O Amanhã é o Hoje

8 E mais trabalho - Capítulo 8


—Rick, acorda logo. Tem um homem aqui batendo na nossa casa.

Já acordei assim. Com ela me chamando, ai ai. Que triste minha vida, eu só queria que o mundo não tivesse sido tudo isso, mas apenas um lugar utópico. Enfim...

—Tô indo, calma.-Disse em resposta, levantando da cama e colocando minhas botas e deixando as sapatilhas rosas de Ray no pé da cama.

Fui até a porta e um homem alto, velho e com cabelos grisalhos de mais ou menos 60 e poucos anos, parece que tinha uma informação importante para me dizer, ou mais algumas regras que o "Corsél" não nos disse, então eu coloquei meu casaco, disse que já voltava para Ray e fechei a porta de minha casa, dando ouvidos ao novo indivíduo que já se apresentava.

—Olá, me chamo Mark, sou o fazendeiro aqui da Nova Cidade e eu tenho que vir de casa em casa meio que "obrigando" os cidadãos a contribuírem com sua parte, você tem o que? 14 anos?-Disse ele.

—Não, Mark. Tenho 34, ou 33, não lembro. Lembra do dispositivo da "imortalidade"? Pois é.

—Oh, então por favor, garoto. Vá trabalhar, eu quero o melhor pra você, Corsél não é o que parece.-Dizendo isso, ele dá a mim um papel que está escrito o lugar onde eu iria trabalhar, depois ele dá as costas e vai embora.

Como assim? O que ele queria dizer?Enfim, não é o que eu to querendo saber agora, eu vou mesmo é trabalhar, eu preciso manter essa casa, pela Ray. Eu não posso simplesmente ignorar o fato dela ser minha responsabilidade, então eu entrei na "minha" casa e disse a Ray que só iria voltar as 17:00 e teria que cuidar de algumas coisas e que essas "coisas" iriam trazer coisas boas aqui pra casa.

Ela concordou e pediu pra mim se ela podia ajudar, eu disse não e ela ficou brava, sentando na cama e acabou quase chorando, só ficou vermelha mesmo.

—Ray, olha, tu não pode ajudar, é só pra gente grande, só pra quem é muito forte mesmo. Quando tu crescer, eu te deixo me ajudar pra sempre, desde que você ainda queira. Então não fica assim, ok?-Eu disse, tentando acalma-la. Neste momento, eu sentei ao lado dela e eu então abracei-a e me despedi.

Depois de um tempo, eu fui a direção ao meu posto, eu tinha que fazer alguma coisa, era meio óbvio.Então eu comecei a fazer as minhas tarefas, que consistiam em arar a terra e colher as hortelãs e também as outras hortaliças. Depois de tudo terminado, eu estava apenas cansado, nada mais. Foi um dia bem cansativo, em baixo de um sol escaldante, ufa! Enfim, eu não tava aguentando mais.

Voltei pra casa, e Ray estava dormindo calmamente, ela tinha comido cereal com leite e morango, parecia estar bom. Eu entrei no banheiro e me cobri com toda a água que pude, me refresquei e depois me sequei, fui ao armário e depois me vesti com um pijama preto e fui me deitar, já que estava bem cansado.

Mais ou menos umas 4 da manhã, eu escuto um barulho vindo de fora dos portões, pareciam passos pesados, não era um "daqueles". Sai da minha casa e com cuidado fui espiar através dos grandes portões. Eram humanos, eles estavam vendo nossa comunidade, não sei o porquê, mas a grande pergunta é: Eram sobreviventes assim como a gente e queriam participar, ou tinham outras intenções?

Depois de ter observado eles, percebi que eles olhavam "a casa", que era a prefeitura. Parece que devem querer ter algum interesse econômico?Ou querem falar com Corsél?Pois, nesses dois dias que passei aqui, percebi que Corsél é um homem muito reconhecido. Falam que ele não é a mesma pessoa que se apresenta, ele é totalmente outra, apenas faz isso para ganhar gratidão. Mas acho que isso não é verdade, ele foi gentil conosco, acho que ele não teria coragem de se aproveitar da situação que estamos, afinal, ele também está passando por isso.

Depois de 30 minutos observando, com um papel a mão e também um lápis anotando algo, os dois homens vão para trás e parecem chamar mais alguém, outra pessoa aparece e vem uma caminhonete vermelha com um adesivo de uma melancia no vidro na parte esquerda. Eles então sobem a caminhonete e vão embora, parecendo debater algo. Achei estranho, pra ser sincero.

Volto ao meu quarto e Ray estava acordada, e assim que me viu fechando a porta, logo perguntou:

—Você disse que ia voltar as 17.-Ela parecia meio sonolenta e confusa.

—Eu voltei sim, Nii. Mas, você estava dormindo, então eu não resolvi te acordar.

—Ah... Então, o que estava fazendo lá fora?-Ela se cobre com meu cobertor.

—Não, eu fiquei com vontade de ar, então eu fui lá pra fora.

Então ela coçou os olhos e bocejou, logo depois deitando na cama e dizendo "Boa Noite", e claramente, dormindo.Eu fiz o mesmo, mas eu demorei um pouco pra dormir, afinal, aqueles homens eram o que mostravam ser?