O Amor Através Da Morte
3 Capítulo 3 Será Que Estou Ficando Maluca?
Notas iniciais
Acordei com o barulho do despertador tocando, mas preferia nunca mais despertar. Estava frio então optei por um vestido preto comprido um pouco armado com mangas longas, calcei meu coturno de salto preto, e por último, fiz uma maquiagem na cor preta nos olhos com um batom marrom quase preto.
Desço as escadas até a cozinha. Não havia ninguém, estranhei, pois, sempre que eu descia, havia a minha mãe, mas to nem aí, prefiro ficar sozinha mesmo. Abri a geladeira e tirei um néctar de uva e uma geleia de laranja, fui até a dispensa e peguei as torradas pequenas prontas que minha mãe compra no mercado.
Voltei à cozinha, passei geleia em quatro torradinhas e coloquei o néctar em um copo, quando terminei de comer e beber, olhei para o relógio da parede e vi que estava atrasada. Pego minha mochila e saio correndo para o colégio, já que a distância não era tanta, logo cheguei ao meu destino e por sorte ainda não tinha batido o sinal. Olhei pra todos ao meu redor, eles estavam me olhando, não era novidade desde que mudei de visual, então apenas ignorei-os.
Andei até à biblioteca e fiquei olhando os livros até que um me chamou à atenção, o nome era O Inverno Das Fadas (livro de real, e é muito bom na minha opinião), peguei-o e fui até à bibliotecária para marcar em minha ficha.
— Fico feliz em ver meninas da sua idade se interessando por livros. Raramente vejo alguém aqui que realmente esteja interessado em livros e não em matar aula. – Diz a bibliotecária dando um sorrisinho.
— Fiquei sem nada pra fazer, então resolvi pegar um livro.
— Hm, O Inverno Das Fadas. – Disse ela olhando o nome do livro. – Você deverá me entregar daqui uma semana. Qual é o seu nome para eu registrar?
— Mônica. – Respondi sem muito rodeio.
— Mônica? Mônica Souza?
— Sim. Por que? – Digo sem interesse algum.
— O que aconteceu com aquela menina forte e alegre? Você está tão diferente daquela menininha. – Ela me olha confusa e como se sentisse pena de mim.
— Ela mudou e se tornou isso que você pode ver agora. Trago o livro daqui uma semana, adeus. – Falo saindo da biblioteca e depois colocando o livro na minha mochila.
Estava indo pra um jardim do lado do pátio pra começar a ler, mas quando estava perto de chegar lá, alguém me puxa pelo braço. Olho para o ser que me parou e encontro um garoto de cabelos pretos de topete e olhos escuros, era Do Contra.
— O que está fazendo garoto? – Pergunto o olhando com raiva.
— Oi pra você também. Eu estou bem se você quiser saber.
— Não quero saber e oi nada. Trate de me responder o porquê de ter me puxado. – Digo friamente, meu humor para gracinhas já tinha se ido a muito tempo.
— Nossa quanto mau-humor, só quero te fazer uma proposta. – Diz ele com uma cara de debochado.
— Por que estaria interessada em uma proposta sua? – Falo friamente.
— Porque ela só tem a lhe beneficiar. Eu posso te fazer feliz de novo, se você aceitar namorar comigo. – Diz ele como se fosse maravilhoso namorar com o mesmo.
— Não, muito obrigada estou muito bem assim. – Falo e logo o dou as costas voltando para o caminho em que eu estava indo antes de ser interrompida contra minha vontade.
— Como assim não? Eu não vou aceitar não como resposta. – Fala rudemente me puxando e me agarrando.
Eu tentava me soltar, mas ele não deixava. Quando achava que nada poderia piorar, ele enfia aquela língua nojenta na minha boca, mas não retribui aquele “beijo”, mas sim mordi a língua dele fazendo-o voltar com sua língua para a boca de onde não deveria ter saído. O problema foi que isso só fez ele me apertar mais, Do Contra começou a passar aquelas mãos no meu corpo, eu tentava sair, mas parecia que minha força não saia. De repente, assim do nada, ele caiu desacordado no chão. Olhei para o lado e vi Cebola olhando Do Contra com um ódio que parecia que era Lúcifer olhando para Deus.
Espera aí... Eu vi o Cebola?! Como assim?! Ele morreu, eu fui no seu enterro, vi seu corpo sem vida no caixão. Como ele poderia estar em pé?... Aqui... Na minha frente?!
— C-Ce-Cebola... – Minha voz estremece. Tudo começa a girar, quase caio, mas ele me segura antes que eu caia no chão. Cê me abraça fortemente e com todo o seu amor.
— Vai ficar tudo bem, eu estou aqui e vou estar onde você for. – Me diz ainda no abraço. A minha visão antes embaçada e embaralhada, começa a se tornar escura, não me deixando enxergar mais nada.
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Acordei na minha cama, sozinha e com uma enorme dor de cabeça, tentei me lembrar do que havia ocorrido, então me lembrei de tudo e até do Cebola.
Olhei para a porta do meu quarto que estava aberta e vi um vulto passar pelo corredor. Levantei da minha cama e sai correndo atrás do vulto.
Desço as escadas correndo, indo até a cozinha, onde o vulto simplesmente desaparece. Devo estar ficando louca mesmo.
— Filha? Está tudo bem com você?
— Ai que susto mãe! – Digo com a mão no meu peito a olhando.
— Desculpa. Mas o que você está fazendo de pé? Trate de ir para seu quarto e descansar! Você acabou de acordar de um desmaio, então vá repousar. – Diz minha mãe autoritária e preocupada com meu bem-estar.
— Está bem, mãe. – Digo passando por ela, mas antes de sair da cozinha ela me para.
— A Magali vai passar o que teve hoje, quando acabar a aula, então vai dormir. Eu te chamo quando ela estiver aqui.
— Okay. — Digo saindo da cozinha e indo para meu quarto.
Deito na minha cama e fico pensando no que aconteceu hoje... No Cebola... No vulto... Em tudo, até que consigo pegar no sono.
#SonhoOn#
Eu estava em uma campina vestindo um vestido branco. Vejo Cebola vindo até mim. Uma alegria imensa me atingiu e eu comecei a chorar. Corro ao seu alcance até estar perto dele e o abraçar forte.
— Calma Mô, eu estou aqui e nada de ruim vai te acontecer. – Ele diz retribuindo ao meu abraço.
— Eu te amo! Não quero te perder de novo, eu estou sofrendo muito com sua ausência.
— Eu também te amo. Logo você será feliz de novo. Você é minha vida e não quero vê-la triste.
— Por favor não me deixe... – Imploro. – Eu quero ficar com você para sempre. Você é meu mundo, você é... – Ele me cala com um beijo, um beijo sincero e cheio de amor, aquele beijo que fazia você desejar nunca mais fazer outra coisa e ficar assim para sempre.
#SonhoOff#
Desperto com batidas fortes na porta. Resmungo me levantando. Deveria ser a Maga me trazendo o que teve na aula. Vou até a porta, logo a abrindo.
— Você?!
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