O Alvorecer De Um Novo Sol
26 Capítulo 24 - Arco de Izra: O Combate na Floresta - Parte III
Notas iniciais
17 anos e 8 meses antes...
Era o dia seguinte à Guerra. O Sunny já estava em alto mar novamente, navegando sem destino pela primeira vez em muito tempo. Apenas queriam sair daquele lugar que arrancara toda e qualquer esperança que tinham de salvar o capitão.
― Isso aqui parece um velório. – Luffy entrara na cozinha onde todos os seus nakamas já estavam reunidos para o café da manhã. Os Mugiwaras sequer levantaram o olhar para encarar o rapaz.
― Não fale isso assim, idiota... – Sanji, que era o único de pé, encostado a pia resmungou baixo.
― Chopper... Quanto... Quanto tempo nós temos? – Usopp perguntou no mesmo tom que o cozinheiro, chamando a atenção dos companheiros para a conversa e fazendo Luffy se sentar ao lado de Nami, na cadeira à ponta da mesa, em meio a um suspiro frustrado.
Nami não se pronunciou e nem mesmo se moveu um milímetro. Apenas permaneceu encarando algum ponto sobre a mesa que parecia demasiadamente interessante, perdida em seus próprios pensamentos. Luffy observou aquilo por um instante, tentando encontrar uma forma de fazê-la sair daquele transe, que ele tinha certeza, não era nada agradável.
― Eu não... Não sei, Usopp. Pode ser amanhã ou daqui a dois dias ou até daqui a meses. – Chopper tinha um tom decepcionado consigo mesmo e triste. ― Ou pode ser agora mesmo. – a última frase saiu como um sussurro e então todos automaticamente encararam o moreninho à ponta da mesa ― exceto a ruiva que continuava da mesma forma.
Percebendo que um silêncio repentino tomara conta da cozinha, Luffy levantou seus olhos de sua namorada e observou a expressão amedrontada e preocupada de seus nakamas. Levantou então as mãos pra cima.
― Eu to vivo. Viu? – disse alto, como se aquilo também fosse uma tentativa de trazer Nami de volta à realidade. Um suspiro mútuo fora ouvido. ― Ah... Qual é, pessoal? Vocês vão mesmo me obrigar a passar meus últimos dias aqui no meio de todo esse clima chato? ― cruzou os braços, parecia estar começando a ficar emburrado.
― Você, de alguma forma, está se importando conosco, Luffy? – a voz, baixa naquele momento, da navegadora do Sunny fora ouvida pela primeira vez naquele dia. Seu tom era um misto de tristeza, raiva, frustração e mágoa.
― Eim? – pedira que ela repetisse, tentando compreender se o sentido daquela frase era realmente o qual ele estava pensando.
Os outros não se atreviam a dizer qualquer coisa, apenas observavam.
― De alguma forma você está se importando com o que estamos sentindo ou iremos sentir?! –falou mais alto, com os olhos marejados. ― Porque não é o que parece! Enquanto estamos arrasados por sabermos que toda a esperança que colocamos em nosso único plano todos esses cinco anos fora destroçada, você simplesmente faz piadas com toda a situação e sorri como se estivesse tudo bem, sendo que nada está bem! Está tudo péssimo! Indo de mal a pior! – continuou, já de pé, gritando em meio às lágrimas.
O restante do bando, por sua vez, tinha a cabeça abaixada. Não tinham palavras para descrever todo o sentimento de desapontamento e desespero que sentiam. Ninguém estava em seu equilíbrio perfeito para tentar dizer qualquer coisa naquele momento.
Luffy nada disse, embora sua cabeça estivesse inclinada e seus olhos tampados pela aba de seu chapéu.
Nami ainda chorava, tentando conter todo o turbilhão que a invadia e então se virou em direção à porta, preparada para sair do cômodo, quando sentiu seu pulso sendo agarrado, impedindo-a de dar os primeiros passos.
Baixou os olhos até seu braço e viu a mão que tão bem conhecia seu corpo segurando-o.
― Nunca mais se atreva a pensar assim. – a voz de Luffy era quase um sussurro; no entanto, era firme. Só então levantou seus olhos, finalmente encarando a todos os seus nakamas. Sua expressão era tão firme e séria quanto seu tom de voz. ― Eu sei muito bem o que é perder alguém com quem nos importamos, alguém que amamos. Sei tudo que sentimos e que pensamos, então não se atreva a acreditar nas besteiras que você acabou de falar! – disse a última frase diretamente a Nami. Esta agora ouvia tudo de cabeça baixa, recriminando a si mesma por ter dito tal coisa. ― Mas me digam uma coisa... – todos levantaram seus olhares, o encarando. ― De que vai adiantar ficarem se lamentando?
‘Eu irei morrer de qualquer forma e vocês irão ter que aceitar isso uma hora ou outra. E daí que eu vou morrer? Vocês continuarão vivos e tendo muito trabalho pra fazer! Não quero que passem o resto da vida se lamentando por isso. Chorar e deixar isso tomar conta de vocês não vai me trazer de volta, só vai fazer vocês estacalarem no tempo e morrerem junto comigo. E eu não quero isso. Quero vocês muito bem vivos, entenderam? – discursava bravo, o que realmente surpreendia aos ouvintes e deixava-os ainda mais sem reação diante de todas as palavras proferidas por ele. ― Quando eu me sentia assim nove anos atrás, foi a lembrança que eu tinha de vocês que me ajudou a seguir em frente. Então façam o mesmo! Ainda terão uns aos outros. Se puderem, façam uma festa, um churrasco enorme, em todos os aniversários da minha morte. Continuem fazendo o que vocês mais amam fazer e cuidem dessa criança que terá os dois pais mais estranhos que alguém poderia ter. – com isso Robin soltou uma risadinha baixa, molhada por algumas lágrimas tímidas que desciam. A morena fora acompanhada por um sorrisinho de lado e um “Tsc” vindo do espadachim ao seu lado, assim como um sorriso terno de todos os outros companheiros. Até Luffy sorrira divertido com seu próprio comentário. ― E pronto! Ah, e claro, nunca deixem de serem companheiros. – advertiu uma última vez, como uma última ordem.
― Sim senhor, capitão. – todos repetiram juntos, em meio a um sorriso aberto, enquanto enxugavam as lágrimas. De alguns muitas e de outros, algumas tímidas, mas ainda assim, presentes em todos os rostos.
― Ótimo! Agora, Sanji. Estou com fome! – reclamou voltando a se sentar e fazendo o loiro o xingá-lo, já tratando de providenciar o alimento da tripulação.
(...)
― A brincadeira acabou. Snow Pirates.
Aquela frase não poderia ter deixado os quatro oponentes dos Pirates of King mais irritados e os próprios Pirates of King mais confusos.
― Eim? Do que você está falando, Ken? – questionou Issa, encarando o amigo que ainda tinha a mulher desacordada jogada em seus ombros.
― Nós fomos enganados! Esse tempo todo eles estavam nos enganando. E agora eu sei o motivo do pai da Ayssa estar em coma como todos os outros quatro homens da vila! – exclamou verdadeiramente irritado.
― Fale coisas com sentido, idiota! – Nara ralhou, impaciente. Seion apenas ouvia em silêncio, enquanto Ayssa se levantava e caminhava com dificuldade em direção aos outros.
― O que você quer dizer com “eu sei o motivo do pai da Ayssa estar em coma”? – ela perguntou, exasperada.
― Explica isso direito que eu não estou entendendo nada, Ken. – Seion se pronunciou pela primeira vez, com uma expressão de total confusão.
O loirinho então jogou a mulher no chão de qualquer jeito e encarou os amigos.
― Este homem não é espírito coisa nenhuma! – apontou para a criatura mascarada. ― Ele é um pirata! Um pirata que vale 246 milhões de Berries! O nome dele é Hayato Otayah, capitão dos Piratas da Neve. E esses. – apontou para a mulher desacordada e para os dois animais com quem lutavam instantes antes. ― São três dos quatro tripulantes dele que conseguiram fugir do seu avô cinco meses atrás!
― Eeeeeeeeeeeeeeeeim?! – os quatro ouvintes gritaram em uníssono, indignados.
― Como você descobriu, moleque impertinente?! – Hayato perguntou furioso, arrancando sua máscara.
― Vocês estavam claramente usando Haki! Um espírito nunca usaria Haki e animais também não o usam se não tiver quem ensiná-los. A única resposta que encontrei pra isso foi admitir que vocês fossem todos humanos. E não teria como você estar lutando contra o Seion e controlando as árvores e cipós contra todos. Tinha alguém os controlando e aí eu a encontrei! – apontou para a mulher desmaiada. ― Obriguei que ela contasse tudo. – explicou o garoto, ainda irritado, embora com um sorriso satisfeito no rosto.
― Quer dizer que todos vocês são humanos?! – Seion questionou ainda tentando processar as informações, por mais que tivesse puxado o raciocínio rápido e inteligente de sua mãe ― o que não o fazia menos idiota e parecido com o pai, já que ele não fazia questão de o usar muito, ao menos na concepção da própria.
No mesmo momento o gorila e a tigresa se transformaram em um grande e robusto homem e em uma loira alta e de belos atributos, respectivamente. O que não deixou de surpreender aos jovens.
― Mas espera. Você ainda não explicou o que eles têm a ver com meu pai, Ken! – Ayssa, que agora já estava ao lado dos amigos, exclamou.
― Hayato também é um usuário e ele tem o poder da Seik Seik no Mi¹. Ela tem o poder de tirar os anos de vida de uma pessoa para dá-los ao usuário ou quem ele quiser “presentear”. – Ken explicou sério. ― As vítimas ficam em coma e envelhecem de acordo com a quantidade de anos que foi tirada delas. Pelo o que eu entendi, cada mês em coma corresponde a três anos tirados. Seu pai, assim como os outros homens, está prestes a acordar, mas os anos não serão devolvidos enquanto ele ainda estiver usando os anos deles!
― Você... Você fez isso com meu pai, seu maldito?! – Ayssa avançou para cima de Hayato, mas foi impedida por Nara e Issa, que a seguraram com muita dificuldade.
― Então você é o culpado... Por tudo o que a Misaki-san e sua família estão passando? – foi Seion quem questionara. Seu tom de voz baixo, sua cabeça levemente inclinada para baixo, seus olhos escondidos pelo chapéu... Se algum dos Mugiwaras estivesse ali, poderia jurar que era o próprio Luffy, encarnado no filho.
Seus companheiros sabiam que quando conseguiam fazer Seion ficar tão sombrio, as coisas começariam a tomar outro rumo. Aquela luta agora não era apenas diversão para o garoto com o chapéu.
Era o sofrimento de uma amiga que estava em jogo.
—________________________
¹: Eu abreviei a palavra Seikatsu do japonês que significa "vida" em português, de acordo com o Tio Google, então nem posso dar certeza se está certo ou não .-. . Então ficaria Vida Vida no Mi. Eu sei, uma merda. Eu queria a palavra "anos", mas ia ficar estranho Nen Nen no Mi. '-'
Fale com o autor