Não É Natal Sem Você.
8 É Natal de Qualquer jeito
Notas iniciais
POV/PDV: Santana
As crianças me olharam temerosas quando eu voltei para a sala. Elas sabiam que meu humor poderia ficar meio duvidoso depois de uma boa conversa com o amor da minha vida. Eu dei um meio sorriso, andando diretamente para a cozinha. Não fazia sentido... Eu amava ela tanto, porque ela não poderia ficar comigo? Por que eu não poderia segurar ela nos meus braços, por que eu não poderia passar o Natal com a minha família completa. No calor da cozinha, senti meus ombros se contraírem, enquanto as lágrimas escorriam de meus olhos. Elas eram quentes, era salgadas, e eu senti raiva de mim mesma por ter elas. Eu não queria aquilo, não queria aquela dor, não queria aquele sentimento. Eu só queria poder sentir aquele perfume, o cabelo dela, os olhos dela me encarando curiosos, a voz doce dela, um pouco irritada quando as crianças faziam bagunça no jardim. Eu queria olhar nos olhos dela ao dizer que amava ela. Que amo ela. Que sempre vou amar. Eu queria poder ter o corpo leve dela nos meus braços antes de dormir, as mãos arranhando as minhas costas.
Ah, como eu queria...
Quinn entrou na cozinha com um sorriso temeroso. "Mamãe...? Hm, eu acho que a gente precisa conversar. Sabe, sobre a mamãe. É complicado ficar aqui sem ela. Eu quero ela mamãe. E eu sei que você esta machucada. Não tem como não estar. Eu não sei como você se manteu fiel esse tempo todo."
"Eu amo a sua mãe, eu nunca trairia ela. Nunca, meu amor."
Ela sorriu "Eu sei disso, mas de qualquer forma não faz muito sentido. Eu também sinto saudades mãe, não precisa dar uma de dura e guardar tudo para si mesma. As crianças não merecem isso. Elas já não tem uma mãe, você vai querer tirar a outra? Seria no mínimo maldoso."
Eu suspirei. Eu estava mesmo levando uma bronca da minha filha? Aquilo estava certo? Se eu quisesse chorar, eu choraria com orgulho. Ou talvez não, eu estava confusa. Quem não estaria? Eu sorri para ela, falando que ela não devia se preocupar, e que devia descansar um pouco. Todos devíamos.
Era o primeiro Natal das crianças sem a mãe. Joguei minha cabeça contra um travesseiro e dormi.
Eu sonhei com ela.
Foi um sonho bom, mas causou dor quando eu acordei. Por que não podia ser realidade? Eu queria tanto que fosse... Eu queria tanto ela... Eu me enrolei como uma bola, e chorei mais um pouco antes de dar a hora de preparar o almoço. Tudo saiu nos conformes, e logo a mesa estava posta, só esperando para receber os convidados. Os meus filhos jogavam alguns jogos de tabuleiro, quando a Quinn original chegou, com Rachel, as duas rindo que nem loucas da viagem que haviam acabado de ter. Parecia que o homem do seu lado tinha uma tartaruga, e ele dizia que a tartaruga tinha medo, quando quem tinha era ele. Eu não entendi muito bem, mas eu ri, e virei as costas, ah, como eu queria poder sentir felicidade. Minha família reunida, mas nada ajeitava a dor no meu coração. Eu sabia que aquele telefonema não prestaria. Mike e Tina chegaram logo em seguida, para entreter as crianças, contando todas as historias maravilhosas, de terras inéditas que haviam visitado. Até eu ouvi com atenção, quase esquecendo da minha dor. Bom, quem sabe estar entre amigos não ajudava?
Nós estavamos com fome, mas queriamos esperar até Blaine e Kurt chegarem. Talvez eles tivessem ficado com o voo atrasado? Nós não podíamos comer sem eles, e para certo alívio, eles chegaram em seguida. Fui até a cozinha, e percebi que tinha queimado o peru.
Mas que maravilhoso, — pensei, comigo mesma. Aquilo era demais, até para mim. Com uma risada irônica, entrei na sala com um pote de arroz, saladas, molhos, e frango. Frango assado. A família começou a rir, quando eu expliquei. Eles não se importavam realmente, era impressionante o quanto que eles esta compreesivos sobre Britt, e elogiaram o frango estrondosamente. Sentei na mesa, rindo. "Bom, podemos começar a comer, certo?" eu perguntei, já pronta para atacar.
Blaine e Kurt me olharam com uma expressão safada. "Bom... Nós achamos que é melhor que você espere alguém, antes de qualquer pessoa."
Eu olhei confusa. Eu estava com fome, e meu mau humor por não tem Britt só me deixava mais frustrada. "Quem?"
Uma porta se abriu atrás de mim, e meus filhos soltaram um arquejo sem acreditar. "A única pessoa que sabe cozinhar um peru aqui." a minha amada riu. Eu ri, colapsando em lágrimas, enquanto ela apertava meus filhos. "Eu senti sua falta Santie."
"E eu senti a sua. Mas você devia ter me avisado que viria... E-eu..." eu não sabia o que faria. Abracei ela com força, chorando em seu peito.
"Sh... Esta tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. Nós estamos aqui."
Eu apertei meus lábios contra os dela. "Para sempre?"
"Para sempre. Sabe o por quÊ?"
Eu levantei o meu olhar. "Por quê?"
"Porque eu te amo, e eu nunca vou querer abandonar quem eu amo. Não importa o que me custe, S. Eu não acho que valha a pena sentir tanta dor. Eu te amo."
"Você é maravilhosa."
"Eu não sou você" ela disse, antes de me beijar outra vez, puxando o resto da família para um abraço. Nós ficariamos bem.
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