O Último sorriso

12 Capítulo XII - Mais que amigos


Notas iniciais
Olá, pessoas amadas! Eis que este é o último capítulo desta fic, não deixem de ler as notas do final do capítulo, espero que gostem deste encerramento e lembrem-se de deixar algo sobre sua experiência de leitura a respeito deste capítulo lá nos comentários, é muito importante para mim. Tenham uma boa leitura!

Durante o resto da madrugada, o corpo de Sherlock cobrou os dias nos quais ele negligenciou o descanso. O detetive caiu em um sono profundo, tão pesado que não percebeu John acordar pela manhã e escapulir dos seus braços.

O médico sentou na cama e sentiu um desconforto doloroso entre as nádegas. Ele riu e suspirou, aquilo devia ser normal para uma primeira vez. Sim, uma primeira vez, porque não queria que fosse a única, desejava ter aquilo sempre, não suportaria ver o moreno despertar e lhe dizer que a experiência que tiveram na noite anterior e boa parte da madrugada, foi apenas um extravasamento excepcional de sentimentos entre “amigos”. Não, ele não seria capaz de encarar as coisas dessa maneira.

John observou Sherlock dormir profundamente no lado esquerdo da cama com o lençol cobrindo seu corpo esguio até a barriga. Sentiu vontade de beijá-lo, mas não quis tirar o moreno do sono reparador. Sherlock lhe parecia um anjo caído, conservando toda a sua beleza angélica, agora mergulhada no véu do pecado. Holmes era a completa perdição de Watson e o médico não se importava em se deixar perder.

Saiu da cama e foi para o próprio quarto, tomou um banho longo sentindo a água massagear seus músculos um pouco doloridos. De frente ao espelho, antes de se vestir, catalogou algumas marcas deixadas por um Sherlock quase insaciável. Uma mordida no ombro, dois chupões no pescoço, marcas de dedos na cintura, arranhões nos ombros e... algumas marcas de palmadas em suas nádegas. Sentiu o rosto corar. Não é que aquilo era excitante mesmo?

Pôs uma roupa confortável e pensou em sair para comprar algumas coisas, mas antes de tentar concretizar seu pensamento, olhou pela janela e desistiu imediatamente. Abaixo da sacada, havia um mar de jornalistas como feras na boca da toca aguardando pacientemente a saída da presa.

Alguém deve tê-lo visto entrar no 221B na noite anterior e fofocou para a impressa. Agora estavam todos ensandecidos por saber se era o fantasma de Watson assombrando a casa ou se o amigo do detetive, por algum milagre extraordinário, havia ressuscitado.

John suspirou decepcionado, pensou que poderia evitar esse pandemônio por mais algum tempo. E agora? Como iria comprar o que precisava naquela manhã?

Mal terminou de se fazer essa pergunta e ouviu três batidas na porta da sala. Ele conhecia aquelas batidas. Sorriu e abriu a porta.

– Bom dia, Sra. Hudson.

– Olá, John! Continuo esperando que me conte como voltou dos mortos, mas não agora, vim apenas trazer essa bandeja de café para vocês dois. Estão precisando repor energia. – ela deu uma piscadela marota.

John limitou-se a rir sem jeito recebendo a bandeja.

– Obrigado por se preocupar. – o médico olhou a bandeja e sentiu falta de algo que ele queria que estivesse ali. – Sra. Hudson, poderia me fazer mais um favor?

– Oh, claro meu querido.

– Preciso que compre algo por mim, eu iria, mas os repórteres na frente da casa tornarão a tarefa impossível.

– Tem toda razão. Do que você precisa?

John instruiu a senhora a cerca do que precisava e lhe deu dinheiro para a compra. Ouviu o grande burburinho que os repórteres fizeram ao ver a porta abrir, entre as perguntas conseguiu distinguir “a casa está sendo assombrada pelo fantasma de John Watson?”, “ a senhora viu o fantasma de John Watson?”, “John Watson está vivo?”.

Pouco mais de meia hora depois a Sra. Hudson voltou com a encomenda do médico.

– Me desculpe pela demora, passar por essas pessoas na porta foi mais difícil do que eu imaginei. – a mulher disse entregando o item para o loiro.

– Não tem problema, eu agradeço muito a sua ajuda. Muito obrigado.

– Ah, não precisa agradecer, foi um prazer. Cuide do Sherlock.

– Pode deixar.

John fechou a porta e ajeitou o que queria na bandeja, mas antes de se virar para ir ao quarto do detetive, ouviu o amigo chamar de dentro do aposento.

– John? – o tom de voz tinha uma nota de desespero.

O loiro correu com a bandeja, tomando cuidado para não desarrumar nada.

– John?

Quando o médico entrou, teve a visão de um Sherlock agitado encarando todos os pontos do quarto com olhos assustados e receosos.

– John! – o moreno parecia imensamente aliviado quando o viu entrar pela porta.

Sherlock mexeu-se entre os lençóis buscando se aproximar do loiro que colocou a bandeja no canto da cama, sentou-se e se permitiu abraçar pelo detetive. O abraço do mais alto era tão forte que fez John pensar que teria trincas nas costelas, mas não reclamou, passou os braços em torno do homem e afagou suas costas tentando acalmá-lo. Podia sentir o ritmo acelerado do coração do moreno, sua respiração estava ligeiramente ofegante e seus músculos tremiam um pouco.

– Calma, Sherlock, eu estou aqui. Não foi só um sonho ou um delírio. Ontem você resolveu um caso complicado e descobriu que eu estou vivo. É tudo verdade. – disse deslizando uma das mãos para os cachos desalinhados do moreno, afagando seus cabelos.

Aos poucos Sherlock aliviou a pressão do abraço, seu coração normalizou o ritmo e sua respiração ficou calma e ritmada. John se afastou um pouco para encarar o homem e a iluminação diurna possibilitou que ele visse o quanto o detetive estava magro. “O que andou fazendo a si, Sherlock”, John pensou com tristeza. Não imaginou que o amigo fosse ficar tão abatido com a sua perda, que se abandonasse desse jeito. Não queria isso.

John levantou a mão esquerda e afagou o rosto anguloso com a ponta dos seus dedos. Sherlock fechou os olhos inclinando o rosto em direção ao afago fazendo uma expressão apreciativa. O médico aproveitou a mão livre para segurar o pescoço do moreno e atraí-lo para um beijo delicado.

– Você precisa se alimentar, Sherlock. – disse o loiro rompendo o beijo e arrastando a bandeja para o espaço entre eles.

– Agora? – o detetive perguntou fazendo uma leve careta.

– Agora. Não seja malcriado. Precisa comer, está muito magro, seu sistema imunológico deve estar muito fraco, isso é um perigo enorme para essa época do ano.

Sherlock suspirou, John havia entrado no modo “médico”. Seus olhos cristalinos onde brincavam uma primavera de linhas coloridas como estrelas despontando numa galáxia, pousaram num interessante item não comestível da bandeja de café à sua frente. John percebeu que ele notou e prendeu a respiração em antecipação. John havia colocado uma tulipa vermelha entre as frutas.

Sherlock esticou os dedos longos e pegou a tulipa*, ergueu-a a altura dos olhos, encarou John que parecia continuar prendendo a respiração, então levou as pétalas vermelhas para os lábios*, roçando-as naquela região enquanto dava um meio sorriso e, por fim, a apertou contra o peito*. John finalmente liberou a própria respiração em meio a um sorriso enorme. Sherlock o havia aceitado!

O médico esticou-se e roubou um beijo intenso da boca do detetive que riu entre os lábios do companheiro.

– Somos namorados agora? – John perguntou muito feliz, passando geleia numa torrada, guiando-a em direção à boca de Sherlock.

– Somos, mas tente não ficar me agarrando em público. – disse recebendo a torrada oferecida pelo loiro.

– Ok. Prometo tentar me controlar. – John riu recebendo um olhar desconfiado do detetive.

Ambos se alimentaram bem, depois Sherlock levantou-se e foi tomar banho e John ficou sentado na cama larga do moreno. Depois de alguns minutos ele ouviu a voz de Sherlock, vinda do banheiro:

– Eu disse que não devia me agarrar em público, mas estamos em privado aqui, John.

Sherlock não precisava explicar o que queria dizer com aquilo, para John foi o suficiente. Ele retirou rapidamente a roupa e entrou no banheiro do namorado que já estava dentro da banheira cheia até a metade. John entrou no espaço entre as pernas do moreno deitando as costas no peito dele e se deixou abraçar e acariciar por ele. A mão de dedos longos, acostumada ao manejo de provas de crimes, experimentos de laboratório e dedilhar das cordas do violino, deslizaram por seu corpo extraindo dele suspiros e arrepios. As mãos de Sherlock alisavam e apertavam aqui e ali, até se encontrarem no ponto entre as pernas do loiro que apertou as mãos na borda da banheira ao sentir seu membro já ereto ser tocado pelas mãos do companheiro.

Sherlock deixou a mão direita fazer movimentos deslizantes da base para a ponta, da ponta para a base do membro do médico, enquanto sua mão esquerda alisava e apertava sua coxa, estimulando-o. John respirava descompassado e seus quadris já se moviam no sentido da mão do moreno. O loiro estava prestes a chegar ao seu ápice e Sherlock não parou os movimentos, pelo contrário, intensificou as carícias e assistiu, excitado, a viagem vertiginosa do amante rumo ao orgasmo.

John remexeu-se sobre seu peito, soltando um longo gemido de satisfação enquanto sua mão tateava para traz, buscando a nuca do outro agarrando os cachos molhados do detetive como se fosse uma tábua de salvação no meio do turbilhão de sensações em que se viu engolfado.

– Meu Deus, Sherlock... – disse num suspiro pesado. – Isso foi muito bom... Muito bom.

John largou-se deitado no peito de Sherlock por alguns minutos, buscando normalizar a respiração. Antes que a tivesse normalizado totalmente, sentiu as mãos do detetive rodar seu corpo ajeitando-o sentado sobre seu colo. John olhou para baixo e viu o quanto o outro estava excitado, levantou a vista e encarou um Sherlock corado e ansioso. Leu no olhar do namorado o que ele desejava naquele momento, então ergueu o quadril enquanto Sherlock ajeitada o próprio pênis para ser recebido pelo interior do seu John.

Watson apoiou as mãos nos ombros do detetive e permitiu seu corpo descer no sentido da ereção dele. Sherlock passou a mão livre entre as nádegas do loiro, afastando-as para facilitar o procedimento que não evitou a sensação de queimação experimentada na noite anterior pelo menor. John fechou firmemente os olhos e mordeu os lábios.

Sherlock que assistia o desconforto tencionar o corpo do companheiro, atraiu-o para um beijo de língua. John gemeu no meio do beijo sentindo as mãos do detetive passear por suas costas e a língua explorar cada centímetro da sua boca e depois fazer movimentos de vai e vem em seus lábios antecipando o que ele queria fazer com o próprio pênis em sua bunda.

John não esperou que o outro iniciasse o movimento, segurou firme nos ombros do namorado e começou a mover o corpo. A princípio, bem devagar, buscando a posição mais confortável e o ritmo certo. Sherlock gemeu relaxando o corpo na borda da banheira obrigando o loiro a se inclinar um pouco para continuar a se apoiar em seus ombros. John movia-se encarando os olhos semicerrados e a boca rosada e entreaberta de Sherlock, sentido uma onda de nova excitação sexual acumular-se em seu corpo lhe concedendo uma nova ereção.

Aos poucos a queimação ganhou a companhia do prazer, os dois juntos, dor e luxúria, dançavam em torno do corpo do médico tocando-o como mãos de fogo e gelo, fazendo-o acelerar sua cavalgada rumo à satisfação plena. As mãos de Sherlock que antes seguravam firmemente a borda da banheira, seguravam agora com firmeza a cintura dele, renovando as marcas de pressão que John havia visto no espelho pela manhã, ambos moviam o corpo em sincronia no ritmo da deliciosa melodia da fusão entre amantes, liberando no ambiente uma sinfonia de gemidos e pequenos gritos estrangulados, misturados à respiração pesada e ao chacoalhar da água na banheira.

Subitamente, John arqueou o corpo cravando as unhas curtas nos ombros de Sherlock. Sacudiu o corpo de maneira inconsciente e ejaculou. O moreno sentou-se na banheira abraçando-o, impedindo que caísse com o rosto abaixo do nível da água. Ajeitou-o em seus braços e continuou a penetrar John que ainda teve energia para passar os braços em torno do seu pescoço e permitir que Sherlock buscasse sua própria satisfação.

O homem movia o quadril no sentido ascendente com vigor, arremessando o corpo do outro para o alto como se ele fosse um boneco de pano, usando a força da gravidade como poderoso auxiliar para ter-se enterrado dentro dele no movimento seguinte. Não foram necessários muitos movimentos, rapidamente Sherlock grunhiu o nome do namorado e derramou-se dentro dele, permanecendo abraçado ao corpo do médico por alguns segundos antes de trazê-lo deitado ao seu peito para a borda da banheira, ambos respirando descompassadamente, porém, completamente satisfeitos.

Depois de alguns minutos imersos na água e na bolha de satisfação, os dois se mexeram buscando concluir o banho. Depois saíram do banheiro e foram para o quarto onde se enxugaram trocando olhares divertidos, beijos e algumas carícias, no meio dos afagos e beijos, Sherlock o encarou e disse:

– Mude-se para o meu quarto, John.

O loiro o encarou com uma pergunta estampada na face.

– Sua cama é de solteiro e a minha é de casal. – O moreno explicou.

– E?

– E eu quero dormir com você todas as noites. Pronto, era isso que desejava ouvir? – respondeu abotoando sua camisa roxa.

– Era. – disse John dando um rápido selinho nos lábios do detetive. – Farei isso com prazer.

Terminaram de se vestir e seguiram para a sala que continuava imersa em penumbra.

– Não podemos abrir as cortinas? – John quis saber sentando-se na sua poltrona de frente para Sherlock devidamente acomodado na sua poltrona favorita.

– Não, a não ser que queira ficar temporariamente cego pela quantidade de flashes que irão disparar quando você afastar o tecido.

– Não temos como fugir disso, não é?

– Não temos.

– O que você sugere?

– Se não pode fugir de algo, enfrente.

– Concordo.

– Então vamos. – disse Sherlock levantando-se.

O moreno pegou seu cachecol e sobretudo e começou a por as luvas escuras, John levantou-se em seguida e pegou um casaco e dedicou-se a por suas luvas marrons. Sherlock estava terminando de ajeitar o cachecol no pescoço quando olhou para John que parecia já estar pronto, apenas esperando-o perto da porta. O detetive removeu o cachecol do pescoço e o envolveu no pescoço do loiro.

– Use isso, John.

– Por quê? – o médico estranhou.

– Não vai querer que perguntem também onde e como você conseguiu essas marcas no pescoço, não é?

– Oh! — John corou.

Ambos desceram as escadas e pararam de frente à porta de acesso à rua.

– Está pronto? – Sherlock perguntou ao companheiro.

– Estou. – John respondeu assumindo uma postura militar.

Sherlock achou aquilo adorável e sexy. Puxou John pela gola do casaco e plantou-lhe um beijo rápido e em seguida abriu a porta.

John foi recebido por uma lufada de vento frio e uma enchente de perguntas de jornalistas que o rodearam como formigas em torno de um pedaço de bolo açucarado. Estava frio ali na calçada e as perguntas o deixavam meio tonto, mas o beijo rápido recebido atrás da porta deixou seu corpo aquecido e sua mente clara como os dias de primavera.

O moreno se colocou ao seu lado com uma expressão divertida na face. John se sentia bem e feliz ao lado dele, as coisas haviam se arranjado rumo a uma nova e interessante fase da vida dos dois.

Enquanto respondia as perguntas, John tocou a mão de Sherlock com as pontas de seus dedos, fazendo uma leve carícia, o detetive retribuiu acariciando levemente a sua mão, essa sutil troca de carinho foi suficiente para um câmera observador registrar a cena e... bem... o resto dá para imaginar.

Os dois não se importavam com o que a impressa e o resto do mundo diria sobre a relação deles, pois a verdade era que agora eram bem mais que companheiros de apartamento, bem mais que parceiros de investigação criminal, mais que amigos, Sherlock e John eram namorados e nas frias noites de Londres, seus corpos aqueciam um ao outro, exercendo a comunhão de corpo e alma, tornando-se um só.

FIM

Notas finais
Notas: *Tulipa vermelha significa: declaração de amor. *O ato de levar uma flor aos lábios significa que a pessoa aceita algo, e ao *levar a flor ao peito, está dizendo que o sentimento é recíproco, que sente e pensa o mesmo que a outra pessoa. Nesse caso, John ao dar a tulipa vermelha quis dizer “eu te amo”, e Sherlock ao levar a flor aos lábios disse “eu aceito o seu amor” e ao levar a tulipa ao peito quis dizer “eu também te amo”. Sobre a ideia de produzir uma outra fanfic dando continuidade ao casal formado nesta, eu ainda não montei nenhuma estrutura, mas decidi que irei me aventurar nela, sim, o hemisfério direito do meu cérebro ganhou a batalha de argumentos e o hemisfério esquerdo topou o desafio, por isso, fiquem com as antenas ligadas! Qualquer dia desses vai aparecer fanfic nova dando sequência ao casal formado em o “Último sorriso!”. Bem, agora vem a parte inevitável: despedida. Essa fase da fic acabou, me diverti muito escrevendo cada capítulo e quero agradecer o companheirismo de todo mundo que acompanhou o desenvolvimento da história, principalmente as pessoas que dedicaram alguns minutos do seu pós-leitura para me presentear com suas impressões a cerca do que leu. Muito obrigada a todos que comentaram e me estimularam a continuar escrevendo, vocês foram uns amores e me fizeram muito feliz. Ganharam um canto especial no meu coração. Estou muito ansiosa para receber os comentários a cerca deste último capítulo, confesso que vou sentir muita a falta de todos vocês, meus amores, espero em breve reaparecer com a fic continuação para que possamos nos reencontrar nos comentários. Desde já, com a iminência das festividades de fim de ano, desejo-lhes excelentes festas de confraternização com as pessoas que amam, que a felicidade possa ser multiplicada através do compartilhamento da alegria a paz preencha vossos corações! Beijos e até a próxima fanfic. Alma ama vocês!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!