O Amor Através Da Morte
5 Capítulo 5 Tentando Viver
Notas iniciais
Acordo com o alarme do meu despertador tocando. Abro meus olhos e me lembro da promessa que fiz para Cebola no dia anterior.
Tentei tirar isso da cabeça um pouco ao ir para o banheiro e fazer todas as minhas higienes matinais de costume. Quando terminei, vou ao meu guarda-roupa e escolho uma roupa para o dia que viria pela frente. Visto uma blusa de manga comprida na cor preta na cintura havia uma imitação de corpete para amarrar, junto com a blusa coloco minha saia preta curta na frente que cresce atrás de tecido transparente que tem um forro por baixo, visto minha bota de couro com cano que vai até um pouco para baixo do joelho e tem algumas fivelas junto com a parte da frente que é de amarrar. Vou até minha penteadeira e faço minha maquiagem usando tons de preto e roxo.
Eu sei da minha promessa sobre voltar a ser quem eu era, mas eu simplesmente amo minhas roupas de agora, e as únicas que tenho de antes, são as que tem fundo emocional e marcaram em lembranças marcantes, então não vou usar em nenhum lugar.
Vou até a cozinha e como qualquer coisa, pois novamente minha mãe e meu pai não estavam em casa. Pego minha mochila e saio da minha casa para fazer o caminho para escola a pé.
Chegando na escola, tento procurar Magali, mas acabo por não a ver em nenhum lugar, ela não devia ter chegado ainda, ou estava em algum lugar que não me vinha em mente. Resolvo procurar o Cascão, para saber se ele teria notícias da Maga. Ele estava no pátio conversando com os meninos, então eu fui até lá calmamente.
— Oi Cascão. – Digo até que feliz com um sorriso amigável.
— Oi Mô. Por acaso é você mesma? Digamos que você está mais... – Ele tenta achar uma palavra que não saísse de um modo errado, então resolvo completar.
— Sociável? Feliz? Amigável? É eu sei. – Digo rindo e ele ri junto.
— Fico feliz que esteja mais alegre. – Diz com um sorrisão e me erguendo do chão com um abraço.
— É, eu também. Mas agora você poderia me colocar no chão? – Digo ainda sendo erguida.
— Claro! – Ele dá uma risada de divertindo com o momento e eu o acompanho.
— Cas... Você viu a Maga? Não a encontro em lugar nenhum. – Olho ao meu redor para ver se não a encontro, mas não havia sinal da comilona.
— Sabe que não. Eu só a vi ontem quando ela saiu da aula. Hoje não me esbarrei com ela ainda. Mas logo, logo, ela aparece.
— Então tá. Vou continuar minha busca por ela. Até mais.
— Falou. Até depois.
Recuo dando uma olhada para os meninos que estavam todos de boca aberta por conta de mim. Dou uma mini risada e saio dali, voltando a procurar a Maga, mas ainda não a encontrando.
Paro assim que escuto uma música tocar pelo ar, não sabia de onde vinha ela, mas quando comecei a escuta-la senti-me paralisada. The One That Got Away da Katy Perry (N.A.: Música mandada pela Diana, pois se encaixou com a fanfic).
Summer after high school, when we first met
(Verão, depois do ensino médio, quando nos conhecemos)
We'd make out in your Mustang to Radiohead
(Nós nos beijávamos no seu Mustang ouvindo Radiohead)
And on my eighteen birthday we got matching tattoos
(E no meu aniversário de 18 anos, nós fizemos tatuagens iguais)
Used to steal your parents' liquor and climb to the roof
(Costumávamos roubar as bebidas dos seus pais e subir no telhado)
Talk about our future like we had a clue
(Conversar sobre nosso futuro como se soubéssemos de algo)
Never planned that one day I'd be losing you
(Nunca planejei que um dia eu estaria perdendo você)
In another life, I would be your girl
(Em uma outra vida, eu seria sua garota)
We'd keep all our promises, be us against the world
(Nós manteríamos todas as nossas promessas, seríamos nós contra o mundo)
In another life, I would make you stay
(Em uma outra vida, eu faria você ficar)
So I don't have to say you were the one that got away
(Assim eu não teria que dizer que você foi aquele que foi embora)
The one that got away
(Aquele que foi embora)
I was June and you were my Johnny Cash
(Eu era a June e você era meu Johnny Cash)
Never one without the other, we made a pact
(Nunca um sem o outro, nós fizemos um pacto)
Sometimes when I miss you, I put those records on, whoa
(Às vezes, quando eu sinto sua falta, eu coloco aqueles discos para tocar, whoa)
Someone said you had your tattoo removed
(Alguém disse que você removeu sua tatuagem)
Saw you downtown, singing the blues
(Te viram no centro da cidade, cantando blues)
It's time to face the music, I'm no longer your muse
(É hora de encarar a música, eu não sou mais a sua musa)
But in another life, I would be your girl
(Mas em uma outra vida, eu seria sua garota)
We'd keep all our promises, be us against the world
(Nós manteríamos todas as nossas promessas, seríamos nós contra o mundo)
In another life, I would make you stay
(Em uma outra vida, eu faria você ficar)
So I don't have to say you were the one that got away
(Assim eu não teria que dizer que você foi aquele que foi embora)
The one that got away
(Aquele que foi embora)
The one
(Aquele)
The one
(Aquele)
The one
(Aquele)
The one that got away
(Aquele que foi embora)
All this money can't buy me a time machine, no
(Todo esse dinheiro não pode me comprar uma máquina do tempo, não)
Can't replace you with a million rings, no
(Não posso te substituir com um milhão de anéis, não)
I should have told you what you meant to me, whoa
(Eu deveria ter te contado o que você significava para mim, whoa)
'Cause now I pay the price
(Porque agora eu pago o preço)
In another life, I would be your girl
(Em uma outra vida, eu seria sua garota)
We'd keep all our promises, be us against the world
(Nós manteríamos todas as nossas promessas, seríamos nós contra o mundo)
In another life, I would make you stay
(Em uma outra vida, eu faria você ficar)
So I don't have to say you were the one that got away
(Assim eu não teria que dizer que você foi aquele que foi embora)
The one that got away
(Aquele que foi embora)
The one [the one]
(Aquele [aquele])
The one [the one]
(Aquele [aquele])
The one [the one]
(Aquele [aquele])
In another life, I would make you stay
(Em uma outra vida, eu faria você ficar)
So I don't have to say you were the one that got away
(Assim eu não teria que dizer que você foi aquele que foi embora)
The one that got away
(Aquele que foi embora)
Não sei bem o por quê, mas essa música... Sinto que ela se encaixa com tudo isso que está acontecendo. Sinto que ela foi feita pra mim. Mas ainda tem um pequeno detalhe..., o Cê não me deixou, ele morreu. Apenas quando a música terminou, percebi que havia me sentado no chão da escola e estava com a cabeça baixa. Olho ao meu redor vendo que todos estavam me olhando e cochichando algo sobre mim, escutei que alguém estava falando que eu sou maluca, mas os outros cochichos eu não havia entendido.
Me levanto e vou correndo a caminho do banheiro da escola. Não aguentaria ficar num lugar cheio de pessoas que estavam me criticam como se soubessem o que eu passei, mas eles não sabem e nunca vão saber. Entro no banheiro e me olho no espelho. Lagrimas começam a escorrer pelo meu rosto, estava chorando por todas as vezes que eu engoli o choro, por todas as vezes que eu me sentia mal, por todas as vezes em que eu não estava bem, mas tinha que fingir que estava tudo okay. No meio das minhas lagrimas, não notei que uma menina havia entrado no banheiro. Olho ligeiro para o lado oposto. Não queria que ela me visse chorar, não queria que ninguém me visse nesse estado. Nem me preocupei em saber quem era, só queria que ela saísse logo e que a mesma não percebesse que eu estava chorando.
— O que ouve? – Pergunta a menina. Essa voz... é familiar. Viro e vejo que era a Magali.
— Onde você esteve? – Ignoro sua pergunta, fazendo outra e a abraçando enquanto isso.
— Me atrasei um pouco. Cas me falou que você havia corrido para o banheiro, então aqui estou, para ver como você está. Mas então, minha flor, o que aconteceu? – Pergunta preocupada, ela seca uma lagrima que escorria pela minha bochecha.
— Eu estava te procurando. E de repente, escuto uma música que se parece com o que está acontecendo comigo, não consegui me controlar e acabei sentando no chão no meio do pátio. Assim que dei por mim do ocorrido, vi que todos estavam me olhando e cochichando que eu sou maluca, essas coisas. – Faço uma curta pausa. – Me levantei e sai correndo de lá para vir aqui e chorar... Não sou mais aquela garota forte... Não consigo mais ser. – Digo ainda chorando e ela me abraça mais forte ainda.
— Nossa, Mô. Me desculpa por não ter chegado antes e ter te ajudado na frente de todos. – Diz ela se sentindo culpada.
— Tudo bem, você não tem culpa. – Ficamos um pouco assim até que escutamos o sinal bater.
— É melhor irmos. – Aconselha ela.
Saímos do banheiro e andamos pelo corredor até chegar a sala. As aulas passaram rápido. O intervalo logo chegou, Maga, Cas e eu fomos paro refeitório juntos.
— Ora, ora, vejam se não é a chorona do banheiro. – Grita Irene apontando para mim para que todos ouvissem.
— Como ela soube? – Sussurrei mais para mim do que para alguém.
Estava a ponto de abaixar a cabeça, mas Cebola aparece na minha frente. Só eu estava vendo-o. Mas será que não estou alucinando outra vez?
— Seja você mesma! Volte a ser o que você era. Você me prometeu. – Depois disso ele sumiu, mas mesmo assim isso me incentivou e me fortaleceu para não abaixar minha cabeça novamente, como eu andava fazendo desde que Cebola se foi.
— Ora, ora, vejam se não é a loira oxigenada que não tem nenhum namorado, pois é chata demais. – Rebato imitando a voz dela, fazendo todos rirem e ela se irritar.
— Ora, pelo menos eu não sou estranha como você, que não para de pensar numa pessoa morta. Deixa-me te contar um segredo... – Ela coloca uma mão na boca como se fosse sussurrar algo, mas fala em tom alto: – Ninguém sente saudades dele. – Fiquei muda, não sabia o que falar.
— Dá para ver que você era bem amiga dele, não é? Como ia ser bom se ele soubesse a cascavel que você é. – Diz Cascão com raiva, ele sempre foi de ficar na dele, mas quando se trata de seu melhor amigo, ele lutaria até com um cara fortão com o dobro do tamanho dele.
— É, mas ele está morto! – Diz Irene dando um sorrisinho debochado.
— Ele pode até estar morto, mas ainda é melhor que você que está viva. Ele pelo teve e tem amigos verdadeiros, já você não tem nenhum verdadeiro. – Diz Maga a olhando com raiva, ela era que nem o Cas, defenderia seus amigos a todo custo.
— Vocês são tudo um bando de invejosos! Só por eu ser bem melhor que todos vocês. – Diz ela com uma mão na cintura e a outra mexendo com um dedo apontado.
Eu me emocionei, pois foi a primeira vez que eu via meus amigos me apoiarem, depois de tanto tempo. Eles estavam do meu lado! Ao meu lado!
Cebola aparece de novo.
— Mônica, não se cale, você é melhor que ela. Você tem que voltar a ser como você era antes. Seja forte como eu sei que você é! – Diz e some novamente.
— Irene, queridinha, vê se te enxerga! Eu sou muito melhor que você. Todos já estão cansados dessa sua voz de taquara rachada, então vê se fecha a tua matraca. – Ela se cala e vira as costas voltando para um quanto qualquer do refeitório.
Nós três fomos pegar algo pra comer e nos sentarmos em uma mesa. Conversamos um pouco e rimos mais um pouco da cena com a Irene, afinal a cara de cu que ela fez foi hilária.
Assim que o sinal tocou novamente, voltamos para a sala de aula. Quando todas as aulas acabaram e eu já estava em casa, resolvo ir dormir, afinal estava sozinha e não tinha mais nada para fazer.
#SonhoOn#
Eu estava na mesma campina, agora ela estava bem mais viva, verde e repleta de flores. Olho paro o lado e vejo Cebola andando em minha direção.
— Fico feliz que esteja voltando a ser você mesma. – Diz ele com um sorriso.
— Só voltei, por sua causa. – Digo fazendo biquinho.
— Eu sei. Fico feliz que esteja cumprindo o que prometeu. – Cebola acaricia com uma de suas mãos meu cabelo.
— É, mas você ainda não cumpriu o que me prometeu. – Digo triste olhando para baixo, ele ergue meu queixo lenta e carinhosamente para que eu o olhasse novamente.
— Sei disso, mas estou fazendo o que posso. – Me encara profundamente.
— Tente mais. Quero que você esteja do meu lado... sempre. – Sussurro implorando.
— Não é tão fácil assim.
— Está bem... – Digo ainda triste, mas não insistindo mais. – E agora? Você acredita em mim sobre a Irene não prestar? – Insinuo e ele dá um sorriso torto que eu acho sexy e atraente.
— É. Depois que eu escutei aquilo. Com certeza acredito, mas agora vamos parar de falar da Irene.
— Então vamos falar do que?
— De nada. Só vamos aproveitar, matando a saudade um do outro. — Sussurra chegando perto de mim. Sinto meu corpo estremecer com sua aproximação.
— Agora está melhorando. – Sussurro também me aproximando.
Começamos a nos beijar apaixonadamente e quando iriamos intensificar o beijo, ele para. Se aproxima com sua boca perto da minha orelha.
— Adeus, te vejo em breve, meu amor. – Sussurra.
Não tive tempo de falar nada, pois tudo se escureceu.
#SonhoOff#
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