O Último dia
1 Epílogo
Epílogo
— Bruce! — eu escuto a voz dele — Bruce ,acorda !. —
-Ahn, o que foi Wade? Que horas são? — Eu digo.
— tem alguns deles na porta — ele está assustado — uns 7 ou 8. -
Uma noite comum em um mundo incomum .
— Argh, volte a dormir Wade, depois eu cuido disso, ou quem sabe eles vão embora. —
— não, é sério , tem mais deles vindo ,vão atacar a casa ,nos precisamos sair daqui ! -.
-Droga, ok Wade , vamos lá — eu levanto da cama ,sinto o frio correr pela minha espinha, vou até o armário e pego minha jaqueta vermelha e surrada dos Boston’s Red Sox, e também um taco de basebol antigo — vamos socar algumas cabeças e cair fora daqui .- eu jogo o taco para Wade , e pego a faca de caça que pertencia ao meu pai e então nos saímos .
Descendo as escadas eu ouço os barulhos .
— Quantos você disse que tinha mesmo? — Eu digo .
— eu não sei, uns 8. — ele responde . A sala está escura , fria e toda bagunçada, seja lá quem morava aqui saiu as pressas , a porta e as tábuas de contenção improvisadas rangem com o peso deles, nós nos aproximamos da janela que da visão a varanda — são 12. — eu digo — e tem mais deles vindo pela mata , suba , vá para o quarto e arrume nossas coisas , eu vou checar a porta de trás. — ele parece assustado, muito assustado.
— Ok — ele confirma — me espere aqui ! — e ele sobe a escada em passos cautelosos. Eu vou até a porta de trás e observo pelo olho mágico, não vejo nada além da cerca e do portão que leva até a floresta por um caminho escuro, o sol ainda não nasceu , as sombras na floresta são irreconhecíveis, Wade retorna com as malas nas mãos e o taco debaixo do braço — está tudo limpo aí fora? — ele pergunta.
— Acho que sim -respondo — não consigo ver direito , pode haver alguns deles na floresta, esta pronto ? — ele assente com a cabeça e me joga uma das malas, eu coloco a mala nas costas e então me posiciono ao lado da porta — Você abre a porta ,eu saio e vejo se tem algum deles por perto ,você sai quando eu der o sinal , okay? —
— Okay — ele responde .
— no três, vamos lá, — eu digo .
— um ... dois ... três .- nos falamos em conjunto .
Wade abre a porta rapidamente e então eu parto pra fora com a faca na mão, olho em volta e aparentemente não tem nenhum deles por perto, meus músculos relaxam, e então chamo Wade — Okay Wade, pode sair. — ele sai calmamente pra fora da casa — Nenhum? — ele pergunta
— Aparentemente não, vamos ter que atravessar a floresta ,chegar até a rodovia e torcer pra encontrarmos um ... — nesse momento eu os escuto, saindo do meio das árvores, meus pelos se eriçam com o vento frio da manhã correndo pela minha espinha , as sombras agora tomam forma e eu posso ver .
— Olá? — diz uma voz suave . — tem alguém aí ?
Meu coração pula uma batida, fico aliviado em perceber que são só mais três pessoas, sobreviventes como nós, são adolescentes, dois garotos e uma garota ,uma bela garota, a primeira coisa que noto é o seu cabelo, ela tinha cabelos ruivos de um vermelho intenso , ela é linda , linda como um dia chuvoso após uma seca , ou como uma daquelas tardes de infância ensolaradas na praia que todos lembram pelo resto das suas respectivas vidas . Os garotos são altos e magros ,ambos com o cabelo curto e escuro , estão desprotegidos, desarmados , com as roupas sujas de sangue e aparentemente perdidos . — Olá, — Eu digo e vou até eles com Wade atrás de mim. -
— Oi, eu e meus irmãos estamos ... —
— Escutem — digo eu interrompendo — deixem as apresentações pra depois ,tem um bando deles atacando a casa , nos precisamos ir até a rodovia e encontrar um carro que funcione , vocês vem conosco ? -
— Okay. — ela diz , devo admitir que fiquei feliz com a resposta .
— Certo , agora corram. — eu digo
Então nós seguimos pelo trilha no meio dos carvalhos até a rodovia, a trilha estava tranquila ,tivemos que abater uns 6 ou 7 zumbis pelo caminho mas não tivemos problemas , o sol já tinha nascido por completo ao chegarmos na estrada , nos deparamos com alguns carros, mas nenhum deles tinha se quer uma gota de gasolina , andamos mais alguns quilômetros e encontramos um Dodge Le Baron 1979 , preto , e o mais importante ,com o tanque cheio.
Eu vou até o porta malas do carro enquanto Wade e os outros dois procuram qualquer coisa que seja útil nos outros carros , acho algumas bagagens ,um pouco de comida , uma pistola calibre 38 e um rifle de caça com uma caixa de munição.
— Hey ! — diz a garota ruiva — dia de sorte, huh? — ela pergunta com um sorriso.
— É o que parece – respondo – Mas ainda temos que encontrar mais comida, um lugar pra ficar... e acho que você ainda nem me disse seu nome .-
— hah, não , não disse , me chamo Katherine .-
— Muito prazer Katherine eu sou o Bruce , e aquele é meu irmão Wade .-
— O prazer é todo meu , aqueles dois ali são meus irmãos, César e Franklin, a gente tá andando por aí sozinho já faz algum tempo , desde ...- nesse momento ela olha fixamente para a estrada atrás de mim e levanta o braço lentamente, apontando a direção às minhas costas . Então eu me viro e vejo , um exército de dezenas de zumbis ,vindo em nossa direção , eu jogo nossas coisas no porta malas e corro pra dentro do carro, aperto a buzina freneticamente e grito por Wade e os outros que estão as uns 200 metros de distância do carro , eles se viram e olham assustados pro carro então percebem a orda marchando lentamente em nossa direção , eles retornam ao carro e colocam os espólios encontrados na rodovia e então entram no carro , Wade no banco do passageiro , César e Franklin no banco de trás ,junto com Katherine .
— Onde estão as chaves Wade? – eu pergunto
— O que? Como assim? As chaves estavam com você !.- ele responde.
— o que ? Não ! Eu dei pra você antes de sair! .- eu grito
— hah, brincadeira, estão aqui . – diz ele com um sorriso bobo, e então me entrega as chaves. Eu dou um soco no braço dele e ligo o carro .
— Ouch – ele resmunga .
— Muito obrigado .- eu digo – vamos lá – eu acelero e tento desviar dos carros parados no meio do asfalto, após algumas batidas e alguns quilômetros a frente a estrada estava livre e silenciosa , o vento uiva por entre as árvores, no horizonte é possível ver nuvens negras surgindo por detrás das montanhas, seguimos por algumas horas até chegarmos em uma pequena lanchonete a beira da estrada chamada Johnny’s Chicken ,decidimos parar pra tentar fazer uma refeição.
— Ok – eu digo – hora do almoço, vamos procurar alguma comida aqui , deve haver alguma coisa que ainda preste ,Wade e eu vamos verificar o local ,vocês esperam no carro até a gente voltar ...-
— Nós podemos ajudar ! – diz César –
— Nos damos conta...
— Eu vou junto .- diz Katherine
— mas ...
— Eu vou – ela insiste.
— Argh, ok ,Franklin e César ficam e vigiam a área ,se alguém chegar muito perto vocês sabem o que fazer .-
— Certo – consente César.
Eu abro a porta e saio do carro ,vou até o porta malas e pego o Rifle e a pistola , Wade pega o taco de basebol , entrego o Rifle a César e fico com a pistola .
— Cuide das nossas coisas enquanto a gente limpa a área ,use o rifle somente em caso de emergência – eu digo — você tem uma faça ?- pergunto .
— Sim , eu tenho . – responde César .
— Ótimo , se algum deles aparecer , use-a . –
— Okay. –
O resto de nós se posiciona na porta ,Wade verifica as janelas – tem três perto da porta , e mais dois se alimentando de um corpo caído em uma mesa à esquerda – diz ele – Okay, qual é o plano? – indaga ele.
— Acho melhor entrarmos pela porta dos fundos .- eu digo
— Okay . – eles consentem .
A parede e o muro lateral da lanchonete estava inteiramente coberto por sangue que a muito havia sido derramado , a tinta amarela das paredes era quase imperceptível e o cheiro insuportável. Espio pelo canto da parede e vejo três zumbis , eles não nos notaram ainda , faço um sinal para Wade e então nós vamos até eles , Wade abate um com o seu taco , um movimento rápido que emite um som molhado e de osso se quebrando ao atingir a cabeça do infectado , admito que ele está ficando bom nisso , eu fico com o segundo , uma só facada entre os olhos e ele está no chão, Wade derruba o terceiro com uma única tacada e finaliza com mais uma atingindo a cabeça .
— Okay – diz Katherine – vamos entrar ! .-
— Certo, — eu digo.- Wade ... porta . – Ele caminha até a porta, tira a faca do cinto e se põem ao lado dela .
— Okay Wade, abra e deixe eles saírem , Katherine fica atrás de nós, se acontecer alguma coisa você volta pro carro com os seus irmãos .-
— Não me trate como se eu fosse uma donzela em perigo Bruce ,eu posso ser mais útil do que imagina – diz ela .
— Oh , calma aí moça, só tô tentando fazer do jeito certo .-
— Tanto faz – ela rebate – abra a porta Wade .-
— Certo comandante. – ele brinca .
Então Wade abre a porta e os errantes saem da lanchonete ensandecidos pelo cheiro de carne humana e caminham de maneira mórbida em nossa direção, são cinco ao total , Wade ataca primeiro, cravando a faca na parte de trás da cabeça do último morto-vivo a sair pela porta , ele pega seu taco de baseball e ataca o segundo que cai como um saco de carne no chão ,manchando o piso com sangue escuro e bile , então eu parto pra cima dos dois primeiros, agarrando firmemente no pescoço de um deles enquanto uso a faca pra derrubar o outro , em seguida enfio a faca na têmpora do primeiro zumbi , o terceiro avança pra cima de mim e agarra minha jaqueta ,os dentes estalando e mordendo o ar em frente ao meu rosto , ele as garras puxando meu corpo em direção a ele com força surpreendente ,eu escorrego no piso molhado com sangue e desabo , então de repente uma faca penetra a parte superior do zumbi , e a faca é de Katherine.
— Eu disse que podia ser útil ,- ela sorri e estende a mão pra mim – Agora levanta dai, vamos achar alguma comida .- Eu seguro a mão dela relutente , e me levanto ,minhas roupas estao encharcadas de sangue.
— Droga ,seria bom acharmos algumas roupas novas também .- eles sorriem
— Concordo ,estou usando esse shorts à três semanas .- comenta Wade , arrancando algumas gargalhadas de todos nós .
— Então ,- digo eu – sejam bem vindos ao Johnny’s Chicken , o prato do dia é carne podre ao molho podre e nojento ,e não se esqueçam de provar nosso delicioso Braço esquerdo feminino com um toque de hortelã , tenham um ótimo dia .-
Dito isso, nós entramos na lanchonete que está em silêncio e em caos total , corpos caídos , no chão, nas mesas e alguns ainda sentados nos bancos.
— Bem ,- Diz Wade – Vamos começar a limpar essa bagunça .-
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