O Buraco Na Árvore
















— Como vamos sair daqui?!

— Fica calma, Lúcia!

— Você não entende! Aqui é perigoso! Há seres ainda não descobertos... Plantas misteriosas e-e....

— E o quê?? — me aproximo dela.

— E lobisomens!!

— Lobisomens? Mas nem é noite de lua cheia.

— Mas e se houver uma exceção?

— Vamos ficar beeem, relaxa.

Pego a vassoura quebrada no chão.

— Você conhece algum feitiço reparador de vassouras?

— N-Não...

— Argh... Que ótimo.

Eu puxo Lúcia, que está travada, e balanço a minha varinha.

— Lumus!

A varinha acende uma pequena luz branca em sua ponta.

— Você viu isso? Ela me obedeceu novamente.

— V-vi... Preciso achar a minha varinha também.

— Certo.

Olho ao redor, é cheio de árvores gigantes. Quase não dá para ver o céu por causa das folhas que encostam umas nas outras parecendo um guarda-chuva. Ainda há alguns raios da iluminação da lua que passam pelas frestas das folhas.

— Susie!...

— O que foi?

— A-acho que tem alguma coisa se mexendo ali!

Eu olho para a direção que ela aponta. Uma sombra negra passa rápido pelos troncos de árvore.

— Lúcia, corre!

Eu puxo sua mão enquanto sinto pela vibração da terra a coisa se aproximar. É grande. Muito grande!

— Ali! Rápido!

— Onde?!

Eu aponto para um buraco grande e oco em uma árvore gigante.

Puxo Lúcia e nos escondemos.

— Nox!

Balanço a varinha e ela se apaga. Empurro Lúcia para mais fundo do buraco e me escondo espiando a coisa nos procurar.

Há um som estranho vindo da coisa.

Tac... Tac... Tac... Tac!

— O que é-é isso?? — Lúcia cochicha no meu cangote.

— Não sei, está escuro... Não consigo ver...

Tac!... Tac... Tac...

A coisa parece se aproximar da árvore. Sinto algo raspando nos troncos das árvores como algo lixando.

— Vamos morrer! — Ela cochicha tremendo.

— Eu tenho uma ideia...

Olho os pedaços de vassoura da minha mão direita.

— Se a coisa estava atrás da gente e não viu a gente se esconder, é porque talvez não consiga enxergar direito também.

— "T-talvez"?

— Sou a única que tem uma varinha, e não sei quanto tempo isso vai ficar aqui... Precisamos voltar a escola custe o que custar.

— M-mas eles podem sentir a nossa falta, podem nos procurar pela manhã.

— Se estivermos vivas! Estou com mais medo do que você, mas preciso fazer alguma coisa.

Lúcia segura a minha manga.

— Não vai Susie.

— Eu preciso, vou distrair ela o máximo que eu puder. Corre para lá, era a direção do castelo. Tenta achar a professora Milore e diga o que aconteceu.

— T-Tá bom, não faça nada que um Lufano não faria.

— Vai!

Eu jogo um pedaço da vassoura para uma direção. A coisa parece ter ido atrás. Eu corro na outra direção e acendo a minha varinha novamente.

— Ei, coisa feia! Venha aqui! Venha!

Ela parece ter ouvido e começou a me perseguir. Eu pulo algumas raízes. Um galho caído. Um tronco podre e me escondo atrás de uma árvore.

— Tac! Tac! Tac!

A coisa passa por mim, eu olho suas costas e pernas peludas, é uma baita aranha gigante!

Ela ouve a minha respiração ofegante e se vira para mim. Suas presas batem uma contra a outra.

— Tac! Tac!

Ela se aproxima para me atacar, eu dou uma cambalhota improvisada por baixo de suas pernas. A aranha prende suas presas na árvore.

— Você vai aprender a voar hoje! — Caída debaixo da aranha, olho sua barriga e aponto a varinha — Depulso!

A ponta da varinha se ilumina e a luz atinge a barriga da aranha levantando-a para cima.

Eu seguro nas raízes da árvore e rastejo para sair de baixo. A Aranha voa para cima das árvores e cai no chão outra vez.

— Ahh... — arfo olhando meu joelho machucado e me levanto — Você está morta?

Cutuco a aranha com a varinha e olho uma luz aparecer atrás de mim.

— Aahhh!

— Ahhh!??

— L-Lúcia??

— Susie! Você está bem?

— Eu não disse para você fugir e chamar a professora?!

— Eu não podia te deixar! Olha, achei a minha varinha enquanto corria. Quais as chances?!

Eu sento no chão cansada e olho Lúcia.

— O que aconteceu com o seu joelho?

— Eu bati em uma raiz enquanto fazia uma cambalhota...

— C-cambalhota?

A aranha se mexe.

— Vamos!

Eu puxo Lúcia outra vez e corremos mais rápido do que nunca, mais à frente vejo as luzes do castelo.

— Ali! O castelo!

— Conseguimos!

A aranha continua a nos perseguir, eu puxo Lúcia outra vez para a direção do Salgueiro lutador.

— Susie não! Ele vai nos matar!

— Confia em mim!

Chegando próximo ao salgueiro eu empurro Lúcia para o lado, um galho bate em cima da aranha.

Eu apoio meus cotovelos no chão e olho o salgueiro voltando a postura inicial.

— Conseguimos...

Eu coloco a minha cabeça no chão cansada e olho o céu cheio de estrelas.

— Isso foi incrível!

— O banquete!

— O quê?

— Temos que ir!

Lúcia me puxa e entramos no castelo.

— Vocês caíram aonde?! — A Professora Milore nos olha pasma enquanto limpa meu machucado.

— A vassoura quebrou em cima da floresta...

— Vocês tem muita sorte de saírem vivas de lá, nenhum aluno deve entrar na floresta ou no lago negro!

— Desculpe... Acabamos parando lá por acidente.

A professora suspira e aponta a varinha para meu joelho.

— Episkey!

Meu joelho arde por alguns segundos e logo começa a sarar. Eu olho impressionada.

— Bom, embora os acontecimentos, eu devo admitir que vocês foram muito corajosas... Você, senhorita Lúcia, não deixou a senhorita Landerwood para trás, foi leal a ela... E você Landerwood, se arriscou, quase morreu e conseguiu efetuar mais de um feitiço corretamente...

— Isso é mesmo um elogio?

— Sim, pela coragem, lealdade e gentileza... Dignos de um Lufano... Eu dou dez pontos para a Lufa-Lufa.

— Mesmo?! — os olhos de Lúcia brilham.

— Sim, então por favor evitem perder esses pontos... E sejam mais responsáveis...

Lúcia pula de alegria e me abraça.

— Você ouviu isso?!

— Haha...

Meu sorrisinho começa a sumir, Lúcia e a professora se olham.

— Por que não vão para seus quartos dormirem?

— O que disseram sobre a nossa falta no banquete?

— Eu dei uma desculpa, dizendo que vocês estavam estudando aqui na sala de magia...

— Boa professora!

— Agora vão, rápido.

doc

Eu saio do banho indo em direção ao dormitório quando vejo Lorie no corredor olhando o armário de troféus.

— Boa noite, Susie, meio tarde para um banho, não acha? — ela diz enquanto olha uma foto dentro do armário.

— E daí? É fiscal do banheiro agora?

— Só acho que não devia sair andando por aí a essa hora, a zeladora não gosta...

— Hum, eu me viro com ela. — volto a andar.

— O que fazia fora da escola?

Eu paro e olho ela.

— Você me viu?

— Eu estava em Hogsmead e vi você e Lúcia passando... Que eu saiba o terceiro ano não tem permissão para sair sozinhos...

— O Quarto também não, o que você fazia lá? Responde e eu te digo.

— Apenas fazendo compras...

— Digo o mesmo.

— Você está mentindo.

— Você também.

— Veja isso... — ela aponta para um troféu.

— O que tem?

— Esse nome não é familiar para você?

Me aproximo do armário e olho o nome Tommy Munego.

— Não.

— Esse é o garoto que foi expulso ano passado...

— O que matou aquela menina? Petúnia?

— Sim...

— E o que ele tem a ver comigo?

— Nossos pais estão investigando o sumiço dele e o motivo de ter matado aquela menina... Mas às vezes as pistas não ficam claras ao meu pai quando ele vem ao castelo, por isso pensei que, já que estou aqui, e faço parte da rotina do castelo, devia ajudar na investigação.

— Então você foi a Hogsmead porque fazia parte da sua investigação?

— Sim...

— E o que pretende fazer me contando isso?

— Quero que você me ajude, isso vai ser bom para nossos pais.

— Mas é crime e contra as regras se envolver com investigações em caso aberto.

— Eu sei disso, mas estou disposta a ajudar meu pai com o que eu puder... Ele não sabe que estou fazendo isso, mas quero ser reconhecida futuramente como uma investigadora. E acho que eu devia começar com esse caso. Quer me ajudar ou não?

— Hum... Você disse antes que não confiava em mim...

— Eu ainda tenho esse mesmo pensamento. Mas a investigação e a reputação dos nossos pais é mais importante.

Eu olho Lorie continuar olhando fixa para o troféu.

— Está bem... Eu vou ajudar...

Ela me olha e passa por mim.

— Eu vou te contar tudo o que eu sei até agora... Mas amanhã.

— Tudo bem.

Olho Lorie subir as escadas principais.

— O que você realmente está planejando com isso?...

— Ainda acordada a essa hora senhorita Susie?!

— Ihh!

Olho para trás vendo o rosto assustador da zeladora e corro.

O dia seguinte chega. Temos aula livre no período da manhã, então me encontro a sós com Lorie na biblioteca.

— Livros danados! Quando eu descobrir que está tirando eles da prateleira de novo, eu vou!...

Olho a bibliotecária correr atrás de alguns livros que estão flutuando.

— Olha, isso é um livro de registros dos alunos.

Eu volto a focar na pilha de livros que Lorie colocou na mesa.

— O quê?

— Você ainda está dormindo? Achei um registro dos alunos que estudaram aqui ano passado.

— C-como você conseguiu isso?

— Peguei na sessão reservada.

— Mas nenhum aluno pode entrar lá.

— Eu não sou qualquer aluna. E de qualquer forma, eu já achei.

Ela me mostra o livro com uma foto do garoto nele. Seu último sobrenome está riscado.

Lorie aponta a varinha para o risco no nome.

— Monstrant occulta...

Eu olho o sobrenome ainda riscado.

— O que você pretendia fazer com isso?

Lorie suspira.

— Isso é um feitiço antigo, revela qualquer coisa escondida... Mas não funcionou desta vez, é realmente irreparável...

— Nunca ouvi esse feitiço antes.

— Os alunos da Sonserina usam muito, dizem que aprenderam com os veteranos. De qualquer forma... Não vamos conseguir ler o sobrenome dele.

— Mas e o sobrenome de antes? O que estava no troféu.

— Um dos dois deve ser falso, vê? Aqui no livro está escrito "Tommy Mariego"... E o outro sobrenome que não podemos ler.

— Droga... Isso seria importante?

— Muito, poderíamos ver os antecedentes da família e saber se ele teve alguma motivação para ter matado a Petúnia...

— Não acho que a família deles teriam alguma ligação. As pessoas dizem que eles se conheceram aqui na escola e viraram amigos.

— Esse garoto é quase como um fantasma... Os professores disseram que deram aulas para ele, mas não se lembram de muitos diálogos. Ele era um aluno quieto e antissocial... Apenas aquela garota que morreu perseguia ele por todo canto.

— Isso é um pouco triste...

Lorie suspira e fecha o livro.

— Já a Petúnia era uma menina extrovertida, estava sempre sorrindo e ajudando as pessoas, era apaixonada pelas criaturas mágicas.

— Duas pessoas opostas que viraram amigas...

Lorie me olha por alguns segundos. Eu semicerro meus olhos.

— Nem pense que vamos ser amigas como eles.

— Nunca pensei tal bobagem.

— Que bom!

— Shhh! Se já acabaram de ler, devolvam os livros para o seu devido lugar. — a bibliotecária passa por nós carregando os livros de antes.

— Vamos investigar mais amanhã. Vou ver o que descubro do meu lado. — me levanto da cadeira e pego os livros na mesa.

— Está bem.

Saio da biblioteca e vou para o salão principal para almoçar com Lúcia. Logo vejo um grupinho de Lufanos ao redor dela.

— Susie! Diz para eles! Diz que você conseguiu usar a sua varinha.

— O-O quê!? — Lanço um olhar feroz com ela.

— Que você conseguiu usar a varinha ontem enquanto estudava comigo.

— Ah, Bom... Sim.

— Eu duvido. — um Lufano diz.

— Eu vou te mostrar então.

Pego a minha Varinha e aponto para cima fechando os olhos.

— Lumus!...

Abro meus olhos e vejo que a varinha continua igual. Eles riem.

— Espera aí, eu realmente consegui!

— É! Eu vi gente. — ela continua do meu lado.

Eles continuam debochando. Bato a varinha na mão várias vezes.

— Ah, qual é! Funcionou ontem à noite!

— Se conseguiu foi por acaso, todo mundo aqui sabe que você é péssima com feitiços. — Sarah, uma Lufana meio metida debocha.

— E ela ainda queria ser da Sonserina — uma garota debocha rindo — Dá para acreditar?

Essa varinha!💢 Ela definitivamente me detesta!!!