Névoa Álgida
6 Capítulo 3 - A nomeação
A NOMEAÇÃO
X
Nos últimos 5 anos minha rotina se resumiu a:
07h30 – Acordar, tomar banho e escovar os dentes, vestir o uniforme escolar e tomar café da manhã;
08h00 – Ir à escola;
12h00 – Almoçar (na escola);
18h00 – Chegar em casa;
18h15 – Fazer as atividades escolares passadas para casa;
20h00 – Jantar;
20h30 – Tomar banho e trocar de roupa;
21h00 – Dormir.
Não havia espaço para o tédio, contudo, hoje foi o 1º dia em 5 anos que fiquei 10 horas seguidas (09h00 às 19h00?) sem fazer ABSOLUTAMENTE NADA, o que me deixou extremamente entediado.
Entre 09h00 e 11h00 (?) fiquei observando pela janela as pessoas, em sua maioria jovens damas, caminharem no jardim.
Às 11h00 (?) almocei.
Entre 11h30 e 18h00 (?) fiquei deitado, mas não consegui dormir por causa da ansiedade.
E às 18h00 (?) tomei um 2º banho.
Faltando alguns minutos para o horário marcado (considerando que escureceu a um bom tempo), inspecionei os Artefatos com mais atenção, coisa que não fiz na sala dos Artefatos.
A Lâmina do Grifo Rei é uma espada leve e a lâmina tem coloração branco metálico. Sua empunhadura é sólida e coberta por uma camada de couro negro. E o pomo tem o desenho de um grifo. A Manopla dos Invioláveis não tem nada de especial, é igual a todas as manoplas que vi nos livros de história ou as do arsenal bélico da Cidadela Lorena, contudo, ao coloca-la, sinto uma leve fisgada no coração. Da mesma forma que sinto uma espécie de conexão com a Lâmina do Grifo Rei ao toca-la. De acordo com a explicação do Feliks, dada durante a viagem, esse é o critério da compatibilidade.
Me incomoda a ideia de ainda não ter recebido um treinamento adequado de como manusear os Artefatos. Mas o Feliks disse: “Dia 1º da próxima semana começaremos seu treinamento”, o jeito é esperar.
Toc, toc! *
Batidas suaves na porta, deve ser a Anna.
Coloquei a espada na bainha e a prendi no cinto. Em seguida abri a porta.
Irreconhecível.
Trajes dignos de uma nobre, expressão sorridente, cabelo solto... Então é isto, em eventos sociais ela converge noutra pessoa? Por pouco a beleza dela não equiparasse a da Apollinariya.
— Podemos?
— Sim.
Acabei a encarando demais e ela disse:
— Que coisa feia herói... Me comendo com os olhos também... Desculpe, já tenho um alvo, procure outra moça.
Essa baixinha desgraçada...
— Vamos ou não?! – Deixei transparecer a fúria, por um fio não a soquei.
— Sim, vamos.
A cada 7 metros há 4 guardas. Todos com uniformes militares (diferente dos soldado da Cidadela Lorena, que trajavam armaduras de corpo inteiro) e empunhando sabres. Seus corpos estão imóveis, mas os olhos se movimentam à medida que eu caminho, dando a impressão de que estou sendo vigiado.
— Qual a necessidade de tantos guardas?
— Bloquear o caminho. Ninguém pode vê-lo antes que entre no salão de festas. Sem contar que serve como medida de segurança, sabe? Afinal de contas, um herói de outro mundo não é tão amado pelas nações estrangeiras.
— Ah, bom saber que têm gente querendo me matar!
— De nada.
Ela sorriu. Por acaso contei alguma piada?
— A título de curiosidade, como exatamente será essa nomeação?
— Siga a maré. Um discípulo irá te guiar até três degraus, depois o excelso-sacerdote mandará você se ajoelhar, iniciando uma série de preces com duração de 1h. Por fim, a monarca vai se levantar e encostar o cetro no seu ombro direito, oficializando a nomeação.
— Discípulo? Excelso-sacerdote? Custava o Feliks explicar essas coisas com antecedência?
— Sim, o problema é que o vice-monarca Feliks é deveras desleixado quanto a assuntos mais burocráticos.
Chegamos frente ao salão de festas.
A Juno, junto de uma das servas do palácio, aguardava do lado de fora.
— Bressiani.
Juno acenou e eu acenei de volta.
— Espero não ter feito você esperar.
— Nah, cheguei agora pouco.
Na tentativa de me acalmar, Anna concluiu:
— Lembre-se: siga a maré.
— Farei o possível.
Os dois guardas que vigiavam a porta do salão a abriram.
O salão é cubico, abrigando ornamentos e figuras esculpidas nas paredes e colunas.
Está repleto de pessoas, todas de pé em ambos os lados, e mais à frente os três degraus que a Anna citou, e, numa área mais elevada, estão o Feliks e a Apollinariya sentados em o que parecem ser pequenos tronos (ela a direita e ele a esquerda). Ele com trajes mais pomposos e ela com trajes mais simples, semelhante a 1ª vez que nos encontramos. E a esquerda do Feliks, um idoso, possivelmente o excelso-sacerdote, trajando uma túnica branca com detalhes dourados, segurando um livreto na mão esquerda e um recipiente na mão direita.
Dois garoto vestindo túnicas brancas com detalhes vermelhos, vieram até nós, guiando-nos até os pés dos três degraus.
Semelhante aos guarda lá detrás, as pessoas ao redor, sem exceção, estão nos olhando. Não só olhando, mas cochichando entre si.
Chegando aos pés dos três degraus, o excelso-sacerdote levantou a mão esquerda para cima, erguendo o livreto. E todos se calaram no mesmo instante.
Um silêncio mortal pairou no salão.
— Filhos, ajoelhem-se.
Obedecemos sem hesitação.
XI
1h depois...
Durante as preces, a cada 10 minutos o excelso-sacerdote ungia nossas cabeças com uma espécie de óleo contido no recipiente. E nenhuma voz, a não ser a dele, podia ser escutada.
— Ratificado seja.
Dito isto, ele apartou-se. E Apollinariya veio até nós.
Tocando o cetro no meu ombro direito, ela disse:
— Matheus Bressiani, nomeio-te cavaleiro do Reino de Sacramento e meu escudo. Juras pelo Eterno lealdade a mim, a este reino e a este povo?
— Sim.
— Juras-te não por mim, ser mortal, mas, por aquele que é imortal, o Eterno.
Seguidamente ela fez o mesmo com a Juno.
— Ganímedes Juno, nomeio-te cavaleira do Reino de Sacramento e escudo pessoal daquele a minha esquerda. Juras pelo Eterno lealdade a ele, a este reino e a este povo?
— Sim.
— Juras-te não por mim, ser mortal, mas, por aquele que é imortal, o Eterno.
Apollinariya estendeu as mão:
— Levantem-se.
E ao levantarmos ela disse:
— Um juramento, que tem como fiador alguém imortal, não findará. E se porventura, aquele que jura ouse quebrar tal juramento, maldição eterna cairá sobre ele.
Gritos de euforia, por parte de todos presentes, cobriram o salão ao fim das palavras de Apollinariya.
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