O Amor Acima De Tudo
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Capítulo 03
Richard foi buscar Hannah. Sentia-se nervoso, excitado e muito feliz. Aquela loira deslumbrante mexia com todo seu ser. Invadia seus pensamentos, excitava seu corpo, acelerava seu coração... povoava seus sonhos. Desde que a vira no jardim de Lauren, triste e magoada, não conseguira esquecê-la. Quando a via, seu coração descompassava, seu corpo ardia de desejo de tê-la entre os braços. Deus sabia o quanto ele se esforçava para não resistir aos impulsos de beijá-la.
No portão da casa dela, apertou a campainha. A porta do terraço se abriu e ele estremeceu ao ver a beldade que saiu de lá. Hannah estava esplêndida. Exalava sensualidade, beleza, glamour por todos os poros. O corpo maravilhoso trajava um vestido longo de seda preta de corte reto que marcava delicadamente os seios fartos, a cintura delgada e os quadris largos. Os longos e belos cabelos estavam presos num elegante coque no alto da cabeça e mechas encaracoladas se soltavam, dando uma impressão de descuidada elegância.
Lentamente Hannah atravessou o jardim. Andava com sensualidade e sofisticação.
— Boa noite, Richard.
A garganta dele estava seca.
— B-boa noite, Hannah — gaguejou. — Você está maravilhosa. Com certeza vai prender a respiração de todos os homens do restaurante.
Incrédula, ela riu.
— Ora, pare de ser galanteador! É assim com todas as mulheres?
— Apenas com as que merecem... — ele murmurou, rouco. Ela percebeu a sinceridade nas palavras dele e enrubesceu.
— Bem, gostaria de entrar e tomar uma bebida?
— Oh, Hannah, bem que eu gostaria, mas não, desculpe-me. Creio que já estamos bem atrasados.
— Então não percamos mais tempo.
Ele a acompanhou até o carro e abriu a porta para ela. Pouco tempo depois se encontravam a caminho do restaurante, um dos mais sofisticados da cidade.
De vez em quando, Hannah arriscava olhar para Richard. Ele sempre estava compenetrado na estrada. Era um motorista muito cuidadoso, embora abusasse da velocidade, ao contrário de Mark.
Mark. Lembrou-se que ele estaria no restaurante. Não fora boa ideia vestir aquela roupa para enciumá-lo. Chamaria a atenção de Richard, e Hannah não sabia ao certo o que sentia por ele. Não era amor nem paixão, mas algo diferente, que flamejava dentro dela. Sentia no corpo um calor intenso, apesar da noite de outono estar meio fria.
Mais uma vez olhou para Richard. Ele estava impecável num terno escuro e elegante, de caimento perfeito. Os cabelos castanhos haviam sido penteados de forma a ficarem charmosa e artisticamente despenteados, e uma mecha teimosa insistia em cair sobre a testa. Ela tinha vontade de por aquela mecha no lugar. No geral, ele era o homem mais bonito, charmoso e sensual que ela já conhecera. Era um homem capaz de fazer qualquer mulher perder a cabeça.
“Por que será que ele me convidou para esse jantar? Deve haver mulheres deslumbrantes implorando por sequer um olhar dele. Por que ele convidou justamente a mim?”, ela se perguntava, intrigada. Achava-se, no máximo, bonitinha, e não a ponto de atrair o olhar de alguém tão perfeito como Richard.
Enfim, pararam em frente ao restaurante, e o manobrista levou o carro para estacionar no estacionamento privativo.
Com gentileza, Richard tomou o braço de Hannah e a conduziu ao recinto do elegante restaurante. Numa das mesas no fundo, onde era mais aconchegante e tranquilo, estavam sentados Lauren e Mark. Esse estava elegante, mas não chegava aos pés de Richard. Na verdade, nenhum dos cavalheiros que estavam no recinto tinha a vitalidade, a presença, o charme de Richard. Ele era um homem muito marcante, dava para se sentir a presença dele em todos os poros.
Richard estava muito calmo e relaxado; ou não percebia o efeito que causava — admiração e desejo nas mulheres, raiva e inveja nos homens — ou não dava a mínima importância, e Hannah apostava na última alternativa.
Quando Mark viu Hannah e Richard juntos, seu queixo caiu. Então ela já estava com outro! Estava-o traindo, e na sua própria presença! Como ela era descarada!
— Boa noite — disse Richard.
— Boa noite — disseram Mark e Lauren. Lauren olhou Hannah e sorriu. — Boa noite, Hannah.
— Boa noite.
Os dois se sentaram em frente a eles. Quase no mesmo instante um garçom apareceu.
— Boa noite, senhor, senhora.
Richard tomou o menu nas mãos.
— Posso escolher sua bebida, Hannah? Confia em meu bom gosto?
— Pode, sim, Richard. Eu confio.
— Traga-me vinho seco Opus One. Para a senhorita, um Château D’Yquem suave.
— Sim, senhor.
Quando o garçom desapareceu, Lauren, que tomava cherry, sorriu para os dois.
— Vocês formam um belo casal.
Ao rosto de Hannah um forte rubor chegou. Não queria que pensassem que ela tinha um caso com Richard, pois não era verdade.
— Desculpe-me, mas eu e Richard...
— ...estamos nos dando maravilhosamente bem, Lauren — ele a cortou. Passou um braço forte pelos ombros de Hannah e, após isso, lançou-lhe um olhar ardente e apaixonado.
Ela se perdeu nos olhos dele, que pareciam ouro derretido. Irradiavam raios de luz, como lindos topázios tocados pela luz. Nesse momento, uma corrente de energia lhes atravessou os corpos. De repente, esqueceram-se do resto do mundo. Não ouviam nada, não viam nada, a não ser a eles mesmos. Apenas eles importavam. Com suavidade os lábios de ambos se aproximaram e se tocaram. O beijo, leve a princípio, tornou-se ardente. Nunca Hannah fora beijada daquele jeito. Richard era exigente e lhe devorava a boca com a língua ávida. Nunca Mark a beijara daquela maneira, apesar de eles já terem feito amor...
“Céus, como pude fazer isso?”, ela se lembrou do ambiente em que estavam e de Lauren e Mark, que estavam na frente deles!
Desaproximou os lábios úmidos. Tinha certeza de que nunca ficara tão corada na vida.
— Desculpem-me... — murmurou, trêmula. Estava com a mente ainda enevoada pelo beijo estonteante que recebera. Céus, Richard era conhaque forte!
— Não há nada a ser desculpado. Vocês formam um par perfeito! — disse Lauren.
Hannah suspirou. Não podia negar nada após aquele beijo incrível, pois com certeza ninguém acreditaria nela. Estava se sentido tão quente, tão excitada, tão nervosa... e aquilo era intrigante. Com podia sentir desejo por aquele homem se há menos de três dias caía de amores e desejo por Mark? Era tão volúvel assim?
Durante o jantar, Hannah ficou calada, imersa nos seus pensamentos, mal respondendo às perguntas que lhe faziam. Não sabia o que estava acontecendo.
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