Apesar de não conhecer aquele corpo, muito menos aquele rosto, eu conhecia aquela expressão, eu conhecia aquele olhar, aquele sorriso assustador, eu conhecia aquela alma, sabia que aquele foi o ultimo olhar que eu vi, o ultimo sorriso maléfico que eu vi antes da minha morte, e eu não podia acreditar, talvez eu esteja enganada, mas ele parecia muito com o meu assassino, com o meu primeiro amor, razão do meu ódio agora, era ele, não teria como não ser.

– Victor? – Perguntei aparentemente assustada, mas por dentro eu estava surpresa e com o ódio transbordando.

– Gostou do meu novo corpo amor? – E mais uma vez ele deu aquele riso assustador do meu ultimo dia viva.

– Me solta. – Gritei agora tendo certeza de que ele era realmente o Victor, mas como? O que ele faz aqui?

– Até que você ficou mais linda nesse corpo. – Ele disse agora me soltando e colocando uma de suas mãos no meu rosto acariciando.

– Como pode? – Falei surpresa e ao mesmo tempo espantada enquanto tirava aquela mão imunda dele de cima de mim. – Como pode você estar aqui?

– Não é só você que tem reencarnação sabia? – Ele riu. – Um pacto feito graças ao nosso lindo amor me trouxe de volta.

– Que pacto é esse? – Perguntou lembrando que Ariel mencionou sobre esse pacto, mas não me contou absolutamente nada sobre ele.

– Eu não sei. – Ele fez uma cara de pensativo, parecia realmente não saber, mas a verdade é que eu não acreditava mais em nada que viesse dele. – Não me lembro do pacto, mas sei que teve.

– Eu realmente não acredito em você. – Tentei sorrir para demonstrar que eu não era mais aquela menina ingênua.

– Que pena, mas sabe amor, você se lembra da nossa ultima vez juntos? Lembra da dor que você sentiu? Lembra? – Ele falou apertando mina cintura com muita força, desde quando ele era tão forte? Ou talvez o meu corpo que seja fraco demais, porque isso dói.

– A vez que você me matou? – Falei tentando parecer forte perto dele, mas ele apertava com tanta força que era difícil esconder a dor que eu sentia.

– Essa mesma. – Ele riu, satisfeito em perceber que eu sentia dor. – Talvez a gente devesse repetir aquele dia, a sua morte.

Aquelas palavras entraram queimando em meu ouvido e por fim machucando cada parte do meu corpo. O que ele queria comigo? Por que eu tenho que conviver novamente com ele sendo que ganhei uma nova chance de viver?

Fiquei o encarando, reparando que cada vez mais ele apertava minha cintura, o desejo dele era realmente me machucar, e talvez algo, além disso.

Depois de pensar melhor, imagens vieram em minha mente, e novamente o medo tomou conta de mim, eu não podia ficar nem mais um minuto perto dele. Então resolvi agir antes que seja tarde demais, com um impulso o empurrei para longe de mim, e antes que ele pudesse responder a esse golpe comecei a correr, mas por insatisfação minha ele corria atrás de mim, e é claro que ele corria mais rápido, e logo conseguiu me alcançar.

Rapidamente ele segurou meus braços e me jogou longe com força, o que me fez cair no chão e novamente me machucar, mas não seria essa dorzinha da queda meu pior machucado.

– Você está fugindo de mim meu amor? – Ele disse aparentemente agora com raiva, logo após me levantar do chão e segurar meus braços a sua frente com uma força desnecessária.

– Me larga. – Gritei e tentei lhe acertar alguns tapas enquanto ele segurava meus braços, mas era em vão, estava na cara que ele era muito mais forte que eu.

– Que foi amor? Eu só quero você pertinho de mim. – Ele sorriu debochado.

– Vai pro inferno. – Gritei e em seguida cuspi no rosto dele, o que finalmente fez com que ele me soltasse.

– Olha como fala comigo. – Ele disse agora bufando de raiva, o que resultou em um tapa forte na minha cara, por um instante pensei que tinha virado minha cabeça do avesso. – Desde quando você é abusada?

– Eu não sou mais a mesma. – Falei logo após me recompor desse tapa forte no rosto, apesar de ainda estar doendo bastante, provavelmente estará roxo amanhã.

E eu realmente não era, é claro que eu não imagina que ele estaria aqui nessa reencarnação, mas agora que está percebo que não sinto nada além de ódio por ele.

Eu já imaginava isso durante o tempo que passei presa na escuridão, mas nunca tive tanta certeza como agora. Era como se eu nunca tivesse vivido uma história de amor com ele, se é que vivi mesmo. E acho que para ele é o mesmo, depois de me matar ele continua atormentando a minha vida, me machucando, tentando ao máximo me causar dor. Mas para que? O que ele ganha com isso? Será apenas prazer?

– O que é isso? – Ouço uma voz conhecida falar atrás de mim, enquanto Victor me segurava meu cabelo, e é claro o puxando, no momento eu acho que ele só consegue me causar dor.

– Sai daqui playboy. – Victor respondeu soltando meu cabelo e encarando Nohan.

– Não, eu vim buscar a Anna. – Ele disse aparentemente sem perceber que eu estava assustada e precisa mesmo que alguém me tirasse dali imediatamente.

– Você tem babá agora? – Victor riu, agora referindo-se a mim. – Tudo bem, vou ser bonzinho e deixar você ir, mas fique sabendo que eu volto.

– Você nunca será bonzinho, você é um monstro. – Falei baixo para que Nohan não pudesse nos ouvir.

– Também senti sua falta. – Ele respondeu agora com o rosto próximo ao meu, olhando diretamente para minha boca, por um instante achei que ele me beijaria, mas logo me afastei impedindo que isso acontecesse.

Ele está de volta, minha fixa não caiu totalmente, mas ele voltou. Meu maior amor, minha maior dor, meu melhor sonho e pior pesadelo. Nunca pensei que o veria novamente, e talvez se imaginasse revê-lo, nunca pensaria que seria assim, tinha medo do que eu poderia sentir caso o reencontrasse novamente, mas agora que reencontrei fico feliz de querer mata-lo.

– Quem era aquele cara? – Nohan me perguntou assim que saímos de perto de Victor.

– Ninguém. – Tentei sorrir.

– O que está acontecendo com você? – Ele perguntou me fazendo parar de caminhar e me puxando para que pudesse olhar em seus olhos.

– Como assim? – Perguntei fingindo surpresa com a pergunta dele.

– Você está diferente. – Ele abaixou a cabeça para não me encarar. – Você parece não querer ficar mais comigo.

– É que... eu... – Ta, eu não sabia o que falar, mas eu queria mesmo dizer que não queria ficar com ele, mas com toda essa confusão com Victor, resolvi esperar.

– Me dá uma resposta, por favor. – Agora ele levantou a cabeça para me encarar, eu senti dor em suas palavras e seu olhar era como se, como se realmente precisasse de mim, e esse olhar de certa forma me deixou fascinada, nunca tinha visto um olhar como esse.

– Não é nada Nohan, eu só estou cansada. – Respondi tentando passar tranquilidade para ele.

– Tudo bem então. – Ele tentou sorriu, e se aproximou de mim para um beijo, droga, se eu recuar ele vai perceber que não quero nada com ele.

Então o certo a se fazer foi corresponder ao beijo. Um beijo normal, gostoso mas sem amor, sem nenhum tipo de fogo, e talvez não seja só comigo, Stella também não o amava, ele não perceberia nada nesse beijo.

Mas uma duvida, por que Stella está com ele sem o amar? Será que é como na minha época? As pessoas namoram ou casam por dinheiro?

Acho que não, Stella não precisa de dinheiro, o que ela faz com ele então?

Percebo que essa minha nova vida é cheia de perguntas sem resposta.

[...]

Assim que me livrei do Nohan, fui rapidamente para casa, temendo um novo encontro com Victor, e também buscando alguma explicação para isso, e talvez a ache com Ariel

– Ariel? – Gritei assim que entrei no meu quarto, é até estranho gritar por alguém que não está lá, mas pelo menos ela irá aparecer, eu acho.

– Sim querida? – E ela apareceu, deslumbrante como sempre, exalando uma beleza inconfundível.

– O que Victor faz aqui? Por que ele voltou? Como pode isso? Por que você não me disse? Por quê? – Perguntei demonstrando estar nervosa e até mesmo decepcionada.

– Calma, eu apenas me esqueci de mencionar.

– Esqueceu de mencionar? Claro que esqueceu, era um pequeno detalhe. – Falei irritada com a resposta de Ariel. – Sabia que esse pequeno detalhe só hoje machucou minha cintura, está até com a marca; me jogou no chão e ainda me deu um tapa fortíssimo na cara? Juro que cheguei a pensar que tinha perco a cabeça com aquele tapa.

– Desculpe por não avisar. – Ela disse com uma tranquilidade exagerada na voz, ela não deveria estar tranquila, mas de uma forma estranha a tranquilidade da voz dela me acalmava.

– Você não respondeu minhas perguntas. – Disse agora mais calma.

– Graças ao pacto... – Ela começou antes de eu a interromper.

– Mas que raio de pacto é esse? – Voltei a me exaltar.

– Não posso falar. – Ela repetiu o que havia me dito ontem. – Mas ele voltou, ele ficou 30 anos afastado como você.

– Por que se ele não morreu?

– O pacto feito foi poderoso demais. – Ela me respondeu, e eu já estava cansada de ouvir sobre esse maldito pacto.

– E ele não poderia ter entrado em um corpo longe de mim?

– O pacto foi feito sobre vocês, ele vai estar com você sempre, a menos que...

– Que o que?

– Você tem que tomar cuidado com ele, ele é perigoso e não está aqui para brincar.

– Jura? – Falei debochando.

– O único modo de quebrar o pacto é você morrendo, se você morrer ele será imortal, e será conhecido como o demônio da terra.

– Então ele está aqui para me matar? Por que será que não estou surpresa com isso? – Suspirei, cansada só em imaginar mais uma morte causada por Victor.

– Sim, você não pode deixar isso acontecer.

– E se não acontecer? Ele não é imortal?

– Não, por isso é complicado, a única coisa capaz de mata-lo é o amor de vocês, isso fará o pacto quebrar, e de uma forma isso é algo bom, o final seria maravilhoso.

– Você está de brincadeira né? Que amor? Eu não amo ele. – Falei gritando com toda certeza do mundo. – Não mais.

– Por isso é complicado, esse pacto é um dos mais espertos, você não tem muitas chances além de fugir.

– Não posso mata-lo normalmente?

– Você pertence à luz Anna, porque você é boa, se mata-lo você ficará para sempre na escuridão.

– Detestei isso, não sei onde está a minha segunda chance nisso tudo. – Falei me jogando na cama de costas para Ariel, claramente revoltada com toda essa situação.

– Você saberá se virar bem querida. – Ela disse sorrindo.

– Saberei? – Perguntei, mas foi em vão, Ariel já tinha ido embora, não sei para que raio de lugar ela foi, mas espero que resolva alguma coisa na minha nova vida.

Só de pensar que a minha segunda chance de viva é isso já me dá vontade de morrer de novo, mas não darei esse gostinho a Victor, de uma forma ele terá que pagar pelo que fez comigo, e ele pagará não tendo a sua imortalidade.

Fugir, fugir e fugir, minha nova vida é baseada apenas nisso, e como se foge de alguém que está sempre perto de você?

Não sei, mas algo me diz que eu ainda irei me machucar e sofrer muito nesse novo corpo. Só gostaria de saber que droga de pacto foi esse? Que de certa forma nunca será quebrado porque eu nunca amarei Victor novamente, é impossível.

Calculando assim, minhas opções são morrer e deixar que ele seja imortal, ou viver os anos que tenho como Stella e fugir dele.

Certamente, eu fico com a segunda opção.

Novo corpo de Victor:

http://img22.imageshack.us/img22/74/victorandretto.jpg

Notas finais
Gente amanhã não poderei postar o cap porque minha vida está meio corrida, voltando pra academia rs
Mas enfim... ele voltou, e voltou com tudo, sorte que Nohan salvou a Anne ^^
O que acharam? haha