Névoa Álgida

9 Capítulo 4 - Edward, o garoto que humilha heróis


EDWARD, O GAROTO QUE HUMILHA HERÓIS

XV

Após a nomeação, eu e a Juno fomos escoltados até nossos aposentos, não tendo contato com nenhum dos convidados.

3hrs depois, a Anna veio entregar o seguinte recado: “A majestade disse para o senhor estar de prontidão 5hrs após o sol nascer, amanhã será sua primeira visita a Academia Augustus, local onde é formado os magos. No seu guarda-roupas tem outros sete uniformes iguais a este, vista um deles, pois este já está mal cheiroso”.

Na hora marcada, o Edward veio me buscar, e fomos de carruagem, juntamente com a Juno, até a Academia Augustus, anexa ao palácio (seria entorno de 45 min de caminhada, mas chegamos em 5 min graças a carruagem).

O enorme prédio de 12 andares, assemelha-se a toda a estrutura gótica do palácio.

Logo na entrada, fomos recepcionado por uma senhora de meia idade.

— Edward, quanto tempo! Muito ocupado com suas pesquisas? Obteve resultados?

— Sim, mas isto não vem ao caso.

Pesquisas? Então lá na Cidadela Lorena, com “afazeres”, ele se referia as pesquisas? Mesmo sendo tão jovem o Edward é bem maduro. E como já foi dito, ele é o mago nº1, não seria surpresa se também fosse um gênio.

— Ah, é claro, os heróis.

Ela colocou a mão na cabeça, como quem acabou de nos notar.

— Sejam bem-vindos meus caros, eu sou Olga, diretora da Academia Augustus. É uma honra conhece-los.

— A honra é toda nossa. – Disse Juno.

Alguns passos à frente, Edward disse:

— Olga, heróis, vamos. O tempo é curto.

— Calma Edward, as pernas desta velha senhora não aguentam te acompanhar nessa velocidade.

— Fale menos, ande mais.

Os dois parecem ser bons amigos. Vê-los assim me traz boas memorias...

XVI

Por trás do prédio, há um pátio, onde são realizados aulas práticas e treinamentos.

Um homem de cabelos grisalhos, com pouco mais de 50 anos, conversava com um garoto ruivo e uma garoto loira, ambos aparentando terem menos de 10 anos. Os dois trajando uniformes semelhantes ao do Edward, e a garota da mesma forma, a diferença é que ela está usando uma saia.

Mesmo estando a poucos metros de distância, parecem não ter percebido nossa presença.

Induzido por curiosidade, questionei:

— Quem são aqueles?

— O homem mais velho é o meu pai, Philip. Instrutor de treinamento da academia, mago nº2 do reino; o garoto ruivo é meu irmão, Kennedy. Mago nº4 do reino; e a garota loira é Antonija, pupila da Olga e maga nº13 do reino.

— Que cruel Edward! Você não me apresentou!

— Ah, e esta velha com idade de ser minha avó, mas que se comporta como uma adolescente, é Olga, como ela mesmo já disse, é diretora da Academia Augustus. Maga nº3 do reino e vice-presidente da Liga dos Magos.

Olga passou a mão na cabeça de Edward.

— E este garotinho metido a adulto é Edward, além de mago nº1 do reino, é o presidente da Liga dos Magos. E eu tenho idade de ser sua mãe e não avó!

— Liga do Magos? – Juno questionou.

— A Liga dos Magos é um grupo dos 100 magos mais poderosos do reino. Contra minha vontade, eu presido ela. Se bem que essa velha não conseguiria presidir algo deste porte sozinha.

Philip virou-se em nossa direção e disse:

— Kennedy, Antonija. Estes são os heróis, Juno e Bressiani.

Em seguida o garoto foi até a Juno

— ...É uma honra conhece-la heroína Juno...

— A honra é toda minha.

Sorridente, a Juno esfregou a mão na cabeça do garoto. Espera, ela não sabe que isso é uma atitude errada para com crianças da idade do Kennedy? Julgando pelo tom avermelhado do rosto dele, o pobrezinho acabou de se apaixonar. Hormônios florescendo somado a inocência, gera tal situação. Triste realidade das crianças dos sexo masculino, falo por experiência própria.

E a garota veio até a mim.

— É uma honra conhece-lo, herói Bressiani.

— Digo o mesmo.

Faz tempo que não vejo garotinhas dessa idade... Ela me faz lembrar a irmã da minha prima, o que não é uma coisa muito boa – Aquela pestinha roubava todo o dinheiro da minha carteira para comprar confeito. A última vez que visitei elas foi... 8 meses atrás? Por aí.

Philip, ao dar um forte aperto de mão em ambos, disse:

— É um prazer conhece-los, heróis. A partir de hoje, Srta. Juno, o Kennedy será seu mago. E Sr. Bressiani, a Antonija será sua maga. No campo de batalha, estes dois obedecerão a cada comando dado por vocês. Sem mais delongas, iniciemos o treinamento.

XVII

Philip pediu para que eu e a Juno vestíssemos uma armadura de combate simples – Peitoral, joelheiras, caneleiras e manoplas (no meu caso já tenho a da mão direita).

Quando retornamos, Olga disse:

— O treina irá iniciar, certo? Bem, então eu e as crianças estamos indo para os assentos.

Depois ele nos alinhou e iniciou uma explicação de combate:

— No combate há três posições cruciais: ataque, defesa e contra-ataque. Assumir cada uma delas no momento oportuno, diferencia os vencedores dos perdedores, os vivos dos mortos. Colocando a teoria em pratica...

Segurando uma espada, Edward ficou em posição de combate.

— Srta. Juno, ataque o Edward com toda sua força.

— Ok...

Sem hesitar, Juno partiu com seu machado em direção ao Edward numa velocidade que meu cérebro não conseguiu capturar. Quando percebi, só consegui ver a Juno com a cara no chão, e o Edward de pé, segundado tanto a espada, quanto o machado.

— Notem que... Até mesmo um herói, pode ser morto por um não-herói, caso este esteja com as três noções de combate bem afiadas.

Philip apontou para mim.

— Sr. Bressiani, ataque.

Com certa hesitação, parti para cima do Edward.

Em questão de segundos, me vi caído com a cara no chão.

— Vamos, não desistam. Ele é só um garoto de 14 anos.

Philip parece estar se divertindo. Afinal de contas, seu filho está surrando dois heróis sem nem encostar as mãos neles.

Segurando duas espadas e um machado, o garoto de 14 anos, disse:

— Juno, você tem um físico atlético e bons movimentos, contudo, isto não suficiente numa batalha. Sem noções básicas de combate, como o meu pai afirmou anteriormente, o bravo herói pode ser derrotado pelo humilde soldadinho.

Ele fincou o machado no chão e em seguida:

— Bressiani, sua desenvoltura é patética, digna de um iniciante. Trabalharemos melhor nisso.

Da mesma forma que fez com o machado, ele fincou a espada no chão.

— 1000 flexões e 100 abdominais, este é o castigo para cada vez que o Edward render vocês. Darei 3 tentativas. – Disse Philip

4hrs depois...

Estou exausto.

Três vezes atacamos o Edward e três vezes fomos rendidos. E 3 MIL VEZES FIZEMOS FLEXÕES E 1 MIL VEZES FIZEMOS ABDOMINAIS.

A Juno ainda conseguiu manter a pose, enquanto eu estou com o corpo tremulo. Meu abdômen dói e meus braços estão flácidos. O fato de estar usando armadura piora ainda mais as coisas.

— Sentem-se.

Ufa...

— Soldados de “pequeno porte”, utilizam ferramentas e armas no campo de batalha, contudo, aqueles de “médio e grande porte”, utilizam algo a mais: certos níveis de magia. Por exemplo, a general Nix, comandante da Divisão de Elite do Exército, possui a habilidade da “Matéria Negra”, que exige do usuário um conhecimento mediano de magia. E o que é a magia, senão uma ação sobrenatural no mundo das coisas naturais? A magia brota da essência daquele que a invoca, se sua essência é natural, a magia não brotará. Se sua essência é sobrenatural, a magia brotará. Logo, para seres naturais, é necessário anos de treinamento, convertendo a essência natural em sobrenatural. Contudo, heróis, tem uma pré-disposição bio-metafísica, que os possibilita invocar a magia sem muitos problemas. Por isso, somente heróis podem manusear Artefatos, que são armas com ação pura da magia [...]

O discurso do Philip durou entorno de 15 minutos, devido ao cansaço acabei esquecendo o final. Findado o discurso, continuamos o treino, e conseguimos melhores resultados: permanecer 1 minuto de pé antes de ser rendido pelo Edward. Contrapartida, as abdominais e flexões como castigo.

E perto de escurecer, voltamos para nossos aposentos.