O Amigo Do Meu Pai

43 O que você está esperando para ir falar com ele?


Notas iniciais
Mil desculpas pessoal pela demora, mas vocês já sabem, não? Eu falo sério quando digo que tentei várias vezes postar, mas sempre acabava tendo de interromper o processo ao meio. Em todas as minhas fics, não só nesta. Meus leitores devem estar bem bravos, mas eu juro que meu tempo e minha cabeça estão bem zoneados. Enfim, o legal, bacana, importante, é que eu estou postando de novo e prometo tentar recompensa-los. Fiquei meio decepcionada por não ter tantas respostas ao capítulo anterior como achava que teria, mas tudo bem, seguiremos em frente pararemos de lamentações porque eu própria não tenho muita paciência para elas. Esse capítulo eu arrimei-o na pressa, então qualquer erro, mil perdões. Como dizem, a pressa é inimiga da perfeição, assim como o sono que está abatendo-me. Enjoy

Passeava pelas ruas de Boston tentando arranjar algo para me distrair. Era de manhã, por volta das dez, e parecia até que as compras, um de meus “hobbies” favoritos, não estava conseguindo levantar meu animo. Estava tão cansada, mas não fisicamente. Nos últimos meses eu tenho sofrido uma carga emocional maior até do que acho que posso suportar. Num dia estou bem, sorrindo e me divertindo, e no dia seguinte estou correndo, chorando e tentando fugir de minhas dores. É assim ultimamente. Um dia é um prazo grande demais para meu estado emocional permanecer o mesmo.

E brigar com Sam definitivamente não fora uma boa experiência. Dormira mal à noite, além de ter vomitado tudo que Michael me persuadiu a beber durante o show. Até tentara voltar a dormir após, mas sem sucesso. Resolvi então me arrumar e sair para a rua. Eu estava deplorável, diga-se de passagem. Olheiras fundas escondidas por óculos escuros, rosto limpo de qualquer tipo de maquiagem, cabelo preso num coque alto, suéter largo com uma frase que me definia, tênis e jeans surrada.

(http://www.polyvore.com/cgi/set?id=90910084&.locale=pt-br).

Assim que saí do hotel comprei um café e comecei a perambular pelas ruas. Isso fora a duas horas atrás, há dois cafés atrás. Ou seja, ainda não encontrara meu proposito, seja lá o que for, e ainda estou engordando com isto.

Estava passando na frente de uma vitrine de maquiagens, pensando seriamente em entrar na loja, quando meu celular vibrou no bolso. Confesso ter ficado esperançosa para ser Sam do outro lado da linha, mas bastou pega-lo em mãos e ler o nome na tela para saber que não.

–Alô – Atendi meio sem animo.

–Meu Deus, quem morreu desta vez? – Lana perguntou saudosista como sempre, inconfundivelmente em português.

–Meu animo – Confessei saindo de frente da vitrine.

–O plano não deu certo? – Ela perguntou interessada.

–Deu, mas... – Suspirei, coçando a cabeça – Briguei com Sam.

–Brigou com o gato? – Ela riu, à sua maneira de consolar-me.

Esbocei um sorriso, contente por falar com ela. Lana sempre me animava, à contragosto ou não.

–Mas então, conte-me os detalhes da briga com o namoradinho – Ela pediu curiosa.

–Ele não é meu namorado, Lana – Desmenti-a, revirando os olhos.

–Ainda, porque eu sei bem que você tem um uma queda por ele. E ele, se for homem de verdade, deve ter sua parcela de excitação com a sua figura.

–Lana Ruschel, estou começando a duvidar de sua sexualidade – Comentei divertida enquanto observava uma vitrine de roupas e tomava um gole de meu café, já à esfriar.

–Não, obrigada, ainda estou muita bem na do Vitor.

Ri pelo nariz, voltando a andar pelas ruas consideravelmente tranquilas.

–Mas então, falando sério – Ela tomou um tom amis sério – O que rolou entre você e Sam?

–Bem, basicamente, meu pai estava furioso e jogou Sam contra mim – Contei apertando ligeiramente o copo de café.

–Como? – Ela perguntou interessada.

Contei a ela o mal entendido que houvera com Sam; minha furiosa incontida e fuga que acarretara no encontro acidental com Chris, que me disse atrocidades e botara até Sam no meio; a minha crise de choro e raiva amparada por Sam; a minha conclusão de que entendera a situação que acarretara em tudo erroneamente e a minha omissão de fatos a Sam quando lhe contei sobre a briga com Chris.

–Meu Deus do Céu! – Lana disse pausadamente ao fim de meu discurso, incrédula provavelmente.

–Pra você ver como meu dia de ontem e anteontem foram maravilhosos – Comentei sarcástica, tomando o último gole de café e jogando o copo numa lixeira.

–Ana, seu pai é desumano! – Lana indignou-se – Como ele pode dizer tudo aquilo a você? E você... Você é burra! Por que diabos você não disse nada a Sam? – Ela revoltou-se contra mim.

–Sabe Lana, ombro amigo a distancia iria cair tão bem agora! – Comentei trocando o celular de orelha.

–Só quando as pessoas merecem e você, neste momento, não está merecendo nem um pouco – Ela foi categórica e firme.

–Bom saber...

–Tá, me conta sobre como foi o plano. Pelo que você disse deu certo, mas quero saber de tudo. Vai ver com você me contanto, eu me acalmo – Ela comentou irritada.

Contei-lhe então tudo sobre a noite passada. Até mesmo os momentos embaraçantes com Sam. Ela riu nessas partes, deixando seus comentários maliciosos evidenciarem que seu bom humor comigo estava de volta.

–Bem, então Sam descobriu tudo e ficou, no bom português, puto com você e cortou relações por agora? – ela perguntou, concluindo ao fim.

–Sim – Confirmei.

–Mas, em compensação, você conseguiu convencer o seu pai, que a proposito não te merece, mas fazer o quê, a fazer o teste de DNA de novo?

–Sim.

–Você é burra, Anastácia Cooper. Extremamente burra – Ela comentou, boa amiga como sempre.

–Lana Ruschel, você é uma péssima amiga – Comentei atravessando a rua.

–Não, eu sou ótima, somente você que não enxerga – Ela comentou narcisista – Mas, sejamos sinceras, qual é o seu problema?

–Qual o seu problema? – Perguntei enfaticamente – Você esperava que eu fizesse o que? Largasse tudo com meu pai e corresse atrás de Sam, perdendo a oportunidade que demorei a construir? – Perguntei cansada, recebendo olhares das pessoas que passavam por mim.

Não sabia se me olhavam por reconhecerem-me ou por ser uma garota falando em outro idioma no meio da rua.

–Exatamente isso! – Ela concordou – Por favor, Ana! Eu sei que seu sonho é ter uma vida com um pai presente, mas encare a realidade: ele não te quer! Não quero ser má, mas é a verdade. E quando esse exame sair e der positivo, você também vai engolir e esquecer tudo que ele te disse? Sam, a única pessoa aí que te deu apoio desse o começo ao fim, você deixa ir por alguém que só te fez chorar? Ele pode ter a porcaria de laço de sangue que for, mas amor duvido muito. Coisa que o Sam, com certeza, demostrou ter por você. Seja lá de que forma.

Respirei fundo, parando a frente de uma vitrine e fechando os olhos momentaneamente. Ela estava certa, mas... Eu não poderia ter virado as costas a Chris naquela hora. E, de qualquer modo, algo dentro de mim dizia que caso tivesse feito isso, seria uma dor dupla: por ter desistido do plano e por não ter me reconciliado com Sam, pois apostava todas que ele não iria me ouvir.

–O que eu faço agora, Lana? – Perguntei ao fim, reabrindo os olhos.

–Ergue a cabeça e corre atrás, oras! Ou vai deixa-lo ficar puto o resto do ano contigo?

–Não seria o resto da vida? – Corrigi-a.

–Não, nem ele nem você aguentariam tanto tempo!

Ri fracamente, concordando com a cabeça. Lana também riu, ficando ambas rindo ao telefone.

–Mas então, o que você está esperando para ir falar com ele? – Lana perguntou após pararmos de rir e a linha ficar em silencio.

–Um bom plano – Admiti voltando a andar.

–Eu tenho um ótimo: vá até ele e seja direta, pedindo desculpas e tudo mais – Ela aconselhou-me simples – É fácil, rápido e, se você for com uma roupa provocante, tem seus benefícios além da reconciliação da amizade.

–Será que você consegue ficar u dia sem maliciar algo? – perguntei rindo.

–Ana, seu presente de Natal meu será um óculos, porque você é a única que não enxerga a química entre vocês! – Ela brincou, fazendo-me rir por mais idiota que fosse – Ah, e acho que darei também um a Sam, porque na sua relação...

–Que não existe – Afirmei.

–... Ambos são cegos – Ela completou, ignorando minha interrupção.

–Esperarei ansiosamente o Natal... – Ironizei.

–E eu por sua ligação contando que tudo deu certo.

–Você será a primeira para qual ligarei – Afirmei.

–Eu sou a única que você pode ligar – Ela comentou brava.

Ri e ela acabou rindo também. Despedimo-nos e desliguei a ligação, abaixando o celular com um sorriso abobado nos lábios. Falar com Lana era bom. Ela animava-me. Guardei o celular de volta no bolso e cruzei os braços, olhando em volta. Prédios, caros, lojas, pessoas, buzinas, fumaça, cheiro de asfalto. Boston era tudo isso. Mas eu curtia. Cidades sempre me fascinaram e às vezes me perguntava como algumas pessoas poderiam se sentir sozinhas com um mundo inteiro do lado de fora de suas portas.

Olhei a vitrine ao meu lado e uma roupa chamou-me a atenção. Sorri ligeiramente, entrando na loja e aflorando ideias em minha mente para a reconciliação com Sam.

POV Sam

Estava no meu quarto de hotel, trocando-me, quando o meu celular tocou em ciam da cama. Acabara de sair do banho depois de um dia resolvendo alguns problemas com a banda. Eu e Chris não nos olhamos na cara. Esperei o dia inteiro que meu celular tocasse e mostrasse no visor o nome de Anne, mas isso não aconteceu. O que até é bom, porque ainda estava puto da vida com ela.

–Alô – Atendi, botando o celular entre o ouvido e o ombro enquanto botava as calças, sem ao menos olhar o nome no visor.

–Fala irmãozinho – Michael saudou-me animado do outro lado.

–Eu cansei de te explicar que o mais velho sou eu – Admiti fechando o zíper.

–Bem, e eu cansei de te dizer um monte de coisas também – Ele comentou – Tipo, como você tem uma amiga gata que eu sei que é louca pra te pegar, assim como você é por ela, e mesmo assim vocês não tem uma amizade colorida ainda...

–Eu desisto de você, Michael – Confessei, sentando na cama para botar o sapato.

–Bem, irmão, eu ainda sou “Sanne”... Ou sei lá qual seja o apelido que deram para vocês dois juntos.

–Meu Deus, as pessoas realmente pensam que eu tenho algo com ela? – Perguntei incrédulo, calçando a bota.

–Vocês têm, só ambos que não enxergam – Ele comentou com seu humor de sempre.

–Michael, eu acho que você deveria procurar um neurologista, porque o tento de namoradas que você já teve, afetaram seu cérebro – Comentei calçando o par – Você estava lá ontem a noite e sabe que Anne é a minha pessoa menos preferida no momento.

–Irmão, raiva é bom. Mas vai com calma, sua alma gêmea pode escapar.

–Assim como você deixou as últimas duzentas suas irem embora? – Perguntei arrumando meu cabelo no espelho.

–Amigo, amor assim, nem eu descobri – Michael tentou ser profundo, soando mais engraçado.

–Michael, se você me ligou para atormentar-me, você desperdiçou o meu e o seu tempo... – comentei pegando o cartão do quarto e a mina carteira.

–Na verdade, eu liguei porque te acho muito estressado ultimamente e vou te convidar para um passeio...

–Um bordel... – Comentei botando as coisas no bolso e o relógio no pulso.

–Não cairia mal, mas não é nada disso...

–Meu Deus, essa deve ser a primeira vez que ouço meu irmão tarado me convidar para algo que não envolva sexo...! – Ironizei, saindo do quarto e fechando-o automaticamente.

–Definitivamente brigar com a mulher amada não faz bem...

–Definitivamente eu tenho um idiota como irmão... – Imitei-o, pegando o elevador.

A ligação começou a falhar, porém não caiu.

–Mas então, voltando ao tema principal: topa uma visita ao Skywalk Observatory? – Michael perguntou, sua voz soando mais clara após o elevador chegar ao térreo e eu sair ao saguão.

–Aonde? – Perguntei cruzando o saguão sobre olhares de várias mulheres.

–Um observatório aí que tem na cidade – Ele explicou indiferente.

–E por que você me levaria nisso? Primeiro, por que você iria num lugar desses? – Perguntei estranhando.

Michael não era do tipo de pessoa que tinha muita paciência para essas coisas.

–Porque eu conhecia uma garota e ela indicou esse lugar e eu não poderia dizer não – Ele explicou.

–E o que eu tenho ver com isso? – Perguntei saindo a rua.

–Nada, além do fato dela ser louca pela Contarvi...

–Espera, você não estava namorando uma enfermeira? Susan? – Perguntei confuso.

–A Susan? Não, a gente terminou há um tempo... – Ele negou normalmente.

–E depois eu ganho a fama de galinha...

–Você é famoso, eu não. Aguente as consequências.

Revirei os olhos, olhando para meu relógio de pulso. Eram sete e meia da noite, logo escureceria.

–Mas e aí, mano, vai me ajudar com a gata? – Ele pressionou-me.

–Tá. Onde fica esse observatório? – Bufei, concordando com a ideia dele.

–Eu sabia que você iria ajudar seu irmão mais novo! – Ele comentou vitorioso.

–Michael, se você não disser onde fica isso logo, eu dou meia volta e vou procurar coisa melhor pra fazer... – Comentei irritado.

Ele passou-me o endereço do local e avisei-lhe que estaria lá em dez minutos. Peguei um táxi e indiquei o local. O taxista assentiu e botou o pé na tabua. Durante o percurso, uma música da banda começou a tocar no rádio. Porém, essa fora a primeira vez que me irritei com uma própria música minha. Anne vivia tagarelando que amava essa música, inclusive vivia cantarolando-a e fazendo-me rir de como corava após ser flagrada. Grunhi baixo, irritado, e peguei o celular, entrando rapidamente nas redes sócias.

O táxi parou a frente de um prédio logo depois, com o motorista anunciando termos chegado. Paguei-lhe, agradecendo e saltando do taxi enquanto guardava o celular no bolso. O prédio era enorme e admirei-o um pouco antes de entrar. Uma fila e aglomeração perto dos elevadores indicava muito bem o que eu deveria fazer. Segui para o hall dos elevadores e consegui entrar em um antes que o mesmo fechasse. Estava lotado e notei que muitas das mulheres sorriram abobadas, ou cutucaram suas amigas, ao ver-me entrar. Torcia internamente para não pedirem-me fotos ou autógrafos, pois aquele realmente era um dia ruim. Não precisei torcer tanto, pois logo o elevador parava no terraço e eu e o restante desembarcávamos, distanciando-se todos.

Olhei em volta em procura de Michael, porém não achei ninguém parecido. Peguei meu celular, para saber onde ele se enfiara, quando notei estar sem sinal. Xinguei baixo, irritado por ele ir, provavelmente, a algum banheiro transar com a garota e me deixar aqui plantado. Olhei irritado ao redor, tentando não tacar o meu próprio celular terraço a baixo, quando algo chamou minha atenção. Uma silhueta bastante conhecida estava parada de costas a mim, admirando a vista da cidade. Os cabelos, as roupas, a cintura, a bunda... Molhei os lábios, irritado, ao ter certeza do que estava acontecendo ali.

Andei em direção a ela, apertando forte o aparelho em minhas mãos. Forte o suficiente para tentar quebra-lo. Parei ao seu lado, apoiando-me ao parapeito assim como ela fazia. Não a olhei, assim como ela não fez o mesmo.

–Isso é mais uma ideia mirabolante sua, não é? – Questionei com um sorrisinho sarcástico nos lábios.

Ela abriu um sorriso, confirmando coma cabeça sem desafixar os olhos da cidade abaixo.

Notas finais
E aí? Cortei na melhor parte? Reconciliação? Não reconciliação? Notei que muitos não gostaram do Sam "não bonzinho" com a Anne. Mas, como a autora aqui é má e do contra, eu curti e muito esse lado dele. Então, caso não tenham gostado, rezem para ele ser contido logo. hahahaha Logo postarei a continuação. Falando sério, tentarei de verdade. Xoxo e comentem e deixem de ser fantasmas alguns aqui!