O Acampamento - Uma Ultima Vez

15 Capitulo XIV - Uma Terra Sem Magia


Tinha chegado à noite e Léo estava se preparando para ir até a gruta. Antes de ir, já que o Leonardo e o Henry já se encontravam no local, ele foi até onde o Gustavo estava. Sentou-se em uma cadeira ao lado da cama e pegou na mão dele.

― Eu sei que não era nada disso que a gente queria, mas as coisas acontecem por algum motivo. — Começou a falar — Eu não sei se você está me ouvindo igual dizem que as pessoas em coma conseguem ouvir, mas eu queria que você soubesse que eu não vou descansar até o ultimo segundo pra te tirar dessa situação. Eu sei que pode parecer estranho pra você, mas te ver dessa forma me fez ver o quão importante você é pra mim. Eu não paro de pensar em você aqui comigo, eu quero você aqui comigo. — Ele fez uma pausa — Eu quero você. Essa é a verdade. Você esteve comigo o tempo todo, me ajudou quando eu precisei e vou ajudar você a sair dessa. Eu te prometo, ou morrerei tentando.

― Eu sabia que isso estava acontecendo — Falou a mãe do Gustavo chegando no quarto — Eu não queria ter ouvido, foi sem querer.

― Sem problemas. — falou o Léo com um sorrio tímido no rosto.

― Eu sei que se ele estiver ouvindo, ele está feliz em saber que o que ele sente por você é correspondido.

― Como assim correspondido? — perguntou o Léo.

― Se eu te falar que desde que ele começou a frequentar o acampamento comigo, ele sempre te olhava de longe? — falou ela sentando ao lado do Léo — Eu só não quis que ele se machucasse, na verdade nem foi por isso.

― Foi porquê? — perguntou o Léo.

― Ele sempre teve muita certeza de que essa doença iria levar ele cedo ou tarde, então ele não queria que alguém se apegasse a ele e depois que ele fosse embora, a pessoa sofresse. Ele gosta de você, ele achava que era apenas uma espécie de atração sexual, mas depois que vocês fizeram o que fizeram, ele acabou tendo certeza que estava e sempre esteve apaixonado por você.

― Por que ele não me falou nada? — perguntou o Léo.

― Pelo motivo que eu te falei meu amor.

― Mas eu já tinha combinado com meu pai que iriamos pagar o tratamento dele. Você está com a gente a muito tempo, vocês fazem parte da família. e eu queria que você pudesse vier com seu filho. A gente teria acelerado as coisas, e agora estamos quase sem tempo.

Foi nesse momento que o Léo percebeu o horário.

― Eu vou resolver isso, eu prometo. — Ele saiu correndo sem olhar para trás.

Ele correu sem parar, entrou na trilha aos fundos do acampamento e seguiu correndo até a parte de onde dava pra ver o reflexo da lua nas águas da cachoeira. Chegando lá o Henry e o Leonardo já estavam lá.

― O que precisamos fazer? — falou o Léo.

― Existe um feitiço que irá retirar a magia de todo esse universo. Fazendo assim as pessoas voltarem ao normal. — falou o Henry.

― Isso irá salvar o Gustavo? — perguntou o Léo.

― Se ainda tivermos tempo, sim, irá salvar ele. — falou o Henry.

― Mas tem um porem, correto? — perguntou o Léo.

― Sim, como eu e o Leonardo somos parte dessa magia, iremos voltar para onde estávamos antes de virmos para cá. — falou o Henry.

― Eu não sei o exato motivo que me fez vim parar aqui, mas creio eu que já seu o que preciso fazer para acabar de uma vez com o filho de Zeus. — falou o Leonardo — Acho que minha viagem até aqui, era para poder adquirir essa magia, mas como ela será apagada, então o motivo foi outro.

― Qual o motivo? — perguntou o Léo.

― Um dia você irá entender também. — falou o Leonardo.

― Mas antes eu preciso que você me prometa uma coisa — falou o Henry entregando o livro da família dele para o Léo — O feitiço é esse aí, vai levar toda a magia adquirida por aqueles que não deveriam ter magia, e vai selar a magia daqueles que já nasceram com ela. Isso pode atrair vários inimigos para você, pois eles irão querer saber quem os privou de usar a magia. Prometa que vai se cuidar, e que não irá fazer nada que um dia se arrependa.

― Do que você está falando? — perguntou o Léo.

― Todo o sentimento que você decidiu apagar em relação ao Vinicius, irá voltar com toda a força, e você poderá querer recorrer a outros meios para esquecer ele. me prometa que não irá fazer isso e que vai deixar a vida seguir seu rumo.

― Eu prometo. — falou o Léo — Até porque eu tenho um outro motivo para querer a magia longe daqui.

― Creio que sei esse motivo. — falou o Henry — Então minha missão aqui está cumprida.

― Se você tinha esse feitiço, porque não falou antes? — perguntou o Léo.

― Porque eu vim pra cá, com a intenção de fazer as coisas diferente, de fazer com que salvássemos o Gustavo, sem precisar que você tivesse as memorias com o Vinicius de volta, porque eu sei o quanto isso te machuca, mas essa é a única forma de salvar ele, então não perca mais tempo.

― Como você sabe de tudo isso? — perguntou o Léo.

― Por favor, só faça o feitiço. — Falou o Henry.

Sem argumentar mais nada o Léo começou a recitar o feitiço, usando os elementos que estavam sendo citados no feitiço, ao final, ele perdeu a consciência por alguns segundos, mas logo em seguida acordou.

― Será que deu certo? — perguntou o Léo.

Não precisou ninguém responder, ele apenas começou a ver a pequena chuva de magia que tinha atingido todos eles, acontecer novamente, só que dessa vez o processo era o inverso. Ao invés de cair sobre a terra, ela estava voltando pro local de origem, a Lua.

― Creio que deu certo. — falou o Leonardo.

― Você está.... — falou o Léo.

O Leonardo estava começando a desaparecer.

― Creio que é minha vez de ir embora, obrigado por esses dias aqui com vocês, me ensinaram algo que eu estava esquecendo. — falou o Léo que em seguida olhou para o Henry — Hora de você ser sincero com ele.

Ao falar isso, o Leonardo desapareceu.

― O que ele quis dizer com você ser sincero comigo? — perguntou o Léo que logo viu o corpo de Henry ir se desbotando.

― Eu sei muita coisa sobre você, porque você mesmo contou pra mim. De onde eu venho você é uma pessoa incrível, alguém que me ensinou tudo que eu sei hoje. Se eu sou um bruxo poderoso, foi que eu tive quem me guiasse pelo caminho certo, você. — Falou ele com algumas lagrimas nos olhos.

― Isso significa que você veio do...

― Sim, eu vim do futuro. — falou ele — Quebrando todas as regras possível só para tentar fazer você fazer algo diferente dessa vez, espero que isso não tenho consequências serias quando eu voltar, porque mexer com o passado é algo realmente muito perigoso. porque ouvir você falar sobre o Vinicius com tanta dor na voz, me fez querer vim até aqui e tentar corrigir isso, mas acho que isso deve ser um ponto fixo no tempo, você tem que passar por isso pra conseguir ser a pessoa forte e determinada que você é. Agora via lá, salva o seu garoto e nunca esqueça de uma coisa, eu te amo muito, papai.

Henry falou e logo em seguida desapareceu, tacou a bomba no colo de Léo antes de desaparecer. Henry tinha vindo do futuro, para tentar ajudar o seu futuro pai.

― O QUE?

Leonardo não sabia muito o que pensar no momento. Apenas saiu correndo em direção ao centro médico, corria o máximo que podia, ele queria poder ver se tudo que foi feito tinha valido a pena. enquanto corria pelo acampamento ele via alguns campistas meio desorientados, como se não soubesse o que estava acontecendo ou simplesmente confusos.

Chegando no quarto onde o Gustavo estava, ligado aos aparelhos que tentavam o manter vivo até a transferência para um hospital fosse feita. Ele sentou-se na cama e segurou a mão dele.

― Volta por favor. — falou ele.

Mas foi nesse momento que os aparelhos pararam. O que fez o coração do Léo palpitar cadê vez mais forte, e o desespero tomar conta do corpo de Léo. ele apenas pegou o Gustavo no colo, retirando todos os aparelhos e começou a chorar.

Nesse momento a enfermeira e a mãe do Gustavo entraram no quarto, mas já sabia que era tarde demais.

― Amor, ele se foi. — falou a mãe do Gustavo.

― Como você pode estar tão calma? — falou o Leonardo com lagrimas nos olhos.

― Eu posso estar destruída por dentro, mas ele me ensinou e me preparou pra isso durante os últimos anos, claro que eu não queria que meu filho se fosse, mas a gente já sabia disso.

― Não, eu não posso. — Ele olhou par ao Gustavo, colocou o ouvido próximo ao peito dele — Você consegue me ouvir? Por favor, não me deixe.

Ele chorou mais um pouco, colocando a mão no peito do Gustavo, sentiu algo, sentiu uma pulsação em sua mão. Não era o coração do Gustavo, era outra coisa. Ele tinha acabado de extinguir a magia, não poderia ser isso.

― Eu ficarei tão perdido sem você aqui, sei que você e eu nos conhecemos a pouco tempo, mas você sempre quis estar comigo, não é mesmo, não é agora que você vai desistir do que queria, você não pode desistir. Espere, não vá, eu ainda te quero, não importa o que aconteceu nos últimos meses, Volte pra mim, eu preciso de você como nunca antes. Deixe-me fazer o certo e segurar sua mão pelos próximos anos. Eu vou concertar tudo, e quero te amar por toda a minha vida. Volta pra mim.

Parecia até magica, Leonardo beijou a testa dele e depois de alguns segundo ele ouviu a sua resposta.

― Só prometa não gritar tanto assim no meu ouvido se isso acontecer de novo. — falou o Gustavo abrindo os olhos.

A mãe de Gusttavo quase caiu pra trás, porque ela tinha se preparado pra isso durante muito tempo, ele queria que ela não chorasse quando ele partisse, mas ela estava chorando, mas de alegria, porque o filho tinha voltada dos mortos, praticamente. Ela foi até ele, que estava no colo do Léo, e pegou na mão dele.

― Como? — perguntou ela.

― Eu não faço ideia, ou talvez tenha uma suspeita. — falou ele olhando para o Léo e sorrindo.

― Não ouse fazer isso novamente. — falou Léo dando um selinho nele.

― Vou tentar, mas não prometo nada.

No começo da semana seguinte, era o último dia do acampamento. Leonardo tinha descoberto que nenhum deles se lembraram do período que tinham adquiridos magia, ou virados vampiros e lobos, era como se nunca tivesse acontecido. Gustavo tinha se recuperado e conformo combinado, no fim de semana iria começar o tratamento, por amis que ele tivesse se salvado da morte, a doença ainda estava com ele, mas agora ele tinha uma chance de sobreviver.

Gustavo, Ruan e o Léo estavam na cabine, preparando as coisas para irem embora.

― Vejo vocês na próxima temporada? — perguntou o Léo.

― A temporada de verão ou a de inverno? — perguntou o Gustavo.

― A de inverno talvez. — falou o Léo.

― Eu voltarei, com certeza. — falou o Ruan — Mas eu ainda acho estranho que eu tenho recordações de um sonho que não era só nos três aqui nessa cabine, tinha mais dois.

― Vamos, preciso agradecer a todos.

Todos se reuniram no local do primeiro dia, e Leonardo começou a falar.

― Queria agradecer a todos pela excelente temporada de verão que tivemos, todos se comportaram e isso aumentou a confiança de vocês e dos seus pais em relação a gente. Espero vê-los novamente na próxima temporada.

Todos agradeceram e se encaminharam até seus transportes. Exceto uma pessoa que veio em direção ao Léo, o Vinicius.

― Léo, desculpa por tudo que eu fiz você passar, eu me comportei como um egoísta e não queria que você achasse que eu fosse um monstro, sinto muito ter passado essa impressão.

― Estou bem, estamos bem. Espero que tenha uma ótima viagem de volta. — falou o Leonardo com um sorriso no rosto.

Vinicius apenas abaixou a cabeça e se afastou em direção aos ônibus. Gustavo chegou próximo do Léo.

― Você ainda sente algo por ele? — perguntou o Gustavo.

― Se eu sinto ou não, creio que isso não é mais importante.

Leonardo segurou na cintura do Gustavo, dando um beijo nele.

― O importante que eu e você estamos aqui e vamos cuidar disso aqui, juntos. — falou o Léo — Você será meu monitor na próxima temporada, vamos ajustar tudo.

― Nós dois? — Perguntou o Gustavo um pouco vermelho.

― Sim. se você aceitar.

― Se eu estiver vivo até lá. Eu aceito. — falou ele.

― Estará sim, e além de meu monitor, será meu namorado? — perguntou o Léo.

― Você tá falando sério? — perguntou o Gustavo.

― Só ser você quiser.

― Claro que eu quero. — falou ele dando um beijo no Léo — Mas antes de irmos embora, vamos em um outro lugar.

Falou o Gustavo puxando o Léo em direção a gruta, o local onde o Gustavo teve a certeza que era o Léo que ele queria pro resto da vida.