O Amor É Uma Farsa
6 Pique-pega
Acordei no dia seguinte me lembrando do momento lindo que passei com Nohan, foi tão bonito, ele estava certo, eu precisava daquilo, precisava de um lugar tranquilo e lindo para me lembrar do quanto é bom viver, o quanto é bom enxergar as coisas lindas que a vida nos proporciona. Sei que não estou em condições de reparar os pequenos detalhes, mas é impossível não pensar naquela cena. Me faz até pensar por uns instante como aquela cena era romântica, e como ela não deveria estar acontecendo também.
— Bom dia. – Falei assim que acordei e fui tomar café da manhã com Rachel. — É você mesma? – Ela fez uma careta. – Você nunca dá bom dia. — Eu estou mudada agora irmãzinha. – Falei rindo. – Me passa a manteiga? — Interessante. – Ela disse fazendo uma cara debochada e me passando a manteiga ao mesmo tempo. – E qual a razão dessa mudança? — Sofrimento. – Respondi diretamente. — Que sofrimento? — Ela pareceu surpresa. – Amor? — Odeio o amor. – Respondi friamente enquanto mastigava meu pão com manteiga tradicional. — Nossa, você está mudada mesmo. — Por que diz isso? — Você não liga pra isso. — Como assim? — Você já tem 18 anos, nunca se apaixonou, nem namorou, você nunca gostou de ninguém, você só gosta de curtir. – Ela disse parecendo cuspir as palavras. – O que deu em você? — Eu só decidi mudar ué. – Falei normalmente tentando analisar as expressões do rosto dela. — Tudo bem. – Ela pareceu aceitar bem essa minha mudança. Stella podia até ser assim, mas eu não era, nunca seria, apesar de ter meu coração cortado em mil pedaços, eu jamais seria do tipo que gosta de curtir, iludir as pessoas, e outras coisas que não envolvem o ato gostar. Esse é mais o estilo do Victor, e eu odeio o estilo, o Victor e tudo que vier acompanhado com ele. Depois dessa breve conversa durante o café da manhã com Rachel, nos arrumamos e mais um dia cansativo e tedioso no colégio. E talvez até outro dia de fuga, não tinha reparado muito no momento, mas durante a noite de ontem antes de dormir, fiquei pensando nesse encontro com Victor, e me lembrei de que ele usava um uniforme do colégio, ele está mais próximo do que eu pensava. — Oi, sabe onde é a sala 301? – Uma menina desconhecida me perguntou assim que Rachel foi para a sua aula e eu sentei em um dos bancos esperando que a minha começasse. — Sei sim, é a minha sala. – Respondi. — Ai que bom, estou meio perdida. – Ela riu sem jeito. – Sou aluna nova, não conheço nada, nem ninguém. — Entendo. – Correspondi ao riso dela. – Pode deixar, eu te levarei até a sala daqui a pouco. — Obrigada. – Ela sorriu, e me pareceu bem simpática. – Meu nome é Megan. — Sou Annabelle, mas pode me chamar de Anna. — Prazer em conhece-la Anna. Fiquei sentado no banco conhecendo Megan por um bom tempo antes de começar a aula. Ela é bem simpática e adora rir, me contou que gosta de ter muitos amigos, mas os verdadeiros, que adora uma demonstração de carinho e vive os dias como se fosse o ultimo. Ela me fez lembrar da minha forma antiga, o jeito apaixonado que eu olhava para a vida, e algumas coisas que haviam nela. — É seu namorado. – Ela me perguntou apontando para Nohan na cadeira ao fundo da sala, já na sala de aula sentada ao meu lado na primeira carteira. — Sim. – Me virei para ver para quem ela apontava. — Bonito. – Ela sorriu. – Você tem bom gosto. — Obrigada. – Sorri ao pensar que eu realmente tinha bom gosto. – E você? Tem namorado? — Não, e nem pretendo ter. – Ela respondeu e eu pensei no quanto ela tinha a ver comigo, estou começando a gostar dela. — Por que não? – Curiosidade como sempre. — Porque eu me apaixonei uma vez e não foi uma boa experiência. — Você tem muito mais a ver comigo do que eu pensava. — Já aconteceu com você também? — Sim, eu amei muito uma pessoa e ele acabou me matando. – Tentei sorrir, mas a dor ao dizer isso era forte. — Entendo, parece que estamos morrendo não é? – Ela achou que fosse um modo de dizer o meu ‘’ acabou me matando’’, era impossível imaginar que eu realmente estive morta. — Sim. – Respondi encerrando o assunto, aquele assunto ainda me causava muita dor. Apesar de o ódio ter entrado na minha vida substituindo o amor, eu ainda sofria muito com essa situação, só que eu sempre fui forte o bastante para não demonstrar. Vou sorrir sempre, ninguém precisa saber o que se passa dentro de mim. E acho que é assim com Megan também, quando ela falou dessa antiga paixão eu vi dor em seus olhos, mas logo depois ela começou a sorrir e rir de algumas brincadeiras que nosso professor de biologia falava. Ela sofreu com isso, eu sei disso, não a ninguém nesse mundo que saiba mais do que eu como é a dor de uma decepção amorosa. E eu sei que ela esconde bem, apesar de doer, ela sabe tentar superar, assim como eu. — Eu vou comprar um lanche e já volto. – Megan me disse assim que terminou a aula e ficamos juntas conversando durante o intervalo.
— Tudo bem, compra um refrigerante pra mim? – Perguntei entregando-lhe o dinheiro. — Claro. – Ela concordou e logo foi para a cantina enfrentar uma fila enorme que se fazia lá. — Sua amiga? – Uma voz grossa e que me leva a sentir muito ódio disse perto de mim, me recusei a responder, então ele sentou ao meu lado e continuou. – Quem sabe eu possa ter um romance com ela. — Nem pense nisso. – Não consegui ignorar isso. — Por que não? Sou uma boa pessoa. – Ele riu. — O que você quer Victor? — Você. — Isso você nunca mais terá. — Você não entendeu. – Ele riu com aquele riso diabólico atual. – Quero você... morta. — Acho que você já fez isso, não? – Tentei parecer firme nessa frase, apesar de ter sentido um calafrio quando ele terminou de falar. — Já sim, mas se a primeira foi boa, a segunda vai ser melhor ainda. – Ele continuou rindo. — Você é um monstro. – Senti nojo de um dia ter me apaixonado por ele. — Também me chamam de demônio do amor, mas ai você quem sabe. — Eu tenho nojo de você. – Tentei me controlar para não gritar com ele em um local público e as pessoas estranhassem. — Eu também tinha de você, toda apaixonadinha e iludida, era engraçado. — Babaca, imbecil, eu odeio você. – Perdi um pouco a cabeça e comecei a dar tapas nele. Não me importei com as pessoas em nossa volta, ele mexia comigo de uma forma muito intensa, eu nunca fui de perder a cabeça, de bater ou brigar com alguém, muito menos sentir raiva ou ódio, mas eu realmente tinha mudado, e o motivo dessa minha mudança me deixava completamente cega de raiva. — Anna? O que ta acontecendo? – Megan veio em minha direção segurando seu lanche e o meu refrigerante junto. — Você é tão fraca amor. – Victor disse ignorando a presença de Anna perto de nós, e segurando meus pulsos para que eu parasse de bater nele. – Me dá até pena. — Eu vou matar você. – Falei bufando de raiva me debatendo para que ele me soltasse. — Você sabe que não pode – Ele riu e se aproximou lentamente dos meus ouvidos. – Mas eu posso. — Então faça, experimenta essa segunda vez. – Falei convicta de que ele não conseguiria. — Ah eu gosto de diversão, não precisamos ter pressa. – Ele riu novamente e me soltou. Depois rapidamente me deu um beijo na bochecha. – A gente se encontra por ai meu amor. Eu o odeio, eu quero mata-lo, eu quero vingar minha morte, quero que ele sofra muito mais do que eu sofri, e quero mais ainda que ele vá para o inferno após isso. Mas eu não podia mata-lo, droga, isso me desanima completamente, ele não merece permanecer vivo. — O que foi isso? – Megan perguntou aparentemente assustada com o que havia acabado de presenciar. — Lembra que eu disse que já amei muito uma pessoa? – Falei pegando o refrigerante que ela havia comprado para mim. – É ele. — Nossa. – Ela arregalou os olhos, depois sorriu – Ele é gostoso, você só arranja namorados bonitos, inveja. — Não tenha. – Falei tomando um gole do meu refrigerante. – Você viu a cena agora, as aparências enganam, ele é um monstro. — Eu vi sim, você batendo nele e ele segurando seus braços, e vocês discutiram. – Ela sentou ao meu lado. – Se eu ainda brigasse com meu ex, nós ainda estaríamos juntos. — O que? – Perguntei confusa. — O amor da gente desgastou, não teve mais química para ele, mas eu ainda amava muito ele, pra mim não tinha acabado. – Ela falou abaixando a cabeça. – E vocês discutiram de um jeito que pareceu que ainda se amavam, eu queria ter tido uma briga dessas com meu ex-namorado. — Nunca. – Arregalei os olhos. – Não nos amamos, nos odiamos, e não acho que um relacionamento pode ser salvo por uma briga. — Pode sim, quando não há mais assunto, nem dialogo, uma briga poderia ser boa. — Continuo discordando. — Depois da briga há a reconciliação Anna. — Isso é verdade, mas não no meu caso com Victor, nunca, eu odeio ele. Assim encerramos o assunto, e logo em seguida o sinal que avisava o inicio de outra aula tocou, e eu e Megan nos encaminhamos para a sala, para uma aula muito chata de química. Ela estava certa sobre a reconciliação depois da briga, mas isso nunca irei ocorrer com Victor. Pareceu que ainda nos amávamos? Como? Eu queria mata-lo, pareceu sim que nós dois nos mataríamos ali mesmo. E falando nisso, dessa vez não teve nenhum tipo de dor, a não ser a emocional, que é menos pior do que a física, ou não. Mas enfim, dessa vez eu escapei, mas eu tinha certeza que não seria assim, ficar um segundo sozinha com ele poderia ser fatal, e eu terei de tomar muito cuidado, ainda mais agora que ele quer brincar um pouco, talvez fazer um joguinho comigo, pique-pega. Mas mal ele sabe que farei de tudo para impedir, ele não vai conseguir me pegar.
Notas finais
Gente, pequena mudança de planos, estou começando um curso novo então estarei ocupada :/ sendo assim, postarei os cap dia sim dia não.
Mas enfim... o que acharam? Vamos brincar de pique-pega? :3
Mas enfim... o que acharam? Vamos brincar de pique-pega? :3
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