.

— É… Ei, pai, quando você vai voltar? — Perguntou Mariah, mudando o tom de voz.

— Bom, depende do que a gente achar aqui no templo. Pode variar de uma semana a um mês, eu chuto. — disse Amon, coçando o queixo.

— Você não vai vir para o meu aniversário?

Amon vacilou o olhar, entendendo a indignação da filha. Ele então teve uma ideia para compensá-la.

— Desculpa, Mariah… Olha, quando eu voltar para casa, eu prometo que te levo no cinema, que tal? Podemos ver aquele filme que vai entrar em cartaz. — disse. "Puta merda, esqueci do aniversário dela! Que pai horrível eu sou...", pensou.

— Sim… Pode ser. — disse ela, desanimada.

Nesse instante, Mariah foi chamada por sua mãe. Amon pôde escutar, embora a qualidade do áudio não estivesse lá essas coisas.

— Mariah, pode me ajudar com as cebolas?

— Já vou, mãe! Estou falando com o papai! — disse.

Ela estava em seu quarto, e a mãe estava na cozinha, que eram separados apenas pelo corredor do apartamento.

— Bem, é melhor você ir. Também tenho coisas para fazer agora.

— Tudo bem, pai. — disse Mariah, acenando. — Tchau.

— Tchau…

Ela desligou a chamada. Amon então levantou, guardou o celular no bolso e calçou suas botas, saindo de seu cubículo e seguindo o corredor até chegar na sala principal, onde estavam os equipamentos de comunicação, Abdullah e a chefe da expedição.

— E aí, queriam conversar? — falou Amon, apoiando-se em uma mesa.

— Sim, quero discutir se vamos usar explosivos ou não para abrir a porta. — disse a mulher, levantando-se e ajeitando o cabelo.

— Já falei que sou contra, Ísis. — disse Amon, cruzando os braços e fechando a cara.

— Não é só você quem decide, Amon. — respondeu a mulher.

— Bem, vamos esperar os outros, aí podemos decidir. — disse Abdullah, sempre agindo como intermediador das discussões deles.

Alguns segundos se passaram e os outros chegaram. Um homem, de aparência estrangeira, com cabelo loiro curto e olhos azuis, a pele bronzeada por estar no sol há tantos meses. O outro, com cabelo encaracolado grande, pele bronzeada e uma cicatriz no rosto.

— Chegamos! — disse o estrangeiro.

O William estava passando protetor, por isso ele demorou. — disse o outro homem num tom sarcástico.

— Vai se foder, Caim!

Ísis logo se posicionou no meio de todos.

— Ok, agora só falta a Hannah, mas podemos começar sem ela. — disse ela, continuando a falar. — Bem, eu quero fazer uma votação para decidirmos se nós usamos explosivos para abrir o templo ou não.

— Ísis, isso não devia ser um tópico de reunião! É óbvio que a gente não devia usar explosivos, vai desabar o templo inteiro! — disse Amon, irritado.

— É, eu concordo com o Amon, não tem para quê usar explosivos, o portão deve cair até com um sopro. — disse William. — E mesmo o portão sendo de pedra, é fácil de derrubar.

Após isso, William se apoiou na mesa do computador.

— Bom, eu… Estou com a Ísis. É mais rápido a gente explodir mesmo, todos vamos ficar menos tempo aqui se fizermos isso. — disse Abdullah, coçando o queixo.

— Eu acho que não deveríamos usar. Não sabemos se o templo aguentaria. — disse Caim.

Após isso, Ísis suspirou.

— Certo, então está decidido. Não vamos usar explosivos.

Amon parou por um tempo e pensou: “Talvez, se usarmos explosivos, eu poderia voltar mais cedo para casa? Poderia comemorar o aniversário da Mariah.”. Então ele decidiu falar.

— Mudei de ideia, eu apoio os explosivos.

Todos olharam surpresos para ele, especialmente Abdullah e Ísis, que já o conheciam há bastante tempo. Era a primeira vez que Amon mudava de ideia em algo.

— Nossa, o que deu em você agora? Ficou doente? — disse Ísis, em um tom sarcástico.

— Não. — respondeu Amon, seco. — Só quero acelerar o reconhecimento.

— Hum. — exclamou Ísis. — Bem, já que a maioria decidiu, vamos usar os explosivos.

Após isso, eles começaram a preparar os explosivos para explodir o portão do templo. O templo, por sinal, era bem estranho em alguns aspectos: Não parecia seguir o mesmo padrão de construção das outras casas daquele complexo.

Não haviam hieróglifos nas paredes nem nos pilares que ficavam na frente da entrada, que por sua vez não eram do tipo palmiforme, lotiforme nem papiriforme, mas sim totalmente reto, com alguns riscos que poderiam ser alguma forma de escrita. E o mais estranho de tudo, a porta do templo parecia estar selada com algum tipo de mecanismo que só podia ser destrancado por dentro, mesmo após milhares de anos sem manutenção.

Já estava anoitecendo, e quando eles haviam terminado de armar os explosivos ao redor do templo, já eram pouco mais de 19h. Após várias checagens, chegaram à conclusão que uma explosão reduzida não traria danos à estrutura do templo, nem desabaria a areia em cima.

— Certo, tudo pronto aqui! — exclamou William, saindo de perto dos explosivos, com o detonador em sua mão.

Ísis estava na tenda principal junto de Abdullah, observando tudo com os sonares, que diriam se algum desabamento ocorresse. O resto da equipe estava próximo da porta, esperando a detonação atrás de uma parede de sacos de areia.

— Quando você disser, Ísis. — falou Amon pelo rádio.

Ísis esperou um pouco, mas logo deu a ordem.

— Manda ver!

Com isso, William apertou o detonador, causando uma explosão que derrubou o porão sem mais nenhum estrago. A equipe chegou mais perto, vendo o interior do templo ser iluminado pela luz vinda das lanternas dos capacetes, coisa que não devia acontecer a séculos. Quando Amon chegou mais perto, porém, sentiu um vento forte sair de dentro do templo. O vento soprou forte contra ele, e, para seu espanto, algo pareceu sussurrar para ele numa voz sinistra.

“VÃO EMBORA, PECADORES!”

Amon sentiu um calafrio descer sua espinha, um terror quase que irracional havia o paralisado, quando Caim tocou em seu ombro, o tirou do estado de choque.

— E aí, vai ficar parado? Vamos logo!

— Uh… Eu…

Amon seguiu atrás de Caim, que estava com uma máscara de gás, passando pela porta já caída do templo. Antes de entrar, Amon também pôs a máscara, acompanhado por William e Hannah.

— Uau, saca só isso! — exclamou Caim, vendo o templo em sua beleza intocada.

O templo, embora abandonado por milênios, era lindo de se ver: Suportando o teto havia pilastras do tipo lotiforme aberta, ornadas em ouro e algumas jóias, com mais escritos desconhecidos, como as que estavam do lado de fora. Intercalando-se entre elas estavam braseiros, obviamente menores que as pilastras, e mais obviamente ainda apagados, porém igualmente adornados, com um resíduo de cinzas misturadas com areia.

O corredor levava até uma escadaria, que por sua vez levava para o andar de cima, algo inusual para as construções do Egito antigo. Seguindo até o pé da escadaria, todos eles sentiram o vento soprar, como se não quisesse-os ali.

— Gente, não estou com um bom pressentimento disso… — disse Amon, preocupado com o que poderia haver ali.

— É, cara, também senti algo sinistro agora! — exclamou William, olhando para os lados.

Nesse momento, Ísis os contatou no rádio.

— Ei, eu e o Abdullah estamos indo. Também queremos ver o que tem aí dentro! — exclamou ela, já indo até eles, acompanhada de Abdullah.

— Ísis, acho melhor sairmos e só voltarmos amanhã. — disse Amon pelo rádio, tenso.

Já era um pouco tarde, pois Ísis havia desligado o rádio e, para a surpresa deles, já estava na porta do templo, junto de Abdullah.

— Você tinha falado alguma coisa, Amon? Eu desliguei o rádio e cortei você sem querer. — disse ela, colocando a máscara de gás.

— Sim, disse que aqui não me cheira bem. É melhor colocarmos os drones para vasculhar a área, e ficarmos só olhando pelas câmeras.

— Quê? Por quê?! — exclamou ela, chegando mais perto.

— Pelo amor de Deus, pare de se aproximar! — gritou Amon, indo em direção a eles.

Nesse momento, eles sentiram um forte vendaval, mais potente que os outros dois, como se algo, dessa vez, estivesse os expulsando de lá.

— Urh, o que é isso?! Tem uma passagem de vento no templo que a gente não encontrou pelos sonares?! — exclamou Ísis, em estado de dúvida.

— Não é isso…! É o próprio templo! — disse William, com os nervos ao máximo. — Vamos sair daqui, agora!

Todos eles começaram a se dirigir para o lado de fora do templo. Todos, menos Ísis, que, sendo teimosa como sempre, decidiu ficar.

— Ah, gente, vão mesmo ficar com medo de um ventinho? — perguntou Ísis em tom de deboche, virando-se para trás. — Podem ficar aí, deixa que eu exploro!

Após isso, ela subiu a escadaria, admirada com os adornos que estavam presentes nela. Amon, querendo colocar o juízo de sua companheira de volta no lugar, decidiu ir até ela e trazê-la de volta para fora do templo.

— Pare com isso, caralho! Vamos logo sair daqui! — disse Amon, segurando o braço de Ísis.

— Me larga, medroso! — exclamou ela, logo antes de perceber que já haviam subido toda a escadaria.

No andar de cima havia mais pilastras e braseiros, mas com uma diferença: No meio da sala havia uma espécie de púlpito, adornado assim como as outras coisas próximas a ele.

— Uh… Quando foi que subimos? — perguntou Amon, confuso.

— Sei lá… Aliás-! — disse Ísis, dando um soco no ombro direito de Amon. — Não me puxe pelo braço nunca mais!

— AÍ!

Após o soco, Amon soltou o braço dela, que rapidamente se dirigiu até o púlpito para ver o que tinha nele. Lá, ela achou um pergaminho de papiro, guardado em um estojo incrustado de jóias vermelhas.

— Caraca, olha só isso! — disse ela, tateando o estojo.

— Cadê? — disse Amon, aproximando-se dela. — Caralho! — exclamou ele assim que viu o estojo, esquecendo por um momento que estava quase se cagando de medo.

— Urh, como abre isso? — disse Ísis, tentando de todo modo abrir o estojo.

Nesse momento, o resto da equipe havia subido a escadaria para ver se estava tudo bem com os dois.

— Ei, vocês estão bem? — perguntou Abdullah, apreensivo.

— Sim, — respondeu Amon, pegando o estojo — Achamos esse papiro aqui, olha só!

Ele mostrou o estojo para os outros, que ficaram igualmente surpresos com tal achado.

— Caraca, é todo incrustado em ouro! — exclamou Caim. — Já viu o que tem dentro dele?

— Não, a Ísis tentou abrir agora, mas não conseguiu. Vai ver que ela está fraca demais. — disse Amon, em um tom sarcástico.

— Ha. Ha. — disse Ísis, sem graça.

— Bom, deixa eu tentar… — disse William, pegando o estojo e fazendo força, conseguindo abrir e revelar o que havia dentro.

Dentro do estojo havia um rolo de papiro, com escritos hieróglifos comuns.

— Hannah, sua deixa. — disse William, passando o papiro para ela.

Hannah, que era expert em hieróglifos, pegou o papiro e o iluminou com sua lanterna.

— Hum… Huh? — disse ela, confusa.

— O que foi, não consegue ler? — perguntou Ísis, curiosa para saber o que tinha no papiro.

— Não, eu consigo, mas… É estranho pra caralho! — exclamou ela.

— Cacete, leia logo o que tem nele! — exclamou Amon, já impaciente.

— Tá, tá. — disse ela, limpando a garganta. — “Aquele que entra no lugar proibido nunca deverá retornar. Aquele que se alia ao… Urh, “Pccatus”, deverá receber a mesma punição.”

Todos fizeram caras confusas quando Hannah terminou de falar.

— “Pccatus”? Você leu isso direito, Hannah? — perguntou Ísis, confusa.

— Sim, é isso que está escrito aqui!

Nesse momento, outra rajada de vento soprou, dessa vez ainda mais violenta que as anteriores: O vendaval foi tão forte que jogou o papiro para o andar debaixo, e fez os cabelos das mulheres esvoaçar. Além disso, o vento parecia estar virando todos para a saída.

— Ghr! O que é esse vento!? — gritou Ísis, perplexa.

— Já deu, vamos vazar daqui! — disse Amon, tomando a iniciativa e puxando todos para fora do templo.

Antes de eles conseguirem sair, porém, foram surpreendidos por uma tempestade de areia na entrada do templo, impedindo a passagem. Eles agora estavam presos ali, pelo menos até o fim da tempestade.

— Puta que pariu, como os sensores não mostraram que tinha a PORRA de uma tempestade de areia chegando?! — exclamou Amon, obviamente puto.

— Se acalme, Amon. — disse Ísis, com um espírito de liderança inato. — Vamos esperar a tempestade passar aqui dentro. Estamos seguros, e as máscaras de gás tem oxigênio suficiente para duas horas.

— Acho que os ventos eram a tempestade se aproximando, a gente só não percebeu. — disse Abdullah, racional como de costume.

Com o conselho de Ísis, eles decidiram se acomodar ali enquanto a tempestade não passava. Para passar o tempo, eles decidiram explorar e mapear um pouco do templo.

O templo estava em um estado de conservação ótimo, já que a única entrada estava selada esse tempo todo. As paredes e seus adornos, as tapeçarias que, embora tivessem perdido a cor há tempos, ainda deixavam um ar de riqueza no lugar. No andar onde o púlpito estava, Hannah e Caim estavam lendo alguns outros papiros além do primeiro que haviam encontrado. Todos os papiros estavam com o mesmo ornamento, sem exceção.

— Esse aqui está em branco. — disse Caim, colocando o papiro de volta no estojo, fechando-o novamente.

— Cara, alguns dos papiros têm cânticos e rituais e outros estão em branco, não faz sentido! — exclamou ela.

Próxima dali estava Ísis, que se aventurava mais fundo no templo. Ela tocou na parede, vendo os ornamentos e hieróglifos nelas, assim como prateleiras e mais prateleiras de papiros. Amon estava logo atrás dela, como se estivesse cuidando de uma criança arteira.

— Ei Ísis, cuidado para não ativar nenhuma armadilha ancestral, hein! — disse ele, zoando com ela.

— Até parece que eu sou idiota a esse ponto! — respondeu ela, continuando a zoação.

Foi nesse momento em que ela viu algo reluzindo quando apontou a lanterna para a continuação do corredor. Ela chegou mais perto, e se encheu de alegria quando viu o que era.

— GENTE, UM SARCÓFAGO!! — ela gritou, alertando todos ali, que largaram o que estavam fazendo e foram até lá.

Amon, que já estava lá, chegou mais perto do tal sarcófago, animado.

— Gente, quem está com a câmera? — ele perguntou, recebendo a resposta de William logo depois.

— Eu estou. — disse ele.

— Grava! — exclamou ele.

Assim que William puxou a câmera do bolso e começou a gravar, Amon se aproximou do sarcófago e começou a falar.

— Recordação de vídeo da expedição, dia 2 de Maio de 2041, 20:47. Acabamos de encontrar um sarcófago no templo que estamos explorando! — ele falou, e todos comemoraram com um “Viva!”

— Vamos, faça um unboxing! — brincou Caim, falando para Amon abrir o sarcófago.

— É melhor abrir com os equipamentos necessários, gente. — disse Ísis, animada com a descoberta. — Não queremos danificar o conteúdo… Espera.

Ísis notou algo estranho: O “sarcófago” era muito pequeno para comportar um humano, e também não haviam os adornos usuais de um sarcófago. Além disso, ele era retangular.

— Isso está mais para… Uma caixa?

CONTINUA.


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