O Adormecer
7 Capitulo 7.
Notas iniciais
Capitulo 7.
Os olhos verdes de Chuck fixam-se no chão, ele coloca as mãos na cabeça e da um suspiro:
— Acho que foi o ... Sebastian — ele faz uma pequena pausa, quando diz esse nome.
— Sebastian? — indago.
— Ah é claro você não o conhece — ele diz coçando a cabeça. — Idiota — ele sussurra para si mesmo.
— Minha mãe não fez muita questão de contar-me sobre isso, mas quem é Sebastian? — pergunto curiosa.
— O segundo melhor caçador de sombras, depois do seu pai lógico, eles eram melhores amigos quando eram jovens mas quando seu pai e sua mãe se casaram, Sebastian pegou uma certa raiva dele.
— A ponto de mata-lo por isso?
— Talvez — ele responde. — Mas não tenho provas concretas, sobre isso.
— Òtimo — digo frustada.
Ele percorre os olhos sobre meu corpo e quando o olho ele desvia.
— Algum problema?
— Na verdade sim.
— E qual seria? — pergunto.
— Seu namorado.
Meu corpo estremece.
— Eu não tenho namorado. — Pelo menos acho que não, penso. — E se tivesse, por quê ele seria um problema? — pergunto emfim.
Chuck se aproxima mais de min, diminuindo o espaço entre nós.
— Sabe pequena Grey, esses anos todos fizeram muito bem para você.
Ele aproxima seus lábios do meu pescoço e minha pele se arrepia.
— Chuck, eu não posso.
O afasto.
— Porque não? — ele pergunta cabisbaixo.
— Porque somos apenas amigos.
Ele me da um olhar decepcionado.
— Você acabou de dizer as palavras, que garoto algum gosta de ouvir.
— Só disse a verdade.
— Tudo bem Grey, mas um dia você vai ficar caidinha por min — ele diz sorrindo.
— Claro que sim, e quando esse dia chegar eu provavelmente vou estar louca.
— Absolutamente louca, mas por min.
Ele da um gargalhada e quase caí.
Corro atrás dele, enquanto ele foge de mim, ele segura meus braços e caio sobre ele. Nossos olhos se encontra, sinto seu cheiro nauseante cada vez mais perto de mim e meu corpo inteiro se arrepia.
— Você fica incrivelmente sexy nessa posição — ele sussurra em meu ouvido.
— E você parece um idiota — digo rispidamente.
Tento sair de cima dele, mas ele me puxa de volta.
—Por quê você ainda resiste Grey? — ele pergunta com uma voz doce e sexy.
— Porque eu já disse que somos apenas amigos, nada mais — respondo secamente.
— Tudo bem, mas é você quem está perdendo.
Ele me solta e impulsiono meu corpo para cima.
— Com certeza — digo ironicamente.
— Não sei como você tem um namorado.
— Tem muitas coisas que você não sabe — retruco.
— Pode ser
Ele da de ombros.
— Você é assim com todas as garotas? — pergunto.
— Só com as que valem a pena — ele da um sorriso cafajeste.
Ele da de ombros e joga-se relaxadamente no sofá.
— Isso é sério?
— O que foi?
— Você está todo molhado e muito soado, vai acabar sujando todo o sofá.
Ele arqueias as sobrancelhas.
— Desde quando você se preocupa com a limpeza de casa?
— Esquece — digo.
Ele estica os braços sobre o sofá e se espreguiça.
— Sabe Grey.
— O que? — pergunto irritada.
— Eu realmente adorei esse sofá.
— Chuck?
— Sim?
— Cala a boca.
A campainha soa e vou até a porta para atende-la. Quando a abro, meus olhos encontros os olhos negros de Gus, que vasculham cada metro da casa, absorvendo tudo e finalmente parando sobre Chuck esparramado no sofá.
— Vejo que tem visitas.
Tento quebrar o clima tenso e digo:
— Gus esse é o Chuck. Chuck esse é o Gus.
Os dois se encaram por alguns minutos e então Chuck se levanta,
— Bom Grey, eu já vou indo.
— Ok — digo aliviada.
— Até mais Gus — Chuck diz.
Os dois continuam se encarando, até que a porta se feche.
— Não gostei dele —Gus diz.
— Com o tempo você acostuma.
— Quem sabe.
— Você demorou — digo.
— Tive alguns problemas no caminho.
Ele me mostra uma camiseta preta toda rasgada.
— O que aconteceu? — pergunto preocupada.
— Nada de mais — ele responde.
— Por quê vocês homens sempre dizem isso?
— Porque afeta nossa masculinidade.
— Ah claro!
— Eu estou aqui, o que você quer?
— Nada, só queria te ver — respondo.
— Você está me vendo — ele rebate.
— Jura? Achei que era uma alucinação.
Ele sorri.
— Você é muito observadora, amor.
— È uma das minhas qualidades.
— E quais seriam as outras? — ele pergunta.
— Me diga você — o desafio.
— Tem certe que quer saber oque eu acho?
— Sim — respondo.
— Ok. Eu te acho forte mas ao mesmo tempo fraca em algumas situações, corajosa mas medrosa em alguns momentos, você é uma mistura de linda e entediante na maioria das vezes, você é diferente, tem um humor irônico diferente de todos os outros. Mas o que mais gosto em você é sua teimosia, sua persistência e sua luta por aquilo que acredita.
Ele se proxima de min e me envolve em seus braços, meu corpo estremce a cada toque dele. A distância entre nós diminui e ele me beija, trazendo novamente aquela fome e a sensação de que nada mais importa a não ser esse momento. Seus lábios são macios e firmes, nossas linguas dançam delicadamente uma valsa dentro de nossa boca. Ele me puxa mais contra si me fazendo ficar nas pontas dos pés.
— Você é minha amor, cada pedacinho seu, nunca vou deixa-la.
Ele sussurra enquanto beija meu pescoço.
Seus olhos negros me fitam de minuto em minuto, me fazendo perder o pouco de juízo que ainda resta em mim. Quando ele se afasta alguns passos, meu corpo inteiro reclama.
— Eu percebi uma coisa hoje — ele diz.
— O que? — pergunto.
— Sou incapaz de ficar longe de você.
— Você já tentou? — dou um leve sorriso.
— Não e não espere que eu vá — ele responde.
+++
São quase 20:00 quando Gus vai embora. Assim que fecho a porta me sento no sofá e continuo assistindo TVD, seu cheiro está em minha blusa e fico cheirando-a a cada 2 segundos, meu coração acelera sempre que o faço. Sou despertada dos meus pensamentos quando a porta se abre e minha mãe entra, mas ela não está sozinha ao lado dela está Daniel, ele está com algumas sacolas nas mãos e ambos estão sorrindo como se fossem melhores amigos a vida toda.
— Pode deixar em cima da mesa da cozinha — ela diz para Daniel.
— Tudo bem. Oi Anna — ele diz acenando para min.
— Oi — respondo secamente.
Minha mãe se aproxima e se senta ao meu lado no sofá.
— O que ele está fazendo aqui? — sussurro.
— Eu estava no mercada e acabamos nos encontrando. Ele foi muito gentil em me ajudar a trazer as compras, então o convidei para jantar com a gente essa noite.
— Jantar? Aqui? Você só pode está brincando — digo.
— Não vejo problema algum nisso.
— Claro que não.
—Tudo pronto Srta. Grey — Daniel diz.
— Muito obrigado meu doce, sente-se aqui enquanto preparo o jantar.
Ela se vai.
— Sentiu minha falta? — ele pegunta.
— Nem um pouco — respondo.
— Fiquei sabendo que você recebeu muitas visitas hoje.
— Quem te contou? — pergunto.
— Ninguém interessante.
— Você vai mesmo jantar aqui?
— Claro, eu não perderia por nada.
— Nada de gracinhas.
— Pode deixar minha senhora.
Ele ri.
— Você é patético.
— Não é o que a sua mãe acha.
— Porque ela não te conhece direito.
— Não acha que é você, que não me conhece direito? — ele pergunta.
— Absolutamente não — respondo.
— Se você está dizendo. Amanhã ás 06:00 você tem treinamento.
Ele muda o assunto.
— Às 06:00? Você está louco se acha que vou acordar essa hora.
— Você acorda por bem ou por mal — ele responde.
— Com certeza não vai ser por bem — respondo.
— Você realmente gosta do perigo, tome cuidado Grey.
— Eu sei me cuidar sozinha, obrigado.
— O jantar está pronto — minha mãe diz da porta da cozinha.
Minha mãe fez macarrão e lasanha quatro queijos, ela passa a noite inteira fazendo perguntas ao Daniel sobre o que ele pretende fazer depois que essa guerra terminar, se tem algum plano de formar uma família, se tem namorada [...] E assim vai até o fim do jantar. Quando ele finalmente vai embora, corro para o meu quarto escovo os dentes e ligo para Claire:
— Oi love!
— Você não vai acreditar no que aconteceu.
— O que?
— Minha mãe está tentando arranjar um namorado para min.
— O Gus não faz o tipo dela — ela brinca.
— Absolutamente não.
Nós rimos.
Conto tudo o que aconteceu a Claire, excluindo os detalhes sobre a guerra e o que Chuck me disse mais tarde, mas conto todo o resto.
— Chuck Bezaure deu em cima de você? Pensava que ele te odiava, pelo menos era o que parecia quando a gente era criança.
— Como sempre dizem vida é uma caixinha de surpresas.
— Realmente.
— Já é quase 00:00, vou dormir Claire, até amanhã.
— Ok love, até amanhã.
Apago as luzes e coloco o celular no criado mudo.
+++
Desperto com o barulho da janela, me levanto lentamente da cama e esfrego os olhos com as mãos para enxergar melhor. Em minha frente usando uma cimiseta apertada branca, uma bermuda cinza e um tênis de ginástica, com os cabelos loiros jogados desleixadamente para frente e com um sorriso no rosto que certamente qualquer garota morreria para ver, está Daniel. Olho o relógio e são 04:30 da manhã.
— Pensei que você viria só as 06:00 — digo sonolenta.
— E eu iria, mas resolvi vir mais cedo. Está pronta? — ele pergunta.
— Nem pensar — respondo.
Pego o cobertor e jogo por cima do meu corpo e deito novamente na cama.
— Anda Anna, não tenho todo tempo do mundo.
Ele puxa minha coberta e se deita ao meu lado.
— Gus não vai gostar de saber que você estava deitado comigo na cama — digo.
— Ouvi dizer que vocês não estão namorando, então na há problema.
Isso soa como um tapa na minha cara.
— Você quem sabe — respondo secamente.
Ele franze os lábios.
— Você não está bem com isso, não é mesmo?
— Claro que estou, — minto, não quero dar esse gostinho a Daniel. — Para que serve um namorado afinal? Apenas te fazer ficar cm casa aos sábados chorando e engordando mais 10 kg.
— Você está mentindo para sim mesma.
— Não, não estou — digo na defensiva.
— Você acha que ou burro? Sei que você gosta dele, mas já que ele não quer nada você fica fingindo que não senti coisa alguma por ele.
— Achei que você fosse meu "treinador", não meu concelheiro amoroso.
— Só estava tentando ajudar.
— Então não tente — respondo.
— Porque você é assim? — ele pergunta.
— Assim como?
— Porque você afasta as pessoas de você? Do que você tem medo, Anna?
— De nada — minto mais uma vez.
Mas a verdade é que desde que eu perdi meu pai, não consigo me entregar de corpo e alma para alguém, tenho medo de perde-la e ter meu coração dilacerado em mil pedaços iguais e nunca mais conseguir refaze-lo novamente.
— Já que você não quer falar, tudo bem — ele diz. — Mas terá que me fazer um favor.
— Que tipo de favor? — pergunto.
— Terá que sair comigo, sem desculpas.
—Gus não vai ficar bravo com você? Afinal vocês são amigos.
— Gus e eu, não somos amigos Anna.
— E por quê vocês pareciam na visão dele? — pergunto.
— Porque a gente estava bêbado nesse dia e você não viu o que aconteceu no final.
— E o que seria? — fico curiosa.
— Na hora certa você saberá — ele diz.
— Tudo bem, vou me trocar.
– Te espero lá em baixo, e hoje as 19:00 a gente vai sair, não esqueça.
Ele pisca para min e vai embora.
Deixo os pensamentos sobre ele e Gus irem embora e vou me arrumar. Coloco uma calça de moletom e uma regata preta, calço meus tênis e prendo o meu cabelo em um rabo de cavalo, passo um pouco de gel nas pontas para diminuir o volume dos cachos e desço para treinar com Daniel.
— Você demorou — ele diz.
Dou de ombros.
— Por onde vamos começar? — pergunto.
— Primeiro alongamento, de 20 voltas, despistando dos obstáculos.
Ele aponta para uma trilha e vários pneus espalhados pelo quintal.
— Tudo bem.
Dou a primeira volta desviando dos pneus e as trilhas que ele fez. Quando chego á quinta volta meu corpo está exausto, mas não posso desistir agora, dou mais cinco voltas e bebo um pouco de água. Quando finalmente chego a última volta tropeço em um dos pneus e caio. Daniel fica observando enquanto me levanto e continuo a volta, quando termino bebo mais um gole de água e me sento no banco.
— Você está bem? — ele pergunta.
— Vou ficar — respondo ofegante.
— Agora faça vinte flexões e depois vamos para o treinamento de verdade — ele diz.
Faço as vinte flexões, e quando finalmente termino, meu corpo inteiro pede apenas por uma coisa "Cama".
— Você tem cinco minutos para descansar — ele diz.
— Tudo bem capitão — respondo.
Passado cinco minutos, Daniel caminha em minha direção.
— Pronta? — ele pergunta.
Assinto com a cabeça.
— Òtimo, porque você vai lutar comigo.
Meu corpo estemece.
— Lutar com você? — pergunto pasma.
— Sim, você precisa estar preparada para uma luta — ele responde.
— Só me promete uma coisa.
— O que?
— Que não vai me matar.
Ele ri.
— Eu estou falando sério, Daniel.
— Você acabou de me chamar de Daniel? — ele pergunta.
— Algum problema?
— Nenhum, é bom ser chamado pelo meu nome.
— Vamos começar?
— Claro.
Fico com uma das mãos sobre o rosto e a outra um pouco mais para baixo. Daniel vem em minha direção, ele coloca a mão em minha cintura e arruma minha postura. Ele volta para sua antiga posição e faz o mesmo que eu, uma mão perto do rosto e a a outra um pouco mais para baixo. Ele conta até três e começamos a "luta". Tento acerta-lo mas ele se esquiva rápido de mais. Ele mira as mãos em meu rosto mas o corto rapidamente, pelo menos em desviar dos golpes eu sou boa, mas na hora de revidar nem tanto. Continuamos a luta e consigo dar um chute em sua virilha, claro que ele não sente nada, já que é um anjo caído e isso o ajuda muito.
— Poxa Anna, eu sei que você pode, me mostra aquela força que vi em você, que Gus viu em você.
Voltamos a nossa posição e tento mais uma vez acerta-lo mas sem resultado, continuo revidando e então o acerto no queixo. Sangue escorre por ele, mas ele não parece perceber, dou outro soco dessa vez em seus olhos e sinto um leve remorsso ao ver aqueles lindos olhos azuis roxos.
— Eu sei que você pode mais do que isso — ele diz.
Tento dar outro soco nele, mas ele me segura pelo braço e me derruba no chão. Ele senta-se sobre mim, imobilizando minhas pernas e braços.
— O quê você pode fazer Anna? Pense.
Olho no fundo de seus olhos e me concentro, já fiz isso várias vezes quando era criança, sempre que eu queria alguma coisa me concentrava nos olhos das pessoas e pensava no que eu queria e pronto. Nunca entendi porque conseguia fazer isso. Os olhos de Daniel continuam fixos nos meus e quando ele vacila, uso meu corpo como escudo e o jogo para baixo trocando de lugar com ele, seguro seus braços e pernas o mais forte que consigo.
— Como você faz isso? — ele pergunta arfando.
— Poder feminino — respondo.
Saio de cima dele e me sento no banco.
— Então continue usando, porque está dando certo.
— Pode deixar — sorrio.
— Anna Grey sorrindo para min, hoje é o dia dos acontecimentos mesmo.
— Não estrague o momento —- digo.
— Espere, estamos tendo um momento Anna?
Um sorriso malicioso aparece em seus lábios.
— Acho que já está na hora de você ir, são quase 08:00 e eu preciso realmente ir para escola — digo.
— Tudo bem, te vejo as 19:00.
O levo até a porta e espero até que ele desapareça pela rua para finalmente fecha-la. Subo as escadas e vou até o quarto, pego uma calça jeans clara e uma blusa azul com o ombro caído de um lado e tomo um banho rápido. Visto a roupa e calço minha sapatilha de bailarina azul, penteio o cabelo e o deixo solto para secar, pego minha mochila e meu celular e desço até á cozinha para tomar café. Quando entro minha mãe está sentada na mesa vestindo um sobretudo e bebendo café. Seus cabelos estão presos e um coque com alguns fios soltos, deixando-a ainda mais linda.
— Você acordou cedo meu amor.
— Daniel esteve aqui para me ajudar a treinar.
— E como foi? — ela pergunta empolgada.
— Normal — respondo.
— Não aconteceu nada de mais?
— Não mãe.
Ela parece decepicionada.
— Vou tomar meu café no quarto e depois vou para o trabalho, boa aula meu amor.
Ela me da um beijo no rosto e se vai.
Pego um pedaço de bolo de chocolate na geladeira e um pouco de suco de goiaba, como rápido e lavo a louça. Pego minha mochila e sigo até a casa da Claire. Não demoro muito á chegar, aperto a campainha e a Sra. Prior abre a porta e me manda entrar. Faz muito tempo que não venho a casa da Claire mas nada mudou exceto pelos porta-retratos que estão com fotos mais novas, mas as estantes de livros empoeirados e o raque de madeira escura antigo continuam os mesmos, o sofá-cama beje que eu e Clare brincavamos quando criança também continua no mesmo lugar com a mesma capa vermelha que não o cobre por completo.
— Olá, love — Claire diz, me afastando dos pensamentos.
— Oi, vamos?
— Claro, vou pegar as chaves do Neon.
Ela se vai pela porta de entrada da cozinha.
— Pronto love, a gente já pode ir.
A sigo até a garagem e entramos no Neon.
— Está tudo bem com a sua mãe? — pergunto.
— Sim, porque a pergunta love?
— Não sei, ela parece diferente.
— Ela está assim desde que soube que o papai vai se casar com outra mulher.
— Isso é sério? — pergunto surpresa.
— Sim, parece que a porca humana, finalmente conseguiu o que queria.
Nós rimos.
Alguns minutos depois estamos na Cord&Sword. Claire deixa o Neon no estacionamento e vamos para a aula da Sra. Sophia. Me sento ao lado de Gus e Claire ao lado de Carter.
— Oi, amor — Gus diz.
— Oi — sorrio.
— Aconteceu alguma coisa amor?
— Não respondo.
Me sinto culpada por não dizer a ele sobre o encontro com o Daniel, mas sei que ele não me perdoaria se soubesse, mas que diferença faz? Não somos namorados mesmo e provavelmente nunca seremos.
— Você vai fazer alguma coisa hoje a noite? — ele pergunta.
— Sim, tenho alguns trabalhos para terminar — minto.
— Você parece nervosa — ele diz.
— Impressão sua — respondo.
As horas se passam no mais profundo silêncio. Gus me fita com os grandes olhos negros a cada dois minutos, como se soubesse que estou escondendo alguma coisa.
O sinal finalmente bate, e eu corro até a saída, quando estou quase chegando ao estacionamento sinto uma mão em meu ombro, me viro para ver quem é e quase levo um susto quando vejo Gus tão perto de min.
– Porque você está me evitando?- ele pergunta.
Seus olhos brilham, como os de um cachorrinho sem dono.
— Não estou te evitando — respondo.
— Você acha que eu não sei quando uma garota está me evitando?
— Tudo bem, eu estou te evitando — respondo.
— E por quê motivo?
A culpa insiste em bater e não consigo mais segurar:
— Porque vou sair com o Daniel e porque, porque eu realmente fico nervosa quando estou perto de você.
Mas Gus não parece ter escutado a última parte.
— Você vai sair com o Daniel?
O brilho dos seus olhos se apagam e é tomado por raiva.
— Sim, algum problema? — pergunto irritada. — Eu e você não temos nada e eu posso sair com quem quiser.
— Tudo bem, então sai com Daniel — ele diz calmamente.
Ele se vira e vai embora.
— Gus! Gus! Gus! — grito enquanto ele se afasta.
Droga estraguei tudo, penso. Espero até Claire chegar ao estacionamento e entro no Neon, passamos o caminho inteiro em silêncio e agradeço a ela por isso. Quando chego em casa corro para o meu quarto e tranco a porto. Me jogo sobre a cama e espero que as lágrimas venham.
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