Thomas olhou em volta. Brenda segurava sua mão e tentava conter as lágrimas. Minho, ao seu lado esquerdo, estava apoiado na parede, evitando contato visual com os outros presentes. Caçarola, Aris e Jorge estavam próximos à porta, conversando em voz baixa. Quando Brenda percebeu que ele estava acordado, alertou os outros, que se aproximaram do leito.

— Você vai ficar bem, Tom — ela disse, a palma suada demonstrando seu nervosismo — vamos cuidar de você.

— Cuidem uns dos outros — pediu ele.

— Nós iremos. Mas não conseguirei se você não estiver aqui.

Ele tentou responder, mas de repente Brenda não estava lá. Thomas se viu em um cômodo branco, que o fez lembrar da terceira fase do Experimento.

— De novo, não...

— Calma, filho — uma voz feminina encheu sua mente. Ele olhou em volta. Uma mulher dirigiu-se a ele — acabou.

Calouro. Trolho. Tom. Tommy. Candidato Final. Thomas já havia sido chamado de vários nomes, mas filho era algo novo para ele.

— Mãe? Eu morri?

Ela se aproximou e tocou seu rosto com carinho. Os dois caminharam em direção a um jardim, onde Teresa, Newt e Chuck os aguardavam. O menino abraçou Thomas com alegria.

— Chuck, eu sinto tanto pela sua morte... — soluçou ele. O outro apenas assentiu e se afastou para que Newt cumprimentasse o amigo.

— Você fez o que precisava ser feito. Obrigado — falou Newt — eu estava sofrendo muito, e nós dois sabemos que não havia como me salvar, Tommy.

Teresa manteve-se distante e esboçou um sorriso.

— Eu a perdoei, Teresa. Em algum momento da minha vida, eu a perdoei. E lamentei não ter podido dizer isso a você.

— Obrigada, Tommy.

— Você cumpriu seu destino e ajudou muita gente — afirmou sua mãe — estou orgulhosa de você.

— Para onde vamos? — quis saber ele.

Os quatro apenas se viraram e indicaram o caminho para Thomas, sem dizer qualquer palavra.

Minho jogou o casaco na cadeira e sentou-se na beirada da cama, apoiando a cabeça nas mãos.

— Alby, Newt e agora Thomas... Todos eles se foram...

Olhou para o chão e viu que um envelope havia caído do bolso da jaqueta. Levantou-se, pegou o envelope e tornou a sentar. Tirou a carta que havia ali dentro e leu:

Minho,

Sei que em breve não estarei mais aqui. Somos Imunes ao Fulgor, meu amigo, mas não à ordem natural da vida. Por isso, quero lhe agradecer por ter me ajudado tantas vezes. Se os Clareanos eram minha família, você era meu irmão mais velho. Irmãos brigam, se entendem... E perdoam. Quando estávamos fugindo da sede do CRUEL, há tantos anos atrás, Newt me entregou uma carta, que eu coloquei neste envelope. Quero que saiba que eu fiz o que ele pediu. E que esse fato me perturbou por cada segundo da minha vida. Mas você tem o direito de saber. Lamento não ter conseguido contar-lhe quando meu coração ainda batia. Espero que possa me perdoar.

Obrigado por tudo.

Thomas

P.S.: Estive pensando, durante todos esses anos... De onde vem o seu apelido?

— Vou sentir sua falta, trolho de mértila — sussurrou Minho, com os olhos marejados e um sorriso triste no rosto.

Notas finais
Eu sei que isso de "cuidem uns dos outros" ficou muito Convergente, sinto muito por esse detalhe!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!