O Alvorecer De Um Novo Sol
2 Capítulo 1 - Confusão à vista
Notas iniciais
― Seion! Seion! – eu gritava ofegante enquanto corria pelas ruas da cidade. Logo à frente estava o indivíduo retardado por quem eu gritava. Aquele idiota... ― Seion! Será que dá pra parar e me esperar, seu maldito?! – eu estava o procurando pela cidade e finalmente havia o achado. Chamei-o e continuei chamando, mas esse infeliz finge que não me ouve. Isso estava me deixando verdadeiramente irritada.
― Não quero ouvir suas reclamações chatas, Nara. – Ele simplesmente disse sem sequer me encarar, continuando a andar com as mãos nos bolsos de sua bermuda. Ele estava tão chateado assim comigo? Isso era mal. MUITO mal.
― Oe, Oe... você está mesmo bravo comigo? Por uma besteira dessas? – perguntei ainda surpresa e preocupada. A coisa mais rara do mundo era aquele garoto se importar ou se magoar com alguma coisa. Então quando isso acontecia era realmente de se preocupar.
― Não chame de besteira o que você insinuou. – a mágoa em sua voz era visível e aquilo estava me deixando agoniada. Não queria que meu melhor amigo estivesse tão puto comigo. Isso não era nada legal.
Eu não iria deixar transparecer minha preocupação, entretanto.
― Largue de ser idiota, seu idiota! Não acredito que você levou aquilo a sério. Eu vivo falando coisas do tipo com você. – cruzei os braços, ficando emburrada, assim que ele finalmente resolveu parar e me encarar.
― Aquilo foi diferente, Nara! Você sabe que eu não admito que insultem meu pai. – ele estava sério demais. Aquilo me assustava.
― Mas eu não falei sério, Seion! – tentava convencê-lo.
― Claro, insultar os outros é especialidade sua, não é? Isso não é nada de mais pra você. – ele voltou a andar, me deixando paralisada.
Puta que pariu. Agora ferrou. Ele estava mesmo falando sério.
Depois de um longo suspiro, deixando claro que eu desistia de tentar fazê-lo me desculpar, voltei a caminhar, refazendo os passos que havia dado até ali. Talvez conversar com meus pais sobre aquela situação poderia resolver alguma coisa.
Eu realmente não parei pra pensar que dizer algo como aquilo poderia criar um problema tão grande, embora eu devesse ser mais inteligente e imaginar que aquilo aconteceria. Afinal, Seion realmente não admitia ninguém citando o nome do pai dele de forma maldosa. Quem fizesse isso com certeza puxaria uma briga feia com o moreno. E justamente eu, a bendita melhor amiga dele faz isso.
Perfeito.
FlashBack on
Era um dia ensolarado e bastante receptivo. Já havia avisado aos meus pais que passaria o dia treinando com Seion e Ken no bosque, Issa não poderia ir porque estaria ajudando a mãe no bar hoje.
Nós três estávamos indo para o bosque quando ao passar em frente ao mesmo bar percebemos um murmurinho, onde ouvíamos risadas masculinas de dentro do estabelecimento. Entramos para ver o que estava acontecendo e presenciamos uma cena bastante atípica daquele local: piratas seguravam um senhor pela gola da camisa e Yumi-san implorava para deixarem o homem em paz e deixassem o bar. Issa estava sendo mantida presa pelos braços por um dos criminosos. Provavelmente havia revidado e por algum truque sujo dos homens tinha sido pega. Ela estava irritada e percebia-se isso pela pele branquinha e seus olhos castanhos claros estarem em chamas.
― Me solta seu imbecíl! Eu juro que vou acabar com vocês por estarem arranjando confusão aqui! Soltem o Kashi-san!!! – ela estava definitivamente furiosa.
― Oe, o que está acontecendo aqui? – Ken logo se manifestou com uma expressão séria, com Seion ao lado. Logo eu também me aproximei.
― Olha só, capitão! Mais crianças impertinentes. – um dos homens debochou. – Vieram parar no mesmo lugar que a loirinha aqui? – o desgraçado apontou para Issa, presa pelo homem ao lado dele.
― Mina, será que poderiam dar uma ajudinha aqui? – ela sorriu sem graça, não gostando nada da situação em que estava. Com o pedido os piratas soltaram outra gargalhada debochada e nos encararam.
― O que crianças insignificantes como vocês fariam? – o mais alto deles se aproximou de nós três, fazendo com que eu sentisse uma fúria terrível vindo de Ken e um sorriso aberto vindo de Seion.
― Vocês querem mesmo saber? – Seion é quem questionara, escondendo seus olhos sob o chapéu de palha característico dele, porém o sorriso ainda aberto.
O capitão se aproximou de nós três com aquele sorriso irritante, parecendo já se preparar para atacar Seion que apenas observava o oponente.
― Você deveria saber que criança não deve mexer com criminosos! Moleque atrevido. – logo ele sacou sua arma de fogo da cintura e apontou para o moreninho.
Yumi-san parecia desesperada com a cena, mas mantinha silêncio, provavelmente temendo irritar ainda mais o capitão pirata. A arma foi engatilhada e nos arredores do estabelecimento ouviu-se um tiro. Lá fora, todos que rodeavam o bar estavam assustados e temendo pelo quê ouviram. Dentro do bar, Yumi-san tinha sua mão levada à boca para abafar o grito que dera instantes antes; seus olhos fechados se abriram e então ela enxergou um pedaço do forro que havia sob o teto caindo sobre algumas mesas, derrubando o que nelas havia e fazendo os que ali estavam sentados se levantarem antes de se tornarem vítimas do “desabamento”.
O quê havia acontecido era que Seion desviara o tiro ao pegar no braço armado do oponente, torcendo-o de maneira que a arma estava apontada para o teto. Ele permanecia torcendo o membro do pirata com força, enquanto esse fazia de tudo para se soltar.
― O que você pensa que está fazendo, pirralho?! Solte-me agora mesmo! – o mais velho rugiu. O moreno, porém, nem deu muita atenção, apenas puxou o braço do criminoso, fazendo com que a arma caísse no chão.
― Nunca mais pense em arranjar confusão aqui! – Bradou em um tom de voz sério e baixo.
Era interessante ver o garoto que conhecíamos se portar daquela forma. Ele geralmente era sempre sorridente e divertido. Tia Nami vivia dizendo que ele era tão idiota quanto o pai. Eu nem conheci o pai dele ― aliás, ele também não ― mas já concordava com isso. Ele era realmente um idiota. Mas um idiota amável, sereno e gentil e que sabia ser não amável quando queria.
― Ouviu bem? – ele insistia encarando sério ao pirata, que eu não sabia se estava com medo, surpreso, furioso ou preparando um novo ataque.
A expressão dele era indecifrável. Talvez fosse tudo isso junto.
Não deu tempo de o homem responder, no entanto, porque justamente quando iria fazer isso, a porta do bar se abriu e por ela entrou um indivíduo alto, forte, porém sem exageros de músculos, e sorridente. Seus cabelos castanhos claros e olhos verdes estavam em total sintonia com o que vestia: uma calça justa de couro sintético preto, uma botina masculina de couro verdadeiro da mesma cor e uma camisa tipo regata branca. Sobre os ombros tinha uma capa azul com detalhes dourados, características de capitães piratas ricos. Admitia que ele era um tipão e bem conhecido pelo Novo Mundo.
Aquele era Hidek Koroshima, capitão dos Piratas Dark. Recompensa de 300 milhões de berries.
― É aqui que encontro a diversão? Disseram-me que estava acontecendo uma pequena confusão nesse bar e eu gostaria de me entrosar. – Droga, mais um pirata maldito e idiota. Beleza sem cérebro não funciona. Definitivamente.
― Por favor, moço! Não arranje confusão aqui também. – Yumi-san implorava, já desesperada por todo o reboliço que ocorria em seu bar.
O Katanga Bar sempre fora frequentado por clientes de todo tipo. Tanto piratas como cidadãos e às vezes até alguns marinheiros de folga passavam por ali. Era um bar muito respeitado entre os frequentadores, pois raramente era palco de confusões. Yumi-san e toda a sua família mantinham a ordem no lugar. Principalmente pelo fato de saberem que não se devia arranjar confusão com a família de Issa.
Ela mutilava quem o fazia.
― Ora, ora... então é aqui mesmo. – ele se pôs a observar a situação, ainda com aquele maldito sorriso debochado nos lábios. Eu nem o conheço há muito tempo e já o odeio.
― Ferrou... – sussurrei pra Ken, Issa e Seion, que agora se encontravam todos ao meu lado, já que Seion havia soltado o outro capitão e Issa conseguido escapar das mãos do pirata que a prendia, enquanto esse ficava paralisado pela visão do pirata famoso.
―Sim... – os três concordaram ao mesmo tempo.
― Oe... Silve. – chamei, ainda sussurrando, a garçonete que estava próxima a nós, fazendo-a se aproximar. – Saia pelos fundos e vá até a minha casa. Conte ao meu pai a situação aqui. Nós vamos distraí-los enquanto isso. – depois de ouvir atentamente o que eu tinha falado, a morena logo tratou de sair de fininho. Nós quatro que permanecemos ali nos encaramos e em um movimento de afirmação por parte de todos, avançamos em direção aos piratas que já haviam começado a discutir.
E seja o que Deus quiser...
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