– Vamos descer.

– Pra quê? Para o meu pai descarregar a arma em mim dessa vez?

O Vitor estava deitado na cama dele todo jogado.

– O tio e o meu pai já foram.

– Vou ficar por aqui mesmo, não confio no meu pai.

Ri do tom de voz dele.

– Vamos descer, Vivi. Só pra se despedir da Soph e ver onde o Hanson vai ficar.

– Ta.

Ele me abraçou e nós descemos.

– Vitor o tio mandou te entregar.

O Dinho veio andando em nossa direção e parou bem na frente do Vitor olhando para ele.

– Entregar o que?

Ele deu um tapa forte na cabeça do Vitor e saiu correndo rindo.

– VIADO!

O Vitor se queixou e eu ri.

– Não fica assim, vamos ver a Soph.

O puxei para a cozinha. Conversamos apenas por mais um tempo.

– Eu já vou, gente. Muito obrigada!

Hanson disse, realmente ele era um cara muito inteligente, foi morar na rua porque perdeu a família, entrou em uma depressão e tudo mais.

– Não vamos deixar você voltar para a rua, Hanson. Você me ajudou muito, vamos arrumar um local para você ficar essa noite e amanhã vou conversar com o tio Paulo sobre um emprego para você.

– Não precisa, Lia.

– Lógico que precisa, cara. Você foi fundamental para ela estar aqui hoje.

Vitor acrescentou.

– Se quiser ele pode ficar essa noite lá em casa, o Biel vai dormir lá também.

A Sophia resolveu nosso problema.

– Ótimo, agora você tem onde ficar.

Nos despedimos de todos e eu fui para o meu quarto. Necessitava da minha cama, foi cansativo ficar sequestrada.

– Vim dormir com você.

Vitor colocou apenas a cabeça para dentro do quarto.

– Vem aqui!

Bati no espaço vazio ao meu lado, ele entrou e se jogou.

– Sentiu muita saudade minha?

Aconcheguei-me deitando no braço dele.

– Eu não, pensei até em chamar umas garotas e fazer uma festa enquanto você estivesse lá...

– Corno!

Dei um tapa na barriga dele o interrompendo, ele riu.

– Mentira, senti muita saudade sua.

– Sei que sou muito importante e você me ama.

– Não sei se você me ama, quase levei dois tiros hoje e você nem se importou.

– Quem manda ser otário.

– Filha da puta.

Ri e subi em cima dele.

– Mesmo você não merecendo às vezes, te amo demais Vitor.

Dei selinhos pelo rosto dele.

– Quem vê até pensa que é carinhosa. Eu também te amo muito!

– Eu sei, Vivi.

Ele riu e me beijou. Suas mãos subiram minha camisola até a cintura.

– Eu vou dormir, amanhã nós fazemos isso.

Dei mais um selinho nele e voltei para o meu lado na cama.

– Queria fazer agora.

– Vitor eu acabei de voltar do meu próprio sequestro, eu preciso dormir.

– Mas você descansou muito, não fez nada, passou horas sentada em uma cadeira descansando.

O encarei, não acredito que ele disse isso.

– É PORQUE NÃO FOI VOCÊ QUE FICOU HORAS OLHANDO PRA CARA DA LUANA, que o capeta a tenha, E DO JAMES, SEU RESTO DE MERDA. E AINDA FICOU SEM COMER E MORRENDO DE TÉDIO, OTÁRIO.

O empurrei da cama e ele riu.

– Cadê o "eu te amo demais"?

– Ta aqui.

Mostrei o dedo médio pra ele.

– Eu estava brincando. — Ele se levantou do chão e deitou na cama do meu lado de novo. — Vem cá, vou te deixar dormir.

Me deitei com ele novamente e logo adormeci. Acordei com o barulho da televisão, abri os olhos devagar. O Vitor estava assistindo um jogo de basquete na TV.

– Bom dia!

– Boa tarde!

Ele me deu um beijo na testa.

– Que horas são?

– 4 da tarde.

– Eu dormi isso tudo?

– Sim, estou esperando desde 1 da tarde você acordar para a gente transar, mas desisti. Pensei que tinha morrido aqui mesmo e fui assistir TV.

– Já disse que você é um idiota?

Enfiei minha cara no travesseiro morrendo de preguiça.

– A Sophia ligou.

– O que ela queria?

– Chamar você para ir para uma festa de despedida de uma amiga dela, mas já avisei que elas não iam contar com a sua presença.

Olhei para ele que nem estava olhando para mim, estava mudando o canal da televisão sem parar em nenhum.

– Posso saber por que não?

– Porque em festas de despedidas rolam strippers e outras coisas também, não quero você em ambientes assim ainda mais com a Sophia, não confio você a ela.

– Eu vou.

Me levantei e fui para o banheiro.

– Lia você está me contrariando?

Vitor disse assim que saí do banheiro.

– Eu estou resolvendo a minha vida, Vivi. — Desci e fui para a cozinha, alguns instantes depois escuto os passos do Vitor atrás de mim. — Quando você vai consertar a janela?

Perguntei olhando para a janela que foi acertada pelo tio Paulo ontem quando ele errou o tiro no Vitor.

– O otário do meu pai que vai ter que consertar, foi ele quem atirou e nem bom de mira é.

Ele riu, nem com quase um tiro na testa o garoto aprende.

– Ainda bem que é ruim de mira, talvez nem estivesse aqui para ver essa janela quebrada caso ele não fosse...

– Para de me enrolar, você está mudando de assunto. Só quero avisar que eu não vou deixar você ir para a despedida de solteira da amiga da Sophia.

– Me diga um bom motivo para eu não ir?

– Ela é amiga da Sophia.

Ele disse como se fosse obvio.

– E?

– GUILHERME EU VOU TE MATAR!

De repente o Dinho apareceu correndo na cozinha sendo seguido pelo Gui.

– HEY! O que ta acontecendo aqui?

O Vitor perguntou e o Dinho se escondeu atrás de mim rindo.

– O baitola do Dinho que colocou uma câmera no meu banheiro, é muito viado mesmo, vou te matar.

O Gui começou arremessar coisas no Dinho que estava me usando como escudo.

– E o que ele gravou de interessante?

– Além de ele tomando banho, tem ele batendo umas. Vou colocar na internet.

Dinho me respondeu e eu e o Vitor rimos.

– Cadê o tio com a arma dele nessas horas?

– Ta, Gui. O Dinho não vai colocar nada na internet.

Vitor empurrou o Gui para fora da cozinha e saiu o conduzindo.

– Moro com 4 idiotas.

Comentei rindo do Gui.

– Mas você nos ama. — Ele me abraçou por trás apoiando seu queixo no meu ombro. — O que você tava discutindo com o Vitor?

– Ele não quer que eu vá para a festa de despedida de solteira de uma amiga da Sophia.

– Com razão, é capaz de você ficar bebada e ser abusada pela Soph.

Ri com o que ele disse.

– Vou ligar para ela.

Liguei e combinei tudo, eu ia me encontrar com elas em uma boate um pouco conhecida e meio perto daqui. Já eram 19hrs e eu resolvi me arrumar, para não precisar de pressa, ficou de começar 22hrs.

– Pra onde você pensa que vai?

Vitor entrou no meu quarto e eu estava me maquiando.

– Não penso, vou para a festa da amiga da Soph.

– Você não vai, Lia. Você vai ficar aqui comigo e nós vamos fazer sexo e dormir.

– Eu vou para uma festa e não sei que horas vou chegar, se quiser sexo você tem uma mão que pode fazer o serviço.

– Você não vai.

– Me impeça Vitor.

Estávamos nos encarando, não estávamos brigando.

– Não queria recorrer para isso.

E ele deu meia volta e saiu do quarto, não entendi nada. Terminei minha maquiagem, peguei minhas coisas e desci para convencer o Vitor a me levar lá.

– Lia para onde você pensa que vai?

Meu pai e o tio Paulo estavam lá embaixo, o Vitor estava parado atrás deles rindo, não acredito que ele chamou o tio e meu pai para me impedir de sair.

– Para uma festa de uma amiga da Sophia, pai.

– Pelo que o Vitor me falou acho melhor você não ir.

O tio disse sério e o Vitor sorriu mais ainda atrás deles.

– Tio fala sério, o Vitor mentiu não importa o que ele disse, ele quer que eu fique aqui só para a gente transar.

Sorri para o Vitor que instantaneamente tirou o sorriso da cara porque sabia que ia sobrar para ele.

– Ah, Vitor. Não me esqueci sobre a noite passada.

Tio Paulo se virou para ele.

– Sua filha da puta.

O Vitor disse para mim e eu comecei a rir.

– Becos não é? Você quer experimentar como é morrer em um também? Eu posso ajudar com isso.

– Qual é, pai? Vai dizer que o senhor e a mamãe nunca fizeram umas loucuras.

– Isso não é da sua conta, abestado.

– Minha filha não é garota de ficar fazendo sexo em becos ou em qualquer outro canto da rua, Vitor.

Meu pai brigou com ele e pronto, o foco tinha mudado totalmente.

– Mas pergunta se ela não gostou.

O Vitor sorriu maliciosamente, esse pede para apanhar.

– Tira essa expressão da sua cara, resto de aborto.

Ele levou um tapa na cabeça, eu só estava rindo da situação.

– O senhor me odeia tanto que às vezes desconfio que não sou seu filho.

– Eu também desconfio disso.

– Paz e amor, amores.

Abracei meu pai e o tio Paulo.

– Isso vai ter volta, Lia

– Te amo, Vivi. — Mandei um beijo para o Vitor que me olhava de cara feia. Vocês poderiam me dar uma carona, né? Ia pedir para o Vitor me levar, mas agora era capaz dele parar em um beco e me esquartejar.

– Eu estou com vontade.

Ele disse ainda bravo.

– Temos uma surpresa para você.

Meu pai disse e eu já fiquei toda alegre.

– O que?

– Tá lá fora, vamos.

Eles me puxaram para fora e o Vitor nos seguia reclamando da vida.

– SURPRESA!

Minha mãe gritou do lado de fora e ela e a tia Dora estavam ao lado de uma bugatti preta maravilhosa.

– Ai meu Deus!

Eu ganhei um carro, não acredito.

– Feliz aniversário.

Eles me abraçaram.

– A Lia ganha um carro e eu ganho tiros, minha vida não podia ser melhor.

Escutei o Vitor reclamar e o abracei de tanta alegria que estava.

– Mesmo você não merecendo, parabéns.

– Obrigada, Vivi. — Lhe dei um selinho. — EU GANHEI UM CARRO, CHORA MUNDO!

Gritei e corri abraçando minha mãe e a tia Dora.

– Você gostou?

– Mãe, eu amei.

– Toma a chave, Lia.

O meu pai jogou e eu segurei.

– Agora vou ir para a festa da Soph com o MEU carro.

Gritei transbordando alegria.

– Quem foi o idiota que deu a ideia de dar um carro para a Lia?

Assim que falei da festa o Vitor mudou de humor, eu comecei a rir.

– Foi eu.

Tio Paulo o olhou esperando que o Vitor falasse mais alguma coisa.

– Tinha que ser ideia do otário.

O Vitor respondeu já correndo para trás da tia Dora.

– Lia pode inaugurar seu carro passando por cima do Vitor.

– Paulo não fale assim com o nosso filho.

– Esse idiota não é meu pai, mãe.

Vitor não tem amor a vida mesmo, estava confiando na tia Dora.

– Não sou teu pai mesmo não, você foi encontrado no esgoto, seu merda.

– Pelo menos não saí do seu saco.

Até a tia Dora riu.

Notas finais
Fanfic so com 50 Cap então so falta dois Para acabar. Mais vai ter 2 temporada Pulam de alegria