Dei um suspiro de alívio tentando acalmar meu coração do susto que havia acabado de tomar. Eu tinha titica na cabeça? Entrar naquela caverna sozinha durante a noite, que perigo!

— Vai se encontrar com alguém Sofia? — Theo perguntou olhando para os lados.

Não sabia por que Theo sempre implicava comigo, nunca havia feito nada contra ele. Havia até tentado ser legal com ele, apesar de tudo. Mas ele me irritava. Ele sempre era meio debochado, como se tudo que eu falasse para ele fosse uma provocação.

— Não, Theo, não vim me encontrar com ninguém– Falei me desviando dele para sair da caverna. Ele bloqueou minha passagem e se aproximou mais de mim.

— Sua boca fica tão linda, quando fala meu nome – Ele falou me encarando. O Ar travou nos meus pulmões.

Não. Não. Não. Não. Não. Não. Mil vezes não, eu não tô acreditando.

Fiquei parada olhando para ele. Sempre achei que teria uma reação rápida para tudo, mas para isso? Minha cabeça estava fazendo eco. Ele se aproximou mais de mim, puxei o ar de uma vez e foi quando sentir o fedor de álcool e tentei não respirar, mas não consegui segurar a respiração por muito tempo.

— Você tá bêbado – Falei com um sorriso sem graça

— Não tô – Falou — Eu te acho muito gostosa, desculpa. Queria dizer que te acho incrível.

SO COR RO! THEO ESTAVA BÊBADO. Comecei suar frio na hora. Eu estava em um lugar isolado com um cara bêbado, não me importava se todo mundo gostava dele, ou e ele nunca tinha mostrado comportamento agressivo. EU ESTAVA EM UM LUGAR ISOLADO COM UM CARA BÊBADO. Se ele me agarrasse eu estava ferrada. Sim!

F-E-R-R-A-D-A.

Ele era mais forte e os músculos que ele adorava exibir, eram enormes e ele estava bêbado e sem nenhum juízo. Mal tiver tempo de pensar no que fazer e ele me agarrou. Theo me puxou pela cintura e bem devagar o nariz dele roçou meu pescoço, como se inalasse meu perfume. E novamente eu travei. O que eu faço, minha mente se perguntava desesperadamente. Se eu tentasse correr, ele me seguraria. Uma ideia surgiu, ele deve achar que eu sou outra pessoa, de tão bêbado que está. Se eu beijá-lo, ele vai achar que estou na dele, ele me solta em algum momento e eu corro. Ela se obrigou a relaxa um pouco, quando Theo afundou as mãos nos seus cabelos e correu seus dedos até a nuca dela, um arrepio tomou seu corpo. Ele grudou sua testa contra a dela, e ela se forçou a finalmente levantar o olhar e encará-lo, ele deu um sorriso de canto de lábios e a beijou.

MEU DEUS! MINHA NOSSA, a mente dele apitava mais que ambulância de Samu. Mulher, corre, vai embora.

Eu estava ferrada! Quando seus lábios tocaram os meus, senti um arrepio devido a tensão, e a adrenalina que o medo me causava. Eu estava beijando o irmão mais novo do meu crush. O beijo dele começou devagar, um beijo calmo de quem estava conhecendo o outro. Um braço ainda apertando minha cintura e o outro colocando meu braço ao redor do seu pescoço. Quando meus dois braços estavam ao redor dele, seus dois braços se enrolaram na minha cintura. O beijo dele se aprofundou e quando sua linga tocou a minha, me afastei um pouco. Ele me beijou ainda mais e novamente sua língua buscava a minha, por reflexo me afastei, para logo em seguida lembrar que precisava fazer isso para fugir. Parei de fugir e finalmente quando Theo tocou sua língua na minha, me deixei levar.

Estava abraçados e mergulhados nesse beijo, como eu não respirava, foi apenas quando nos afastamos que sentir que precisava urgentemente de fôlego.

— Caralho – Theo murmurou com a voz rouca.

Eu estava em choque. Theo me agarrou e tinha me dado o melhor beijo da minha vida! Não que eu o achasse feio, apenas achava que ele tinha uma pequena aversão contra mim. Ele mantinha o queixo no meu ombro respirando forte, soltou minha cintura, e segurou minha mão. A mão dele passeava devagar pelo me braço, me causando arrepios, estava ofegante tão ofegante quanto eu. Ele me olhou nos olhos e devagar encostou seus lábios nos meus. Ela mordiscou meu lábio devagar e aquilo me causou uma avalanche de arrepios. Devagar, ele começou a me dá leves beijos, para finalmente me puxar para mais perto e me dá mais um beijo. Juro que não sei o que deu em mim, mas já estava com os dois braços enroscados no pescoço dele, correspondendo aquilo bem mais do queria admitir. Aquilo me deu um estalo e quando Theo se afastou levemente de mim, uma raiva me dominou. Desenrosquei meus braços dele e enfiei minhas unhas no seu braço.

— Cadê a porra do consentimento, caralho? — Perguntei furiosa, já me virando para sai. Eu ia dá no pé sim.

Mas antes que eu conseguisse, ele me segurou pelo pulso.

— Porra, Sofia. O que foi que te deu? — Perguntou confuso

—O que foi que me deu?

No exato minuto que eu estava pronta para falar umas boas para ele, seus amigos apareceram na entrada da caverna, chamando por ele.

—Aqui— Ele gritou em resposta. Dei dois passos para trás e tentei criar uma distância segura. Não conseguia decifrar o olhar de Theo e comecei a ficar assustada.

Os amigos dele se aproximaram e fiquei ainda mais nervosa. Eles estavam Bêbados. Tinha que sair dali ou sobraria para mim. João e Aline eram os melhores amigos de Theo. Todo mundo sabia disso. Os amigos deles me olharam e ele sorriu e se aproximou, passando a mão sobre meus ombros.

— Tava levando a Sofia para fora— Ele disse para os amigos— Aqui é muito perigoso para ela — falou. João e Aline, os dois amigos de Theo me olharam mais um ver, olharam para Theo e trocaram sorrisos maliciosos.

— Vamos vazar – Aline falou com João logo atrás dela.

— Peraí – Theo falou alto – Também vamos.

A mão de Theo foi parar ao redor da minha cintura e me apertava, meu coração estava acelerado pelo medo, só estaria segura quando estivesse fora da caverna. Theo apertou ainda mais minha cintura e o empurrei. Eu parei. Ele parou e os amigos também.

—Sabe— Ele começou a dizer— Quando cheguei a Sofia estava bem interessada no buraco negro. Vamos dá uma última olhada pra matar a curiosidade dela.

Ele me agarrou e me jogou sobre seu ombro direito.

Theo, seu babaca escroto, estúpido! Imbecil. Me larga! — Gritei alto – Para, por favor– gritei com mais força, enquanto tentava chutá-lo e fazer ele me soltar. Mas ele não me soltou.

Theo passou por cima da cerca de segurança e me colocou na beira do buraco e segurou meus pulsos. Eu tremia, estava apavorada. Pude ver Aline com a cara de chocada.

— Theo, isso não tem graça – João falou sério.

— É sério mano. Para – Aline também falou.

Theo não respondeu. Ele me olhava com o mesmo olhar de segundos antes de me beijar. Eu sentia o nada atrás de mim. Meus Calcanhares estava no buraco e me apoiava nas pontas do pé.

—Por favor— Implorei com lágrimas descendo pelo meu rosto— Por favor, me deixa ir— Theo apertou mais os meus pulsos. Por um minuto achei que aquela seria a hora que ele me jogaria.

— Era brincadeira— Ele falou rindo e me puxou para uma distância segura do buraco. Eu ainda tremia e Theo soltou apenas um pulso meu. Dei um passo para trás e estava pronta para puxar meu pulso e correr quando a beirada do buraco desmoronou.

Theo — Gritei sem ar.

Eu cairia, pensei, enquanto sentia o vento gelado. Mas, Theo conseguiu segurar forte meu pulso. Ele me segurava apenas pelo pulso e eu estava sendo segura por um bêbado. Theo havia caído no chão e seu rosto estava vermelho. O braço que ele me segurava era o meu que eu havia arranhado, conseguia ver manchas de sangue na manga da sua blusa. A terra que havia se soltado caia pouco agora.

— Não me solta – pedi chorando. Os amigos dele se aproximaram com cuidado.

—Nunca – ele falou. Mas não confiei nele. Ele sabia que estava ferrado, talvez ele me soltasse e eu morresse ali sem minha mãe saber o que teria acontecido comigo. Ninguém nunca acharia meu corpo.

O desespero tomou conta de mim mais forte que antes.

—Por favor. Por favor, não me solta – implorei. Ele tentava me segurar, mas sua mão estava suada e eu escorregava.

— Me ajudem – Ele gritou aos amigos.

— Não me solta— Gritei desesperada. Theo tentou segurar minha mão e eu escorreguei. Gritei. Gritei o quanto pude. A última coisa que vi foi mais terra desmoronando e Theo, João e Aline gritando. Minha mãe nunca saberia o que aconteceu comigo, nunca acharia meu corpo. Tudo ficou escuro antes de chegar ao fundo.