O Amor É Cego - Brittana
18 Hospital
Notas iniciais
– Mas que merda aconteceu com você?
O corpo de Santana amoleceu, e ela repousou a testa contra o ombro de Brittany. A loura a ergueu sem muita dificuldade e a carregou até o sofá, deitando o corpo magro da latina. Santana soltou um gemido de dor ao sentir sua cabeça tocando a almofada, apavorando Brittany ainda mais. Ela respirou fundo e afastou os cabelos encharcados da testa de Santana, tentando ter uma visão melhor do seu machucado. Para ela, parecia horrível.
– O que é que você estava pensando? – Brittany repreendeu. – Fique aqui, eu vou buscar uma toalha pra você e depois eu te levo no hospital. – ela levantou, mas Santana agarrou seu pulso. – O quê?
– Senta aqui comigo. – ela pediu baixinho, puxando a loira para mais perto. Brittany suspirou, mas sentou ao lado da latina. – Britt, eu achei que fosse você.
– Depois nós –
– Não, B. Agora. – Santana cortou. – Britt, você sabe que eu amo você. E-eu não sabia que era outra pessoa.
– Santana, depois. – Brittany repetiu.
– Eu amo você. – Santana reafirmou, ignorando o tom irritado da loira. – Eu amo muito você. Me perdoa, Britt-Britt. E-eu nunca quis fazer isso. E-eu achei que fosse você. – Brittany suspirou pesadamente. – Não é minha culpa ter nascido cega, Britt. E-eu não tinha como adivinhar que não era você.
– Eu não quero conversar agora, Santana. – Brittany disse rispidamente. – Fique quieta. Eu vou buscar uma toalha. E depois, nós vamos para o hospital.
– Eu não quero. – a morena resmungou, mas Brittany não estava lá para ouvir. Momentos depois, ela voltou para a sala, envolvendo Santana em uma toalha. A latina estendeu um braço, puxando Brittany para um abraço desajeitado, encostando o nariz no da loira. Brittany tentou se afastar, mas Santana apertou o abraço pelo corpo esguio de Brittany. – Britt, não briga comigo. – Santana pediu, roçando os lábios no pescoço da loira. – Eu te amo tanto.
– Santana, a sua testa. – Brittany murmurou, tentando se afastar da morena. – Vai ter que levar pontos.
– Diz que você me ama, Britt-Britt. – Santana pediu, abraçando a loira o mais forte que podia, apesar de parecer estar sem forças. – Por favor, diz. Não fica assim comigo. – Ela começou a distribuir beijos suaves na pele pálida. – Eu odeio brigar com você.
– Eu amo você. – a loira murmurou relutantemente. – Mas não quer dizer que nós estamos bem. Vem; eu vou te levar para o hospital.
Santana assentiu, e se arrependeu instantaneamente de ter mexido a cabeça. Brittany a ergueu do sofá, cuidando para não bater na cabeça ensanguentada de Santana. A morena abraçou o pescoço longo da loira, recostando a bochecha no peito de Brittany. Elas desceram até o carro da loira, que dirigiu apressadamente para o hospital, apesar da chuva.
– Como você conseguiu fazer isso? – Brittany perguntou, encostando os dedos gelados na cabeça da latina. – Você caiu?
– Eu bati em uma árvore, eu acho. – Santana murmurou, apertando os olhos. – Meus óculos quebraram. – Ela passou o dedo ao redor dos olhos, soltando um gemido de dor ao encontrar um corte. – Cadê o meu cachorro?
– No meu apartamento. – Brittany avisou. – San, encosta a cabeça no banco.
– Mas dói. – ela choramingou.
– Eu sei, mas a gente já tá chegando. E você tá perdendo muito sangue. – ela empurrou o ombro da latina fracamente contra o assento do carro. – Fica acordada.
– Mas eu não quero. – Santana resmungou. – Você não quer a minha companhia, eu não quero ficar acordada. Que diferença faz?
– Eu quero a sua companhia, Santana. – Brittany afirmou. – Chegamos. Não durma. – Santana resmungou alguma coisa, enquanto Brittany corria para a porta do passageiro e ajudava a latina a sair do carro, carregando-a para a recepção do hospital. Uma enfermeira pediu para deitá-la na maca, enquanto um médico era chamado. – Eu não posso entrar com você, San. Mas eu vou te esperar aqui, tudo bem?
– Eu amo você. – Santana murmurou, esticando a mão e procurando o rosto da loira. – Amo mesmo, Britt-Britt.
– Eu volto depois, Santana. – Brittany disse, apertando a mão da morena. Ela apertou os lábios finos, e em um rápido movimento, inclinou-se e beijou o nariz da morena. – Eu também amo você.
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– Senhorita Pierce? – Um rapaz alto, e com ar desengonçado se aproximou da loira. – Você já pode visitar a senhorita Lopez.
– Onde ela está? – Brittany perguntou, levantando da cadeira em um salto. Ela havia acabado de falar com Quinn, que estava a caminho do hospital. – Está tudo bem? Quando ela pode ir para casa?
– Hoje mesmo. Só vai ter que ficar mais uma hora em observação, por via das dúvidas. – Ele respondeu com um sorriso. – Ela está no quarto 689.
Brittany assentiu, correndo para os elevadores. Ela não tardou a achar o quarto de Santana, mas teve que parar um minuto para se recompor antes de entrar. Só então, abriu a porta lentamente, entrando no quarto sem fazer barulho. Santana estava deitada, com pontos na testa e uma faixa cobrindo os olhos. Brittany se aproximou silenciosamente, inclinando o rosto para plantar um beijo na bochecha da morena.
– Britt? – Santana chamou, estendendo a mão.
– Oi, San. – ela sorriu fracamente. – Como você está?
– Melhor. – Santana respondeu, mexendo-se desconfortavelmente na cama. – Britt… eu não quis –
– Eu sei. – Brittany interrompeu. – Eu acredito em você, Santana.
– Então vem cá. – a morena abriu os braços. Brittany sorriu, envolvendo Santana em um abraço desajeitado. Ela inclinou o rosto, tocando os lábios da latina delicadamente. – Estamos bem?
– Estamos. – Brittany riu. – Sempre estamos.
– EU VOU ENTRAR SIM! – Uma voz esganiçada grasnou no corredor. Santana revirou os olhos, ouvindo um objeto batendo repetidamente contra uma pessoa. – Por que não me faz o favor de sair da minha frente? Eu sou vizinha dela! E de porta!
– Senhora –
– Ah, cale a boca! – Quinn mandou. – Ei Lopez, diz pra esse dai que você me conhece.
– Quinn, pelo amor de díos, quer parar de fazer barraco no meio do hospital? – Santana repreendeu. Quinn bateu com a bolsa no segurança mais uma vez, forçando o homem a recuar. – Quinn, quer parar?
– Viu? Ela me conhece. – Quinn disse com um sorriso vitorioso. – Pode ir, eu não vou sair daqui. – o segurança resmungou, mas saiu do quarto. – Que merda você fez, Lopez? Você queria morrer? E ai, eu vou passar fome por sua causa? Eu e a Beth!
– Quinn, cale a boca. – Santana reclamou. – Eu bati a cabeça. A Britt já cuidou disso. Eu só quero ir pra casa agora.
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– Sono? – Brittany perguntou, afagando os cabelos escuros.
– Um pouco. – Santana murmurou. – Pelo menos eu ganhei um atestado para amanhã.
– Eu vou cuidar de você. – Brittany assegurou. – Já falei com o Mike.
– Não precisa, B.
– Precisa sim. – Brittany afirmou. – E nunca mais faça isso.
– O quê? – Santana franziu a testa.
– Sair correndo embaixo da chuva. – Brittany explicou. – Você podia ter se machucado, Santana. Prometa que foi a última vez.
– Tudo bem. – Santana suspirou, aconchegando-se no peito de Brittany. – Diz de novo. – Brittany sorriu, apertando a latina contra o seu peito.
– Eu amo você, Santana Lopez. Mesmo que você seja uma idiota às vezes.
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