O Amor Através Da Morte
1 Capítulo 1 Por quê?
Notas iniciais
Por quê? Por que ele tinha que ir? Por que ele me deixou? Eu o amo então por que ele me deixou? São tantas perguntas sem resposta... Eu sei que ele não teve culpa de morrer, está bem..., ele teve culpa sim. Eu lhe disse pra não ir viajar, eu o alertei que estava com um mau pressentimento, mas o que ele fez? Disse que era coisa da minha cabeça, e agora eu estou aqui, me lamentando por ele, me lamentando por saber que nunca mais o terei, me lamentando por saber que eu o tive tão próximo de mim, mas ele simplesmente escapou entre meus dedos.
Pareço uma louca por falar comigo mesma, ou por ficar discutindo essas coisas como se tudo pudesse voltar no tempo, mas não, nada vai voltar no tempo, simplesmente nada vai o trazer de volta para mim. Não irei poder toca-lo mais, não poderei beija-lo, não poderei escutar aquela voz que me cansava tantos arrepios, não irei poder vê-lo nunca mais, não em vida, mas sim em fotos..., em lembranças...
Cebola morre e eu fico biruta, o que mais falta me acontecer? Virar a “veia dos gatos”? Eu juro que tentei tirar minha vida inúmeras vezes que mal posso contar, mas nunca dá certo. Quando tentei me enforcar, a corda arrebentou. Quando tentei me matar de moto em um precipício, a moto “magicamente” virou para o lado, algo que não tem logica nenhuma, você lá, andando de moto retinho, aí do nada ela tomba para o lado como se algo invisível tivesse colidido na lateral da moto. Eu estou começando a achar que não querem que eu morra... Será que o Cebola está tentando me proteger? Está bem, eu sei... Isso é maluquice. Mas e se pudesse ser verdade? Se tivesse a chance de ser ele me protegendo? Ele tentando se comunicar e me impedir de me encontrar na morte com ele? A cada pensamento que eu tenho, mais louca estou achando que estou.
Agora, estou em um cemitério, de frente ao túmulo dele. Me lamento pela morte dele, como se pudesse o trazer de volta a vida, mas sei que isso é impossível, então choro tudo o que preciso para aliviar essa raiva e tristeza que me invade.
Depois da morte dele, a sua família se mudou para outra cidade e talvez até outro estado, eles quiseram meio que apagar ele da vida deles, como se a dor de saber de sua morte não fosse o importante, como se esquecer dele fosse o melhor... Agora, quando eu saio de casa, olho para a casa do lado da minha, aquela que antes Cebola morava, mas que atualmente não passa de uma casa abandonada e deixada de lado pelas pessoas que um dia tiveram belos momentos nela. Eu olho aquela casa lembrando dos momentos que eu também tive lá, com o Cebola, seja na adolescência ou na infância, me fazendo querer voltar no tempo, quando eu sabia que eu podia ir lá e encontra-lo fingindo que não me queria lá, mas que na verdade só tinha medo de admitir que me queria por perto. Nessa casa, o vejo nas janelas me encarando por um tempo e depois sumindo, ele some tão rápido quando a minha esperança de continuar vivendo.
Sinto um vazio enorme no meu peito, nada cura isso, ele apenas se aprofunda mais e mais. As coisas que eu fazia antes e que eu amava fazer não me trazem nenhum sentimento e nem vontade de faze-las de novo.
Já faz uma semana que ele morreu e eu não consigo dormir direito, pois sempre sonho com ele e acordo chorando. Eu não consigo me alimentar, eu nem estou vivendo, estou apenas sobrevivendo, esperando um dia após o outro, esperando o dia em que eu morrerei e poderei encontrar meu amado de novo.
— Por quê? Por que tinha que ser ele? — Gritei olhando para cima, mas não esperava nenhuma resposta de verdade. Eu apenas queria aliviar e desabafar tudo o que eu sentia.
Fiquei mais alguns minutos ali, parada olhando para a lápide que tinha as seguintes citações:
Cebolácio Junior da Silva
Querido Filho, Amigo e Irmão.
Saio do cemitério com uma dor no peito. Eu queria ficar ali para sempre, tanto que nunca deixava de ir ali ver seu tumulo, eu sei que apenas seu corpo está enterrado ali, sei que sua alma já se foi, mas era o único lugar que eu sabia que nunca sumiria a sua lembrança, a lembrança de que ele viveu algum dia.
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