O Amor Prevalece
1 Capítulo 1 - A Mudança
1944 — Penny era uma menina de 13 anos que gostava muito de doces, poemas e pessoas, apaixonada por pessoas de todas as idades, seus pais, seus avós, seu irmãozinho travesso Willy, seus primos, seus tios, e, sem esquecer, seus amigos também, na sua cabeça, não convinha se separar deles nunca. Penny era uma menina realmente adorável, ela era uma morena de olhos azuis linda, ela raramente irritava seus pais tirava boas notas na escola, tinha muitos amigos e morava em Londres com os pais.
Os finais de semana e feriados eram seus dias favoritos, pois não tinha compromisso nenhum, ela e sua mãe, Lucy, sempre davam graças a Deus por seu pai, Stephen, nunca ter sido convocado para a guerra pelos Aliados, assim, poderia desfrutar melhor os momentos em família sem precisar ficar mandando cartas. Eram dias que ela ia na praia, na casa dos amigos, haviam as reuniões de família também e as festas diversas.
Houve um sábado que era seu lindo aniversário de 13 anos, foi a coisa mais emocionante que havia acontecido com ela, naquele dia de sol, houve uma das melhores festas do mundo, parecia 15 anos, mas era 13, ela convidou toda a família e todos os amigos, haviam cupcakes, brigadeiros, bolos muito bonitos, tudo do bom e do melhor, pois as pessoas precisavam ser bem recebidas. A casa estava bem arrumada, Penny estava linda, com um lindo vestido roxo e cabelo preso com um coque, recebeu diversos amigos como Susie, Lana, Mike, Josh, Wendy, Ellie, Anne e Joe, seus tios Louis e Mary, seus avós Margareth e David, por parte de pai, e os avós Henry e Dot, por parte de mãe, e seus primos Robert e Layla. Penny possuía outros tios que moravam em Nova York, Kate e Will, e seus primos Luke e Evey, não estavam presentes, mas mandavam cartas todos os anos.
Aquela festa foi uma das melhores na vida de Penny, ela conversava com os amigos sobre a escola, sobre o dia a dia, etc.
E então Susie, como está a sua mãe? — perguntava Penny com entusiasmo — ela sempre vem no meu aniversário e neste ela não veio?
Bem! — disse Susie – ela precisou viajar as pressas, um tio dela que mora em Manhathan morreu de câncer e ela foi para o velório.
Poxa vida – dizia Penny – que pena por ela! Ela deve estar muito triste!
Realmente – Disse Susie – era um tio que ela amava muito!
Lana – perguntou Penny – você passou de ano esse ano?
Não sei! – disse Lana – eu tenho que ver a lista de aprovados para saber.
Mas estamos em Novembro ainda, não dá pra saber. –Respondeu Penny.
E você Wendy? – perguntou Penny para a amiga.
Eu passei! – disse ela com entusiasmo – estou feliz por isso!
O que podemos dizer de você Wendy, – dizia Josh – você é a mais nerd daqui!
O último trabalho que fiz esse ano foi em grupo – disse Anne com pouco entusiasmo – haviam muitos nerds no grupo e um garoto muito estranho chamado Andrew, ele é um moreno de olhos azuis, ele é até bonito, mas vive faltando na escola, deve ter um problema familiar muito forte.
Sério? – perguntou Penny.
Acho que sim. – disse Anne – Ele é introvertido demais e aparentemente tem medo do pai.
Por que? — perguntou Penny outra vez.
Um dia vi ele perto do pai voltando da escola assustado ao vê – lo. — Disse Anne – Parecia que estava bêbado e queria lhe dar uma surra.
Poxa vida – disse Penny espantada – ainda bem que meu pai não é assim!
Andrew deve ser um ano mais velho que você – afirmou Anne – e é um garoto assustado, por isso acho ele estranho.
Logo chegou a tão esperada hora do parabéns, cantaram parabéns e logo serviram bolo, depois, Penny dançou com vários meninos e acabou a festa, todos foram embora, a casa estava uma bagunça por causa da farra que foi e no final, o quarto de Penny meio que virou um “depósito” de presentes, havia realmente ganhado muitos.
Ela ganhou roupas, joias, maquiagens, etc. Aquela festa foi ótima,mas mal sabia Penny que aquela seria a ultima festa que passaria ao lado de seus amigos, logo logo, teria que deixar para trás tudo aquilo. Teria que deixar alguns familiares também, pois Stephen estava começando a ficar com suas rendas financeiras baixíssimas, só fez aquela festa porque amava sua filha, e achava que ela merecia, logo logo teria que se mudar, não de cidade, mas de país.
Um dia, ele reuniu a família, quando as rendas despencaram de verdade, e começou a falar.
Queridos, – dizia ele com tensão – vamos ter que nos mudar para a casa do seu tio Will, já mandei uma carta e ele aceitou que nos mudássemos para a casa dele.
Isso foi uma pancada na cabeça de Penny.
O que?? – disse ela espantada – vamos nos mudar??
Sim! – disse Stephen com tristeza nos olhos – Nossas condições financeiras estão baixíssimas, não podemos nem manter nossa casa direito, vivemos nesse apartamento desde que você nasceu.
Stephen era vendedor de jornais na época, ele procurava economizar ao máximo para sobrar dinheiro para as despesas da casa e outras coisas importantes. Já Lucy, era a que mais gastava na casa, pois procurava sempre causar uma boa impressão.
Eles vão nos despejar daqui em uma semana. – disse o pai de Penny – Por isso precisamos nos mudar.Nosso aluguel está atrasado demais.
Mas e a vovó??? E o tio Louis??? Eles não podem nos manter em suas casas?? – perguntou Willy.
Não! – disse Stephen – Eles não vão poder, pois o tio Louis mora em apartamento agora e sua avó Margateth cedeu um cômodo de sua casa para um casal de judeus fugitivos da Alemanha morarem, e vovô Henry me parece que fez o mesmo com uma família de poloneses, por isso, não há espaço em lugar nenhum.
Que pena!!! – disse Penny – Eu realmente vou ter que abandonar todos os meus amigos!!! Minha família!!! Todos eles!!!
Sim filha! Eu sinto muito! – disse o pai.
Você pode mandar cartas para eles quando estiver lá!
Tudo Bem! – disse ela com cara de quem queria chorar.
Penny deu boa noite à todos e foi dormir, ela realmente levou uma pancada na cabeça. Não esperava por isso, achava que iria viver bem para sempre em Londres. De noite não conseguiu dormir direito, de vez em quando ia na cozinha ou ficava na sala, ou deitava na cama e tentava dormir, mas ela realmente não estava bem, não se conformava com essa ideia, ainda mais que era para se mudar de país.
De manhã, quando foi para a escola, nem sabia como contaria isso para os amigos, estava realmente péssima e tentou não demonstrar isso. Seus esforços para não demonstrar a tristeza logo fracassaram, os amigos notaram e quando perguntaram o que era, ela ficou comovida.
O que foi querida ??? – perguntou Susie curiosa – Porque você esta assim Penny???
Nem queira saber! – dizia as lágrimas.
Por favor conta! – insistia Wendy, o que fazia Penny chorar mais e mais.
Vou me mudar de país. – finalmente Penny falou.
O que?? – disse Wendy espantada – Você vai fazer isso???
Vou! Meu pai esta com suas condições financeiras baixíssimas e não pode manter nossa casa e meus avós e tios não podem nos acolher!
Todos estavam espantados e comovidos com a situação. Eram muito juntos uns dos outros e não admitiam o fato de um deles ter que ir embora.
Vou tentar mandar o máximo de cartas possível! – disse Penny – Mas ainda não aceito o fato de ter que ficar longe de vocês. Não sei quanto tempo vou ficar longe.
Não se preocupa amiga! – dizia Joe tentando aliviar – A distancia nunca vai nos separar, certo!!
Certo, — disse Penny – não vai mesmo!
Logo foi chegando o dia da trágica mudança. Penny não podia nem respirar direito com aquela tristeza terrível no seu coração.
Quando chegou o tão indesejado dia, péssima não podia definir como Penny estava, pois era extremamente arrasada misturada com extremamente péssima. Fizeram uma festa de despedida e todos estavam comovidos principalmente os amigos dela e na hora de ir embora tiveram que dar adeus, mas a comoção era fortíssima pois não queriam ela longe e não sabiam quando iria voltar.
Adeus! — disse Penny às lágrimas – Prometo que mando cartas!
Adeus! – disseram eles – Nossa amizade será para sempre!
Penny e a família subiram no avião e logo partiram. Ela estava realmente comovida e o pai também ao ver toda aquela tristeza da filha. O voo foi um pouco turbulento mas logo estavam em Nova York e o tio Will estava esperando no aeroporto, Penny disfarçou ao máximo a tristeza e cumprimentou os tios e os primos que já moravam à um tempo no Brooklin, bairro daquela cidade grande.
Logo que chegaram na casa do tio, Will lhes apresentou os empregados e seus respectivos quartos. O quarto de Penny era imenso e muito bonito, tinha uma varanda pequena com vista pra cidade e a ponte do brooklin, ela botou suas coisas no guarda-roupa e nas estantes. Stephen esperou o ano acabar para matricular os filhos na escola. Penny iria demora para se acostumar com a vida naquela cidade.
Quando chegou, a primeira coisa que fez foi escrever uma carta para Wendy para ela mostrar para os outros amigos, na carta ela dizia que Nova York tinha muitos prédios e tinha uma ponte num lugar chamado brooklin. De noite, a cidade era super iluminada. Era uma cidade aparentemente luxuosa e gigante, já haviam aprendido na escola que aquela era a maior cidade do hemisfério norte . No natal, a cidade era linda, cheia de enfeites de noite e no ano novo tinha os fogos, que em Londres já conheciam, foi o que o tio Will lhes disse, Will preferiu se mudar de Londres a um tempo, preferiu deixar aquela cidade e se mudar para uma cidade maior.
Penny não iria se acostumar direito com a cidade, pois não haviam os ônibus de dois andares em que ela gostava de andar no andar de cima e nem os imensos palácios que ela admirava da janela do seu quarto, lá só tinha prédios imensos e um imenso rio. A única coisa que ela admirava era a ponte do Brooklin, nada mais.
Logo chegou o natal, o tio Will, já que estava longe dos familiares e agora só com a família de Stephen, convidava as famílias dos amigos do trabalho e do Brooklin, onde morava, Penny não conhecia ninguém, eram todos amigos de Will que preferiam passar o natal na casa do amigo ao invés de seus familiares.
Penny tentou se entreter com as pessoas de sua idade, acabou conhecendo Wanda, Bette e Jimmy, filhos de amigos de Will, estes não a discriminaram por ser inglesa, alias, foram super gentis com ela, que gostou muito de conhece — los, ela logo percebeu que se acostumar ao novo estilo de vida em Nova York não seria tão difícil quanto pensava, Wanda era uma negra muito bonita e cerca de um ano mais nova que ela, nenhum branco era preconceituoso com ela, Bette era ruiva dos olhos castanhos e assim como Penny, era muito gulosinha, já Jimmy era loiro dos olhos azuis e cabelo loiro, ele adorava ficar com as suas duas amigas, apesar de ser o único garoto da turminha, ele não era maldoso como os outros garotos que conhecia e que viviam fazendo brincadeiras de mau gosto com meninas.
Penny logo sentiu que faria amigos naquele local e teve medo de se esquecer dos amigos em Londres. Quando começou seu primeiro ano na escola nova, as pessoas logo ficaram perguntando umas para as outras quem era ela. Durante o recreio do primeiro dia, ela se juntou ao trio Ramona, Olivia e Jude, que dessa vez era um trio só de mulheres, elas, assim como os outros, não a discriminaram por ser inglesa, alias, disseram que ela era muito bonita, Penny agora havia ganhado mais amigas.
A maioria das pessoas a discriminava por ser inglesa, menos seus novos amigos.
Então Penny? – disse Ramona curiosa – Você é de Londres né?
Sim. – Disse Penny – Acertou na mosca!
Puxa! – Exclamou Olivia – Eu adoraria conhecer Londres! É tão linda!
Eu também acho! – disse Jude – Adoro aqueles palácios!
Quando morava lá, — afirmou Penny – via eles todos os dias da janela do meu quarto, eram lindos, e eu também gosto dos ônibus de dois andares, andava sempre no andar de cima.
Ai, eu adoraria andar em um desses! – exclamou Olivia – Deve ser emocionante. Andar por cima de todos.
Ambas riram quando Olivia falou. Ramona logo perguntou sobre os amigos que Penny, supostamente, tinha em Londres, Penny afirmou que tinha uma turma de amigos em Londres e que não queria ter abandonado eles.
Poxa vida. – disse Ramona – Deve ter sido difícil para você abandona – los.
De fato. – afirmou Penny um pouco cabisbaixa – Foi difícil desde o começo, quando tive que contar tudo para eles.
Para tentar melhorar a situação, Ramona decidiu convidar Penny para sua festa do pijama, Penny logo ficou entusiasmada para ir, mas disse que ia perguntar para sua mãe primeiro se poderia ir, pois havia acabado de conhecer as garotas e uma delas já havia acabado de lhe convidar para uma festa.
Olha, vai ser na sexta-feira – afirmou Jude – na minha casa, tudo bem!
Tudo bem – disse Penny – vou perguntar para a mamãe e amanhã digo se posso ir.
Beleza, espero que possa ir. – falou Ramona entusiasmada.
Ao chegar em casa, perguntou a mãe e Lucy ficou em duvida se deixaria ou não, pois estaria confiando sua filha a mãe de outra garota, mas resolveu deixar, pois Penny precisava se acostumar com o lugar e fazer novas amizades, achou que seria bom para Penny, para ela se acostumar com suas novas amigas.
Foi o começo de novas mudanças na vida de Penny, ela passou a frequentar festas de seus novos amigos do Brooklin, sem esquecer da turma de Londres é claro, sempre mandando cartas para seus amigos falando sobre suas novas amizades e afirmando que isso nunca iria romper a amizade de anos que ela tinha com eles.
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