O Amigo Do Meu Pai
11 Devendo explicações
Notas iniciais
P.S Dedico esse capitulo á The Vitoncios, pela primeira recomendação da fic, que eu adorei.
Eu gelei subitamente assim que ele disse “filha”. Deus, ele ouvira! Eu não acreditava que ele descobrira dessa maneira! Eu só paralisei enquanto todos, inclusive Sam, me olhavam. Eu não sabia o que falar. O que também você falaria á seu pai, quando este não sabia que era seu pai e descobrisse da pior maneira, sem contar o olhar penetrante e até irônico que ele te lançava?
-Então, Anastácia, estamos todos esperando — Disse meu pai, impaciente – E você Sam? Pelo que ouvi você também esta á pá de tudo! Disse ele se virando á Sam.
-Então você ouviu a nossa conversa? Afirmou mais do que perguntou Sam.
-Sim, ouvi. O celular de Anastácia começou a tocar e eu foi leva-lo á ela, mas foi só sair no corredor para ouvir a discussão dos dois.
Eu continuava parada, sem reação. Todos voltaram a me encarar, fazendo-me ficar mais nervosa ainda. Senti minhas mãos suarem, minha boca secar, meu corpo tremer e de súbito, uma onda gelada percorreu-me toda. Senti minha pressão baixando aos poucos, enquanto me pai voltava-me a pressionar.
-Anastácia, quero uma resposta!
-Pare de pressiona-la Chris! Pedi Sam olhando para meu pai – Anne! Ele chamou-me reparando em meu mal-estar.
Eu, na hora, cai e fui agarrada por Sam, antes de apagar de vez....
Acordei um pouco confusa, deitada em algo estofado e com vozes bem baixas ao meu redor. Eu abri meus olhos lentamente e notei que estava deitada no sofá do camarim, com os meninos todos em minha volta. Eles pararam de cochichar assim que notaram que eu acordara.
-Esta se sentindo bem Anne? Perguntou-me Sam, agachado ao meu lado no sofá.
Balancei afirmativamente a cabeça e olhei em volta, procurando por meio pai. Ele não estava ao meu redor, como todos os outros, mas sim em um canto mais afastado, olhando-me com um misto de preocupação e seriedade. Eu me levantei aos poucos, mesmo com os protestos dos garotos, até ficar sentada com as pernas esticadas em cima do sofá. Eu olhava para meu pai, e este me olhava. Ele entendeu, depois de um tempo, que queria que ele se aproximasse para eu poder dar a devida explicação que ele merecia. Ele se aproximou lentamente e pedi para que se sentasse aos meus pés no sofá com um gesto. Ele entendeu e sentou. Os meninos fizeram menção de sair, mas eu os impedi.
-Não gente! Fica... Devo explicações para vocês também!
Eles somente concordaram com a cabeça e ficaram. Eu respirei bem fundo, fechando os olhos e contando até cinco, e voltando a reabri-los e “desembuchando”:
-Bom, é verdade que eu sou filha do Chris – disse calmamente olhando para meu pai.
Ele somente me olhou, sem dizer nada e/ou deixar transparecer alguma emoção em seu rosto. Isso, para mim, era um sinal para eu prosseguir com minha fala:
-Eu descobri isso á alguns meses atrás...Minha mãe me contou antes de morrer. Ela nunca deixou-me saber quem era meu pai, mas como ela estava morrendo e não queria que eu ficasse sozinha, ela me disse. Eu decidi procura-lo não porque estou interessada em dinheiro, fama e todas essas baboseiras que envolvem a vida de celebridade, mas porque eu quero um pai... Alguém para me acolher quando eu quebrar minha cara, quando meu coração for partido em mil, quando estiver com medo de dar um passo importante em minha vida... Eu somente te procurei porque eu quero um pai, e não um guitarrista de uma banda famosa – disse dirigindo-me ao meu pai, e encarando fixamente, sendo o mais sincera possível.
De fato, era tudo isso que eu sentia. Lembro-me de quando era pequena e havia o “dia dos pais” na escola. Sempre imaginava, dias antes da comemoração, meu pai batendo na porta da minha casa só para me levar ao dia dos pais com ele, mas esse sonho nunca se realizava. Com o tempo, claro, eu fui percebendo que isso nunca aconteceria. Minha mãe nunca mentiu para mim, dizendo que o meu pai não queria saber de mim e que me ignorava por completo; pelo contrário, quando eu era pequena ela dizia que meu pai estava trabalhando e vivia muito longe da gente, em outro país. Conforme eu fui crescendo, ela foi explicando-me melhor a história, até chegar ao ponto que importa; meu pai não fazia ideia de minha existência. Acho que não existe palavras para explicar a desolação que senti ao saber que meu pai nem sabia que eu existia. Era muita. E agora, que eu o tinha bem próximo de mim, eu não queria perde-lo de jeito maneira! Meu pai olhava-me fixo, sem dizer ainda nada. Eu, novamente, aproveite-me do silencio e continuei a desabafar:
-Você sabe o que é crescer sem pai, Chris? E vocês meninos? perguntei me dirigindo primeiro ao meu pai e depois aos meninos, olhando os brevemente — Eu sei. E é a pior coisa que há. Sabe, eu quando pequena, ficava imaginando um dia em que meu pai bateria na porta da minha casa, entraria, me pegaria no colo e enxeria-me de abraço, beijos, carinho...amor. Mas, é claro, esse dia nunca chegou. Eu também sonhava em ter meu pai ao meu lado em todos os natais, assim como sonhava em vê-lo todo enciumado quando eu arranjasse meu primeiro namorado. Mas esses dias, essas lembranças, nunca vieram, nunca existiram. Quando eu era pequena, minha mãe dizia-me que meu pai estava trabalhando, em um lugar bem distante de nós duas, por isso ele nunca ia nos ver. Mas eu cresci, obvio, e ela não podia mais simplesmente inventar essas desculpas; ela teve que falar a verdade, ela teve que falar que meu pai nem sabia de minha existência. Isso doeu mais que qualquer outra coisa que ela poderia dizer. Meu pai nem sabia que eu tinha nascido, nem sabia que eu existia! Eu imaginava-o casado, com uma esposa e vários filhos, que além de tê-lo, também tinham o afeto e amor dele. E esses pensamentos doíam-me. Mas também esses pensamentos foram completamente apagados de minha mente quando descobri quem era meu pai; você. Eu admito que fiquei maravilhada; ter um famoso como pai. No instante que minha mãe disse era você, eu recordei de alguns momentos, como ela vendo shows da banda na tv e se emocionando um pouco, dela revirando sites e revistas de fofocas sobre a banda, dela ouvindo músicas da banda em som alto e cantando junto... Ela amava-o, e a banda, e acabou transmitindo o amor dela para mim. Não estou dizendo isso para fazer melodrama ou algo do tipo, estou dizendo porque é verdade. Crescer sem pai foi difícil e assim que soube quem era meu pai, quis correr atrás, não ligando para o fato de ele ser quem é. Eu fui para NY e conhecia a banda com o objetivo de conhece-lo e falar para você, Chris, que era meu pai. Mas tudo deu errado e no final, por sorte não sei, eu acabei esbarando de novo no Sam, e aproveitando essa oportunidade, contei a ele a verdade para ele me ajudar contigo. Por isso venho os acompanhando desde NY; para eu poder tomar coragem e dizer a você a verdade. Eu não tenho nada com Sam além da amizade. Eu planejava contar á ti, Chris, tudo, mas eu tinha, tenho, medo que me rejeite. Eu fui conhecendo-o e tive a impressão de que não quer filhos. E se isso fosse verdade, como eu faria para te contar? Simplesmente chegaria e diria: “Surpresa, sou sua filha, fruto da sua relação de anos atrás com sua namorada de adolescência!”. Não tive coragem de te dizer porque ser rejeitada era algo que não planejava, e nem planejo... Eu iria te contar um dia, mas não hoje e muito menos desse jeito...
Todos continuaram em silencio, e novamente meu pai não se manifestou. Ficamos todos em silencio por um bom tempo Depois disso, do nada, meu pai se levantou e, ainda sem dizer nada, saiu do camarim. Aquilo me magoou um pouco. Eu respirei fundo e me levantei. Todos só me olhavam, sem dizer nada. Eu catei meu celular, que estava em cima de uma mesa de canto onde havia várias garrafas d’água e catei também minha bolsa em cima da cadeira que a deixara. Botei o celular na bolsa, a bolsa no ombro e saí do camarim sem nem falar nada aos meninos. Rumei pelos corredores dos bastidores procurando a saída o mais rápido possível; não desejava passar nem mais um maldito minuto ali. Porém, de repente, eu senti uma mão segurando meu braço. Virei para trás e era Sam. Este olhava-me triste, mas sem pena. Só lamento mesmo. Eu não disse nada, só abracei-o. ele envolveu-me em seus braços e passou as mãos em meus cabelos, enquanto eu respirava profundamente. Ficamos uns instantes no meio do corredor, parados abraçados, até eu dizer algo;
-Sam, quero ir para casa.
Ele concordou com a cabeça.
-Nós vamos — ele sussurrou á mim.
E me desabraçando e passando a mão em minha cintura, caminhamos juntos para a saída.
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