O Amor da Lua

3 Para ser parte de algo


Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo! XD Antes de começar eu quero agradecer a todos que estão acompanhando, e principalmente aqueles que estão comentando. Obrigada ♥ Boa leitura! ^^

— E então Eclaire... Você tem alguma habilidade especial? – Rosemary perguntava animada enquanto caminhava lado a lado da garota e do líder da Obsidiana.

— Nada que eu ache especial. – ela respondia comendo um morango.

— Sabe lutar? – o homem a questionava.

— Acho que sim... Nunca coloquei em prática o que Evangeline me ensinou.

— Evangeline?

— Minha tutora.

Eclaire respondia a maior parte das perguntas de forma clara e direta, não tinha interesse e nem motivos para enrolar ou contar mentiras. Essa forma direta de responder incomodava seus parceiros de missão, não sabiam como a conhecer se ela não prolongasse o assunto.

— Vamos parar a caminhada por hoje e descansar. – Astaroth comunicava. – Amanhã terminamos o percurso e chegamos ao vilarejo dos ciclopes.

— Enfim um descanso! – a rosada se espreguiçava para logo em seguida se jogar no chão.

A loira ria enquanto se sentava embaixo de uma árvore. Após os mais velhos comerem, ele se põe a descansar. Antes de a lua chegar ao seu ponto mais alto no céu, Rosemary já estava dormindo.

— Pode dormir, eu vigio essa noite.

— Eu não tenho esse tipo de necessidade. – Astaroth arqueava suas sobrancelhas ao ouvir aquilo, ela não precisava comer, nem dormir, parecia não precisar de longos descansos. O que diabos era ela?

— Eu vou dormir, pode ficar de vigia?

— Claro. – ela mais uma vez respondia com um sorriso nos lábios rosados.

(...)

Eclaire havia partido para sua missão de teste durante a manhã, Valkyon imaginava que finalmente poderia aproveitar aquele silêncio. Conforme o dia passava ele se arrependia de desejar ela longe, mesmo tendo conhecido ela há apenas uma semana, ele já havia se acostumado com ela sempre sorrindo como uma boba ao seu lado.

Valkyon solta um longo suspiro e se levanta de sua cama rumo ao jardim, finalmente aquele lugar poderia servir para alguma coisa. De frente a cerejeira ele via a mecha de cabelo amarrada a um dos galhos.

O simples fato de ver aqueles fios loiros balançando com o vento tira dele um sorriso torto, e de certa forma abobado. Uma ideia então brota em sua mente, e o sorriso se alarga.

(...)

— Tio Astaroth o sol já nasceu, temos que continuar. – Eclaire cutucava o ombro do enorme homem deitado, que apenas resmungava.

— Ande logo seu brutamonte temos horário para chegar. – sem paciência alguma Rosemary o chutava.

— Vá para o inferno sua bruxa...

Uma veia saltava da têmpora da mulher, o homem se levantava e se espreguiçava. Por alguns segundos ele encarava o céu e sentia o calor invadir sua pele, assim que se sente pronto eles começam a andar.

Sem demorar muito eles chegam ao vilarejo dos ciclopes, um lugar pacato, com uma população tranquila e pacífica.

— Vocês são os enviados da guarda?

— Exatamente, sou Astaroth o líder da guarda Obsidiana. É um prazer conhecê-la.

— Sou Rosemary, membro da guarda das Sombras.

— É um prazer conhecê-los. – a ciclope se curvava, mas sua atenção é voltada para a criança que os acompanhava. – E quem é ela?

— Ela está nos acompanhando para aprender a como agir em missões, ela está sob minha supervisão. – o homem de cabelos azuis se apressava para explicar sobre a garota, não podia dizer que alguém de fora da guarda estava sendo enviado para uma missão estrangeira, os ciclopes não aprovariam isso.

— Certo, sigam-me então, lhes mostrarei onde ocorreu o ataque. – a ciclope de olho vermelho escarlate estava prestes a caminhar para o local alvo quando Eclaire os interrompe dizendo algo.

— Tio Astaroth porque tem tantas pessoas em volta da vila?

Os três se assustam com a pergunta inocente dela, sem pensar duas vezes seus supervisores sacam as armas e se posicionam para lutar.

— Como sabe que estão em volta da vila Eclaire?

— Eu posso ouvi-los...

De trás das árvores um homem que aparentava ser humano sai batendo palmas devagar. Seu olhar era sarcástico, sua face carregava sinais de total asco pelos presentes naquela vila.

— Você tem ouvidos excelentes garotinha.

— Obrigada. – ela sorria. – Mas vocês também não eram silenciosos como pensam. – ela ria achando graça da situação.

— Já que nos descobriram, saiam do nosso caminho e nós vamos embora rapidamente.

— O que querem? – Rose vociferava já impaciente.

— Ciclopes!

O homem colocava as mãos para o alto indicando o obvio, contudo a paciência da guarda para aqueles ataques de organizações misteriosas já estava a zero. Fariam de tudo para descobrir o que queriam naquele mundo e o porquê de tantos ataques.

— Não pegarão nada nesse vilarejo.

O homem solta uma risada convencida para logo ordenar o ataque de seus subordinados. Astaroth com maestria movia sua lança derrubando um a um, enquanto que Rosemary os atacava com magia negra a distancia.

— Não vai ajudá-los? – a ciclope perguntava golpeando alguns homens com seus punhos.

— Eu não sei como fazer isso. – o sorriso que esboçava era sem graça, envergonhado por não saber o que fazer.

Ela tentava a todo custo puxar de sua memória golpes de defesa básica, para no mínimo se defender naquela luta, não queria atrapalhar Astaroth e Rosemary, para isso precisaria se manter viva.

Um homem vem correndo em sua direção, ela se esquiva de seu golpe e lhe da um chute no rosto. A força que usava era tanta que o homem voava longe. Mais um a tentava atacar, dessa vez ela se ajoelha e joga seu corpo para trás. A cena parecia se passar em câmera lenta, sua perna direita arrastando no chão e derrubando seu inimigo, antes mesmo que ele caísse ao chão ela usava seu joelho para empurrá-lo para cima, num movimento rápido ela acerta o rosto do homem com um soco.

Os subordinados já estavam todos no chão, o líder desconhecido não tinha muitas escolhas naquele momento. Astaroth ameaça o homem, dizia que o levaria para o QG e lá faria justiça.

— Nunca vão me pegar... – ele debochava. – Pelo menos não vivo.

Tirando uma faca de suas costas o homem se preparava para cortar sua garganta, estava disposto a morrer para proteger sua organização. Eclaire age sem pensar, corre para o rumo do homem e antes que a lâmina chegasse a seu pescoço ela o acerta com seu dedo indicador e médio no peito. Os olhos do homem se arregalam e a lâmina cai no solo, seguida do corpo.

— Eclaire o que você fez?

— E-Eu sinto muito, mas não queria que ele se matasse, sou contra isso...

— Você o matou? – a ciclope tinha seu olho arregalado assim como todos os outros que presenciavam a cena.

— NÃO! Pelas estrelas, não! – ela tinha um sorriso tranquilo. A única coisa que se passava na cabeça de todos era “como ela conseguia manter um sorriso em meio a tudo isso?” – Eu apenas acertei seu peito e lancei uma onda sonora para seu cérebro, parando completamente a área que controla seus movimentos.

— Você o paralisou?! – Rose e Astaroth questionavam em uníssono.

— Sim!

Eclaire estava orgulhosa de seu feito, em sua concepção havia salvado sua vida. Odiava violência e apenas fazia de seu uso para defesa, em casos muito extremos o usava para salvar a vida de pessoas como em alguns instantes atrás. Ela estava sentada na grama ao lado do homem caído murmurando uma canção, esperava por seus acompanhantes que conversavam com calma com os ciclopes.

— Por que você fica sempre seguindo a gente às escondidas? – ela perguntava sem se mexer. Sua expressão mudava de alegre para confusa.

— ... – silêncio foi a única coisa que obteve.

Ela suspira sem entender o que a pessoa que os seguia queria, mas de alguma forma sabia que ele não a queria machucar, imaginava se deveria contar para Astaroth e Rosemary sobre isso.

Após um longo tempo de conversa finalmente ambos retornam, é passada a mensagem que voltariam para o QG e levariam o homem para interrogatório. Não demoraram muito até que partiram da vila, no caminho o azulado pensava em muitas coisas, tais como: “Onde Eclaire aprendeu a lutar?”, “Por que ela não se lembra de onde veio, mas se lembra de sua tutora e sua guia?”, “O que ela era?”.

Mal havia reparado no caminho de volta, quando se dera conta já estava em Eel, andando pelo caminho de pedras rumo ao QG. Na sala do cristal ele conversava com Miiko.

— Ela conseguiu imobilizar o cara sem matá-lo e nem mesmo fazê-lo sentir dor.

— Ela pode representar um perigo se não tomarmos cuidado. – Miiko o relembrava de como era a realidade.

— Miiko se ela fosse um perigo já teríamos percebido!

A raposa fechava os olhos e abaixava a cabeça por um instante. Milhares de possibilidades passavam por sua cabeça, ela analisava uma a uma, sempre tomando cuidado com as consequências. A última coisa que queria era que Eel sofresse um ataque ou fosse destruída por puro descuido.

— Tudo bem, ela vai ficar na sua guarda.

— Isso! – Astaroth comemorava a nova conquista que tinha ganhado.

Saiu da sala do cristal e seguiu seu rumo. Enquanto isso, Eclaire andava pelos corredores a procura de Valkyon.

— Tia Rose, onde está Valkyon? – ela pergunta assim que avista a mais velha.

— Ele saiu em missão querida, junto com Ezarel e Nevra.

— Entendo... Obrigada. – andava um pouco sem rumo, em Eel conhecia apenas Valkyon, Nevra e Ezarel, sem eles o lugar ficava sem graça.

Caminhando pelo jardim, a garota para embaixo da cerejeira e percebe algo embaixo da mecha de cabelo que havia deixado, ao entender o que era ela sorri ainda mais largo. Logo abaixo de sua mecha de cabelo havia uma mecha de cabelo de Valkyon, ela sabia que havia colocado ali com a mesma intenção dela.

Dois dias depois os rapazes estavam de volta ao QG, Nevra acompanhava Eclaire em uma pequena missão de recolhimento de ervas para poções ao redor da guarda.

— Você acha as flores de acácia bem rápido.

— Elas destacam nessa floresta, a cor faz muito barulho.

Nevra arqueia uma sobrancelha, como uma cor conseguiria faz barulho? Ela era estranha, na maioria das vezes que conversavam as palavras pareciam desconexas, apesar de ela parecer uma boa pessoa, e agora fazer parte da guarda, era confuso pensar do mesmo jeito que ela. Teria que se acostumar, e de alguma forma ele sentia que apenas a conheceria com o tempo.

De repente a garota paralisa, os olhos arregalados e o sorriso surpreso brotando no canto dos lábios.

— O que foi?

Preocupado o vampiro perguntava, tudo que recebe de resposta era o indicador sendo levantado e mostrando uma direção. O lugar para o qual ela apontava estava um Black Dog, distante, um pouco distraído com outros cheiros.

— Para trás Eclaire, devemos estar mais longe do que pensamos. Vamos voltar.

— Eu sempre quis passar a mão em um deles. – os olhos da garota pareciam brilhar de emoção.

— É melhor não. Eles são perigosos, vamos voltar. – o vampiro a puxava pelo braço a afastando da criatura.

O resto do caminho ela passou contando as milhares de historias que Evangeline a contava, de como ela fazia tudo parecer mágico.

— Eclaire. – ele a chama.

— Sim?

— Quem é essa Evangeline que você tanto fala?

— Eu já disse, é minha tutora.

— Eu sei, você já disse isso, mas-

— Então por que pergunta de novo?! – ela ria achando graça da situação. – Não me diga que esqueceu.

— Eu sei apenas que ela é sua tutora, mais nada. – uma pausa, o silêncio era incomodo, deixava Eclaire ansiosa, contudo Nevra ponderava o que dizer, para ele era necessário. – O que eu quero dizer é, como ela é? Se ela te tratava tão bem, porque não lhe ensinou tudo?

— Ela não podia ficar sempre comigo, ela ficava apenas cinco minutos por dia, e nesse tempo Lua quase sempre a acompanhava.

— Essa Lua interferia na conversa de vocês?

— As vezes. Lua só não acompanhava Evangeline uma vez por mês, era quando ela me contava historias como as do Black Dog.

— E como ela era? Digo... Fisicamente.

— Eu não sei. Nunca vi o rosto dela.

Por mais que ela falasse, para Nevra ela continuava sendo um mistério completo. Decidia por hora não perguntar mais nada, sentia um incomodo naquela conversa, mesmo que ela respondesse tudo com um sorriso.

Chegaram ao QG em segurança, entregaram todos os materiais ao elfo e foram para a biblioteca, mesmo sendo uma missão fácil ainda tinham que fazer o relatório. Para a sorte da loira, seu companheiro de missão a ajudava com o relatório.

— Lua dizia que era desnecessário tentar me ensinar a escrever e ler... – ela se explicava sem graça.

— Por quê?

— Porque eu-

— Quer saber isso não é importante, eu faço seu relatório, tudo bem? – ela assente com a cabeça e a concentração de ambos se volta para o relatório.

— Nevra pra que esses relatórios servem?

— Para termos controle de tudo o que acontece em Eel.

— Eles são tão importantes assim?

— Sim.

— Eu vou ter que fazê-los toda vez que sair em missão?!

— Agora que faz parte da guarda, sim. – ele sorria gentilmente tentando tranquilizá-la. – Mas não se preocupe, vai ter sempre alguém para te ajudar com isso.

Rapidamente a noite cai, quando todos estavam dormindo, mais uma vez a garota se encontrava no quarto de Valkyon. Ela ficava a beira da janela, como se o estivesse observando. Sentia-se feliz perto do faeliano, não sabia por que e nem como ele a fazia feliz daquela forma, apenas sabia que sua companhia era agradável e que queria sempre estar ao lado dele.

— Valkyon... – ela dizia o nome dele quase num sussurro, deixando logo o sorriso tomar conta novamente de seus lábios.

Notas finais
Se encontrarem erros me avisem! Espero que tenham gostado. Vejo vocês em breve! ^^