O Amigo Do Meu Pai
37 Nocauteada... Outra vez
Notas iniciais
A porta se abriu e meu sorrido foi murchando. A pessoa que abrira a porta era uma garota que aparentava ter um pouco mais velha que a mim, talvez uns vinte seis anos. Ela era loira, estilo praia, com uma pele bronzeada na medida. Olhos castanhos escuros e algumas sardas completavam suas características mais marcantes. Ela vestia uma regata preta de alcinhas bem colada, lembrando aquelas de academia, e isso só evidenciava mais sua cintura fina e sua barriga chapada. Ela vestia também uma calça jeans e um salto alto preto. Seus cabelos estavam soltos e davam a impressão que ela acabara de sair da praia por sua textura e cor. Ela usava um gloss incolor e tinha somente lápis de olho para compor o resto da "maquiagem". Ela era divina, sem duvidas. Ela parecia ser modelo, pois era alta e tinha cara de ser. Olhando-a agora, tão simples e bonita, sentia-me artificial, já que com tão pouco ela estava arrasando quarteirões.
–Com que posso ajudar? – Perguntou ela sorrindo doce.
–Ah... Esse quarto é o de Sam Carter? – Perguntei tentando também para ser simpática.
Ela parecia ser legal, não devia descontar minha raiva sentia e que substituía a surpresa inicial, nela. Afinal, pode ser um mal entendido, como foi da outra vez, não?
–Sim, é dele – Ela confirmou sorridente.
–Eu poderia vê-lo? – Perguntei tentando controlar uma raiva que desembocara de vez em mim.
–Ah, ele está ocupado agora...! Mas eu posso avisa-lo que você está aqui e você pode entrar para espera-lo sair do telefone – Ela sugeriu sorridente, batendo logo em seguida na testa – Mas, ah meu Deus, eu esqueci-me de perguntar seu nome... Quem mesmo deseja falar com ele? – Ela voltou a olhar-me com seu sorriso simpático.
Tentei respirar e não descontar minha raiva nela. Ela parecia ser legal, e ela não era o estúpido do Carter para eu descartar minha raiva... Mas era tanta a vontade de explodir com ela também! Eu tento ser uma amiga legal, venho de Nova York até Boston só para vê-lo e ele retribui chamando uma "amiga" para chupa-lo, já que prostituta ela não parece ser. Ou será que agora as prostitutas passaram a se vestir-se decentemente e serem simples, mais ainda assim bonitas, e eu que não sei?
–Ahhh... Ninguém! – Respondia sorrindo, mas mais para afetada do que simpática – Eu sou uma velha conhecida dele e estava por perto quando descobri que ele também estava hospedado aqui. Mas se ele está ocupado, eu volto outra hora sem problemas! – Respondi já dando as costas à mulher e me retirando.
–Espere! — Pedia a loira na porta do quarto, tentando me chamar de volta, porém nem passava por minha cabeça atender seus pedidos.
Andei quase correndo até os elevadores. A minha sorte foi que havia um parado no meu andar e eu entrei neste, apertando logo e diversas vezes o térreo. Eu só respirei aliviada quando o elevador começou a descer. Eu não estava prestes a desabar em lágrimas, muito menos estava assustada. Eu estava mais para assassina raivosa. Aquele Carter...! Eu devia saber que minha ideia iria acabar em confusão e problema para meu lado... Ciúmes? De jeito nenhum! Eu estava com raiva pelo dinheiro e tempo que ele me custara para essa surpresa fracassada. Saí como uma bala do elevador quando este parou no térreo, e de tanta a minha agitação, acabei trombando com alguém no meio do saguão, em direção a porta de saída.
–Me perdoe eu não queria... – Ia desculpando-me de cabeça baixa, até que levantei-a e vi com quem trombara.
Empalideci e estaquei. Trombara com Chris. Ele olhava-me severo e frio, e não mexera um musculo desde que acabei esbarrando nele. Sua expressão dava a entender que ele estava até com nojo te eu tê-lo tocado. Eu e ele ficamos nos encarando, sem falar nada, uma vez que eu não sabia o que dizer e ele não tinha prazer em dirigir-me a palavra.
O empasse só foi resolvido quando ele abaixou a cabeça e saiu com as mãos nos bolsos. Ele não saiu "derrotado", e sim, "com classe". Sua atitude “acordou-me” e virei em sua direção, chamando-o baixo para que ele, e somente ele, pudesse escutar-me:
–Chris...
Ele ouviu-me e parou. Sua giro em minha direção foi lento e perigoso, diria. Sua face tinha uma expressão dura e fria, e seus olhos lembravam pedras de tão duros e sem vida que se encontravam. Ele não disse nada, esperou eu me manifestar Eu abri a boca para dizer algo e não saiu nada, fazendo-me notar que eu não sabia ao certo o que dizer. Ele comprimiu os lábios e voltou a se virar lentamente e caminhar em direção aos elevadores. Eu voltei a chama-lo, no mesmo tom, e ele voltou a virar-se a mim, porém dessa vez mais irritado e rude.
–O que você quer? – Ele perguntou grosso.
–Eu queria apenas conversar... – Confessei tímida.
–Conversar? – Ele repetiu irônico, levantando uma sobrancelha e rindo no mesmo tom — Não temos nada a tratar!
–Temos sim e você sabe... – Desmenti-o, um pouco mais firme e confiante.
–Não, tudo que temos que tratar agora é de ficar bem longe um do outro. Você tem um prazo, e somente ao final dele eu tenho a obrigação de te ver. Até lá, qualquer distancia de você será melhor – Ele disse irritadiço, com rancor.
–Chris, por favor, vamos conversar... – Pedi já não mais tão confiante.
–Sem "por favores" Anne – Ele pediu rude fazendo aspas no ar – Já não basta tudo que você fez? Eu te dei o prazo para você se acostumar com o que virá pela frente, da reação de todos, porque eu realmente não acredito em você e no que você poderá apresentar a mim para convencer-me da historinha fiada que você vendeu muito bem. Então, por que ao invés de você ficar vindo até mim com seus pedidos que não convencem, não vai desfrutar seus, ainda, dias como minha filha?
Eu não tive reação. Só sabia que do nada ficara difícil respira, meus olhos começavam a arder, meu nariz fungava, meu coração pulava descompassado pedindo por oxigênio e algo grande e incômodo se prendera em minha garganta. Algo que eu não conseguia expelir para fora, porém não poderia engolir.
–Enquanto a Sam – Ele voltou ase dirigir a mim – Espero que ele se de conta de quem você é. Porque sinceramente, ele não merecesse ser enganado por você como eu fui... – Ele suspirou, passando as mãos nos cabelos – O pior é que desconfio a um bom tempo que ele não te vê como uma simples amiga. Isso é uma pena, porque ambos sabemos que ele pode ter a garota que quiser, no instante que quiser... Mas ele, pelo visto, quis ter justo a errada. Espero então que você não parta o coração dele, porque eu o tenho como um irmão. E irmãos protegem uns aos outros. Principalmente os mais velhos... Principalmente de pessoas como você.
Dando essa última cartada, ele virou-se e desapareceu dentro de um dos elevadores. Eu fiquei ali parada, com o choro entalado na garganta. Todos ao redor prestavam atenção em nossa conversa, olhando-me de diversas maneiras. Uns olhavam-me com pena, outros com nojo, e outros só se divertiam com a boa confusão que acabaram de presenciar.
Eu tentava respirar fundo, segurar as lágrimas e não sucumbir na frente de todos, mas ser forte não estava em meu alcance naquele momento. Eu mal pisquei os olhos e duas grossas lágrimas escorreram de cada olho pelas minhas bochechas.
Era isso, Anne Cooper fora nocauteada. Outra vez.
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