O Acampamento Místico
2 Lugar estranho, gente esquisita.
Notas iniciais
O nome dela era Mizori Shadownight, a diretora do Acampamento Místico. É claro, Dominic estava sonolento demais para escutar qualquer palavra que saia de sua boca num primeiro momento. Poderia ser algo bom para ele, porque sua voz era tão sombria e sem entonação que o faria ter arrepios até morrer.
Enquanto a responsável atual pela enfermaria – uma pequena moça, de cabelos cacheados e escuros, chamada Marie (que também era uma ninfa, a propósito) – se esforçava para cuidar dos ferimentos e de trazê-lo de novo para a consciência, ele conseguia ouvir as vozes conversando entre si.
— Estão aparecendo pessoas muito estranhas nos últimos tempos, nunca vi esse lugar tão agitado.
— É uma verdadeira novidade, mas agitado não costuma significar bom, lady Marie. Se os campistas tiverem tendência a arrumar problemas, os guardiões podem ficar irritadiços.
— Ahn, mas é divertido mesmo assim… e dessa forma a senhorita não fica sozinha, não é?
Silêncio. A voz sombria não respondeu a isso. E mesmo que tenha feito tal coisa mais tarde, Don já havia apagado novamente, então não poderia ouvir. Seus sonhos vagavam por veredas escuras e incompreensíveis. Ele pôde constatar que era melhor manter-se acordado do que dormindo.
Quando despertou, estava sozinho na tenda. Nem sinal de Marie e muito menos de Mizori. Mas não demorou realmente para que ela entrasse na enfermaria, com seus passos longos e estudados, a pele pálida contrastando com as vestes negras. Seus olhos escuros encararam-no em silêncio, e ridiculamente Don teve receio que ela falasse…
Se ela viu isso em seus olhos, não se incomodou. As palavras seguintes chegaram até ele do mesmo jeito: — Dominic, correto? Espero que esteja sentindo-se melhor.
Ele estremeceu, mas pôde notar que não sentia mais dor. Passou os olhos pelo braço anteriormente ferido e o viu devidamente tratado. Ficou tentado em desfazer o curativo extenso para ver se já tinha se curado totalmente, logo desistindo. Tateou, então, a cômoda ao lado da sua maca, tentando recuperar seus óculos. Quando encontrou-os e os colocou, tendo uma visão mais nítida de sua anfitriã, aquele mal estar voltou a descer sobre ele.
— Relaxe, Senhor Dominic. Ninguém aqui lhe fará mal algum. — ela deu-lhe as costas, caminhando até a entrada da tenda e abrindo-a, num convite mudo para que ele levanta-se e a seguisse.
Don preferiu acreditar nela. Afinal, se estivesse realmente em um lugar perigoso, não podia fazer muita coisa para sair dali. Nem ao menos sabia onde era “ali”. Lembrou-se vagamente da conversa com as fadas… talvez tivesse enlouquecido de vez. Sonho aquilo definitivamente não era.
Pôs-se de pé com cuidado, afinal não sabia por quanto tempo estava desacordado. A julgar pela quantidade de luz vinda de fora, anoitecia. Não queria levantar como um doido apavorado (o que não era muito diferente de seu estado atual) e cair novamente por causa de uma vertigem. Então, dirigiu-se até a mulher, que o esperava, ainda virada para a saída.
Emparelhando-se com ela, teve uma nova visão do lugar em que estava. Num primeiro momento, achou que temeria aquele dito acampamento quando a noite chegasse, mas não era isso que ocorria. Havia movimento, muitas pessoas diferentes – algumas de aparência absurda, até – caminhando de um lado para o outro. A maioria parecia ansiosa para juntar-se em volta da fogueira que notara quando chegou, nesse momento acesa. Era muito maior do que julgara, a princípio.
Os três chalés e a Casa Grande tinham as varandas iluminadas. Mesmo aquele que achava mais sombrio espalhava um pouco de luz, embora esta fosse avermelhada e contribui-se para seu aspecto amedrontador.
Luzes piscantes intercalavam-se no ar, mostrando diversas cores. Pareciam pequenos vaga-lumes, e Don reparou que elas seguiam algumas das pessoas que se afastavam demais da fogueira e das construções, como se fossem ativadas pela vontade delas para que não andassem no escuro. Outros seres, contudo, mantinham-se à margem da claridade, evitando-a completamente.
— Seja bem-vindo ao Acampamento Místico. — a voz sem entonação ao seu lado chamou-o de volta à realidade. — Um lugar onde humanos e seres sobrenaturais vivem em harmonia.
Dominic não soube o que dizer.
A visão do acampamento a noite enchia seus olhos, assim como acontecera quando ali chegara. Diferentemente da última vez, contudo, seu pavor havia desaparecido quase por completo, dando lugar a uma extrema curiosidade. Talvez tivessem drogado-o na enfermaria, ou aquela calmaria finalmente amansara seus pensamentos. — Por que estou aqui?
— Foi escolhido.
— Por quem?
Mizori não fez mais que abrir os braços, num gesto que englobava tudo o que havia à volta. Don engoliu em seco, achando tal resposta nada explicativa. Havia tantas formas de compreender aquilo, e nenhuma delas pareceu-lhe lógica. — Quer dizer todos vocês ou…
Os olhos escuros cravaram-se mais uma vez nele. Como sempre, o rosto estava inexpressivo, mas teve a clara certeza de que ela estava querendo dizer algo bem próximo de “Não faça perguntas estúpidas assim.”
— Oh…
Não… aquilo não era possível…
Nessa altura do campeonato, acreditaríamos que Dominic não era capaz de duvidar de mais nada, mas este é um engano comum. A ideia de que um lugar tinha vontade própria era-lhe ridícula. Ele aceitaria de boa se dissessem que fadas existiam, árvores andavam e objetos falavam, agora um lugar inteiro com consciência?
— Inacreditável.
— Não me cabe convencê-lo do contrário. Mas sim, dizer-lhe que este local está em todos os lugares e em nenhum ao mesmo tempo. Que ocasionalmente pessoas aleatórias são atraídas a ele. E, acima de tudo, devo avisá-lo que não há maneira de sair daqui.
— Que diabos… — aquela calma que sentia desvaneceu-se. — O que quer dizer com isso?
— O que eu disse. — mais uma vez aquela sensação de que ela estava repreendendo-o mentalmente, questionando sua inteligência. Teve certeza de que Mizori, além de assustadora, não era nada agradável. — O Acampamento existe com o propósito de manter a paz entre os povos que aqui chegam, justamente porque estão presos.
— Você quer mesmo que eu acredite que esse lugar simplesmente escolhe quem entra e quando a pessoa sai? Como se fosse algum tipo de seleção intencional?
— Exatamente.
— Ha… ridículo. Definitivamente. Olha, eu agradeço terem cuidado de mim e tudo, mas eu tenho uma vida, e pretendo voltar para ela. — retrucou, num tom ácido, ousando pela primeira vez encará-la. — Espere… você não está nem um pouco surpresa com isso!
— Não. Estou acostumada a descrença daqueles que aqui chegam. Normalmente, humanos como você sempre enveredam por esta mesma ladainha. Sugiro que coma algo antes de tentar fugir.
O homem entreabriu os lábios e continuou observando-a, incrédulo. Depois, a raiva fez com que perde-se o pouco de prudência que ainda tinha. — Ora, vá se…
— Vejo que o novato é um tanto quanto estourado. — duas mãos fortes apoiaram-se em seus ombros. — Lady Mizori… deixe-o por minha conta. É um dos meus, certo?
— Decerto, Michael. Leve-o aos seus aposentos. Cuide para que fique bem confortável.
A pessoa que o segurava empurrou-o delicadamente para trás, de maneira que Dominic ganha-se distância dela, e só então forçou-o a virar-se, caminhando com ele em direção aos três chalés. — Oh, essa foi por pouco. Se eu fosse você, não sairia xingando a Diretora do Acampamento assim… além de deselegante, nunca se sabe o que ela pode fazer a respeito.
Don sacudiu-se para que o desconhecido o solta-se. Seus pelos eriçaram-se ao constatar, quando tentou enxergar a tenda de onde havia saído, que Mizori não estava mais lá. O mais lógico era que ela tivesse adentrado a enfermaria novamente, mas soube em seu íntimo que não era nada disso. — Que mulher mais estranha.
— Ela não é tão má quanto parece. — o homem deu de ombros. Tinha cabelos loiros e curtos, olhos azuis muito claros e vestia-se de maneira social. Era alguns centímetros mais alto que Don, e tinha por volta de vinte anos, embora quando sorrisse parecesse mais novo. Estava sorrindo no momento… na verdade, Michael sorria praticamente o tempo inteiro.
— Se me disser que é uma boa pessoa, não vou acreditar.
— Ah, isso ela também não é. Não vai querer vê-la sendo realmente má, acredite em mim. — deu um breve tapinha em seu braço recém-curado, e Don agradeceu mentalmente por não sentir mais dor. Depois, lhe estendeu a mesma mão, num cumprimento. — Michael, Supervisor do Chalé dos Humanos.
— Dominic. Detetive de Miami. — apertou a mão estendida. — Você disse supervisor?
Michael assentiu com a cabeça. — Sim. Percebe que há três chalés diferentes? — ele estendeu a mão para mostrá-los, não que isso fosse necessário, estavam bem a frente deles. — Um pertence aos humanos, sendo este o do meio. Está sob a minha responsabilidade, e é onde você ficará. O trabalho de um Supervisor é cuidar para que as diversas pessoas que vivem no mesmo chalé não se atraquem. Não com frequência, pelo menos.
— E quanto aos outros?
— O da direita é para os Seres de Luz. Não há um supervisor no momento, ele foi embora faz pouco tempo. O da esquerda… esse, com a luz vermelha e essa aura meio pesada… é a morada dos Seres das Trevas. A Supervisora é Morgana. Quase sinto pena dela, os problemas maiores sempre vem de lá…
Dominic fez uma careta. Por que será? — pensou, enquanto colocava ambas as mãos nos bolsos da calça que ainda usava. Felizmente não deixaram-no nu ou com roupas horrorosas de hospital, mas era inegável que suas vestes estavam limpas, sem sinal da poeira e dos rasgos que obtivera na perseguição do ladrão.
— É uma separação um pouco difícil de entender…
— Não há nada muito complicado. Humanos são humanos, com poderes especiais ou não. Seres de Luz estão ligados normalmente à natureza e à divindade. Os Seres das Trevas são frutos de maldições, normalmente, preferem a noite ou vem diretamente do Inferno.
— Do Inferno…?
— Sim. Demônios desgarrados. — Michael rumou para o chalé do meio, subindo as escadas que levavam à varanda, e tocou a maçaneta da porta da frente para abri-la. O ambiente interno da residência surpreendeu Don. Era uma extensa sala comunal, com direito a poltronas de aparência muito confortável e uma lareira, prateleiras repletas de livros e uma escadaria mais simples que deveria levar ao segundo andar.
Aquilo definitivamente não deveria caber no chalé, por maior que ele parecesse por fora.
Não havia alma viva lá dentro. O supervisor explicou que os “campistas” preferiam se reunir a volta da fogueira quando a noite caía, embora alguns gostassem da solidão de seus quartos. Havia outros que ficavam na sala comunal, mas naquele dia, ela estava vazia. Ignorando as perguntas que tinha na ponta da língua, Michael seguiu caminho, conduzindo-o pela escadaria de madeira e levando-o a um corredor muito extenso. Ridiculamente extenso.
As paredes pareciam ter sido revestidas com veludo azul ciano, assim como o teto e o piso. Inúmeras portas perfilavam-se de cada lado, cada uma diferente da última. A primeira da direita era a mais comum, de madeira pintada de vermelho, com uma plaquinha oval e o nome “Michael Stone” gravado, abaixo de outro nome que parecia ter sido riscado com um canivete até ficar ilegível.
— Meu quarto… caso aconteça algum acidente e precise da minha ajuda ou… se só quiser alguém para conversar.
— Por que raios o outro nome foi riscado?
— Decidi mudar. — Michael deu de ombros, como se fosse a coisa mais natural do mundo, e recomeçou a andar. — Nunca gostei muito de “Hisashi”.
— Tem origem japonesa?
— Apenas uma mãe fascinada por cultura oriental. — balançou a mão, unindo-a a outra, atrás de suas costas. — A primeira coisa que deve saber depois de chegar, ignorando-se aquela história óbvia de estar preso aqui e tudo o mais, é que você é livre para fazer a maior parte das coisas que desejar, desde que não prejudiquem outro campista. Mas vou deixá-lo avisado, nem todos nós seguimos essa regra. Existem desajustados, seres que não se conformam de estar aqui ou de serem forçados a viverem em paz com seus… hum, inimigos naturais. Geralmente os Supervisores e Mizori, assim como mais alguns guardiões, conseguem lidar bem com o problema. Mas existem exceções, às vezes as coisas saem do controle, então alguém acaba morto.
— É nessa hora que você deveria dizer que esse local é seguro e eu não deveria me preocupar?
— Eu poderia dizer, mas é sempre melhor avisar. Melhor prevenir do que remediar, não é o que dizem? — ele estalou os dedos, abrindo um sorriso largo. — Na verdade, eu duvido muito que alguém mexa com você se não dar razão para isso, então… o aviso mais importante é para que você não seja o assassino encrenqueiro, ou Lady Mizori não terá a mais remota sombra de compaixão.
Don preferiu não dizer o quão fatalista aquilo soava. — E quanto as fugas? Ela não se importa se tentam escapar?
— Nem um pouco, se a pessoa conseguir é porque o lugar simplesmente não precisa de sua presença. Pessoalmente não aconselho-o a tentar, os guardiões podem encontrá-lo… e há certos perigos em andar sozinho, principalmente pela floresta.
— Me sinto aprisionado em uma gaiola.
— Essa será a melhor prisão que encontrará.
O detetive passou seus olhos pelas portas, tentando desviar a atenção dos comentários arrepiantes do companheiro de caminhada, ditos com um otimismo perturbador. Ele simplesmente não sabia dizer o que achava daquilo. Michael não parecia ser uma pessoa ruim, apenas feliz demais, ou talvez totalmente despreocupado.
Seus olhos correram pelos nomes gravados nas placas de cada porta, sem se deterem demais. Ocasionalmente, um ou outro chamava-lhe a atenção, e o supervisor se apressava em fazer algum comentário mínimo sobre seu ocupante. Havia Eyen no Yami, louco o bastante para tentar ganhar o coração da diretora; Et e Cetera, cujos quartos eram grudados um no outro, formando o trocadilho, e tinham vindo de um circo de bizarrices; o casal de gêmeos Reatfield, com seus quatorze anos, pequenos encrenqueiros que tinham sobrevivido à Mizori…
E muitos, muitos mais.
Em um dado momento, passaram por uma porta que literalmente fora pintada, uma tela absurdamente realista mostrando uma entrada de madeira e vidro, com o que parecia ser uma chuva de meteoros retratada do outro lado. O nome “Louise” havia sido rabiscado na maçaneta, seguindo seu contorno arredondado.
— Hum… — Michael franziu o cenho para a porta, ele não parecia saber o que dizer com relação à sua dona. — Imagino que seja melhor você conhecê-la pessoalmente antes que eu diga algo.
— Quer dizer que é antissocial ou maníaca.
— Uma boa parte dos que estão aqui estão entre um e outro. Ah! Chegamos!
Ambos pararam em uma porta de madeira do lado esquerdo, onde Dominic imaginou ser o fim do corredor. Decidiu que seria ridículo surpreender-se com seu nome entalhado ali. Enfiou com força as mãos nos bolsos da calça, implorando por sanidade mental. — O corredor aumenta toda vez que alguém novo chega?
— E diminuí sempre que alguém morre, desaparece ou retorna para seu devido lugar.
— Magia pode ser muito conveniente.
— Você não faz ideia. — ele deu tapinhas no ombro de Don com certo cuidado e fez um meneio com a cabeça: — Terá tudo o que achar necessário ai dentro.
— Você é realmente um péssimo anfitrião.
— Eu já lhe disse, minha função é impedir que os membros do chalé se matem. A de Mizori é de prevenir que todo mundo se engalfinhe. Entre uma coisa ou outra, nós passamos tempo com os campistas… e atualmente minha agenda está um pouco lotada.
— Diga logo que não foi com a minha cara e para eu me virar sozinho. — o detetive fez uma careta, suspirando e endireitando os óculos no rosto.
— Na verdade eu até que gostei de você. A parte interessante deste trabalho é que encontramos personalidades interessantes sempre! Quando Lady Mizori contratou-me para servir de babá sobrenatural, não esperava me divertir tanto.
Don, que já havia virado a própria maçaneta e preparava-se para abrir a porta, soergueu as sobrancelhas, voltando a observar o homem. — Contratado? Você não chegou aqui como eu?
— Há exceções nas leis que regem o Acampamento, meu caro. Pessoas que podem entrar e sair. Pessoas que podem ser convidadas… eu vim por meio de um chamado, à uns vinte anos.
Quantos anos aquele cara tinha afinal? O detetive meneou a cabeça, tentando focar-se em um assunto só. — Como ela soube de você?
— Ha… eu sei onde sua mentezinha geniosa quer chegar, mas está perguntando pro cara errado. Eu conheci Mizori antes dela tornar-se o que é hoje. Somos amigos a dezenas de anos. Sobre os meios dela de conectar-se com os mundos lá fora, possivelmente estão ligados à magia…
A frustração afundou no estômago de Dominic como se fosse um soco. Não arrancaria nada de Michael. Se Mizori havia se dado ao trabalho de convocá-lo de sabe-se lá onde para confiar-lhe os habitantes daquele Chalé, dificilmente ele abriria a boca para revelar-lhe algo útil. Desviou do assunto, fingindo interesse em outro ponto: — Ela sempre foi desse jeito… distante, insensível?
O sorriso vacilou por um microssegundo. — Não. Não foi. Atualmente, contudo, ela não pode sentir.
Aquela hesitação chamou sua atenção. Na verdade, o mistério envolvendo aquele lugar, com seus ditos guardiões, os seres presos ali e Mizori, pareceu-lhe ainda mais intrigante, aguçando sua curiosidade. Se quisesse sair dali, deveria começar recolhendo o máximo de informações possíveis sobre a situação em que se encontrava. Pateticamente, no entanto, a única coisa que saiu de sua boca foi um “por quê?” repleto de surpresa.
Michael abriu um sorriso ainda mais largo do que os outros, saído direto de um comercial da Colgate, e inclinou a cabeça, estreitando os olhos claros para seu interlocutor. — Pensei que estivesse tencionando fugir. Por que quer saber?
Um arrepio correu por sua espinha e ele engoliu em seco. Girou a maçaneta e abriu a porta, fechando-a atrás de si e deixando o supervisor visivelmente chateado com tal grosseria do lado de fora.
Não ia ser nada fácil…
Eles conseguiam lê-lo com facilidade.
Aquilo não deveria deixá-lo nem remotamente abalado, mas o fato de estar em um lugar sobrenatural, com criaturas sobrenaturais e em circunstâncias sobrenaturais, não colaborava em nada para manter seu sangue frio.
Ele manteve os olhos fechados por um tempo, normalizando a respiração, para só então reabri-los e vislumbrar o grande aposento.
Apenas para se ver tomado de incredulidade, mais uma vez…
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