O Alvorecer De Um Novo Sol
7 Capítulo 6 - Rosas Violetas
Notas iniciais
22 anos antes...
― Onde está o Luffy? – era o atirador dos Mugwiaras quem perguntava.
Estranhamente, a última vez que vira seu capitão fora por volta das duas da tarde. Agora já eram quase cinco.
― Boa pergunta. Aonde o Luffy se meteu? – Sanji agora quem se questionava sobre o paradeiro do moreninho.
O cozinheiro preparava a carne de caça que Yasopp havia conseguido junto à seu capitão. Esse se encontrava sentado em um banco improvisado, que na verdade era o tronco de uma árvore caída na clareira, junto de toda sua tripulação e aos Mugwiaras.
Todos esperavam pelo jantar.
― O Luffy desapareceu três horas atrás e vocês só percebem agora? Que companheiros terríveis. – Yasopp brincou enquanto tomava um gole de seu sakê.
― Ele sempre some da nossa vista quando estamos em uma floresta. – Nami justificou.
― Mas dessa vez está estranho! – exclamou o esqueleto do Sunny. ― Já está quase na hora do jantar e ele ainda não apareceu. Nessas horas ele estaria chegando aos gritos pro Sanji-kun dizendo que está com fome e quer carne. Yohohohohoho!
― O que foi, Shanks-san? – Chopper perguntou curioso ao ver o ruivo se levantando.
― O Luffy está desaparecido, não? Vou procurá-lo. – sorriu e então caminhou em direção ao bosque.
― Mas já está escurecendo! Podem ter coisas terríveis dentro dessa floresta. – Chopper e Usopp se abraçavam imaginando os horrores da noite, tremendo como duas varas verdes.
― Então acho melhor eu me apressar, antes que ele se meta em alguma enrascada, certo? – continuava a caminhar, ignorando o pavor na voz da rena.
Aos poucos o pirata se afastou da clareira, adentrando a mata tranquilamente. A verdade era que ele já fazia certa ideia de onde encontrar o garoto.
(...)
“― Sua planta maldita! Eu vou acabar com você! – o garotinho de cabelos negros batia ferozmente na flor violeta à sua frente com um pedaço de madeira.
― Luffy! O que você está fazendo? – a mulher de longos cabelos igualmente negros se aproximou com a cesta cheia de maçãs, as quais havia colido no bosque, pendurada em seu braço direito.
― Essa flor feiosa me machucou! – o pequenino mostrou o indicador direito de onde saía uma pequena quantidade de sangue. Seus olhos grandes agora marejavam de leve.
Olivia se ajoelhou, deixando a cesta no chão ao seu lado. Pegou a mãozinha de Luffy e amarrou um pequeno pedaço da bainha de seu vestido no dedo furado, depositando ali em seguida um beijo delicado.
― Pronto. Não vai demorar muito para sarar. – seu sorriso era gentil e doce. ― Mas veja só... você machucou ela também. Não acha que deve pedir desculpas?
― Não seja boba mamãe! Por que eu deveria pedir desculpas a uma planta?! – estava zangado com a pobre flor.
― Porque ela não fez por mal!
― Mas ela me machucou mesmo assim! – os braços cruzados se juntavam ao bico emburrado.
― Peça logo, Luffy! – exigiu firme.
― Tudo bem... – suspirou ainda contrariado, se ajoelhando ao lado de sua mãe e da planta. ― Desculpa dona flor. Prometo que nunca mais vou fazer isso! – um sorriso grande agora brotava dos lábios do pequeno e um satisfeito e meigo brotava dos lábios da mãe que o observava.
Olivia então cavou o local onde a planta estava, retirando-a com bastante cuidado, e com sua mão livre pegou um graveto que estava por ali. Novamente voltou a cavar um pequeno buraco próximo ao anterior, depositando nele a pequena roseira, amarrada cuidadosamente com o graveto. Depois de todo o processo, tampou os dois buracos e bateu sua mão uma contra a outra, para limpar o restante de terra que nelas ficara.
― Pronto. Agora ela vai se recuperar de suas feridas também. – Luffy sorriu afirmando e pegou na mão agora estendida de sua mãe. Os dois então caminharam de volta à vila, depois de uma manhã divertida no bosque.
(...)
Mais à tarde, Luffy se encontrava no jardim de sua casa, brincando com a terra dali enquanto Olivia cuidava das plantas. Depois de muito observar sua mãe distraída com elas, resolveu se aproximar.
Olivia molhava alguns pequenos vasos da mesma flor que Luffy havia massacrado hoje cedo.
― Mamãe, você gosta muito delas, não é? – a voz infantil do moreninho era gentil. Olivia então virou-se para o filho ao lado, percebendo que o garoto estava repleto de terra dos pés à cabeça.
― Sim, querido. Essas daqui são as minhas preferidas. – sorriu ao responder. Enxergou, porém, o olhar cabisbaixo que o filho agora tinha. Ele observava o band-aid de bichinhos em seu dedo.
― Eu sei... por isso tentei pegar uma pra você hoje, mas ela não deixou. – levantou o dedo ferido, demonstrando o que dizia, fazendo a mulher ficar surpresa.
Devia ter percebido antes.
― Escute, Luffy... você quer saber de uma coisa muito interessante? – logo tratou de tentar tirar aquela feição tristonha do rosto de seu menino. E teve sucesso, já que o olhar dele agora era mais curioso que nunca. ― Sabe por que algumas flores, como essa, possuem espinhos?
― Não. Por que, mamãe? – ele visivelmente estava interessado na novidade.
― Porque elas são muito bonitas! – a expressão do garotinho se tornou confusa, fazendo-a rir.
― Mas isso não faz elas ficarem feias, mamãe? Por que elas têm eles, então?
― Olhe bem pra elas. Você realmente acha que os espinhos interferem na beleza delas?
― Huuummm... não! Ela continua sendo muito bonita! – sorriu com a constatação.
― Pois então.
― Mas ainda não entendi por que dos espinhos. – ele encarou à mãe, esperando uma resposta.
― Como ela é muito bonita, muitos bichos que comem plantas querem comê-la. Para se defender desses bichos, ela tem espinhos. Entendeu?
― Aaaah. Acho que entendi sim. Mas eu não ia comer ela! Eu ia dar ela pra você. – inclinou a cabeça, observando a plantinha molhada.
― Tenho certeza que ela não sabia disso. – riu mais uma vez. ― E então? O que me diz de tomar um banho? Você está parecendo um porquinho que brincou o dia todo na lama!
― Se eu tomar banho você me dá um pedaço da torta de maçã que você fez, mamãe? – se animou, enquanto sua mãe o pegava no colo.
― Só depois do jantar! – passou então a caminhar com ele se revirando em seu colo, enquanto o fazia cócegas.
Luffy ria alto.
― Tudo bem! Mas para com isso! – a risada a invadia de forma contagiante, fazendo-a o acompanhar.”
Depois de alguns bons minutos caminhando, Shanks finalmente encontrara Luffy. Ele estava exatamente aonde o imaginara. Olhando dali de cima, aquele vale parecia ainda mais bonito. Era realmente uma maravilha da Natureza.
Uma cachoeira caía em três cascatas sobre as pedras repletas de musgo e então, ao final, a água corria em um córrego abundante e corrente. Havia algumas árvores em volta, mas a maioria eram plantas de porte médio que aproveitavam a umidade do local para crescerem sem problema algum. Outras eram plantas de porte pequeno, grande parte de belas flores coloridas que só embelezavam ainda mais o lugar. Uma em especial era encontrada por toda parte. Uma espécie rara de rosa que só crescia em lugares com um ar extremamente puro e úmido. Uma rosa de cor violeta.
E Shanks tinha certeza que era exatamente ela que prendia a atenção de Luffy.
O pirata se aproximou do garoto, que observava atentamente a roseira ao seu lado. Em silêncio, sentou-se ao lado de Luffy, que mesmo já tendo percebido a presença do amigo, permanecia na mesma posição. Assim ficaram alguns minutos, quando o moreno quebrou o silêncio.
― Acho que ela adoraria esse lugar, não é? – sua voz era baixa, quase um sussurro. Suas pernas estavam encolhidas contra seu corpo e ele as abraçava, utilizando seus joelhos como apoio para seu queixo.
― Não tenho dúvidas disso. Olivia podia ser durona, mas amava flores. Principalmente essa. – respondeu em tom de voz também baixo, mas ainda assim mais alto que o de Luffy.
― Hum! Eram as preferidas dela. – sorriu com as lembranças que tinham vindo em sua mente momentos antes de Shanks aparecer. ― Você acha que ela era igual essa rosa, Shanks?
― Como assim? – encarou o outro tentando decifrar seus pensamentos.
― Elas têm espinhos porque são bonitas, certo?
― Oh! Acho que entendi. – Shanks sorriu. ― Talvez... até mesmo pode ser por isso que ela as amava tanto, não acha?
Luffy gargalhou alto.
― Ela me fez pedir desculpas a uma dessas quando eu tinha 5 anos... – a gargalhada então tornou-se um sorriso grandioso. ― Todo mundo vivia dizendo que a mamãe era louca... mas eu não achava. Ela me tratava diferente de todos os outros... ela dizia que eu a fazia sorrir sempre. Ouvir isso sempre me deixava muito feliz... – sua voz fora enfraquecendo aos poucos, até o momento em que ele já se encontrava com sua cabeça baixa novamente, escondendo seus olhos com o chapéu de palha. ― Eu nunca pensei que ela seria a primeira pessoa que eu fosse perder...
As lágrimas não podiam ser vistas, mas Shanks sabia que elas estavam ali. Perder alguém que você ama já é algo extremamente difícil de lidar, mas Luffy, ainda criança, havia conseguido superar a morte de sua mãe. Aquilo, porém, voltara à tona poucos dias atrás e de uma forma terrível.
Agora Luffy não apenas sabia que sua mãe havia sido assassinada da forma como assistira quando criança, mas também sabia quem havia feito isso e por que. Imaginava o quanto aquilo doía e parecia injusto aos olhos do garoto.
E realmente, era injusto de uma forma absurda.
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