O Amor Permanece!

3 Te peguei no flagra...


Notas iniciais
Aqui estou eu!!! Postando o capítulo que estava devendo a vocês!!! Não tenho muito a dizer então... Espero que gostem!!!

POV LEON

–É a sua mulher e seu filho...

–Por que não me disse antes?! –Saí correndo do quarto.

–Você não quis me ouvir! –Ele começou a me seguir.

–Onde estão? –Comecei a andar pelos corredores do hospital.

–Seu filho está na pediatria e sua mulher na cirurgia.

–Ela entrou faz quanto tempo? –Perguntei.

–Mais ou menos uma hora, não é uma cirurgia complicada Leon, você sabe disso. –Ele continuou a me seguir.

–Mas é a minha mulher. –Parei e encarei-o. –Vou voltar pra faculdade. –Continuei andando.

–Leon, você é um dos melhores pediatras de Buenos Aires.

–Eu sei, não vou fazer pediatria né Miguel. –Zoei enquanto entrava no elevador. –Mas sim outros campos da medicina. –Apertei o botão do 10º andar.

–Ah, pode ser bom. –Ele assentiu.

–Com certeza será.

Nós chegamos na parte da pediatria. Fomos para o campo dos bebês e logo uma enfermeira com o jaleco rosa e o cabelo preso em um coque bem feito apareceu. Ela estava com a respiração ofegante e estava com cara de preocupação que assustava qualquer um. Ela chegou ao nosso lado e falou apressada.

–Doutor Miguel, o bebê não quer parar de chorar, não sei mais o que fazer. –Logo que ela falou o Miguel me olhou indicando que era do meu filho que ela estava falando.

–Óbvio. –Entrei na sala cheia de bebês. –Ele não aceita colo que estranhos. –Procurei meu filho.

Quando o encontrei peguei-o no colo. Ele foi se acalmando, mas não parou. Observei-o e reparei que estava sem o aparelho auditivo, deve ter se perdido durante o acidente.

–Ele precisa de um aparelho auditivo, ele fica nervoso quando não escuta. –Falei tentando acalma-lo.

–Acho que temos alguns, venha. –O Miguel falou.

–Claro, vamos.

POV FRANCESCA

Estava trocando a Julia para a escolinha. Ela estava muito feliz de estar comigo, ficava rindo o tempo todo e ficava animada para tudo.

Estava colocando sua calça quando ouço meu celular tocar.

–Espera um pouquinho, Ju. –Peguei em sua mão e dei um beijo ante de atender. –Vai pegando sua mochila.

Ela assentiu e foi até um canto do quarto pegar a mochila.

–Alô... Marco? O quê? Como assim? Mas... Eu sei... Duas semanas mais cedo? Por quê? Tá, tudo bem... Hoje? Mas era até o fim do Mês. Eu sei, eu sei... Depois da escola? Posso busca-la? Marco, por favor... Tudo bem, tchau. –Desliguei o telefone.

Pronto, era só o que me faltava. O Marco chegou mais cedo e quer a Julia de volta hoje, ele nem me deixou pega-la na escola.

Suspirei triste e olhei a Julia. Ela estava feliz brincando em um cantinho do quarto. Ela estava com um ursinho na mão, ela falava com ele e dava risadas e gargalhadas de vez enquanto, me dói tanto pensar que essa felicidade dela irá acabar hoje. Eu estava tentando criar coragem para contar a ela.

Me aproximei dela e ela sorriu e me abraçou a me ver.

–Eu te amo, mamãe. –Ela me abraçou.

–Eu também te amo, querida. –Fechei os olhos triste em saber que essa alegria dela acabaria.

Nós separamos o abraço e ela me olhou sorridente.

–Vamos, mamãe! –Ela pediu pegando a mochila e colocando nas costas.

–Filha, vem aqui. –Peguei em sua mão e guiei-a até sua cama.

Sentamos na cama e respirei fundo antes de falar.

–Filha, hoje o seu pai vai te pegar na escola e você vai voltar pra casa dele. –Falei vendo a expressão de medo se formar no rosto dela.

–Naum! Pur favor, mamãe... Ela vai me bater di novo, você plometeu que ia fica cumigu. –Ela começou a chorar.

–Ela? -Perguntei lembrando da palavra “Ela” no meio da frase. –Filha, com assim “ela”?

Ela parou e percebeu que tinha feito algo que não deveria ter feito.

–Eu nun posso ti conta, si eu conta eles me bate. –Ela choramingou.

–Ju, presta atenção, não vou deixar eles te machucarem. –Falei passando a ela confiança. –Eu só quero que você me conte. –Peguei-a no colo.

–Você plomete? –Ela fungou.

–Eu te prometo.

–Tá bom. –Ela falou.

Ela desceu do meu colo.

Ela andou até o guarda roupa dela e fuçou até pegar uma foto.

–Aqui. –Ela me mostrou a foto. –Peguei na gaveta do papai.

Peguei a foto, era uma mulher loira alta de olhos azuis, bom corpo, particularmente bonita, mas tinha um belo de um sorriso falso no meio da cara.

–Você sabe o nome dela, querida? –Perguntei ainda analisando a foto.

–Nun sei, toda vez que falo com ela... –Ela parou de falar para pedir colo. –Toda vez que eu veju ela, ela semple me dá blonca, manda eu faze alguma coisa ou me bate. –Ela falou já no meu colo.

–“Manda eu fazer”? -Repeti. –Como assim?

–Ela pede pra eu arruma as coisa dela e do papai, pu isso eu achei a foto, foi um dia que eu tava arrumando us sapatos dela.

Eu não podia ouvir mais nada. Eu não conseguia acreditar que minha filha estava passando por isso, me da um aperto no coração, eu só não caio em lagrimas para ser forte para a minha filha.

–Ela te bate na frente do seu pai? –Outra pergunta escapou de meus lábios.

–O papai tá lá na maiolia das vezes, e as vezes ele pede pra ela me bate. –Ela falava como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Ela começou a chorar de repente e eu abracei-a.

–Nu quelo que ele mi bate, quelu fica cum você, mamãe. –Ela falou entre o choro. –Dói muito quando ele me bate.

–Ele não vai mais te machucar. –Passei minha mão pelas suas costas acariciando-a para que ela se acalmasse. –Eu não vou deixar.

–Eu tenhu que i pra lá? –Ela perguntou ainda no choro.

–Vai. –Assenti triste. –Mas se eu ver que ele quer te machucar eu vou lá para te pegar e nunca mais deixo ele encostar em você. –Falei em seu ouvido.

–Bligada. –Ela limpou os olhos com a mão.

–Que tal nós duas irmos no parquinho? –Perguntei limpando seu rosto com um dos paninhos dela.

–E a ecola? –Ela perguntou.

–Você pode faltar hoje. –Ri. –E então?

–Vamu pu paquinho!!! –Ela comemorou.

Eu vou acabar com o Marco, tenho minha filha do meu lado...

POV VIOLETTA

Tenho que parar de acordar em quartos brancos.

Lá estava eu, novamente em um quarto de hospital com meu braço enfaixado e uma faixa envolvendo todo o meu tronco. Estava com agulhas enfiadas em meu braço e uma máscara para me ajudar a respirar.

Não tinha ninguém no quarto. Olhei para o meu corpo, e suspirei brava, mais um tempo insuportável sem poder fazer nada. Lembrei do acidente, do carro que bateu no meu, e lembrei de outro pequeno detalhe, o Pedro.

Apertei o botão para chamar a enfermeira, que logo apareceu em sua roupa branca. Pedi a ela que chamasse o doutor Vargas, não falei meu marido, afinal, ninguém precisa saber da minha vida pessoal. Ela assentiu delicadamente e saiu do quarto calma, pelo jeito o hospital não estava com muitos casos graves no momento.

Fechei os olhos a espera do Leon. Queria descansar, estava totalmente exausta apesar de ter acabado de acordar. Acordei no susto, a porta se abriu e bateu logo em seguida.

–Me desculpe. –O Leon falou rindo. –Não queria te acordar.

Ele se aproximou de mim e beijou minha testa.

–Como você está? –Ele perguntou preocupado.

Retirei a máscara com cuidado e falei baixinho por não conseguir elevar o som da minha voz.

–Bem, dores, um tempo no hospital, preocupada com meu filho, acabei de sofrer acidente, saí de um cirurgia, meu braço está quebrado, mas ainda viva. –Sorri.

–Eu vou te proibir de pegar o carro se você continuar assim. –Ele riu.

–Mas desta vez, não foi culpa minha. –Falei sonolenta.

–Eu sei. –Ele beijou minha mão. –A polícia me ligou, o cara que bateu no seu carro era um foragido da Itália, não sabem como ele está aqui.

Arregalei os olhos. Meu coração disparou, meu nervosismo aumentou e minha preocupação também.

–Leon, -Fiz uma pausa por estar meio fraca. –Leon, me fala que você está brincando.

–Não, os policiais me ligaram e falaram, por quê? –Ele perguntou confuso enquanto acariciava minha mão.

–Nada. –Disfarcei.

Não estava pronta para contar a ele que eu só voltei da Itália para fugir dos bandidos, ele acha que voltei por estar com saudades e pelos dois ataques que tive, ele acha que voltei só porque estava com medo. Ele não faz a mínima ideia que voltei para proteger meus filhos (coisa que não tá dando muito certo), a polícia da Itália que me pagou para voltar para Buenos Aires, eles estavam preocupados porque recebi várias ameaças, eu e meus filhos estávamos sendo observados a todos lugares que íamos, mercado, shopping, parque, escola, praça, todos lugares possíveis. Se não fosse por isso, eu ainda estaria na Itália, não teria voltado.

–Vilu... –Ele me olhou desconfiado.

–Não é nada, sério. –Garanti.

Fechei os olhos e respirei fundo.

–E o Pedro? Esqueci de perguntar.

–Está bem, apenas engessou o braço.

–Tadinho do meu pequeno.

–Mas é pra isso que servem as cadeirinhas, para que eles saiam bem. –Ele colocou minha máscara novamente. –Descansa um pouco. –Ele beijou minha bochecha.

Dormi logo após o beijo carinhoso do Leon.

Acordei mais tarde com um grito muito comum, Camila e Francesca.

As duas estavam desesperadas. Elas tinham acabado de chegar pelo jeito. A Francesca estava com a Julia dormindo em seu colo e a Camila estava com as mão cobrindo seu lábio, elas precisam aprender a se controlar.

–Oi. –Falei logo que acordei.

–Vilu, você está bem? –A Cami perguntou se aproximando.

–Estou. –Tirei a máscara. –O que vocês estão fazendo aqui? São...

Olhei no relógio e vi 16:28.

–São quase quatro e meia, não deviam estar trabalhando? E a Julia na escola?

–Viemos te ver. –A Cami falou sorrindo.

–E a Julia... Bom, depois explico. –A Fran sorriu.

–O que aconteceu? –Elas perguntaram.

–Um carro passou no sinal vermelho e atingiu o meu, estou bem. –Respondi.

–Você quase nos matou do coração. –A Camila falou brava.

–Quem contou a vocês?

–O Leon, óbvio. –Elas responderam.

–Tinha que ser. –Ri.

Nós conversamos bastante, mas quando deu cinco e meia as duas foram em bora me deixando solitária naquele quarto frio, agoniante, chato, e dá um medo infeliz, sem contar o frio na barriga.

Quando deu seis da tarde vieram me trazer meu café da tarde (meio tarde, mas...), como não suporto comida de hospital eu nem toquei naquela bandeja.

Estava deitada olhando para o nada quando ouvi uma gargalhada muito familiar, uma risada gorducha e gostosa de se ouvir, o Pedro rindo.

–Oi mamãe. –O Leon falou entrando com o Pedro no colo.

–Own, meu pequeno. –Falei sorrindo.

O Leon se aproximou de mim com ele no colo. Ele estava alegre, nem parecia que tinha acabado de sofrer um acidente grave de carro. Ele dava gargalhadas e batia os braços rindo.

–Posso pega-lo? –Perguntei.

O Leon negou.

–Por quê? –Resmunguei.

–Sem pegar peso por um tempo, nada de pesado, principalmente esse carinha aqui. –O Leon beijou a bochecha do Pedro.

–Ah... –Cruzei os braços. –Por quanto tempo?

–Umas duas, três semanas. –Ele respondeu.

–Sério? Três semanas sem pegar meu filho? –Respondi inconformada.

–Podem ser duas. –Ele arqueou os ombros.

–Tanto faz, eu não aquento ficar sem meu pequeno. –Resmunguei.

–Amor, você fraturou as costelas, se você pega-lo, além de sentir uma dor infeliz você pode fratura-la mais. –Ele acariciou minha mão.

–Tá.

POV FRANCESCA

Seis e vinte, estava na porta da escolinha com Julia.

Ela estava muito, muito, muito e muito triste. Ela estava no meu colo com a mochilinha nas costas e a mala maior no chão ao meu lado. Ela estava chorando em meu ombro pedindo para não ir, ela implorava, mas eu não tinha o que fazer.

–Pu favor, mamãe. Nun faiz isso cum a Julia. –Ela pedia repetidamente falando na terceira pessoa.

–Nós já conversamos, amor. Se ele tentar te bater eu vou até lá e te busco, eu te prometo. –Falei acariciando seus fios de cabelo castanhos.

–Nãu... Nun quelo, ele vai me bate, vai due... –Ela continuou chorando.

–Fica calma, filha. –Beijei sua bochecha.

Vi o Marco se aproximar. Ele estava vestido formalmente, devia ter vindo de uma reunião. Ao seu lado, adivinha! A desgraçada que estava na foto que a Julia me mostrou. Ela estava com um vestido curto, preto e um salto agulha gigante. Eles se aproximaram de nós e pararam na nossa frente.

–Falei que eu a pegaria na escola. –O Marco disse grosso.

–São... –Olhei no relógio. –Seis e meia, ela sai as seis, você teria que busca-la no conselho tutelar.

–Sabia que você viria.

–Aham, claro. –Falei sínica.

–Bom, dane-se. –O Marco pouco ligou. –Francesca, essa é a minha amiga, Stacie.

–Sou Francesca. –Continuei sínica e com um sorrisinho também sínico só para combinar.

–Prazer, Stacie. –Ela disse com aquela cara de nojo.

–Posso levar minha filha? –Ele perguntou arrogante.

–Sinceramente, se a justiça não me obrigasse, eu não a entregaria a você. –Falei séria.

–Mas a justiça manda você me entrega-la. –Ela sorriu. –Minha filha!

Ouvi a Julia chorar mais alto em meu ombro.

–Vem com a tia Stacie, queridinha. –A Stacie pegou na cintura da Julia e tentou puxa-la, a Julia e agarrou em meu pescoço e camisa. –Para de frescura menina chata! –Ela puxou com força, obviamente a machucou pois ela gritou.

–Não! –Puxei minha filha de volta. –Primeiro, você nunca mais xingue minha filha na minha frente nem pelas minhas costas. Segundo, Não quero que toque nela. Terceiro, se você a machucar sua... sua... urrr, olha aqui, só não falo nada porque minha filha está aqui. Mas, continuando, se você machucar minha filha eu te coloco na cadeia.

–Nós nunca machucaríamos a Julia, e não fale assim com ela, Francesca! –O Marco falou irritado.

–Ah não? Não à machucam? -Levantei a camisa da Julia e logo as marcas de mão na cintura da Julia se mostraram, vermelhas e um pouco inchadas, exatamente onde a Stacie pegou-a a poucos minutos. –O que é isso então?

–Ah... Isso foi sem querer.

–Claro, vou fingir que acredito. –Sorri sarcástica.

–Chega, vamos, Julia! –O Marco puxou a Julia com tudo do meu colo.

–Nãu!!! Mamãe!!! –A Julia começou a espernear no colo do Marco.

–Para!!! –O Marco mandou.

–Filha. –Me aproximei dela. –Calma, logo, logo a mamãe vai te ver de novo, lembra? –Limpei suas lagrimas.

Ela não acalmou, mas ficou quieta o bastante para o Marco conseguir imobiliza-la e leva-la para o carro dele.

Fui para a casa bufando, triste, ansiosa, nervosa, e principalmente ódio!

Cheguei em casa e para acalmar tomei um banho. Passei quase uma hora na banheira tentando relaxar o máximo possível. Do banheiro, ouvi a porta do apartamento se abrindo. Terminei meu banho, fui para o quarto e coloquei um pijama e por cima um roupão.

–Oi, Fran. –O Diego apareceu e me deu um selinho.

–Oi. –Falei desanimada.

–Onde está a minha pituchinha? –Ele perguntou.

–O Marco voltou mais cedo, quis levar a Julia hoje. –Falei com lagrimas nos olhos.

–Ei, não chora, Fran. –Ele limpou a lagrima que caiu. –Eu vou ir tomar um banho, eu volto e nós dormimos, assim você se acalma. –Ele me deu outro selinho.

–Tá. –Dei um sorriso fraco.

Ele se direcionou ao banheiro e eu fiquei no quarto de braços cruzados sem saber o que fazer. Andei até a escrivaninha e desbloqueei minha tela, abri na administração das câmeras que espalhei pela casa do Marco.

Não vi nenhum movimento, a Julia estava dormindo e o Marco tomando água na cozinha, bom, e a Stacie estava no banheiro se maquiando. Pera! Se maquiando, pra que?

Continuei observando. Logo depois o marco beber água ele foi para o quarto se trocar. Ele colocou um terno e pegou a chave do carro. Ele se encontrou com a Stacie na sala, deu um selinho nela.

–Só amigos... –Revirei os olhos lembrando do que ele havia dito mais cedo.

Ele cochichou alguma coisa para a Stacie os dois andaram de ponta dos pés até a porta, quando o Marco destrancou a porta a Julia apareceu correndo na sala, ela correu na direção deles, mas eles foram mais rápidos e saíram correndo da casa, deixando a Julia chorando sentada no chão desesperada e sozinha.

–Te peguei no flagra...

Notas finais
A Fran tem que prender o Marco, ele tem que ir para a cadeia! Mas ela vai conseguir? Gente, quem quer ter uma visão da Stacie, aqui está : http://i.ytimg.com/vi/WkZwyMmc790/maxresdefault.jpg