Vulpes
















— O que é isso?

Olho uma fumaça esverdeada se formar sobre o recipiente em que está a minha varinha.

A sombra fica do formato de uma cabeça de raposa, ela me olha feroz e eu não consigo me mexer.

— V-você é o espírito da varinha?

— Quem quer saber?! — várias vozes dizem em uníssono.

— M-meu nome é Susie! Susie Landerwood! Eu sou a dona da varinha agora.

— Mentira!

— Não é mentira!

— Seu nome não é Susie!

— O quê?! É claro que é!

— Mentiroooosaa!

A fumaça se movimenta na minha direção e se forma ao meu redor girando como um furacão. Deixa meu cabelo bagunçado como em um poderoso vendaval.

— Eu só quero me tornar uma grande bruxa! É o meu único objetivo... Quero ser uma filha perfeita para o meu pai... Alguém que ele e a minha família podem se orgulhar... Então eu preciso da sua ajuda!

— Seu coração é cheio de mágoas e desejo de grandeza! Não vejo como uma garota tão ingênua e tola, possa usar o meu poder da forma certa!

— Eu sei! Sei que não sou uma pessoa perfeita... Mas estou tentando melhorar! Sei que posso ser alguém cujo coração possa ser curado, que posso purificar a minha alma, se eu correr atrás e conquistar aquilo que eu almejo!

— Enquanto me usar nunca vai conseguir conquistar os seus objetivos! Não posso permitir... Eu não fui criada para realizar sonhos fúteis, fui feita para a destruição! Matar, causar calamidades e destruir, é para isso que eu sirvo! Esse é meu propósito, criança.

— Mas não precisa mais ser assim! Eu não quero usar uma varinha tão poderosa para um objetivo cruel! Permita-se abrir para coisas novas, para objetivos grandiosos e pacifistas! Seja a minha varinha, algo que posso usar para alcançar os meus desejos... Me empreste o seu poder! Eu preciso de você!

Há um silêncio como se a fumaça pensasse nas minhas palavras.

— Podemos chegar a um acordo pelo menos?...

— Um acordo? — ela pergunta.

— Sim! Me diga o que deseja, e eu vou me esforçar para realizar... Independentemente do que isso vai me custar.

— Tudo bem!

— Ahh! — eu sorrio.

— Te emprestarei o meu poder, jovem bruxa.

— Mesmo?!

— Mas com uma condição!

— Qual?...

— Depois que se formar terá que me destruir. Será um poder limitado, e talvez você não esteja preparada.

— T-te destruir? Mas eu paguei caro...

— Me destrua!

Uma voz diz, as outras negam o pedido.

— Não! Não faça isso...

— Eu devo te destruir, sim ou não?

— Sim! Enquanto houver uma bruxa capaz de usar o meu poder, eu nunca poderei descansar.

— M-mas...

— Esse é o único acordo!

...

Eu não fazia ideia de que a varinha foi criada com um desejo de destruição como esse... Posso sentir uma energia estranha emanando dessa fumaça, ela só pode ter sido criada de um forte desejo de vingança. Mas por que? Por que?

— Está bem... — meu corpo finalmente consegue se mover e me levanto.

A fumaça se dissipa e eu ouço passos no corredor se aproximando. Olho ao redor por alguns milésimos de segundos, me perguntando se foi apenas uma alucinação. Pego a varinha na bacia e me escondo debaixo da mesa. Ouço os passos ficarem mais fortes, aponto a varinha para as velas e com um simples sacudir, elas apagam como se nunca tivessem sido acesas.

A pessoa entra na sala escura e se aproxima da mesa. Eu encolho os meus pés e ouço a respiração ofegante do estranho.

— Susie? Você está aqui?

— L-Lúcia?

Eu saio debaixo da mesa e olho ela de pijama.

— O que você está fazendo aqui? Devia estar descansando!

— Eu vim atrás de você, a madame Letícia me deixou voltar para os dormitórios e você não apareceu faz horas...

— Desculpa, eu já estava indo para lá.

Ela olha a varinha na minha mão.

— Você conseguiu?!

— Sim! Eu falei com o espírito da varinha, e foi assustador.

— E-espírito??

— Longa história, vamos para o dormitório dormir, eu te conto mais, depois.

Eu bocejo.

— Dormir? Mas já são cinco da manhã!

— O quê??

Eu olho o relógio marcando cinco horas.

— M-mas eu nem dormi nada!...

— Hoje tem aula de feitiços, é melhor irmos nos arrumar antes que a zeladora tenha um treco.

— Está bem, eu não quero arrumar mais confusão por hoje...

Bocejo cansada e sorrio contente olhando a varinha na mão. Deu certo! Vou finalmente conseguir usar magia! Mesmo que o poder dela seja limitado...

Minutos mais tarde na sala de feitiços.

— Eh? Então você fez uma poção desconhecida para falar com o espírito da varinha? — a professora diz impressionada.

— Sim...

— E como você soube dessa poção?

— Meu pai quem me contou, e eu não faço ideia de como ele sabe...

— Susie isso foi perigoso...

Eu abaixo a minha cabeça.

— Mas parabéns!

Olho a professora Milore surpresa, e em seguida os alunos entrando.

— Eh? A Susie já está aqui? — uma Grifinóriana debocha — O que você está fazendo? Implorando por notas para a professora?

Pego a minha varinha e ponto para ela.

— O que vai fazer com isso? Jogar na minha cabeça?

Digo orgulhosa:

— Flatus ventorum!

Um vento forte passa pelos alunos bagunçando o cabelo dela.

— O-o quê?! Como fez isso?

— Andei praticando.

— A Susie fez um feitiço?

— Mas ela era tão ruim antes...

Eles murmuram e me sento esperando a professora começar a aula.

— Muito bem, pessoal, chega de discussão, peguem suas penas e vamos escrever curiosidades sobre o feitiço Accio.

Os alunos reclamam.

Lúcia senta ao meu lado, aborrecida por ter que escrever, e tenta pegar uma pena preta. Mas ela foge de suas mãos.

— O quê?! Você viu isso?

— Vi, é muito bizarro.

Ela tenta pegar a pena outra vez, mas ela continua fugindo de suas mãos. Quando Lúcia finalmente consegue pegá-la a pena escápula pelas suas mãos e cai no chão fugindo.

Todos os alunos nos olham.

— A pena fugiu de mim...

Alguns alunos riem, a professora se vira para nós.

— Aquela pena é magica, ninguém consegue usar desde o ano passado. — uma corvina diz.

— Por favor, não façam bagunça agora, meninas! — A professora adverte.

— Desculpa... — Lúcia diz.

A professora Milore se vira para o quadro e volta a escrever.

— Muito bem, copiem essas perguntas sobre o feitiço Accio e respondam usando trechos do livro. Ela coloca o giz na mesa.

— Eu vou ali rapidinho e já volto, não façam bagunça.

Ela sai da sala. Eu olho Lúcia que já estava me encarando.

— O que será que houve? — Pergunto.

— Não faço ideia, devíamos seguir ela?

Me levanto devagar e olho para fora da sala. Vejo a professora tentando pegar a pena que fugiu.

— Vem aqui sua danadinha!

— Muito bizarro, alguém deve ter enfeitiçado a pena para fazer uma pegadinha. — digo a Lúcia, que espiava a professora ao meu lado.

— Acho que sim.

— Voltem para a sala. — uma monitora diz.

Voltamos para a sala e sentamos nos nossos lugares outra vez.

— Tudo bem... Vamos copiar.

A tarde chegou, estamos limpando o pátio da torre do relógio.

— Adoro vassouras, mas odeio varrer... — Lúcia resmunga, seu rosto ainda está com um lado um pouco inchado por causa dos remédios.

— A madame Letícia não te disse para descansar ou algo assim?

— Ela disse, mas não posso te deixar sozinha.

Arqueio a sobrancelha.

— Você está me chamando de bagunceira?

— Foi você quem disse.

— Mas você pensou.

Um vento forte passa por nossas cabeças. Olhamos para cima rápido e vimos alguns jogadores de quadribol da Sonserina tentando pegar a Insanis Broom.

— Ali! Vamos cercá-la!

— Cuidado!

— Ela é rápida, vamos ter que dar a volta!

— Não! Se ela bater de frente com algum aluno é morte na certa!

Olho Lúcia enquanto os alunos conversam.

— E por que vão tentar pegá-la?

— Ordens do Diretor Joseph, os meninos vão jogar os amistosos daqui a pouco.

— É mesmo?? Quero assistir.

— Isso só vai acontecer se conseguirem pegar a Insanis.

— Ah... Bom, espero que consigam.

Um aluno cai na nossa frente gritando.

— Você está bem?? — Lúcia se aproxima para ajudar ele.

— M-meu b-braço... Argh!

— E-eu vou chamar a madame Letícia!

Saio correndo da torre do relógio para chamar a madame Letícia. Enquanto corria pelos corredores, vejo outra palavra escrita em verde.

— Uh?

Olho de relance escrito "Eu".

— Quem é o idiota que está escrevendo isso? — Entro na sala resmungando

— Madame Letícia! Um Sonserino precisa de ajuda lá no pátio da torre do relógio! Ele caiu da vassoura e quebrou o braço.

— Ohh! Só me faltava essa!

Ela me segue, quando olho a parede novamente a palavra já havia sumido.

— Bizarro...

A madame Letícia, eu, e Lúcia levamos o garoto para a enfermaria o mais rápido possível.

— Eu acho que não vai haver amistosos hoje, ninguém ainda conseguiu pegar ela. — Lúcia diz enquanto andamos pelos corredores, voltando da enfermaria.

— Vejam é a Lorie!

Alguns alunos olham as janelas onde algo acontece rápido. Eu e Lúcia nos olhamos e vamos ver do que estão falando.

Lorie estava montada em sua vassoura com a varinha na mão, ela perseguia ferozmente a Insanis Broom! Quase conseguia alcançá-la!

— Incrível! A vassoura dela deve ser de última geração!

— Uau! Você viu aquele Feitiço??

— Ela é tão habilidosa!

Os alunos admiram. Lúcia me olha.

— Acho que ela vai conseguir pegar.

— Bobagem, você ouviu o que a professora disse, ninguém nunca conseguiu tocar a vassoura. — Digo confiante.

— Ela pegou! Vejam ela pegou! Ela pegou a Insanis Broom!

Uma garota diz, eu rapidamente debruço sobre a janela para ver.

A vassoura estava flutuando lentamente. Lorie se aproximou e pegou a vassoura como se fosse algo normal.

Ela levantou a vassoura por cima da cabeça se exibindo. Todos gritaram o nome dela várias vezes.

— Lorie! Lorie! Lorie! Lorie!

— Argh...

No salão de banquetes, todos encaravam Lorie ao lado do Diretor.

— Muito bem! Graças a senhorita Lorie os amistosos vão continuar fervorosos e sem medo! Por esse serviço prestado à escola, a Sonserina ganha 10 pontos!

— Ehhh! — todos os Sonserinos comemoram.

— Isso é demais! Agora não vamos ter mais medo de ser atingidos. — Lúcia balança os meus ombros animada.

— Eu ouvi Lúcia. — resmungo.

O diretor levanta as mãos para os alunos fazerem silêncio.

— Agora, aproveitem o almoço e parabenizem a senhorita Lorie pela coragem e astúcia.

— Ouvi dizer que o chapéu seletor ficou quase cinco minutos tentando decidir para qual casa mandar ela. — Lúcia diz para Max.

— Mesmo? Então ela foi uma empata chapéu?

— Sim, e ele estava em dúvida se a mandava para a casa da Sonserina ou da Grifinória.

— Caramba...

Olho eles de canto e volto a olhar Lorie, que para a minha surpresa estava me olhando também.

— Hunf — eu mostro a língua para ela.

Lorie permanece inexpressiva. Ela se senta de volta na sua mesa ao lado dos Sonserinos.

A professora Muriah empurra uma caixa grande para fora do palco. Quando passa por mim, vejo pelo vidro escuro, a Insanis Broom acorrentada dentro da caixa, ela se mexia como um bicho. Assustava alguns alunos, inclusive, parecia que iria se jogar em cima deles a qualquer momento.

A professora Muriah riu e saiu do salão de banquetes.

— Para onde vão levar? — Eu pergunto a Lúcia.

— Para a sala de artefatos.

— E como você sabe?

— Eu tenho meus informantes. — Ela se exibe, mas logo perde a postura — Max ouviu dos monitores...

— Hum...

Eu olho Max na outra mesa conversando com outros Grifinórios.

— Susie!

Ela se levanta rápido, me assustando.

— O que foi?!

— Os amistosos! Lufa-Lufa vai participar logo!

— É mesmo?

— Você já se esqueceu que é a apanhadora?! Você precisa praticar.

— O quê?!

Eu rapidamente me lembro que me inscrevi no time depois que a professora Eloise e Lúcia ficaram me pressionando.

— Mas que droga, Lúcia! Só me lembra agora??

— Desculpe, é que com toda essa confusão...

— Você é terrível!

Eu começo a comer o meu almoço rapidamente.

Sem perceber, Lorie me encarava enquanto tomava a sua bebida.

— O que foi Lorie? Você está tão séria! — uma garota de cabelos curtos e vermelhos diz.

— Estou apenas pensando nos amistosos...

— Ah, é verdade! Vamos competir com a Lufa-Lufa! Mas não se preocupe, conhecendo aquele time horrível sei que vamos ganhar. — Ela e alguns alunos riem se gabando.

— Você está certa... — Lorie concorda.

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A tarde, Lúcia e os outros Lufanos me forçaram a treinar com a vassoura. Eles estavam esperançosos com os alunos novos como eu, talvez tivessem com sorte de algum novato ser um bom jogador, e levar a vitória pelo menos uma única vez.

— Meu nome é Liz e eu sou a treinadora da Lufa-Lufa, vou te ensinar sobre o quadribol.

Olho ela puxar uma maleta gigante com um pouco de dificuldade.

— O que tem aí são as bolas de quadribol?

Eu olho a caixa se mexer um pouco.

— Sim, o balaço é que está se mexendo, ele vai te perseguir e tentar te acertar.

— Isso não é perigoso?

— É claro, por isso quadribol não é para amadores, e todos os bruxos adoram os jogos.

— Argh...

A mala começa a ser aberta por Sofia, dentro da mala estão algumas correntes prendendo a bola.

— Essa maior é o balaço, essa é a goles que usamos nos aros que está vendo ali.

— Eu preciso pegar o pomo de ouro, não é?

— Sim, se pegar isso o jogo acaba. Se pegar isso nós vencemos, parece que você entendeu bem rápido...

Ela começa a soltar o balaço.

— Ei espera! Eu não preciso de equipamentos para minha segurança?

— Por enquanto, não, isso vai fazer você se sentir em perigo e automaticamente seu corpo vai desviar.

— O quê?!

Ela solta o balaço, e ele voa para cima. Liz coloca a mão na testa para bloquear os raios de sol enquanto o olha.

— Ele tá voltando, é melhor você correr.

— O-o quê? Drogaaa!

Começo a correr pelo campo, ele tenta me acertar, me jogo no chão desviando. Ele volta com tudo e tenta me acertar outra vez. Rolo no chão desviando dos diversos ataques.

— Você está se saindo bem, Susie! — ela grita de longe parecendo orgulhosa.

— Me ajuda! Tira isso de miiiiiiiim! — me levanto correndo outra vez.

— Pega ele, Susie! Pega!

— Tá malucaaaa?!

Ele acerta as minhas costas com força e eu caio de cara do chão.

— Uuuh, isso deve ter doido...

— Argh... — me levanto rápido e pego a minha Varinha, e ela é rapidamente arrancada da minha mão pelo feitiço expeliarmus de Liz. — Eeei!

— Nada de varinhas! Você não vai poder usar isso no campo!

Eu desvio cambaleando de outro ataque do balaço.

— Argh! Isso já tá indo longe demaaaaais, me dê uma vassoura pelo meeenos! — Olho o balaço voltando na minha direção.

— A professora Eloise recolheu todas, disse que só vai devolver amanhã!

— Isso é inacreditáveeeeeeel!

Eu tenho certeza que ela está mentindo!

— Você está se saindo bem! Na minha primeira vez treinando ele quase arrancou meus braços. Fiquei na enfermaria por dois meses com os braços inchados!

— O quêee?!

Olho ele voltando para me atingir e me preparo para pegá-lo. O balaço vem na minha direção e deixo ele acertar a minha barriga me fazendo cair.

— Muito bem, Susie! — ela me olha agarrar a bola.

—Arghh... Isso dóooi!

Eu corro até Liz e coloco a bola de volta na mala.

—Prende! Prende ele! Prendeeeee!

Ela ri enquanto coloca as correntes outra vez. Eu olho ela arfando enquanto esfrego a minha barriga dolorida.

—Eu odiei esse treino...

— Você vai adorar quando pegarmos as vassouras.

—Eu sabia! Você estava mentindo!💢

Ela ri.