O Amor, Você e Eu.
38 Um amor que valeu a pena.
Rin não sabia como iria ser dali pra frente, só o que sabia era que tinha de manter seus olhos fixos em Takayuki. Quando Takashi chegou ao pátio os olhos de Takayuki estavam cintilando de felicidade, pelo traje seu pai lutaria com ele. Takashi estava apenas de hakana o que tornou a concentração de Rin muito mais complicada. Cercada de youkais ela sabia que qualquer diferença de sua postura eles saberiam o que se passava com ela, por isso tentou ser o mais cuidadosa possível.
Mas era inútil, quando Takashi parou em frente a Takayuki para começarem a luta ela olhou para aquele lindo corpo musculoso e definido e se perguntou milhares de vezes o por que de ter ido até ali. Ela tentava tirar seus olhos, mas era quase impossível.
Quando começaram, ela teve a impressão de que Takashi iria matar seu filho, mas ela viu o quanto o menino havia aprendido. Mesmo sendo muito novo ele tinha treinamentos muito pesados e estava bem avançado para sua idade. Treinar com seu pai apenas o fazia bem.
Ela ficou ali durante muito tempo sentada, algumas vezes uma youkai vinha servi-la com um suco, frutas ou até mesmo água. Não podia reclamar de nada. Emi esteve o tempo todo vendo o treino, estava perto de Rin. Ela sempre observava Takayuki e mesmo sendo uma youkai ela se preocupava como uma humana.
Quando pararam um pouco Takashi se aproximou de Emi, que tinha uma toalha em suas mãos para que ele se secasse e Rin pode ver as gotas de suor escorrendo pelo peito nu e definido do youkai, tornando aquela cena ainda mais sensual. Ela simplesmente não conseguia retirar os olhos dele quando ouviu:
– Konnichiwa Rin.
– Konnichiwa Takashi. — Foi aí que ela se deu conta de que enquanto estava babando ele nem olhou em seus olhos. Respirou fundo por várias vezes e voltou a se concentrar em Takayuki que vinha correndo na direção de Emi e pegou outra toalha que ela oferecia.
– Está ficando cada vez mais forte meu amor. — Elogiou a youkai ruiva.
– Arigato Emi. — Ele olhou para sua mãe e foi em sua direção.
– Haha, viu como estou forte.
– Sim meu amor e meus parabéns.
– Takayuki prepare-se para o almoço e logo depois treinaremos novamente.
– Hai.
O menino saiu correndo em direção a mansão para se banhar antes do almoço e Takashi disse que faria o mesmo para Emi, até que esta se dirigiu a Rin.
– Gostaria de almoçar conosco Rin-sama?
– Não quero ser um incomodo.
– De maneira nenhuma, Takayuki ficará muito feliz se estiver aqui.
– Como ele consegue ter tanto energia mesmo depois de todo esse treinamento? Ele ainda tem quatro anos!
– Ele é muito forte, assim como seu pai.
– É.
O assunto parou ali e Emi avisou que Rin poderia ir ao quarto de Takayuki se quisesse. Ela preferiu. A youkai continuaria no andar debaixo terminando os preparativos para o almoço. Ela subiu as escadas amaldiçoando o momento em que disse que iria até ali, o clima estava péssimo. Quando chegou ao ultimo degrau acabou tropeçando e se espatifaria no chão se não fosse por Takashi. Ele a segurou e ela deu de cara com seu peito. Ele tinha acabado de sair do banho, estava um pouco molhado e seu kimono entreaberto.
– Takashi, eu...
– Você deve ter cuidado. — Ela apenas continuou ali. Colocou suas mãos por dentro do kimono e o abraçou. Ele viu que ela não o soltaria e decidiu chamar-lhe a atenção. — Rin...
– Takashi não me impeça de pelo menos sentir você nem que seja só um pouco.
– Rin...
– Me deixa sofrer perto de você. — Ela começou a cheirar o pescoço do youkai que tinha um cheiro extremamente atraente, um perfume inebriante. — Takashi você não sabe o quanto é horrível te ver e ter que esquecer. Te olhar e não poder te beijar. Eu não posso mais, não dá pra ficar sem você. Eu sei que o nosso amor é impossível, mas eu não resisto à você.
O olhos de Takashi estavam fechados. Ele simplesmente poderia ter saído dali mas não o fez. Por que não queria? Errado, porque não podia. Evitava-a a muito tempo e quando a teve por perto seu coração o traiu. Até que algo o chamou a atenção.
– Takashi?! — A doce voz de Emi chamou e ele abriu os olhos. Rin suspirou e soltou-o do abraço. Ele não a envolvia, ela sim. Virou-se para Emi e encarou-a, mas a youkai tinha os olhos fixos no marido.
– Ela tropeçou, quase caiu e eu a amparei. Não se preocupe, pequena. — A ultima palavra de Takashi ecoou estrondante aos ouvidos de Rin. Pequena, de acordo com o que ela sabia era a forma como ele a chamava e ele agora usava para se referir a outra pessoa.
Os olhos de Emi estavam aflitos e Takashi mirava-os, ele sabia muito bem que ela tinha ouvido tudo o que Rin dissera mas ele tinha a consciência tranquila, não havia feito nada. Ela desceu sem dizer mais uma palavra e foi para a mesa a comida já estava servida.
– Haha, já acabei de me arrumar podemos almoçar. — Disse Takayuki quando saiu do quarto e viu sua mãe próxima a escada. Os três desceram e foram comer. O clima entre eles era o pior possível agora, Rin adorava estar com seu filho, mas a situação ficou insuportavel depois do ocorrido na escada. Emi nunca falaria nada, muito menos discutiria. Emi não era Tsuki, ela sim teria arrancado a cabeça de Rin sem hesitar.
O dia demorou a passar, exceto para Takayuki que adorava o fato de ter as três pessoas que ele mais amava no mundo por perto. Mas estas pessoas estavam perto demais, perto demais podendo começar uma guerra. Uma guerra pelo amor. Duas mulheres amando incondicionalemte um mesmo youkai em um mesmo lugar nunca daria certo.
Em sua despedida Rin prometeu que voltaria mais vezes para ver seu filho e o menino ficou todo esperançoso. Takashi percebeu o quanto Emi estava desconfortável com toda aquela situação e o quanto ela ficou abalada com o que presenteara. Na hora de se recolherem, ela olhava através da janela de seu quarto que soprava uma brisa leve.
– Não vem pra cama? — O youkai disse abraçando-a por trás e ela pôde sentir seu peito quente junto as suas costas.
– Estou sem sono.
– É somente isso?
– É...
– Emi — Ele afastou os cabelos da ruiva e beijou-lhe o pescoço. — Eu sei que isso é resultado do que você presenciou durante a tarde.
– Takashi por que o seu amor por Rin é impossível? — Ela se virou para ele, queria olhar-lhe nos olhos.
– Nani?!
– Ela lhe disse isso, que amor de vocês era impossível. Eu sou um impecilho? Me responda Takashi. — Ele sorriu ao ver a expressão dela.
– Claro que não. Eu me casei com você porque eu a amo. Minha história com Rin já teve sua vez.
– Eu sei que você ainda sente algo por ela e temo por isso.
– Não se preocupe, minha pequena. — Ele a abraçou a afagou os seus cabelos. — Tudo o que um youkai precisa eu tenho.
– Mas eu sei que você...
– Shiiiiiii — Ela foi interrompida por ele. — Se eu a quisesse já teria tomado minha, mas não a quero. Não turbe o seu coração com coisas desnecessárias. Eu te amo e foi você quem eu escolhi para ser minha fêmea. Nós ficaremos juntos para sempre, minha querida.
Takashi era sincero quanto aos seus sentimentos, nunca mentiu. Sim ele gostava dela, seu relacionamente era calmo e seguro. Emi o fazia muito bem, o tranquilizava. Nunca o abandonaria e nunca o trocaria por alguém. Ele realmente queria passar o resto dos seus dias ao seu lado.
Emi e Takashi tiveram um longa noite de amor e pela manhã demorou muito para que ele pudesse sair da cama. Ela o puxava para perto de si impedindo sua saída, mas ela não podia com ele, para falar a verdade ela não podia com ninguém. Mesmo sendo uma youkai ela não era de luta, mas sabia se defender.
Depois de muito tempo ele decidiu se levantar, acabaria se atrasando para o shiro. Ela ainda estava acordada e olhava-o intensamente. Takashi a procurava todas as noites e isso a fazia bem. Ele sempre dizia que a amava e de certa forma ela sentia-se amada. Tudo o que ela sabia sobre a vida Takashi a ensinou e ainda a ensinava. Ela era muito inocente por isso ele a protegia com unhas e dentes. Mesmo sendo inocente ela sabia que o amor entre Takashi e Rin existia e sabia também que mesmo assim ele abriu espaço em seu coração para ela.
O dia passou tranquilamente para todos, Emi levaria Takayuki ao shiro e também o buscaria. No final da tarde ela já estava lá.A youkai e o hanyo foram por um caminho entre a floresta, chegava mais rápido em sua casa e Takayuki gostava de correr por ali, mas o que eles não sabiam era que o perigo esperava-os.
Enquanto Takayuki corria na frente ela rapidamente detectou o cheiro de algo se movendo rapidamente em sua direção e não gostou nada do que sentiu.
– Takayuki, venha para perto de mim. — O menino ficou em atenção e foi para o lado da youkai. Eles começaram a correr, mas era inútil o que vinha era muito mais veloz.
– Não adianta escapar, eu estou morrendo de vontade de matar alguém hoje. — Eles pararam e quando olharam para trás viram um grande ogro. — Vou matar vocês dois.
A youkai não tinha muito o que fazer só lhe restava uma alternativa: lutar contra aquele ogro e salvar a vida de Takayuki.
– Meu amor, volte para o shiro.
– E você Emi?!
– Volte para o shiro agora! — Takayuki saiu correndo.
– É inútil. Mas eu vou me divertir com você.
Takayuki correu o mais rápido que pôde e entrou no shiro procurando por seu pai, mas deu de cara com sua mãe.
– Meu filho?! O que faz aqui?!
– Haha preciso saber onde está Chichiue!
– Por que meu filho? Fique calmo e me fale.
– Em! Tem um bicho atrás dela e ele é muito grande! — No mesmo instante Rin foi procurar por Takashi. Eles correram pelo shiro até o alcançarem. Ele estava se preparando para ir embora.
– Takayuki?!
– Chichiue corra! Emi está em perigo! Ela vai lutar na floresta!
– Fique aqui Takayuki.
– Não! Eu quero ir junto com o senhor!
– Fique aqui. — No mesmo instante ele desapareceu.
Takashi seguiu o rastro de seu filho que com certeza o levaria até onde Emi estava, ele correu o mais rápido que pôde até que começou a sentir o cheiro de Emi, mas o que ele sentia realmente era o cheiro de seu sangue.
Emi caiu fortemente no chão, não conseguia mais lutar.
– Você é uma vergonha para a raça youkai. — Ele colocou seu pé sobre o peito ensanguentado da moça e aprofundou-o até que algo tirou sua atenção. — Parece que você tem alguém em sua defesa.
– Você vai morrer agora. — Os olhos de Takashi estavam vermelhos após ver aquela cena, sua Emi ali sendo subjulgada por um ogro imundo. Ele sumiu e só o que Emi pode ver foi uma espada atravessando o peito do ogro e muito sangue. Takashi o pegou com uma só mão e o jogou longe. — Não derrame seu sangue imundo sobre minha dama.
Ele estava possuído pelo sangue youkai, até que lembrou-se que sua esposa estava ali. Voltou a sí rapidamente. Abaixou-se ao lado dela.
– Emi, já acabou meu amor. Vou te levar para o médico e... — Ela colocou o dedo indicador sobre os lábios dele.
– Não há mais tempo.
– Claro que há e se não houver Sesshoumaru pode te reviver e...
– Iie... Eu não quero.
– Como não minha pequena?! Como eu vou ficar sem você?
– Takashi, — ela dizia ofegante — eu fui muito feliz ao seu lado. Toda a minha vida, valeu a pena pelo tempo que passei com... com você. Agora não preciso de mais nada. Eu tive você, posso morrer em paz.
– Não diga isso. — Ele a tinha nos braços e as palavras dela o emocionaram e muito. Ele a apertou contra seu peito.
– Rin... Rin... Ela te ama...
– Ela nunca vai me amar como você Emi. — Ele já não conseguia se conter, ela deu um sorriso fraco.
– Diga a Takayki que eu o amo... Seja feliz meu amor. — Ela colocou a mão no rosto dele e ele abaixou-se para beijá-la. Beijaram-se e ela o olhou ainda mais uma vez. — Aishiteru.
– Aishiterumo. — E Takashi a viu dar um lindo sorriso antes de dar seu ultimo suspiro.
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